Esperando o (meu) mundo mudar

Me peguei diante de uma retórica engraçada. As pessoas, a música, os filmes e o mundo em algum momento esbarram clamando desesperadamente por uma resposta. As vezes, por várias em uma mesma semana. Obviamente, como cristãos convictos, retrucamos como que na ponta da língua: Jesus Cristo!
Não sei se você já se sentiu assim, mas, hoje eu gritei!

Por alguns minutos, o redor se calou e eu ouvia o som do famoso que cantava “estamos esperando o mundo mudar e ainda esperamos o mundo mudar.” Do sorriso de quina eu murmurava com minha sabedoria vazia. Como se dissesse: “e continuarão esperando.” Um daqueles momentos cotidianos que vejo sinais de um mundo que clama por mudança e, no meu interior, sinto-me convicta da resposta.

No instante seguinte, voltei para a conversa. Voltei para o meu mundo. Universitários inconformados discutimos as burocracias inconvenientes da próxima semana. E eu murmurava: “Quando essa semana passar, tudo vai mudar e, aí sim, vai ficar mais tranquilo.” E nunca fica! Como se o mundo disesse: “Continuarão esperando!”

E com a mesma resposta ainda na ponta da língua, não me fiz tão diferente. Hipocrisia! Descobri que a minha vida também esbarra por vezes, clamando por resposta e esperando o (meu) mundo mudar em prol da esperança. Da alegria. Uma esperança vazia que ainda espera mudança. O dia em que os sistemas forem mais justos, que a tempestade acabar ou que os sonhos se realizarem.

Talvez veja flashes de justiça.Talvez não. Talvez a calmaria venha muito logo. Talvez a tempestade dure mais do que o previsto. Talvez sonhos se realizem. Talvez nunca.

Nas mais diferentes formas, nas últimas semanas tenho visto e aprendido sobre a esperança que acreditava ser tão cheia em mim e agora vejo tão falha. Que ao invés de gritar: “Jesus Cristo!” deposita todas as fichas no dia em que o (meu) mundo mudar. Que como ouvi numa dessas semanas: “nos leva a olhar para o sofrimento e tornamos, por isso, os nossos desejos e sonhos, os nossos salvadores.”

Espero que o grito continue na ponta da língua, mas vindos à boca de um coração cheio. Que esperança e alegria deixem de ser condicionadas a esse mundo. E, ainda que na injustiça, na tempestade e a espera dos sonhos elas estejam aqui e agora. Porque a esperança já veio e a alegria é completa.

Lari

Sobre Lari

Nome: Larissa Martins Mendes. Belo Horizonte, 1992. Hoje, aos 22 anos de idade é estudante de Letras Inglês na Universidade Federal de Minas Gerais & dedica seu tempo trabalhando com o ministério para jovens, Alvo da Mocidade, com o enorme amor que tem por eles e pelo Evangelho.

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