Ensaio sobre a cegueira

O quanto estamos condicionados às regras sociais que nos orientam? Se estivéssemos no meio de uma catástrofe, lidando com questões de vida ou morte, como você reagiria diante do desespero de querer salvar a si e à sua família?

Em “Ensaio sobre a Cegueira”, José Saramago descreve uma sociedade em que, sem motivo aparente, as pessoas começam a ficar cegas. O problema é que não só as pessoas perdem a orientação e várias coisas param de funcionar, mas também as pessoas param de respeitar as regras sociais: como ninguém vê ninguém, perde-se o medo, o pudor, a vergonha, tudo. Caos. Mata-se por nada, briga-se por comida, água limpa, as pessoas fazem suas necessidades pela rua, comem carne humana: tudo pela sobrevivência. A erosão das regras sociais os leva à guerra de todos contra todos…

Fico pensando em como seríamos nós, como seria a vida em sociedade se nós estivéssemos cegos…

Muitas vezes minhas atitudes são pautadas não só pela minha “consciência” ou pela vontade de querer fazer o bem, mas muito pelas regras sociais e pelo medo de me julgarem, medo do que os outros vão pensar… E se ninguém pudesse nos ver e nos julgar, como agiríamos? Externalizaríamos as atitudes e vontades que temos em segredo, mas que não demonstramos?

Até onde agimos por verdadeira mudança de caráter? Ou até onde é por vontade (sincera, por que não?) de dar bom testemunho e também pelo medo de sermos julgados que agimos da forma que agimos? Como é você, sozinho com seus pensamentos?

Como seria se ninguém pudesse te ver?

ana.oliveira

Sobre ana.oliveira

Ana Luíza, 21, é filha única e já fez intercâmbio. Atualmente estuda Economia na UFMG e é bolsista da Associação Democracia Ativa (dispondo de muita fofoca política pra contar ;]). Adora ler, viajar e aprender línguas. Participa de Alvo da Mocidade desde 2001, estando atualmente na Comunidade. É cristã e simpatiza com o marxismo.

2 comentários sobre “Ensaio sobre a cegueira

  1. Já dizia Capital Inicial – “O que você faz quando / Ninguém te vê fazendo / Ou o que você queria fazer / Se ninguém pudesse te ver”

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