Férias em BH

Estou de férias em BH. Cheguei na segunda-feira e tenho tentado aproveitar o tempo. Quando você deixa pra trás todas as suas raízes, qualquer oportunidade de estar junto é um privilégio. Apesar da saudade e de tudo que me torna nostálgico sobre BH, sinto meu coração em Brasília. Em Cristo, a geografia tem pouca relevância. O que conta mesmo são as pessoas. Jesus morreu por elas, não por lugares. Além disso, o que continua (e continuará para sempre) encantador são os princípios e valores que descubro em Cristo. Eles estão para além do local, da época e da cultura. E os princípios, para serem partilhados e assimilados, não exigem necessariamente intimidade entre aquele que ensina e aquele que aprende. O exemplo foi do casamento que compareci na última terça-feira. Uma amiga da Ana Luisa, minha namorada, estava se casando. O celebrante era um tal de João, amigo dos noivos. Ele não era padre, nem pastor. Era um amigo íntimo que havia sido convidado para celebrar aquela união. No final da celebração, eu estava impressionado e com um enorme desejo de parabenizar o João pelas palavras proferidas.

Ele usou um texto bastante difícil na celebração. Mateus 19. Papo de Jesus com os fariseus e com seus discípulos. O assunto era a questão do divórcio. Quem é que escolhe falar sobre divórcio numa celebração de matrimônio? Tal ousadia já havia sido suficiente para me cativar. Como se não bastasse, a explanação foi sensacional. Poderia descrever nesse post cada tópico tratado no casamento. Sabe quando você escuta alguém e a vontade é que ela não pare de falar?

O que quero repartir com vocês foi a frase mais impactante do João em todo o casamento:

“O amor há de julgar se as nossas relações são divinas ou não!”

As palavras eram pesadas para uma cerimônia que tinha a alegria como ingrediente básico. Mas o João havia sido enfático. Disse que o amor iria questionar todas as nossas relações. Se eram de Deus ou não. Ele frisou que as palavras de Jesus são: “Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.” (Mt.19:6)

Se foi Deus quem ajuntou, o amor ajuntou. Porque Deus é amor. E o amor é para os fortes. Para aqueles que dão conta de lidar com ele. As Escrituras dizem que o amor é mais forte do que a sepultura e as muitas águas não podem apagá-lo. (Ct.8:6-7)

O amor usa o tempo para questionar quão divinas são as nossas relações.

O João disse que alguns de nós, depois de um tempo, terão de confessar: “Eu não fui capaz de amar! Não dei conta. Assumo minha fraqueza e confesso que optei pelo divórcio.”

O que é o divórcio, senão a admissão pública da nossa incapacidade de amar?

A conclusão do post não poderia ser outra. Se eu tivesse que adivinhar o que você está pensando nesse exato momento, diria que tudo isso é pesado demais.

Não sei se te consola, mas você não é o único (a) que achou pesado demais esse discurso.

“Se essas são as implicações, não convém casar.”(v.10), disseram os discípulos.

A resposta de Jesus foi imediata: “Nem todos são aptos para receber esse conceito, mas apenas aqueles a quem é dado… Quem é apto para o admitir, admita.” (vv.11-12)

Porque o dia da cerimônia é lindo, mas é o dia a dia que revela a força daqueles que juram amor eterno no altar. Porque o amor não se engana com os discursos, mas conhece a dureza dos nossos corações.

O amor não está ajuntando pessoas para um dia de celebração. O amor está ajuntando pessoas para construírem história.

Assim disse o João, quer dizer, Jesus. Eu estava diante de um princípio. A vida era só perguntas sobre o amor e a minha aptidão para tal conceito. Nessa hora, não importava mais se eu estava em Brasília ou em BH.

Um grande abraço!!!

 

 

 

Eduardo Victor

Sobre Eduardo Victor

Mineiro de Belo Horizonte, 33 anos, cristão e missionário em Alvo da Mocidade. Apaixonado pelas Escrituras, tornei-me um sonhador quando descobri que Deus pode nos surpreender com as coisas mais simples e inusitadas desta vida...

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