Dor

Do alto da cruz Jesus já havia experimentado todas as dores do mundo. As dores da carne causadas pela intensidade dos espinhos que penetravam em sua cabeça. Seu corpo também já havia sofrido com as torturas, acoites e os enormes pregos que atravessaram mãos e pés. A dor causada pela humilhação, pelo cuspe e também o tapa. O desdém, a indiferença e a traição.

Mas o pior ainda estava por vir. Jesus ainda sentiria a maior dor que alguém pode experimentar. A dor da ausência de Deus, quando abraçaria o pecado da humanidade, como um soldado que pula em cima de uma granada pra salvar seus companheiros a quem ama. Abandono, alienação, silencio. São as consequências naturais do pecado, quando Deus parece morto.

“Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” Mt 27.46

Esse é o momento em que Jesus grita de dor. Quase não a suporta o distanciamento de Deus que o fere profundamente, muito mais do que seus estigmas. Porém, não interrompe seu diálogo com Deus nem mesmo no momento em que experimentou a solidão da alma. Ele clama com sua fé ferida.

Que essa seja a nossa atitude. De clamar pelo nosso Deus, mesmo com Seu aparente silêncio e colocar diante dele as dores da carne que abrem feridas, que nos desanimam e nos fazem chorar e perder a esperança.

Insuportável mesmo é viver sem a presença de Deus.

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