Lucas 12:57-59

Lucas é o evangelista médico/historiador. Não foi testemunha ocular da caminhada terrena de Jesus, mas investigou minuciosamente os Seus feitos. Importante salientar que o seu livro foi finalizado ainda no primeiro século, provavelmente na década de 60 d.C. Pouco menos de 30 anos depois da morte, ressurreição e ascensão de Jesus.

Mesmo muito inspirado nos demais evangelhos sinóticos, Lucas não abandonou a sua investigação. Entrevistou, estudou e valeu-se de sua forma peculiar de escrever, abusando de seu grego impecável, quase clássico. Tudo em Lucas me impressiona, mas particularmente o Jesus que fala de juízo e justiça divina.

O texto que venho dividir com vocês hoje tem sua correspondência em Mateus 5:26-26.

O contexto poderia ser resumido da seguinte forma: os judeus de ontem e muitas outras pessoas de hoje olham para Jesus e não entendem o que Ele fala. Isso quando conhecem suas falas.

“Dizia ele à multidão: “Quando vocês vêem uma nuvem se levantando no ocidente, logo dizem: ‘Vai chover’, e assim acontece.E quando sopra o vento sul, vocês dizem: ‘Vai fazer calor’, e assim ocorre. Hipócritas! Vocês sabem interpretar o aspecto da terra e do céu. Como não sabem interpretar o tempo presente?” Lucas 12:54-56

O que a vinda de Jesus representava?

E, então, o texto de hoje:

“Por que vocês não julgam por si mesmos o que é justo? Quando algum de vocês estiver indo com seu adversário para o magistrado, faça tudo para se reconciliar com ele no caminho; para que ele não o arraste ao juiz, o juiz o entregue ao oficial de justiça, e o oficial de justiça o jogue na prisão. Eu lhe digo que você não sairá de lá enquanto não pagar o último centavo”. Lucas 12:57-59

Temos especial dificuldade com as expressões empregadas neste trecho, são elas: a) MAGISTRADO; b) RECONCILIAR; c) OFICIAL DE JUSTIÇA; d) PRISÃO.

Os sinais do tempo exigem uma decisão imediata. É o que Jesus está dizendo. Há no texto duas compreensões de julgamento: uma no sentido de discernir o que é justo e outra relacionada à ira de Deus. O segundo é o julgamento que consiste na resposta de Deus ao pecado. Com isso já respondo uma primeira pergunta: Quem é o Magistrado? O próprio Deus!

A nossa caminhada aqui na terra é o momento para a RECONCILIAÇÃO. O momento de reconciliarmos com Deus e o momento de reconciliarmos com a nossa própria história. Se não houver reconciliação voluntária e fundamentada em fé o próprio Jesus disse que sobrevirá julgamento, oficial de justiça e prisão. Não me pergunte o que seriam os outros dois, mas de uma coisa eu sei: as prisões conhecidas na antiguidade não eram nada agradáveis.

Hoje é o dia da decisão mais importante da sua vida.

“Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido”. Lucas 19:10

Gabriel Lazarotti

Sobre Gabriel Lazarotti

Redimido pelo amor de Deus. Discípulo de Jesus que segue por este Caminho. Um sincero apreciador da criação. Pretenso poeta todo o tempo, advogado e músico nas horas vagas.

2 comentários sobre “Lucas 12:57-59

  1. Belo texto, Gabs! :smile:

    Me fez pensar sobre temas que temos discutido nos estudos e também sobre temas que iremos discutir em breve, e que já prometem debates bem interessantes.

    Então, por amor ao debate, deixo aqui, desde já, a minha provocação:

    “Por que vocês não julgam por si mesmos o que é justo? Quando algum de vocês estiver indo com seu adversário para o magistrado, faça tudo para se reconciliar com ele no caminho; para que ele não o arraste ao juiz, o juiz o entregue ao oficial de justiça, e o oficial de justiça o jogue na prisão. Eu lhe digo que você não sairá de lá enquanto não pagar o último centavo”. Lucas 12:57-59

    A minha interpretação desse trecho é um pouco diferente, e vou compartilhá-la com você: existem alguns caminhos, uns são mais curtos e outros mais longos. Você pode sim abreviar o seu caminho e, consequentemente, o seu sofrimento, você pode se reconciliar com a sua história, se reconciliar com o seu adversário, que nada mais é que você mesmo! Quer fazer isso? Se arrependa dos seus erros e trate de fazer as coisas certas daqui pra frente. Não quer? Quer continuar errando? A justiça divina será feita, você vai ter que pagar por tudo aquilo que cometeu! Tudo mesmo!

    Concordo com você, Deus é, de fato, o magistrado. E ele vai te julgar, e vai cominar a pena que você terá que cumprir. Mas ele é um magistrado diferenciado, porque é também amor (e que amor!). Ele te dá a oportunidade de resolver essa situação de uma maneira mais leve: você pode se arrepender e diminuir essa pena. Mas, se você preferir ir pro julgamento sem antes tentar uma conciliação, tudo bem, ele é justo, e você terá que pagar por tudo o que fez de errado. E essa pena terá a duração exata para que você consiga quitar a sua dívida, ou seja, nunca durará uma eternidade, afinal, você não tem uma eternidade de pecados, porque você não viveu uma eternidade pra ter esse saldo imensamente negativo (acredito eu que, também na justiça divina, vigoram os princípios da proporcionalidade e da pessoalidade das penas).

    E, pra terminar, eu gostaria de compartilhar com você que eu não acredito que a ira seja, tenha sido ou possa algum dia ser um sentimento atribuído a Deus. Não condiz com o caráter dEle. Deus é justo, Deus é amor e Deus é perfeito. Um sentimento tão negativo e humano não se coaduna com o que me foi apresentado sobre o caráter divino. Eu sei que na Bíblia há diversas passagens com esse termo, mas eu prefiro entendê-lo como “justiça”. Aliás, sobre o que você disse sobre a nossa reconciliação com Deus, entendo que a conciliação mencionada por Jesus é com o nosso adversário, ou seja, com o que de ruim há em nós, e não exatamente com Deus. Claro, nessa nossa reconciliação particular passaremos a ser melhores filhos, por passar a nos relacionar com Deus e por passar a viver pra Ele e para que o plano que Ele tem pra cada um de nós possa ser cumprido da maneira como Ele sempre quis. Mas Deus, em seu papel de magistrado, não vai se conciliar com ninguém (e também nós não poderemos nos reconciliar com ele, pelo mesmo motivo), afinal, o papel do magistrado é julgar ou, na melhor da hipóteses, homologar uma conciliação.

    😉

  2. Fala, Gaba!

    O texto que você escolheu não é dos mais simples. O contexto que ele é usado, por exemplo, no evangelho de Mateus, é diante da questão do homicídio e da ira. Lá, Jesus está mostrando que o buraco é mais em baixo. Se antes o problema era matar, agora Jesus diz que se você sente ira/ódio, você já é alguém condenável.

    Aqui em Lucas, o fim do cap. 12 mostra Jesus fazendo uma crítica àquela geração, dizendo que eles não conseguiam fazer uma correta “leitura” sobre os acontecimentos que se davam a sua volta. Depois de afirmar isso, Ele usa o exemplo da reconciliação entre um homem e seu adversário.

    Acredito que sua interpretação está correta. A presença de Jesus traz sim, suas implicações e exige de nós, consertarmos o que há muito tempo está errado!

    Jesus é um “divisor de águas” de Deus! Ele fala sobre isso nos versículos anteriores do mesmo capítulo 12. Diz que sua presença significava fogo (vv.49-53) e havia terminado de contar uma parábola que falava sobre acerto de contas de um senhor que se ausentou e ao voltar, achará alguns num estado condenável e outros não. (vv.35-48)

    Acredito sim que é tempo de nos reconciliarmos com Deus e isso, apenas através do próprio Cristo! Isso, biblicamente falando, significa “ser liberto do império das trevas e ser transportado para o reino do Filho do seu amor, NO qual temos a REDENÇÃO, a REMISSÃO dos pecados.” (Colossenses 1:13-14)

    Tudo só pode ser feito NELE, POR ELE… Não há outra possibilidade de redenção e remissão da nossa condição! E permanecer nesse reino das trevas, é experimentar todas as consequências da distância de Deus! Por isso, o estímulo de Jesus para que nos reconciliássemos com Deus, de preferência, o quanto antes! (Lc.12:57-59)

    Acho que é isso…

    Bração!!!

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