Louça suja

A louça suja se acumulava na pia. Incansavelmente. O impulso de me levantar e lavar toda a louça ia e vinha, mas não permanecia. Algumas vezes me questionei até quando. A resposta não se concretizava, mas sabia que nos meus armários não havia tantos pratos, talheres, panelas e copos. Uma hora eles acabariam e com os armários vazios, eu seria forçada a limpar a minha pia.

A inércia de não querer fazer nada me envolveu. E a ausência de força e energia para me mover em direção a pia me fez continuar nos lugares confortáveis, sentada no sofá vendo TV, ou deitada na cama fingindo dormir. A quem eu procurava enganar? À minha pia? Às minhas louças sujas? Em primeira e última instâncias, a mim mesma.

O esvaziar dos armários, porém, não me fez agir. Preferi resolver a questão com uma solução bem convencional: comer fora. Assim, encostei a porta da cozinha, ignorei o problema, fingi que estava tudo bem, que não havia com o que se preocupar. O que os olhos não veem o coração não sente, certo?

Errado.

A pia, a bancada e parte do fogão abrigavam toda a sujeira. Que já cheirava mal pelos dias de acúmulo. Conscientemente passei a me questionar: como deixei a situação chegar a esse ponto? E o desânimo de ter que limpar a bagunça sozinha me consumia. Já não era preguiça, mas medo do que eu encontraria no fundo da pia, quanto tempo demoraria para deixar tudo limpo novamente, e se tudo se sujaria de novo. Como foi mesmo que isso chegou ao meu coração?

O convite de uma pia limpa, e coração novo me veio a mente:

– Vamos, filha, limpar a sujeira!

Fomos então, eu e Ele lidarmos com os meus pecados.

 

 

 

 

Lorena Mariano

Sobre Lorena Mariano

Filha amada de Deus, antes de tudo. Mineira de BH, 22 anos, formada em Letras pela UFMG. Amante das palavras. Adora livros e cinema. E o prazer de ter pessoas pra compartilhar a vida. Trabalha como missionária em Alvo da Mocidade desde 2014.

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