Família cristã

O que é a família? Muito se discute a respeito do que seria ela nos dias atuais. Como tudo é medido pelo valor monetário nos tempos capitalistas, alguns afirmam ser ela um negócio. Acredito que não, antes de tudo ela é uma instituição.

A história

Desde o início dos tempos Deus viu na família uma maneira do ser humano não viver isolado – assim é interpretado o “não é bom que o homem esteja só” de Gênesis. Para alguns estudiosos ela representa a base da sociedade. Sua função é de auxílio tanto nos primeiros passos do indivíduo através de sua função pedagógica quanto nos momentos de dificuldades pessoais, com o amparo devido de alguém que possui vínculos mais próximo do que sofre. A família seria também a responsável por acompanhar a pessoa nos seus últimos momentos de vida. Pelo menos assim deveria ser. A história nos mostra, no entanto, que isto nem sempre é verdadeiro. Ainda no início, Caim cometeu o primeiro homicídio ao assassinar Abel. Isto demonstra que a família vive em crise desde sua formação e a sociedade, por conseqüência, segue o mesmo destino. Salta aos olhos o quanto isto parece ter piorado ao longo dos milhares de anos, sobretudo no último milênio. Vivemos o tempo descrito por Jesus em que irmão mataria irmão, pai mataria filhos e toda a sorte de tragédias possível. Muito da crise atual é fruto da perda do referencial valorativo dentro de nossos lares. Alguns estudiosos do Direito dizem que o Código Civil de cada país representa o que pensa a sociedade daquele lugar. Analisando por este prisma vemos a expressão desta crise nas alterações dos códigos civis por todo o mundo ocidental com formalização de condutas incoerentes à natureza divina.

O modelo de Jesus

Ao seu tempo, Jesus porém nos mostrou algo diferente. Sendo ele filho de Deus, respeito seu pai e sua mãe terrenos. Crescia aprendendo o que era ensinado na casa de José e assim procedeu até alcançar a fase adulta. Isto só mudou no meio do seu ministério, em que Jesus instituiu uma nova visão a respeito da instituição família. Com nova perspectiva, seu pai, sua mãe, seus irmãos e seus filhos seriam aqueles que fizessem a vontade de Deus. Antes a membresia em relação à família era definida por laços de sangue ou por meio de casamentos, basicamente.. A nova visão baseava os laços fraternos por meio do compartilhamento da mesma crença e, acima de tudo, por seguir o que dispunha a crença. Isto representa uma revolução no modo de ver o convívio entre os pares e, assim, Jesus inaugura o que ficou conhecido ao longo dos tempos como família cristã.

Após sua morte e ressurreição é possível verificar como a nova família vivia e crescia. Saciar necessidades era a marca maior daquele novo movimento pela leitura que fazemos de Atos dos Apóstolos. Como em qualquer família, as dificuldades logo apareceram e marcaram a família cristã ao longo dos séculos da nossa era. Até hoje ainda somos fortificados e animados pelos pequenos grupos que se congregam em torno da crença em Jesus. Até hoje experimentamos as contradições inerentes deste convívio. Para alguns ela representa, por este motivo um paradoxo – é imprescindível para o crescimento enquanto filhos de Deus; mas ao mesmo tempo é formada por pecadores e, assim, fruto de muita tristeza tanto para os que dela fazem parte, quanto para os que a observam à certa distância.

Minha experiência

É muito bonito falar da teoria, mas o que mais me interessa é a prática. Por este motivo relato o que a instituição família cristã representa para mim. Foi através dela que pude perceber que é possível viver os mais “absurdos” mandamentos de Cristo. Por meio dela tenho a liberdade de ser quem verdadeiramente sou, sem máscaras e medo. Através dela descobri e desenvolvo meus dons. Nela encontro mães, pais, irmãos e filhos na fé. Com eles sonho, sofro, choro e rio muito e muito. Por meio dela tenho a oportunidade de servir a Deus. Acredito que teria e tenho boa parte deste relacionamento fora da comunidade cristã, mas no que diz respeito às necessidades, não há outro lugar, outro grupo de pessoas, outra família que sirva como a família cristã. Estes são dias de dificuldade para alguns e sou feliz por poder partilhar destes momentos servindo com aquilo que Deus me deu. São também dias de alegria e realizações para outros. Compartilho com eles esta felicidade.

E você, o que tem a dizer sobre a família?

Rafael Santtos

Sobre Rafael Santtos

Rafael Santos, Belo Horizonte, 18 de abril de 1984, cristão desde 2012, sonhador, aventureiro, sanguíneo, exortador. E deseja dividir um pouco do que pensa através do Outras Fronteiras.

4 comentários sobre “Família cristã

  1. Se a família de sangue já está sendo atacada, ainda mais a família cristã. É preciso não deixar o pensamento da “maximização capitalista” alcançar ambos espaços.
    Sobre a família cristã, ela significa o mesmo pra mim. Agradeço muito a Deus pelas amizades que me deu através dela, realmente não imagino a minha vida sem meus irmãos. E sem vc. 😀
    Bjos

  2. Também não imagino!!! Ontem agradeci ao amigo que me chamou para a primeira programação onde ouvi de Cristo e o convidei para voltar (ele saiu antes mesmo de eu começar a viver as coisas de Deus). Foi mto bom!

  3. Muiito bom o texto Rafa ! Muito legal mesmo ! É bom termos “parentes” em Cristo aos quais podemos aliviar o fardo . Quando começeei a ler o título me lembrei de uma palestra que o Amilcar deu no padreco sobre “Família Cristã”. Foi pesado. Contudo, relevante! Muito relevante! E se não me engano alguém abriu espaço pra que ele escrevesse aqui. Ahhh… acabo de ver que o Gabana colocou o link . Mas parabéns pelo texto .

    Abraço grande;
    Glauber Fonseca.

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