João 1:1-18 – Quem é Jesus?

Como esse é o primeiro estudo, creio que devo fazer uma introdução relativa a prática do estudo, antes de irmos para o conteúdo propriamente dito. Bom, é extremamente indicado que você leia o trecho que será discutido antes de iniciar a leitura dos meus comentários. Não só leia, mas também ore pedindo por discernimento e sabedoria e releia quantas vezes for necessário para criar um entendimento básico do texto. Só assim poderemos falar a mesma língua. Só assim a Palavra ficará viva em você.

Como já falamos na nossa introdução, o propósito de João com esse evangelho é possibilitar que os leitores conheçam Jesus e, assim, possam viver a vida que só O mesmo pode proporcionar. Com esses objetivos em mente, porque não começar falando quem é esse tal de Jesus, do qual tantos falam?

Ora, no princípio era o Verbo (v.1). E o Verbo, paradoxalmente, era Deus e estava com Deus (v.1,2). Não bastasse isso, o Verbo foi o propiciador de toda a criação (v.3,4). Mas a sua própria criação não o reconheceu (v.10,11). Como não queria perdê-la, Ele se fez carne e habitou entre ela (v.14). Isso não só iluminou a toda criatura (v9), como revelou a glória do Pai (v.14,18) e possibilitou um renascimento como Filhos de Deus (v12), para todos aqueles que o recebessem (v13).

Bem resumidademente é isso que João responde. Uma resposta um tanto quanto fascinante e confusa. Nela Ele nos revela alguns fatos sobre Jesus que devem ser destacados:

1. Sua Origem

Talvez não haja nenhum outro texto do Novo Testamento que deixe mais explicíto a divindade de Jesus. No versículo 1, João começa seu texto exatamente igual o começo de Gênesis: no princípio. Com isso, ele está afirmando que o Jesus que ele próprio conheceu não estava limitado por laços sanguíneos: ele existia desde o princípio.

Logo depois ele usa o termo Verbo (ou Palavra, em outras traduções) para referenciar Jesus. Esse termo vem do grego logos que significa “o princípio racional e essencial por trás de tudo que existe”. Adicionalmente, no antigo testamento a “palavra” de Deus é tida como poderosa – foi utilizada para a criação, revelação e libertação. Com isso ele estava afirmando que Jesus é o criador e a engrenagem de tudo que existe, peça chave para inúmeros acontecimentos históricos, bem como a auto-revelação gloriosa do próprio deus.

Sem contar que Ele tinha um relacionamento singular com Deus, desde o princípio. Isso é extraido da expressão estava com Deus, uma vez que a preposição “com”, no seu original no grego, pros, significa algo além do seu seu sentido comum “estar em companhia”. Essa preposição era usada também no sentido de “estar em direção a”, refletindo um relacionamento pessoal e bem forte com a outra pessoa.

2. É o Criador

Não bastasse isso, João diz explicitamente que Jesus foi o propriciador de toda a criação. Foi Ele quem criou e, sem Ele, nada que foi criado teria sido criado. Foi ele quem trouxe luz e proporcionou vida aos homens. Foi quem Ele quem nos idealizou e nos deu forma.

E isso é bem legal, afinal, mostra que Jesus nos amava desde o princípio. Ele não foi somente o cara que veio para nos resgastar, Ele planejou e construiu cada detalhezinho do nosso ser. Assim, na criação vemos a primeira grande demonstração de amor de Deus pela humanidade. Uma demonstração de amor tão grande quanto a cruz. Isso porque Eles simplesmente não tinham a menor necessidade de nós. Eles possuiam um relacionamento pleno e suficiente.

3. É o recriador

Simplesmente negando esse grande amor, as criaturas não reconheceram o criador. O mundo não reconheceu Jesus. E vemos isso claramente no antigo testamento: Deus se revelando através dos profetas e o povo o recusando.

Mas João termina com um final feliz: Jesus não se conformou com essa rejeição e fez-se homem e habitou entre nós. E, quando João diz que Ele habitou entre nós, ele está nos dizendo mais do que a simples tradução pode nos dizer. Uma tradução mais literal do verbo habitar, no original (skênoô) é “armou seu tabernáculo”. Ora, essa é uma relação clara com o tabernáculo do antigo testamento: o lugar em que Deus habitava, no meio do povo de Israel. João está nos dizendo, que Jesus veio restaurar o tabernáculo de outrora, mas de forma ainda mais especial: agora não há divisórias e limitações de acesso, Ele está pessoalmente disponível para todos os homens.

Com isso, Jesus assume o posto de recriador. Ele veio recriar a relação dos homens com Deus, restaurar a luz que havia sido invadida pelas trevas logo depois da criação, nos dar a possibilidade e o privilégio de um renascimento como Filhos de Deus. E, para usufruirmos dessa recriação, basta crermos no seu nome e o recebermos – não precisamos de rituais e leis sacrificiais para uma reconciliação com Deus como outrora, Jesus já fez tudo, em graça e verdade.

Conclusão

É basicamente isso que eu vejo nesse trecho. João está nos dizendo que Jesus é Deus, nos criou do nada e agora, mesmo depois de termos nos afastado, quer recriar nossa relação com Deus. E essa relação irá nos trazer vida e luz, pois ambos estão Nele. Mas, para isso, temos que crer em seu nome e o receber em nossas vidas.

Dessa forma, queria te propor algumas perguntas que eu próprio já me fiz:

  • sua relação com o Pai já foi recriada?
  • se não, o que te impede?
  • se sim, em que áreas da sua vida você tem visto essa luz agir? onde há ainda a trevas? porque a luz ainda não chegou nessas áreas?

Sinta-se livre para responder ou não as perguntas, e comentar qualquer coisa sobre o texto. Mas não deixe de pensar em sua vida.

7 comentários sobre “João 1:1-18 – Quem é Jesus?

  1. Rato, o teólogo!!
    Esse capítulo é muito legal, obrigada pelo estudo!
    Respondendo às perguntas, sim, minha relação com Ele foi recriada e fez toda a diferença pra mim… Nossa… Mas com certeza é uma caminhada diária e há muitas áreas da minha vida que preciso entregar pra Deus completamente, em que preciso depender mais dele e menos de mim. Afinal, Ele criou tudo do nada e eu sou um nada hahaha ok, não é bem assim, mas comparada com Deus eu sou realmente mto insignificante mesmo…
    bjos!

  2. Galere, que bom que vocês gostaram, pq eu não gostei! heuhe A verdade é que se não fosse eu que tivesse escrito o texto, eu não teria paciência de lê-lo! =p Mto teológico =/

    Para os que não gostaram e resistiram firmemente até aqui, sei que sai muito dos meus objetivos (que eu explicitei na introdução), então fica ai meu pedido de perdão.

    Mas peço que não desanime! A questão é que nunca tinha feito um estudo nesses moldes então estou me adaptando.

    Você pode conferir o segundo que ficou bem melhor (estou quase chegando no ponto onde quero chegar): http://www.outrasfronteiras.com.br/blog/joao-1-19-34-quem-e-joao-batista/

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