Imerecido

Imerecido. Se alguma palavra o define, é esta, visto que a condição do homem não o torna nenhum pouco digno de recebê-lo. Digo isto pensando não apenas no que é eterno, imenso, como quando o recebemos do Alto, em resposta às misericórdias naturais Dele, mas no que é corriqueiro: um gesto de compaixão, um presente, uma lembrança delicada ou uma palavra de perdão. Por ser imerecido, quando surpreendidos com ele, as reações explodem em uma mistura de sentimentos: vergonha, alegria, espanto, constrangimento. Ele consola o ferido, disciplina o pecador, acompanha o solitário, restaura relações, traz alegria e paz àquele que disto se esvai pela culpa.

E é paradoxalmente, como se o merecêssemos, que ele se apresenta a nós diariamente, através de pessoas comuns, que o doam por um dia o terem recebido, também imerecidamente. Quando não em obra e em verdade, em língua ou palavra, sendo aquele muito mais eficaz do que este. Manifestações diárias e espontâneas, que nos fazem lembrar daquela que foi eterna: o Deus que se fez homem, que se deu por nós. Que nos fazem lembrar que, assim como Ele, devemos vivê-lo de todo o coração, alma, força e entendimento, oferecendo-o ao próximo, bem como o seu Inventor o fez.

Não ouso definir o amor, mas uma coisa sei: se amamos ou se, imerecidamente, somos amados, “é porque Ele nos amou primeiro”.

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