O Homem da Bicicleta

Vinte minutos de autoridade. Era este o objetivo. Precisávamos dar ao palestrante a chance de falar de Cristo para 250 pessoas, durante vinte minutos,  da forma mais direta e simples possível. Corações precisavam ser tocados. Vidas precisavam ser transformadas. Vinte minutos.

Para estes vinte, outros dois mil minutos foram gastos em preparação. Levamos um campeão mineiro de motocross até o local do evento, onde ele traçou a rota e cronometrou o tempo. Fizemos um mapa do traçado. Definimos pontos de controle, equipes de apoio, transporte até o local. Separamos as equipes.  Era preciso levar frutas geladas para o meio do circuito, entre árvores, caminhos de terra, buracos e eucaliptos. Muitos eucaliptos! Depois, precisávamos instruir os fiscais de prova, preparar os pontos de apoio e de controle.

Sobre as equipes, eram mistas. Cristãos convidavam amigos para participar de um trekking. Duas horas de caminhada seguidas por um almoço com churrasco. Clima muito familiar, agradável. Um domingo de sol. E calor. Muito calor!

O Trekking foi conforme planejado! As equipes se divertiram. O clima era o melhor possível.  O almoço decorreu da forma como esperávamos.  Todos pareciam satisfeitos em estar passando um ótimo tempo ao lado dos amigos e da família em uma bela fazenda.

Faltando 1 hora para a palestra, um sinal de alerta. Devido ao grande calor, o consumo de água foi muito maior do que havíamos planejado. Nosso estoque estava no fim. Era preciso buscar mais! O problema era a logística: era um domingo a tarde, em um local rural, afastado de grandes distribuidoras e grandes supermercados pelo menos 45km.  Mas havia uma chance: um pequeno depósito de bebidas  em um povoado próximo.

Uma pequena equipe de dois homens partiu para o circuito mais importante daquele dia: buscar água.  O clima não seria ideal se bem na hora da mensagem as pessoas estivessem com sede. Isso poderia afetar o humor do público. Quem presta atenção em alguém falando quando se está com sede?

Ao chegar ao local indicado, estes dois homens notaram que a distribuidora estava fechada. Ao lado dela, uma pequena padaria. Seria a solução? Talvez. Mas nem de longe tinham os 80 litros de água que precisávamos.  Tinham apenas os 300 copos descartáveis que também precisávamos. A notícia aterradora foi dada pela mulher do caixa: “infelizmente, só vão achar água longe.”  Longe o bastante para não voltar a tempo e deixar 250 pessoas com sede em um domingo de sol forte. Não era uma opção.

Foi então que aconteceu. E foi simples. Sem alardes. Sem luzes, nem cameras para filmar.  Um homem de bicicleta veio passando pela rua, bem em frente ao local onde estavam os dois homens. A mulher do caixa apontou e disse: “olhem, este cara de bicicleta é o dono da distribuidora!”  Logo, o ilógico aconteceu. O homem da bicicleta atendeu ao suplicante pedido dos outros dois homens. Ouvindo o pedido, deu meia-volta, desceu de sua bicicleta, e nos vendeu os 80 litros de água que precisávamos.  Dois minutos a  mais, ou a menos, e não teríamos água. Tudo cooperou para que o dono  estivesse passando em frente da distribuidora no momento exato em que buscavam por sua mercadoria. Calculem as chances matemáticas disto e me contem quantas vezes isso pode voltar a acontecer.

Os dois homens voltaram para o evento. Descarregaram e serviram a água.  O público, que se divertia e já se assentava para ouvir a palestra, nem percebeu o que se sucedeu.  Por todo lado, copinhos e garrafinhas de água eram distribuidos, de mão em mão. Grande procura! Grande calor.

A Água Viva veio depois, em uma palestra bem administrada e bem proferida. Rostos atentos procuravam matar um tipo de sede que só Ele pode aplacar. A sede da alma não pode ser curada por 80 litros de água. E era por isso que estávamos lá. Todos pelos vinte minutos. Todo o trabalho, todos os outros dois mil minutos. Tudo pelos vinte.

Ele é grandioso. É incalculável. É perfeito. A programação sempre foi Dele. E como disse um amigo, se Ele não deixou faltar vinho em um casamento, não deixaria faltar água no nosso trekking. Afinal de contas, ele é suficiente e bastante para aplacar toda e qualquer sede de nossa vida. Seja ela física ou espiritual.

Eu era um destes homens que foi buscar água. Eu presenciei um milagre simples e poderoso, em um domingo a tarde, em uma rua pacata e vazia.

Eu posso afirmar que Jesus tem estado lá em todas as vezes que procuro por suas fontes. E isso me constrange, me surpreende e me emociona, de uma forma que não posso descrever em palavras.

Ele sempre estará no controle, pois como eu disse alí atrás, a obra é Dele.  E se voce está com sede, já sabe onde pode procurar por água. Para Ele, não existem portas fechadas. 

Um abraço!

8 comentários sobre “O Homem da Bicicleta

  1. Excelente texto! O conteúdo? o conteúdo não cabe nem nas suas belas palavras, amigão! Nessas horas ficar nos bastidores é a melhor coisa que podemos experimentar.

    Obrigado por compartilhar.

  2. Neruda,
    Isso me lembrou o milagre da transformação da água em vinho, presenciado pelos servos e desfrutado pelos convidados… Nós sentimos muita alegria em escutar essa experiência, mas imagino que tê-la vivenciado, para vocês dois, deve ter sido inexplicável! Isso só me faz pensar o quanto temos a experimentar quando decidimos servir a Cristo!
    Obrigada por compartilhar!! Bjos!

  3. Neruda, muito obrigado por compartilhar isso conosco! Sei que muitos outros milagres passaram sem serem notados nesse dia, mas esse não! Muito obrigado por registra-lo aqui! At 4:20. Obrigado por tudo o que fez pelos 20 minutos mais importantes!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *