(In)consciência Eleitoral e Consequência Ambiental

A mídia tenta nos conscientizar a praticarmos boas ações em relação ao meio ambiente, isto é louvável. Há que se registrar, ainda sim, que ela, com todo seu poder, apenas noticia como algo normal aquilo que na verdade seria absurdo – as decisões contrárias a este pensamento por parte do Poder Público.

Faz muita diferença para o Meio Ambiente nossa consciência na separação do lixo para reciclagem e não fazer uso da “vassoura hidráulica”¹. No entanto, ainda há muito que ser feito. No escritório em que estagio tenho contato direto com legislação ambiental e vejo o quanto estamos distantes do ideal.

Na última terça-feira (16/06/2009), foi publicada notícia no portal do Supremo Tribunal Federal – STF sobre decisão dos ministros que arquivou ação judicial interposta pelo Partido Verde. A ação direta de inconstituicionalidade (ADI 4229) vai de encontro ao recém aprovado Código Ambiental do estado de Santa Catarina. Este é questionado porque permite, entre outros pontos, utilização de terras nas margens dos rios em proporções menores que a lei federal, o que seria inconstitucional. A ação foi arquivada porque a petição inicial não cumpre os requisitos mínimos necessários. Seria mais uma notícia corriqueira, não fosse o absurdo do erro. Qual partido político sério contrata um advogado que não sabe fazer um texto que dá início a um processo? E mais: justamente o partido que tem por ideal a defesa do Meio Ambiente!

Não quero aqui deslegitimar este partido especificamente por conta de uma situação que pode ser vista isoladamente como negativa. A situação, não obstante, é grave porque demonstra, mais uma vez, o despreparo daqueles que elegemos para cuidar de nossos interesses. A consciência individual na hora do banho, de escovar os dentes, de não jogar lixo ou cigarro pela janela do carro, é importante e pode evitar grande desperdício de água e o diminuir o acúmulos de milhões de toneladas de detritos, mas não resolve em si o problema.

A agropecuária e a especulação imobiliária estão hoje entre os grandes vilões da natureza. Os plantadores de soja e criadores de gado fazem o que querem para ter seu dinheiro no bolso literalmente legitimados pelos parlamentares que elegemos. E a mídia comemora feliz o superávit primário como se não houvesse problemas relacionados com ele, inclusive este, o ambiental.

Basta ver, como exemplo. o que a Bancada Ruralista faz atualmente no Congresso com a aprovação da, assim chamada, MP da Grilagem, a 458. Com a aprovação de tal Medida Provisória, os posseiros teriam 80% das terras públicas apropriadas irregularmente, o equivalente a 67 milhões de hectares, legalizadas em suas mãos.

Por fim, opino no sentido de que a eleição é tão importante quanto o uso consciente dos recursos naturais, quer acreditemos ou não naqueles que elegemos e no processo eleitoral. Os grandes vilões do Meio Ambiente somos você, eu e todo mundo que tem permitido que essas pessoas façam o que querem. A democracia é uma boa alternativa por se tratar de representatividade, em que é defendido interesse daqueles que se interessam em eleger alguém. Sabemos que a questão da educação é complicada e que a falta de opção é gritante, mas não podemos nos acomodar por conta disso, afinal, são nossas vidas que está estão em jogo.

Com a grande vontade de investir no Reio de Deus, por vezes, negligencio a vida presente. Entendo que Deus nos permitiu dominar os recursos (Gn 1:28,29), inclusive para deles tirarmos nosso sustento. Não penso, no entanto, que fosser para destruí-los ao sabor de nosso prazeres.

O mecanismo de maior controle público é a eleição, por meio da qual escolhemos pessoas para tomar grandes decisões em nosso lugar. Mas preciso confessar que não tenho dado a devida importância ao assunto, tanto que tenho dificuldade para recordar em quem votei nas últimas votações para deputado, tanto federal, quanto estadual. E você, como lida com a situação? Como foi sua consciência eleitoral na última eleição e como será em sua próxima? De quem você acha que é a culpa pela degradação do Meio Ambiente?

1. “vassoura hidráulica” é o termo utilizado para designar a prática de lavagem de calçada com mangueira de água, sem utilização da vassoura de verdade. É a união entre a preguiça e o desperdício de água. [Voltar]

Rafael Santtos

Sobre Rafael Santtos

Rafael Santos, Belo Horizonte, 18 de abril de 1984, cristão desde 2012, sonhador, aventureiro, sanguíneo, exortador. E deseja dividir um pouco do que pensa através do Outras Fronteiras.

18 comentários sobre “(In)consciência Eleitoral e Consequência Ambiental

  1. Muito legal a reflexão! Todos nós podemos fazer algo, inclusive acompanhar o trabalho de nossos representantes e cobrar resultados… Eu também preciso estar mais atenta e cobrar mais resultados.
    Ouvi no rádio hj de manhã duas coisas nesse sentido: uma do Lula bravíssimo porque a Angela Merkel sempre pergunta pra ele “Como vai a Amazônia?”. “Ora,” – disse ele – “se ela está tão preocupada com florestas, então porque é que cortou as do país dela?” Achei graça. E também o governo quer combinar desenvolvimento agrário e meio-ambiente. Eu duvido muito que isso seja possível, é só uma forma de parecer “verdinho e desenvolvido”.
    Aliás, me dá muita raiva de empresas que claramente detonam o meio-ambiente e se dizem verdinhas e amigas do meio-ambiente, tipo a Vale. Puro marketing. Pior que as pessoas não pensam direito e aquilo acaba vendendo mesmo, convencendo as pessoas…
    ***
    Tem um professor meu que tem uma frase famosa usando “varroura hidráulica”, mas não adianta, não vai ter graça pra qm não conhece ele hehe
    Só uma pequena correção: No terceiro parágrafo, entre “este” e “é” não há vírgula, pois sujeito e verbo não podem ser separados por vírgula…

  2. Não entendi o questionamento acerca da ADI. O indeferimento da inicial não quer dizer que tenha sido mal feita de propósito. Não me parece ser uma estratégia política. “não obstante” em nosso meio é mais utilizado como “embora” ou “apesar de”, mas não se configura erro usá-lo como “no entanto”. Você está certo de que a Bancada Ruralista apoia os grileiros? Achava que eles representavam os GRANDES latifundiários e a MP iria, portanto, contra seus interesses. Amigo, “nossas vidas ESTÃO em jogo”. FOSSE não fosseR.
    Bem. A abordagem desse tema é muito relevante. Cuidar do meio ambiente é também dar um bom exemplo cristão. Acho que se Jesus vivesse nos dias atuais teria consciência ecológica, mas estaria longe de ser um ambientalista. Eu mesmo não tenho tanto apreço pela natureza. Acho que a degradação é consequência natural da nossa simples vivência nesse mundo. Até quando os recursos naturais suportariam mais de 6 bilhões de pessoas? Logo logo Jesus volta(rs). Na verdade, isso não é desculpa. Tenho que cuidar melhor do presente que Deus nos deu.

    Obrigado!

  3. Eu nao sou um green freak, nem acho que deveria, mas não jogo lixo na rua, fecho a tornera ao escovar dentes, etc.

    O caminho que a humanidade seguiu é sem volta, por mais que nos esforcemos a diferença será pífia. Infelizmente…

  4. Valeu pelos erros gabana, foi mal galera, vou concertar. é que escrevi antes e na hora de publicar mudei um monte de coisa e acabei me perdendo. O que vejo na prática é que o cristão acha que realmente não deve fazer nada e isto é completamente entregar o jogo!

  5. Gabana, não quer dizer que tenha sido feito errado de propósito, só quis demonstrar o despreparo do advogado e do partido. Tem até uma parte no texto em que destaco isso, não é um caso isolado de despreparo de partido político com alguma coisa. Não entrei nos méritos jurídicos para não deixar o texto cheio de termos técnicos chatos ao nosso leitor.
    Mas explicando melhor, é uma ADI contra o dito Código Ambiental. Na petição inicial e na procuração do advogado deveria constar o que é questionado, tipo o número da lei e os artigos especificamente. Ao que parece, nem o número da lei que istitui o Código foi colocado, muito menos os artigos. Parece que é o mesmo caso que o Hermes comentou na sala, na aula de Penal, sobre os crimes contra a honra necessitarem de procuração especial. Não temos obrigação de saber disso agora porque somos apenas estudantes de direito, mas um advogado que vai interpor ação no STF em nome de um partido político…

  6. Texto bem escrito Rafa! Eu só acho que a gente precisava tomar cuidado pra não ir pra outro extremo. É muito fácil criticar os problemas ambientais. Mas a gente não pensa neles na hora que estamos dirigindo o nosso carro, comendo uma salada no almoço ou tomando banho de piscina. A natureza foi feita pra gente usar. Criticar quem polui é hipocrisia porque nós consumimos. Não defendo a destruição louca dos bens naturais. Só acho que há coisas que são inevitáveis. Por isso a palavra da moda é sustentabilidade.
    Rafa, não percebi esse extremo no seu texto mas fica como uma alerta pra todos nós.

  7. Acho que esse ponto problematizado pelo Rafa é bem relevante, devemos nos preocupar em amar a natureza até como uma forma de amor às pessoas, de se preocupar com a qualidade de vida em um futuro não muito distante e etc. Creio que nós, como cristãos, temos sim responsabilidade sobre os nossos atos relativos ao trato com os recursos, em Gênesis nós vemos que Deus deu ao homem o domínio sobre a natureza, mas ordenou também que “cuidasse do jardim e cultivasse a terra” (Gn 2:15). Então, não é razoável que façamos mal uso da criação de Deus, o domínio que foi dado tinha o objetivo de sustento, e não de sustento das vaidades! Nós vivemos no mundo agora, temos que nos importar com os problemas do mundo, mas concordo também que o outro extremo, aquela coisa “eco-chata”, não é necessário, apesar de que provavelmente as pessoas que vivem por essa bandeira cuidam mais da criação do que eu!

  8. Muito bom o post Rafa… Gostei pq esse teve um conteúdo jurídico e sócio-econômico bem fundamentado e atualizado. Sou da idéia de que o descaso com a obra divina (terra, água, ar, animais, homens) é um pecado.

    Abraços,

  9. Fernanda, dei uma olhada, mas confesso que não é o tema que mais estudo!

    Gabriel, esqueci de responder a parte que vc fala do interesse da bancada ruralista na legalização. O nome é MP da grilagem porque assim foi batizado pelos jornalistas que falam do assunto. Acredito que não tem muita coerência com o nome técnico mesmo não. O certo aqui seria MP dos posseiros! Aí é que se encontra o interesse da referida bancada. Eles defendem aqueles latifundiários que invadiram e continuam a invadir terras na região da fronteira agrícola, primeiro com plantio de monocultura, basicamente de soja, até quase o exurimento do solo, depois com a criação de gado!

  10. Com relação à política acho relevante citar alguns trechos adaptados (com relação ao vocabulário) de um livro que eu li nesse semestre: “As Artes de Governar” (Michel Senellart). Sinceramente, acho que pode acrescentar na reflexão a respeito da lógica do governo.

    1 – “Ser secreto é fingir nada esconder , multiplicando os sinais de uma visibilidade sem suspeita. É, em outras palavras, oferecer aos olhares que espiam, espreitam e examinam tudo ao redor de si, a evidência enganadora de uma conduta inteiramente legível.”

    2 – “O direito é claro e límpido, enquanto os ‘agentes dos segredos de Estado’ exigem dissimulação. O direito diz o que é preciso fazer, os ‘agentes dos segredos de Estado’ fazem pensar que se faz aquilo que se diz. (…) Os ‘agentes dos segredos de Estado’ caracterizam-se portanto por seu papel subsidiário, sua diversidade estratégica e sua natureza falaciosa.”

    Esse trecho eu acho o mais incrível e de uma cara-de-pau muito grande, mas é, sem dúvida, verdadeiro no campo da política e, certamente, nos faz pensar:

    3 – (A política) compreende, além de suas partes tradicionais, a fraude, o embuste leve, a dissimulação e a perfídia, condenáveis certamente nos particulares, mas não no exercício do governo, pois a justiça do soberano age de um modo um pouco diferente que a deles. Essas astúcias correntemente praticadas são consideradas pelos políticos como as principais regras e máximas para bem governar e administrar um Estado.

    O fato é: Qual é o objetivo da política: Governar bem ou se manter no poder? Infelizmente, o que vemos é que a política, especialmente se sustentada por uma democracia ou aristocracia lida a todo o tempo com um jogo político em que o objetivo maior é a manutenção de um determinado grupo no poder. Sinceramente, não tenho esperança em uma polítca íntegra, pois, a meu ver, a dissimulação está contida em sua natureza.

    Não gosto da democracia (falar contra a democracia hoje às vezes parece um crime, e dizem que na democracia há liberdade de expressão) pois a democracia é, em poucas palavras, a garantia de uma mediocridade. Não gosto da democracia até porque entendo que é uma falácia, nunca existiu e nunca existirá (o que há e o que já houve nos governos ditos democráticos é uma aristocracia disfarçada). Mas também não gosto de um governo de um só soberano pois se torna muito dependente da personalidade daquele que ocupa o poder, ou seja, se o soberano for justo, é um bom governo. Se injusto, um governo terrível. Resumindo não tenho expectativa em um bom governo, mas acho que devemos sim refletir em o que podemos fazer para melhorar. O problema na eleição é que votamos apenas em aparências e vai ganhar o que tiver uma melhor (e não raramente mais cara) propaganda, infelizmente.

    Para refletir: A pobreza e a riqueza são coisas que se complementam. Não há como, em uma lógica capitalista, agradar a pobres e ricos. Se um governante quiser agradar os pobres ele terá que diminuir os benefícios dos poderosos e dos grandes empresários e melhorar a condição dos pobres. Se um governante quiser agradar os ricos ele terá que “massacrar” os pobres para garantir aos ricos que continuem se enriquecendo mais e mais e se tornando mais e mais poderosos. Um governante para se manter no poder na lógica capitalista tem que agradar os ricos (porque senão não se mantém) e fingir agradar os pobres (pelo menos fazer uma média). Infelizmente, acho que não vai mudar muito disso aí. A política é um jogo de interesses…

    Acho que é sempre válido refletir com relação a política até porque a reflexão pode ajudar a termos uma política injusta mas um pouco melhor do que é hoje. Oremos para que pessoas íntegras que vão na contra mão da lógica falaciosa do governo busquem ocupar cargos importantes no governo de nosso país e de outros do mundo, mas íntegras de coração e não íntegras de imagem.

  11. Vidigal, quando disse medíocre não quis dizer que a democracia é, necessariamente, ruim. Talvez a palavra mais adequada seria mediana, pois essa é a idéia que eu quis dizer. Ao meu ver, existem democracias melhores e piores, mas nunca seram brilhantes pois nunca seriam de fato democracias. Acho, pessoalmente, o próprio conceito de democracia utópico.

    Hoje, vejo a política de uma forma integrada, ou seja, há uma grande interrelação e interdependência entre os países. Não me admira o fato de alguns países europeus terem democracias melhores. Nestes casos, grande parte dos excluídos dessas democrácias não estão, necessariamente, no território nacional, mas em outros lugares. Não sei se entendeu o que eu quis dizer, mas o fato é que sempre haverá uma parte excluída. Hoje a política está muito globalizada e os excluídos do sitema não estão restritos às fronteiras nacionais, mas espalhados em vários lugares do mundo. Essas democracias não são muito menos excludentes do que a nossa e não assustaria se percebesse que alguma dessas boas democracias fossem mais excludentes que a nossa, se pensarmos em um mundo globalizado.

    Um abraço!

  12. Nuh Marcelinho impressionante a sua visão de um todo. Gostei muito mesmo e acho que eu tava fora de si quando escrevi o outro comentário no outro post… hehehe mas eh isso aí! Abração

  13. Com certeza Marcelo a política é um jogo de interesses baseado na dissimulação. É triste ver que alguém chega ao poder para representar e não consegue nem de longe enganar que representa os que o elegeram.
    Quanto à democracia, chamada de ditadura da maioria, é importante, ao meu ver, por ser um meio de manter uma minoria insatisfeita. A ideia não seria agradar a maioria, mas sim desagradar a menor quantidade de gente possível.
    A democracia é boa também por se fazer, na teoria, pelo jogo da representatividade. Mas por que então não nos sentimos representados no Brasil? É simples, é uma questão cultural. É bem mais fácil dizer que não gosta de política, que não entende e continuar reclamando horrores de quem tem saco para lidar com ela. Hoje somos corrompidos pelos dissimuladores porque permitimos com nossa omissão que eles estejam no poder. Não fazemos a menor questão de estudar um pouco para votar, como se aquilo não fosse influenciar de maneira nenhuma nas nossas vidas, como se fosse mais uma obrigação a ser cumprida, como qualquer outra. Acontece que os grandes especuladores que detém o capital no país investem em propaganda para eleger aqueles que querem, para se fazerem representados. E nós, nessa história toda, só votamos, acompanhando esses donos do capital, acreditando nas fórmulas que eles apresentam na TV de solidez de economia.
    A solução, creio eu, seria a conscientização individual. Justiça, verdade, liberdade, só em Cristo, mas enquanto isso podemos gerir bem melhor nosso país levando a sério aquele nosso ato do dia 3 de outubro (aquele dia que não pode comprar cerveja).

  14. Comentei apenas para que percebessem sobre a natureza dissimuladora da política e também sobre como se dá a exploração em um mundo globalizado. Pessoalmente, acho que não são coisas que levamos em conta quando analisamos a política. Com relação a eleição no Brasil, de fato, eu acho ridícula. É uma forma de legitimar a aceitação do governante sob o discurso de eleito pelo povo. Sendo que, na verdade, o povo não tem autonomia alguma para escolher de fato. Assim, a cada 2 anos vamos às urnas para exercer o nosso “direito” de sermos obrigados a votar nos nossos aristocratas preferidos.

  15. Gostaria de esclarecer um pouco quando falo sobre a democracia e critico o nosso “sistema democrático”. Por que o chamamos de democrático se não é uma democracia? É engraçado, gostaria de ter a experiência de viver em um local em que o governo é democrata, mas, infelizmente, esse local não existe a não ser no “não-lugar” (ουτοπία – utopia: não lugar, lugar inexistente). Fico realmente curioso e gostaria de conhecer um regime democrata. Não sei se gostaria da democracia, mas a experiência em si já seria gratificante.

    Democracia é uma expreção grega: Δημοκρατία (Democratía)
    Δήμος (Démos -> povo) + Κράτος (Krátos -> poder)

    O problema é que não vivemos em uma democracia mas sim em um sitema aristo-elécto (άριστος ελεκτός – áristos elektós), ou seja, aristocracia eleita (αριστοκρατία ελεκτή- aristocratía electé)

    Aristocrata, equivale a:
    Áristos / άριστος -> bom, melhor, nobre, mais capacitado.
    Krátos / Κράτος -> Poder, domínio, governo.

    Aristocracia -> representantes governam pelo povo.
    (Escolhidos, ou não pelo povo)
    Democracia -> governo do povo, por parte do povo. (o povo não escolhe quem governa, o povo governa governa – funcionando como um tipo de revezamento dinâmico no poder e locais preparados e oficiais de expressão pública acessíveis a QUALQUER cidadão interessado).

    Pergunta simples 1: o nosso sistema é democrata ou aristocrata?
    Resposta óbvia: Aristocrata, sem dúvida alguma.
    Pergunta simples 2: Você gosta da democracia?
    Resposta óbvia: Na teoria talvez, mas infelizmente desconheço um país democrata.
    Pergunta simples 3: Você sabe o que é democracia?
    Resposta óbvia: Na teoria, no entanto, impraticável. Na prática, inexistente.
    Pergunta simples 4: Já houve democracia em algum lugar do mundo?
    Pode ser que tenha havido, sem que tenhamos registro, dela. Em tese, e registrado, o que temos mais próximo de uma “possível democracia” foi o que chamamos de Democracia Ateniense. Com alta expressão de partipação dos cidadãos no governo. No entanto, uma ressalva. Apenas 20% a 40% da população de Atenas era cidadã. Ou seja, o exemplo mais próximo de uma possível democracia foi possível para uma elite que representava apenas menos de 1/3 da população local.
    Pergunta simples 5: Por que chamamos o nosso sistema aristocrata de democrata?
    Resposta óbvia: ???????? Deixe-me pensar….. ???????? Sei lá, talvez a palavra democracia seja bonita e um ideal que satisfaça a mente das pessoas.

    Atualmente, Brasil, Estados Unidos e vários outros são exemplos claros e típicos de governos Aristocratas.

    O fato de votar não é governar. É escolher quem vai governar. Isso nunca foi e nunca será democracia. Mas, sim aristocracia legitimada (eleita) pelo povo.

    OBSERVAÇÃO INTERESSANTE -> Tem uma palavra que está bastante na moda: Democratizar (tornar mais acessível, tornar mais justo e etc). É uma palavra inexistente, em termos de conceito. Não tem paralelos em termos da língua grega. o verbo grego correto não seria “democratizar”, ação externa e alheia ao povo, mas Democratéuo (Δημοκρατεύω), que seria uma ação interna e realizada pelo povo.
    Conceito de κρατεύω (Cratéuo): governar, reger, dominar, controlar.
    Ou seja, Democratéuo (Δημοκρατεύω) seria o povo, em si, no exercício do poder. Você já viu isso? Eu não… mas, isso é democracia, de fato. Acho que deveríamos nos questionar com relação a esses aspectos, e deveríamos, pelo menos assumir que vivemos em um sistema Aristocrata. Não há mal necessário nisso. No entanto, há mal, sim em ignorantemente chamarmos o sistema de democrático. Por que não o chamamos de Monárquico? Ou Tirânico? Se a questão é só o nome vazio de significado, por que não? Poderíamos dizer que vivemos em um sitema monárquico ou Tirânico… Acho uma boa idéia! Tão vazia quanto a que tiveram quando chamaram esse sistema tão bem articulado de Democracia.

    Desculpem-me pelo comentário longo e pelas vezes que pareço grosso. É o meu jeito de escrever. Não liguem não! Quando falo ignorância, não digo de 1 ou de 2, mas de todos, estou me incluindo. Em um momento oportuno, posso continuar a explicação desse tema para vcs. A explicação acima está demasiadamente simplista, mas adequada para uma reflexão sobre a hipocrisia do nosso sistema político e de qualquer outro que já existiu em nosso planeta.

    Um abraço!!

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