Em praça

O convite foi para juntar pedaços. Com um coração exposto à mesa, colocado; machucado, mas de vivo pulsante, pulando num sofrimento ardente, agudo e transbordante de descabido. Sofrimento que espalhava no ar que respirado, tomando os pulmões sem querer ser jogado pra fora.

As palavras duras ensaiadas, amoleciam no choro derramado que era o seu próprio, inda que em olho outro. O perdão precisava ser estendido. Não o meu, mas o de cruz. E aquele de cotidiano. Que apesar de infinito, tomado aos poucos; num hoje que um ponto a mais do dia anterior e assim até que então, sereno.

O dedo apontado também era o dele mesmo, fruto de carne latendo. E o meu então guardado no bolso. Ora um tanto inquieto pra se auto-denunciar. Fazendo constrangimento pelo meu próprio coração, que de inclinações idênticas, gloriava-se tão só pelos seus freios e menos asa. E bebido do perdão por mim mesmo exposto, celebrei a covardia do soldado que se esconde. Talvez por não ser sua a guerra, inda que chamado a vestir a farda, empunhar as armas. Por ser participante, vencedor junto.

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