Madalena

Já faz um ano que Madalena está conosco e nossa casa definitivamente, não é mais a mesma. Pelo espalhado pela casa, brinquedos no chão e alguns outros enterrados por entre as frestas do sofá. É ela uma cachorrinha pug bastante particular. Daquelas de beleza excêntrica, que tem a cara preta, o corpo quadrado e o rabo enrolado. No caso de Madá, poderíamos acrescentar uma personalidade bem forte e uma certa dificuldade em cumprir combinados. Com um hábito de colecionar havaianas arrebentadas (que ela mesma produz) e marcar quase todos os nossos móveis de madeira com seus dentes afiados. Louca por cenoura – e pelo que mais se quiser dar é capaz de passar boa parte do tempo apreciando a paisagem monótona de rua sem saída pelo vidro da varanda.

Não poucas vezes, chegamos mesmo a desejar que ela pudesse trocar uma ou duas palavras. É porque as expressões e ações carregadas de espontaneidade enchem nossos dias de alegria. E se já é bem verdade que o simples olhar detido em sua figura já causa motivo de riso bastante, tanto mais suas artes e meiguices que ela despeja aos monte; do que nos fazem mais falta quando viajamos.

Mas das coisas que mais a definem é certamente sua curiosidade. Sempre tive cachorros antes de casar e sei que talvez seja assim com a maioria deles, mas Madalena bate recordes. Nunca a vi recusar nenhum tipo de alimento. Se bem que só come ração e verdura, não raro alguns acidentes acontecem na cozinha ou algum desavisado compartilha algum lanche do qual ela jamais faria desfeita. Em hoteizinhos, é preciso separá-la dos demais cachorros na hora da refeição para que ela não coma a comida de todos os outros. Além disso, seu lugar preferido na casa é a dispensa que funciona como depósito de tudo que não está sendo utilizado por nós. Ela é capaz de passar horas ali, só cheirando e descobrindo coisas novas. Qualquer objeto que oferecido a ela, vira um brinquedo e só o deixa de ser após ser completamente consumido. Uma escova de dentes, um chinelo velho, uma garrafa de plástico ou seja lá o que for…

Madalena em sua dispensa de consumo me diz. Sobre desejar o que o focinho aponta, sobre comer de tudo. Em decisões pelo que oferecido diante dos olhos. Sobre abanar o rabo ou não escolher seus brinquedos. Em lugares onde falar já não faz tanta falta, importando o querer sobre o ponderar, Madá sabe bem apontar o dedo…

2 comentários sobre “Madalena

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