Estrela da Alva

Cair da tarde, após um período de chuva e belo sol no horizonte. A luz ficava terna. Acendia-se ali uma lamparina. Seria ela a responsável por iluminar uma noite sem sono. Lugar afastado da cidade, escuro. Não havia outra senão a chama daquele pequeno instrumento. Cama de chão: estrado. Tentativa de dormir. Abrir ou fechar os olhos não fazia muita diferença. Só se enxergava o vulto das coisas. E a sombra delas causava medo. Mais um pouco de tempo e a impressão de que algum pequeno animal estava a caminho. Tentativa de pegar no sono, sem sucesso. Cheiro forte de querosene. Fio de fumaça. Um pouco mais e a impressão de que algum animal peçonhento se aproximava. Sonho, realidade, pesadelo, realidade. Sem muita certeza da diferença entre cada um deles. Escuridão, sobra. E enfim, uma fresta na janela começava a tomar conta do lugar. Luz! Aos poucos inundava o espaço. Pássaros cantavam: o dia clareava. E as tenebrosas sobras da imagem da lamparina deixavam de causar incômodo. A luz dela já não iluminava muito além do seu pavio. Coração quente. Mais um pouco e finalmente aparecia A Estrela da Alva.

Rafael Santtos

Sobre Rafael Santtos

Rafael Santos, Belo Horizonte, 18 de abril de 1984, cristão desde 2012, sonhador, aventureiro, sanguíneo, exortador. E deseja dividir um pouco do que pensa através do Outras Fronteiras.

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