Don´t be so hard on yourself

“Don´t be so hard on yourself”
“Não seja tão duro consigo mesmo”
(Don´t cry – Seal)

 

Nesse semestre, estudei bastante sobre política econômica do Brasil. Na boa, tem horas que dava vontade de pegar o ministro da economia da época pelo pescoço e mostrar pra ele: “Você não tá vendo que essa medida que você vai tomar agora vai avacalhar o país em tais e tais quesitos no futuro??”

Quem nunca leu alguma história de Jesus em que os discípulos não conseguem entender algo que Ele disse e pensou: “Como você não entende o que Jesus está falando? Está tão claro!”

O nosso julgamento em relação ao passado se dá com o entendimento que temos hoje. Como é que os discípulos iam entender se ainda não estavam prontos? Como querer julgar hoje o passado com o entendimento do presente? Como é que o governo ia advinhar perfeitamente o efeito das suas ações? Não podemos ser condescendentes com o erro, obviamente, mas é impossível prever todos os efeitos e acertar todas as vezes.

“E por quê você está falando de política econômica e da bíblia, Ana?” Porque às vezes fazemos exatamente a mesma coisa conosco (ou com o outro. Imagina se não é petulância minha querer julgar o que fez um ministro da economia!). Olhamos para o passado e nos julgamos. “Como eu fui estúpida o suficiente para fazer/crer/largar/aceitar isso? Como pude ser tão burra? Como eu não vi em que ia dar?” Sim, claro. Erros servem para que aprendamos com os mesmos, para que cresçamos e não caiamos mais nas mesmas coisas. Mas não nos martirizemos com os erros do passado. Como é que você poderia saber de todas as conseqüências dos seus atos? Você poderia estar tendo a melhor das intenções no momento…

Podemos aprender com o passado, mas não querer que, com o entendimento de hoje, tivéssemos agido diferente no passado. Você era diferente, pensava diferente, tinha uma compreensão diferente e nem tinha todo o conhecimento dos resultados das suas ações antigas como tem hoje. Hoje os resultados nos parecem claros, mas à época não eram.

Aproveite a experiência como um aprendizado, não como um fardo de o que você deveria ter feito e não fez. “Não seja tão duro consigo mesmo”. Nem com os outros. Cito JK para terminar. Quando acusado de mudar de opinião, ele dizia: “Não me cobrem coerência. Eu não tenho compromisso com o erro”. Ainda bem que temos a opção de mudar. Hoje.

ana.oliveira

Sobre ana.oliveira

Ana Luíza, 21, é filha única e já fez intercâmbio. Atualmente estuda Economia na UFMG e é bolsista da Associação Democracia Ativa (dispondo de muita fofoca política pra contar ;]). Adora ler, viajar e aprender línguas. Participa de Alvo da Mocidade desde 2001, estando atualmente na Comunidade. É cristã e simpatiza com o marxismo.

10 comentários sobre “Don´t be so hard on yourself

  1. Muito bom o texto. Temos dificuldade em aceitar os nossos erros como uma forma de aprendizado, além de que julgamos os erros alheios nos esquecendo que para Deus não existe “pecadinho” e “pecadão”. Uma coisa legal de se pensar também, é que não devemos ficar nos remoendo pelas coisas que fizemos, caso contrário não aprenderemos com as mesmas!

  2. hahaha meu post caiu como uma luva pra mim mesma: tive que tomar uma decisão mega difícil e espero que, se não dê certo, que no futuro eu não seja “so hard on myself”…

  3. Qdo lia seu post me veio a cabeça o Fábio de Melo qdo ele diz que não devemos nos sentir culpados por algo, culpados por ter cometido um erro e sim arrependidos. A culpa nos martiriza, nos maltrata e todas as vezes que nos sentimos culpados facilmente cometeremos os mesmo erros d outrora. Devemos nos sentir arrependidos, isso nos impulsiona pra frente, isso nos motiva a nao querer cometer e feito d antes q nao resultou em boas coisas, alias qtas vezes erramos pensando estar acertando. Concordo com seu texto principalmente qdo ele diz que se erramos naquela época, talvez nao o fizemos com o intuito, era tdo que tinhamos para oferecer, era o nivel q estavamos, o que nao devemos fazer é continuar cometendo esses erros, o arrependimento faz isso conosco, nos lança para fente e nos faz querer sinceramente melhorar.

  4. Bacana! O nosso passado pode ser um grande inimigo, fonte de sofrimento mesmo se não estamos bem resolvidos com ele. Há, em um livro que li (Jesus de Pés Sujos – Don Everts) um conceito muito interessante de arrependimento que é mais ou menos assim “O arrependimento 180 graus – Muitos pensam que se arrepender é ficar prostrado num cantinho, só chorando ; Acontece que é impossível se arrepender e ficar prostrado ao mesmo tempo”. O autor fala no sentido de o arrependimento ser uma atitude, uma mudança de atitude, e não um estado de espírito tomado pela culpa.

    Se é assim, é válido. Se não, nos destrói e precisa ser melhor resolvido.

  5. Muito legal Analu.

    Gostei muito do acréscimo da Fernanda e do Diego.

    Devemos tentar prever algumas coisas antes de simplesmente decidir por este ou aquele caminho. Mas o real é imprevisível e no fim a gente erra tentando acertar.

    bjo.

  6. Que legal, Diego! Nunca ouvi nada do Pe. Fabio de Melo, vou procurar conhecer mais sobre ele!
    Fernanda, ótima essa idéia do 180 graus, de fato não adianta nada ficar chorando e remoendo, sem mudar. Aliás, Deus não quer isso pra gente: II Co 7:10 – “Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação, da qual ninguém se arrepende; mas a tristeza do mundo opera a morte”. Deus não quer sofrimento, sim arrependimento. O sofrimento puro e simples, a culpa que martiriza leva à morte…

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *