No mercado dos sentimentos

“Nesse dia das mães, retribua todo o amor que ela te deu…”
“Mãe, uma pessoa tão especial. Ela merece um presente também especial…”
“Ela sempre fez tudo por você, seja um bom filho e dê…”
 

As frases foram inventadas, mas você sabe muito bem que poderiam ser verdade. Comecei a reparar nas propagandas de dia das mães e a verdade é que eu fiquei com nojo. Chegou-se ao ponto de dizer que podemos retribuir todo o amor e a dedicação que nossa mãe nos deu durante anos e anos de carinho e cuidado dando um perfume x ou a roupa y. E é verdade: amor se compra, carinho tem que ser retribuído com presentes e por aí vai. Repetem tanto isso na minha cabeça que passa a ser verdade.

Posso te contar um segredo? Eles não querem que sua mãe fique feliz com o presente. Eles querem é vender. Somos alvo de propaganda o tempo todo. Feriados que antes eram religiosos são transformados em odes ao consumismo. Se não há um feriado, criam algum pra poder lucrar: Janeiro é mês de férias, Fevereiro é Carnaval, Março é Semana Santa, Maio é dia das mães, Junho é dia dos namorado, Julho é férias de novo, Agosto é dia dos pais, Outubro é dia das crianças, e Dezembro vem o rei de todos os feriados: o Natal. Não é o rei de todos os feriados por ser a comemoração do nascimento de Cristo, não. É o nascimento do deus Papai Noel, que conseguiu desviar pra si – quase totalmente – a atenção nesse dia de festa.

Isso tudo nada mais é um reflexo da sociedade em que vivemos e dos valores que permitimos que a dominem. A coisificação das nossas relações pessoais e a personificação da nossa relação com as coisas, nada mais. Pais que para aliviar a culpa de serem ausentes enchem os filhos de presentes, filhos que para aliviar a culpa de serem desrespeitosos enchem os pais de presente. É mais difícil, custa mais, mas acho que muito mais valeria nos 365 dias do ano agir verdadeiramente com amor em relação à sua mãe (e com qualquer um!) do que tentar compensar tudo isso de uma vez só e com um presente.

ana.oliveira

Sobre ana.oliveira

Ana Luíza, 21, é filha única e já fez intercâmbio. Atualmente estuda Economia na UFMG e é bolsista da Associação Democracia Ativa (dispondo de muita fofoca política pra contar ;]). Adora ler, viajar e aprender línguas. Participa de Alvo da Mocidade desde 2001, estando atualmente na Comunidade. É cristã e simpatiza com o marxismo.

2 comentários sobre “No mercado dos sentimentos

  1. Oi Ana!
    “É mais difícil, custa mais, mas acho que muito mais valeria nos 365 dias do ano agir verdadeiramente com amor em relação à sua mãe (e com qualquer um!) do que tentar compensar tudo isso de uma vez só e com um presente.”

    E é verdade que um presente sem amor não vale nada, mas a demonstração de amor dispensa presentes. Já é o maior deles!

    Abçs =)

  2. Oi Isa!
    Se vivêssemos como se nós fôssemos os presentes pras pessoas, nem necessitaria de mais nada!!!
    Obrigada pela contribuição. 😀

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