Ladeira abaixo

Meu domingo havia terminado. Cheguei em casa cansado. Tinha acordado às 6h e só voltei para casa perto das 21h. Depois de estar alimentado e pronto para dormir, resolvi ligar a TV. Até hoje, não sei dizer se fiz bem ou mal. Parei num canal evangélico de uma igreja brasileira. Havia lá um auditório lotado e o microfone nas mãos de um pastor vestido de pano de saco (é isso mesmo que você está lendo) que se julgava um homem de Deus. Ele estava dizendo que, no tempo de Elias, 7 mil joelhos não haviam se dobrado a Baal. E, por causa disso, ele iria orar de joelhos durante 7 minutos, afirmando que Deus iria fazer milagres na vida daqueles que assumissem o propósito de doarem R$1.000,00 para que aquele canal não saísse do ar. Afinal, o “evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo” precisa continuar sendo anunciado.

Quem me conhece, imagina o que vem por aí, né? Vamos por partes:

1º) Não foram 7 mil joelhos que permaneceram fiéis em Israel (I Rs.19:18). Foram 7 mil homens. Se eu não estou enganado, partindo do pressuposto que cada homem tinha 2 joelhos, eram 14 mil joelhos. O pastor, na verdade, só era bom para fazer contas com dinheiro. Tipo quando o professor Girafales fazia um conta envolvendo laranjas e o Chaves dizia que saberia a resposta se fossem maçãs. No entanto, é bastante provável que o grande galho da maioria dos pastores de hoje não seja com a matemática, mas com a Bíblia Sagrada.

2º) Agora, vamos falar sobre os 7 minutos de oração. Por que 7 minutos? Por que não 7 horas? Quanto mais oração melhor. Nosso Senhor virava a noite orando (Lc.6:12). Mas ali, precisava ser algo dinâmico. O programa tinha horário e quem quisesse receber os milagres, tinha o tempo de 7 minutos pra transferir o dinheiro para a conta da igreja. E nem precisa dizer que, durante toda a oração, os dados bancários da igreja estavam estampados na tela da TV, né?

3º) O deus que me pede dinheiro como condição para me abençoar chama-se Diabo. O Deus que se apresenta nas Escrituras faz o sol nascer sobre maus e bons, faz a chuva vir sobre justos e injustos. Não exige condições para abençoar. Já o Diabo, no deserto, diz a Jesus: “Se prostrado me adorares, tudo isto te darei.” (Mt.4:9)

Fui dormir triste. Meu coração estava pesado. Não é isso que o verdadeiro Evangelho faz ecoar nos corações humanos. No início, a igreja era um grupo de homens centrados no CRISTO VIVO. Então, chegou à Grécia e tornou-se uma FILOSOFIA. Depois, chegou à Roma e tornou-se uma INSTITUIÇÃO. Em seguida, à Europa e tornou-se uma CULTURA. E, finalmente, chegou à América e tornou-se um NEGÓCIO.

Alguém sabe me dizer se essa ladeira acaba por aqui ou tem mais para onde descer?

Um grande abraço!!!

Eduardo Victor

Sobre Eduardo Victor

Mineiro de Belo Horizonte, 33 anos, cristão e missionário em Alvo da Mocidade. Apaixonado pelas Escrituras, tornei-me um sonhador quando descobri que Deus pode nos surpreender com as coisas mais simples e inusitadas desta vida...

3 comentários sobre “Ladeira abaixo

  1. Triste e pesado.
    Alegre em pensar que o evangelho ainda permanece livre de amarras e bizarrices e atuante em vidas mundo afora. Abraço

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