Largue seu garfo!

Não. Não vou, de forma alguma, contradizer as idéias que a Carla colocou no post Agarre seu garfo. Muito pelo contrário: as idéis daquele post foram fantásticas e vou apenas usar a oportunidade do trocadilho para tratar de um ponto bem mais literal nessa expressão: a gula!

Gula

Há muito tempo já penso nessa questão. Principalmente, por causa da presença dela na minha vida: é triste pensar que, nas últimas três vezes que fui a um rodízio, voltei para casa passando mal devido ao tanto que comi. Até hoje não me conformo com isso. Soa até engraçado: ao exercer meu direito de estar livre para comer, perdi minha liberdade ao tentar igualar a quantia paga à comida ingerida.

Que besteira. Temos essa idéia de que devemos sempre lutar pelos nossos direitos e assegurá-los, custe o que custar. Paguei R$30 para comer livremente, logo, vou comer os R$30 que tenho direito e mais um pouco! Ledo engano. A base do cristianismo circula justamente em torno do completo oposto: abrir mão do seu direito, em prol de alguém, ou de algo. Essa é a essência do amor.

Foi assim com Cristo. Ele tinha o direito de ser Deus. Ele tinha o direito à vida. No entanto, não hesitou de abdicá-los, em nosso favor. Não estou dizendo que foi fácil, mas Ele o fez. E isso, no final, foi o que importou.

Acho que a gula também pode ser definida nesses termos. Tenho o direito de comer o quanto quiser e vou exercê-lo, custe o que custar. Não me importa as outras pessoas que estão na mesa, não me importa o exercício do meu auto controle, não me importa o meu testemunho de cristão – enfim, não me importa o amor que devo demonstrar pelos outros e por mim mesmo. Custe o que custar, vou me satisfazer.

Adicionalmente, é importante ficar claro que a gula não está ligada ao comer muito. Podemos comer pouco e ainda pecarmos. A gula se revela na relativização do comer – tenho de avaliar o quanto estou comendo em relação aos demais e em relação a minha necessidade.

No final das contas, não podemos determinar uma regra como outrora faziam. Nos mosteiros beneditinos, por exemplo, havia regras claras sobre a quantidade exata que cada religioso podia ingerir. Não acho isso certo, afinal pessoas diferentes possuem necessidades diferentes.

Então, como sempre, vale a regra da consciência. Cada um com a sua, perante Deus. Mas peço-lhe que examine-a muito bem! Sobretudo, quando estiver em comunidade. É muito triste, nos lanches da comunidade que participo, ver (muitas) pessoas que não pensam nenhum pouco nos outros. Lanchinhos não são feitos para matar a fome, mas sim como uma mera justificativa para a socialização.

Concluo com um apelo. Mais do que apenas um apelo para você – um memorando para mim. Antes de servir novamente, pergunte-se se você já não está satisfeito e se não estará privando alguém que ainda não comeu de comer. Se positivo para qualquer uma das perguntas, não hesite em largar seus garfos!

Até a próxima!

11 comentários sobre “Largue seu garfo!

  1. Mateus! Ficou excelente! Posso dizer o mesmo que falei para o guilherme quando ele tratou do beijo nas escrituras. Quando vc me disse que falaria sobre gula não achei mesmo que seria assim. Foi surpreendente. Aliás, costumamos ouvir dos ‘sete pecados capitais’ que não se encontram na Biblia sob essa denominação, mas estão, de certa maneira, elencados lá. Como exemplo, quem todos os momentos sede às imposições da gula é chamado de glutão. Sabemos que a BL condena a glutonaria… Logo, fácil compreender a importancia de se falar do assunto. Eu acho que eu tenho dificuldade nessa questão… hehe

  2. Vixi, eu definitivamente tenho dificuldade nessa questão também Gabana!
    Muito legal o tema, é dificil alguém escolher falar sobre glutonaria. E realmente é tão importante quanto tudo o resto. eu como mais do que deveria. sem duvida alguma
    :) ehhe
    bjss

  3. Rato!
    Interessante escolha de tema e bom título hehehe
    É um assunto do qual nunca escutei falar muito, mas de fato é um pecado, tenho q refletir mais sobre o assunto…
    obrigada!

  4. Mateus! Adorei o post! E o título! : )
    Me lembrei de um filme que a gente assistiu em que teve uma cena na qual uma pessoa trouxe uma comida e várias crianças avançaram nela… na hora a gente comentou “nossa, tá parecendo o povo lá do grupo”.
    Sim, super triste ver uma cena onde pessoas avançam como loucas na comida e nos lembrarmos da comunidade cristã da qual participamos. Espero sinceramente que isso mude! Foi bom para a minha vida ler esse post e espero mudar minha atitude.

    Lendo o post me lembrei de 2 versículos (FP 2:3,4):
    “Nada façam por ambição egoísta ou por vaidade, mas humildemente considerem os outros superiores a si mesmos. Cada um cuide, não somente dos seus interesses, mas também dos interesses dos outros”.
    Se pensássemos mais nisso, agiríamos diferente, com certeza.

    Bjus!

  5. O Iberê carcou nui no acampamento agora, justamente dizendo que baseado no esganamento ao se servir a galera tava se mostrando pouco humilde.

    É como disse uma sábia certa vez: “pessoas são convidadas [a festas] não para serem alimentadas, mas para contribuir de alguma maneira com o sucesso da reunião.”

  6. Galera, valeu pelos elogios! :-) Pensei nas idéias com carinho! hehe

    Versículo mto bem colocado Carla, fenomenal!

    E Vidigal, reza a lenda que o Iberê deu esse sermão inspirado no meu post. RS

  7. É, no acampamento agora deu para perceber muita dessa ‘voracidade’ : muitos (e eu me incluo aí ) mal esperavam acabar a oração e saiam , ás vezes literalmente correndo para pegar a comida, principalmente nos dias em que tinha um prato diferente . E isso num acampamento cristão.
    Legal abordar esse assunto, porque eu também nunca ouvi falar muito e nem penso direito, ás vezes até esqueço que existe esse pecado

  8. Pingback: O que é o amor?
  9. Fantásssstico o post!!!!
    Sempre fiquei muito incomodada por enxergar esse pecado na minha vida e muitas vezes fui convencida do contrário com o argumento de que “temos necessidades diferentes”. Não que eu nao concorde com isso – pelo contrário-, mas acho que às vezes são desculpas para não termos que avaliar nossas atitudes e lutar contra nossa carne, o que é bem dificil.
    É triste ver que, no nosso meio, temos nos deixado amoldar à mente do mundo, que o tempo todo vende a satisfação, a compulsão e o prazer insaciáveis.

    Adorei o tema, e espero que consigamos nos avaliar diariamente, sem mascarar esse pecado…Talvez as coisas mudem e o lanchinho da Comunidade não seja mais DEVORADO em menos de 8 min….kkk

    Muito bom, Rato!!! =]

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