O fruto

Me lembro como era desejável!
Aqueles pontos brilhantes em meio a uma couraça de folhas verdes.
A princípio buscava uma vara, um leve toque, e o fruto estava em mãos.
Mais feliz era aquele que pegava o fruto ainda no ar antes que tocasse no chão.
Sem a vara, o jeito era buscar pedras, creio que esse exercício me ensinou a mirar.
Com o fruto em mãos, cheiro gostoso, prazer em descascar.
Busca do “gosto e o sumo”, “muito delícia”(como diz minha pequena filha)!
Fruta preferida.

Quando aprendi subir na árvore as coisas mudaram.
O ritual foi deixado de lado.
Tudo estava agora em minhas mãos.
“Muito delícia”… “Muito delícia”… “muito delícia”!
Exagero, perda de limites, glutonaria…
Perda do sagrado pela transgressão dos limites
Dor… rejeição física… vômito
Trauma … Nojo
O antes desejado, agora evitado.
De cheiro gostoso a estômago embrulhado.

Tudo, quando criado, era bom!
Era bom pois era saboreado por homens saciados da presença de Deus.
Hoje o bom pode se tornar nojo, por causa da insaciabilidade do coração humano que caminha sem a presença de Deus.

Qual é o seu fruto?

Abraço e até a próxima

Homero Castro

Sobre Homero Castro

Nome: Homero Resende Castro Nasci em 1979 em Belém do Pará, moro em Belo Horizonte desde 1989. Sou formado em História pela Universidade Federal de Minas Gerais. Desde 1999 trabalho como missionário na associação Alvo da mocidade. Eu e minha maravilhosa esposa, Camila temos duas filhinhas lindonas, Helena e Elisa, e uma sapeca cadela chamada Leona.

2 comentários sobre “O fruto

  1. Que isso… Doido demais esse post, Homerão!

    Tô aqui pensando o que há de nojento na minha vida…

    Obrigado pelo post!

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