O labirinto

“Todos os meus pensamentos, todos os meus sentimentos de então não eram meus, eram pensamentos e sentimentos dele, que de repente se tornaram meus, passaram para a minha vida e iluminaram-na.”

Essas são palavras de Mária, personagem do romance Felicidade Conjugal, de Tolstói, descobrindo o amor pelo seu futuro marido.

Amor intenso, jovem, ainda imaturo, porém apaixonante e ardente. Esse sentimento é vivido por muitos cristãos no início da caminhada com Cristo.

Vivemos esse amor intensamente. Reunimo-nos por ele, alegramos por ele, falamos dele sem pudor. Sentimos a chama arder no coração e apenas isso importa.

O problema do nosso amor juvenil, assim como o da personagem, é que de repente achamos que é hora de mudarmos as regras. Queremos novidade, mais movimento.

Apesar dos avisos e lembretes do Pai, que não é somente o criador do amor, mas detentor do mesmo e é o próprio Amor. Apesar de tudo de bom que temos vivido e experimentado juntos, apesar de toda a paz que excede o entendimento, queremos, exigimos mudança.

E mudamos a direção. Com gentileza fingida, retiramos as mãos do nosso guia, orientador e nos denominamos capitães de nossas almas. Aquele que nos trouxe até aqui agora pode observar como aprendemos a andar com as próprias pernas.

“…o insensato quer tormenta, como se nela houvesse paz!” M.I. Liérmontov

E vivemos nossos sonhos fraudulentos. E nos atolamos na lama, nos lambuzamos como se fosse caramelos.

E num movimento trágico, impensado, impulsionado, eis que se percebe a armadilha, mas é tarde demais. O sagrado virou profano e você cai na real.

O passado é irreversível e os movimentos errados geram dor e culpa. Nas relações do presente sentimos um abismo causado pela caminhada em direções opostas.

Faltou comunicação? Oração? Confiança? Companheirismo? Humildade?

Talvez um pouco de tudo. O que se sabe é que tudo mudou, e tens que viver com o que agora lhe resta!

“Eu sou o caminho, a verdade e a vida.” Jo (14:6)

Cooperador de Cristo.

4 comentários sobre “O labirinto

  1. Valeu Neruda. Esse texto foi muito importante pra mim. Pude refletir bastante sobre o momento da minha vida e o rumo que gostaria de seguir.
    Abração meu caro.

  2. “O passado é irreversível e os movimentos errados geram dor e culpa. Nas relações do presente sentimos um abismo causado pela caminhada em direções opostas.”

    Diante da imutabilidade do passado, a única opção que sobra ao ser humano é a cruz e o seu poder de regenerar e libertar da culpa que nasce das escolhas erradas que fizemos…

    Valeu pelo post, amigão!

  3. Olá Bernardo, você pode me dizer que edição e tradução é essa do trecho que você citou do Lermontov? Encontro o mesmo trecho em português, mas escrito como gosto menos! Obrigado.

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