A entrega derradeira: coração

Nos últimos dias tive a oportunidade de partilhar de momentos de muita comunhão com muitos dos irmãos em Cristo que mais amo, meus amigos que são parte da Comunidade de Alvo da Mocidade em Belo Horizonte. Neste tempo pude experimentar novamente um tipo de amor que infelizmente não me acompanha no dia-a-dia, aquele que só pode ser partilhado por quem conhece a Cristo. Em meio a este clima pude refletir bastante a respeito da minha vida e do que Deus tem de legal pra mim.

Muita coisa foi dita durante os quatro dias, em especial pelo Adilson Donatelli. A que mais me chamou atenção foi a  história de uma mulher paralítica curada por Cristo. Encontrei o vídeo abaixo do filme que ele fez menção: The Robe, 1953 (“O Manto Sagrado”). A versão é em inglês e as cenas narradas estão do minuto 1:03:42 a 1:15:40.

Senti um golpe profundo quando foi mencionado que a cura da mulher, segundo seu próprio entendimento, não fora física, mas sim do seu coração. Imediatamente pensei no meu espinho na carne,  em quanto dedico atenção a ele quando poderia batalhar pra ficar bem com Deus. Não consegui pensar em mais nada desde então. Como pode ser? Deus deixa a mulher conviver com seu problema e ainda assim ela entende que foi curada? Sinto que estou profundamente distante disto.

O incomodo me fez ver que mesmo após muitos anos andando com Jesus, de pensar que havia entregue tudo quanto tenho, ainda me falta algo… E o que falta, para meu espanto, é só o principal: meu coração. Vivo justificando, colocando a culpa em Deus, nas pessoas do meu passado que me mostraram seu lado ruim, em mim mesmo. Nada disso tem surtido efeito.

Confesso que não fiquei muito empolgado com a ideia de ter que resolver algo tão crítico com Deus. Tenho certeza, no entanto, que os resultados serão excelentes, leve o tempo que levar. Se todos somos seres do mesmo pai e iguais por natureza, creio que cada um também já viveu, vive ou viverá este mesmo dilema da entrega derradeira, deixando nas mãos de Cristo as dores mais profundas da nossa alma, o que mais poderia nos afastar dele.

Que a cura da mulher possa servir de estímulo para que busquemos também nossa cura no amor de Cristo. Que possamos orar um pelo outro em comunidade e que este amor sentido quando juntos possa nossa ajudar a superar esta e todas as outras dificuldades de ser um cristão genuíno. Se tiver alguma experiência legal sobre esta entrega não deixe de dividir com a gente, comente!

Forte abraço!!!

Rafael Santtos

Sobre Rafael Santtos

Rafael Santos, Belo Horizonte, 18 de abril de 1984, cristão desde 2012, sonhador, aventureiro, sanguíneo, exortador. E deseja dividir um pouco do que pensa através do Outras Fronteiras.

4 comentários sobre “A entrega derradeira: coração

  1. “Vivo justificando, colocando a culpa em Deus, nas pessoas do meu passado que me mostraram seu lado ruim, em mim mesmo. Nada disso tem surtido efeito.”

    Sensacional, Rafa! Com certeza, como irmã em Cristo, passo pelo dilema da entrega constantemente. Foram muito bons esses dias no acampamento e seu texto completou a reflexão sobre muitas decisões que ainda precisam ser tomadas. Obrigada.

    Um beijo

  2. Amigão, me coloco ao seu lado na fileira daqueles cuja carne encontra-se castigada por um espinho doloroso. Te entendo o compartilho sua angústia e suas dúvidas. Infelizmente eu creio que nossa entrega nunca é verdadeiramente derradeira. Acho que variamos entre entregar pra Deus e pegar de volta, gerando um ciclo desgastante, tanto na nossa fé como na nossa visão sobre nós mesmos.

    O único conforto que encontro é, paradoxalmente, encontrar mais fé quando a própria fé falta…

  3. Tem sido difícil até pensar no assunto, Maíra… mas as decisões precisam mesmo serem tomadas.
    Neruda, que bom que eu não sou um ET, que tem gente que pensa e sente o mesmo que eu. Cara, esta fé, penso eu, é como se fosse uma progressão geométrica: quanto mais a gente se afasta, mais se afasta e quanto mais nos aproximamos em fé, mais estamos próximos de Deus. Que dentro deste contraditório Jesus nos ajude a vencer estes desafios e nos faça ir adiante, pelo menos aprendendo a conviver com o espinho.

  4. Excelente texto….a sua dor ultrapassou os limites do texto e penetra nos corações….
    saiba, irmao, que estamos todos juntos no mesmo barco….todos carregados de marcas e lutando contra seus espinhos….vivemos em busca do aperfeiçoamento e isso exige luta, amadurecimento e entrega e muita oração…Cristo nos transforma a cada dia…lembre-se;
    a cada dia!
    Abraços e se precisar estamos a disposição…

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