Mestre e Senhor

Existem no mundo diversas correntes de pensamento que enxergam Jesus Cristo apenas como um grande mestre. Estas correntes costumam produzir discursos que equiparam Jesus com Buda, com Madre Tereza, com Maomé, com Gandhi ou com outro qualquer ser humano que por ventura tenha falado em amor ou tenha sido amoroso com seu próximo. Quem enxerga Cristo desta forma, certamente tem dificuldade em aceitar que Cristo nasceu de uma virgem (afirmam que José é seu pai biológico), e não aceitam que Cristo morreu e ressuscitou. O máximo que vão admitir é que Jesus era “um grande homem”. Esta seria uma versão do “Jesus histórico”, rebaixado a simples personagem da história humana. Em resumo, acreditam em um Tiradentes judeu.

O que causa certa perplexidade é constatar que a “fonte histórica” do “personagem histórico” Jesus é, para o bem ou para o mal, nossa Bíblia Sagrada. Vista por uns como contos de fadas, por outros como fonte histórica (literal quando racional e alegórica quando nem tanto), a Bíblia está repleta de citações onde o próprio Cristo afirma, sem deixar resquícios de dúvida, ser Deus. Vejamos um trecho do evangelho de João:

“Eu e o Pai somos um.” (João 10:30)

Tal frase, dita por algum guru esotérico, por algum semideus irmão de Hércules ou por qualquer outro tipo de divindade politeísta, não causaria nenhum furor ou novidade. Fazer parte de deus e ser um com deus é natural para diversas religiões e crenças. A questão é que esta frase foi dita por Jesus, um judeu.  E isto, faz toda a diferença. Para os judeus, não existem divindades, existe UM DEUS.  Ele é absoluto, único, imutável.  Por sinal, Cristo foi perseguido exatamente por afirmar ser Deus, como bem relata a continuação do evangelho de João:

Novamente os judeus pegaram pedras para apedrejá-lo, mas Jesus lhes disse: “Eu lhes mostrei muitas boas obras da parte do Pai. Por qual delas vocês querem me apedrejar?” Responderam os judeus: “Não vamos apedrejá-lo por nenhuma boa obra, mas pela blasfêmia, porque você é um simples homem e se apresenta como Deus”.(João 10:31-33)

Entender como Deus é único para o povo judeu, e por consequência, para todos os cristãos, é a chave para perceber como o discurso de Jesus era chocante para a sua época, ao ponto de causar sua própria morte.

Este Jesus, que quando fala de amor, perdão, mansidão e humildade,  é tido como mestre, só pode de fato ser mestre caso seja Deus. O discurso de Jesus só faz sentido se ele for mesmo Deus. Do contrário, o mais racional seria classificar Jesus como louco, lunático, psicopata ou como o próprio diabo.  Um homem, que sendo apenas homem, afirma as coisas que Cristo afirmou, não pode ser considerado nada menos do que isto.

“Você pode querer calá-lo por ser um louco, pode cuspir nele e matá-lo como a um demônio;  ou pode prosternar-se a seus pés e chamá-lo de Senhor e Deus. Mas que ninguém venha, com paternal condescendência, dizer que ele não passou de um grande mestre humano. Ele não nos deixou essa opção, e não quis deixá-la.” (C.S Lewis)

Jesus é mestre, mas é também Senhor.

Um abraço!

Um comentário sobre “Mestre e Senhor

  1. Belo texto, meu amigo. Estão aí duas clássicas antinomias bíblicas: a trindade e a natureza do Cristo. Queira Deus compreendamos princípios eternos com nossas mentes limitadas. Um Deus que é um só e ao mesmo tempo três (não um deus de três cabeças) e um Deus que é Deus e ao mesmo tempo homem (Jesus o Deus encarnado) são mistérios, mas que sejam aceitos por fé envolvidos pelo maior e verdadeiro amor do universo, a saber, o de Deus por tudo o que fez e ainda faz, especialmente a Cruz. Um abraço

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *