Deus destruidor

“Na verdade, as minhas forças estão exaustas; tu, ó Deus, destruíste a minha família toda.”

Esse é um versículo da Escritura Sagrada. Palavras honestas e um tanto quanto ofensivas a Deus.

Você saberia dizer quem foi o autor dessas palavras? Saberia responder quem experimentou essa tal “mão destruidora” de Deus?

Antes de falarmos quem disse isso, algumas considerações importantes:

  • Esse era um momento em que as forças ficaram exaustas. Interessante pensar que a força tem hora que cansa.
  • A afirmação não permitia dúvidas. Deus era quem havia destruído aquela família. O Deus que havia criado/construído a ideia de família resolveu voltar atrás. Destruiu, era culpado e estava sub judice.

Essa afirmação foi feita pelo famoso Jó. Homem reto, íntegro, temente a Deus e que se desviava do mal. Aquele que usamos como exemplo ao falarmos sobre a “paciência de Jó”.

Será que retidão, integridade, temor e desejo de não pecar são virtudes que param de funcionar quando as forças ficam exaustas?

Porque vale lembrar que, quem sai afoito arquitetando destruir a família de Jó, é Satanás. Ele sim, tem tudo a ver com o verbo destruir.

Além disso, as palavras ditas por Jó foram pronunciadas por alguém que conhecia a Deus apenas de ouvir falar. Os olhos de Jó ainda não O tinham visto.

É assim a vida! A gente vai afirmando coisas sem saber direito o que estamos falando. Colocamos, inclusive, o próprio Deus no meio. Sub judice. Questionado. Acusado de ter feito aquilo que, necessariamente, Ele não teve nada a ver. Porque vale lembrar que, quando Deus permite algo acontecer (PS: porque nada nesse mundo aconteceria sem a permissão Dele), isso não significa que era o que Deus queria que ocorresse.

Eu mesmo já esbravejei contra Deus sem ter nenhuma razão. Estava exatamente como o Jó. Sabe o que precisou pra que as coisas fossem para o devido lugar, tanto comigo quanto com o Jó?

Tempo. O tempo revela a paciência de Deus com cada um de nós.

O tempo foi passando e as conclusões mudando. Fiz igual ao Jó.

Então, Jó respondeu ao SENHOR e disse: Sou indigno; que te responderia eu? Ponho a mão na minha boca. Uma vez falei e não replicarei, aliás, duas vezes, porém não prosseguirei.” (Jó 40:3-5)

Parece ser assim. A gente esbraveja uma vez. Duas. O problema é quando a rebeldia prossegue e começa a passar disso. A gente esquece que todas as intervenções de Deus (sem exceção) sempre apontam ou apontarão para a vida. A maior delas, inclusive, resolveu gritar em alto e bom som: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.” 

É preciso tempo para aprendermos que Deus não destrói aquilo que Ele mesmo criou. Deus destrói conceitos equivocados que eu e você carregamos.

Um grande abraço!!!

 

 

Eduardo Victor

Sobre Eduardo Victor

Mineiro de Belo Horizonte, 33 anos, cristão e missionário em Alvo da Mocidade. Apaixonado pelas Escrituras, tornei-me um sonhador quando descobri que Deus pode nos surpreender com as coisas mais simples e inusitadas desta vida...

2 comentários sobre “Deus destruidor

  1. E o dilúvio? Foi deus que causou?
    E as pragas do egito? Tem certeza que o relato da Bíblia apoia sua afirmação de que Deus nunca destrói?

  2. Grande Arthur! Essas suas últimas dúvidas são fraquinhas. Hehehehe… Acho até que você já esteve melhor. Dilúvio, pragas do Egito, destruição de Jericó, morte de Ananias e Safira, o próprio Apocalipse… Todos esses textos revelam (alguns com mais, outros com menos intensidade) a absolutização do ego humano e as consequências de tal conduta. Ninguém consegue viver fora Dele, Arthur. Tem hora que eu fico me perguntando como um cara inteligente como você se esqueceu disso. Nele vivemos, nos movemos e existimos, lembra? Pular para fora de Deus (Aquele que é Vida) é pular na morte e na destruição e todas essas passagens só evidenciam a obstinação, a idolatria e pretensão humana. A afirmação de que é Deus quem as provoca é uma leitura rasa e uma visão míope da essência do nosso Deus, Sevalho! O dilúvio, por exemplo, parece ser uma excelente evidência do que há de acontecer com a deidade humana de acordo com as regras do jogo. As regras do jogo trouxeram más notícias para nós, amigão. Você conhece a história do que Deus fez, quando viu a morte vindo em nossa direção…

    “Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse/condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.” (João 3:17)

    Condenados nós já estávamos, amigão! E a história a qual chamamos “Evangelho” (Boa Notícia), revela que Ele foi capaz de morrer para mudar o nosso status. (Eu ainda fico me perguntando como você se esqueceu disso…) Enquanto você o enxerga como um aniquilador, eu o vejo como Redentor.

    Ao ver você questionar o post de hoje com os exemplos das pragas do Egito e com o dilúvio, a nossa divergência parece ser um simples detalhe de hermenêutica. A hermenêutica (nesse caso), porém, nunca pareceu tão vital…

    Tô curtindo seus comentários aqui no blog, amigão. O espaço é sempre aberto para que o diálogo saudável aconteça e propicie crescimento. A impressão é que, anteriormente, você estava lendo e ficando aí mirabolando com as ideias no anonimato. Traga-as à luz, Sevalho! Como você tem feito. O convite do nosso Deus sempre foi: “Vinde, pois, e arrazoemos!” Vamos pensar, Arthur!!! Ativar os neurônios sem medo… Não que eu tenha a pretensão de apresentar todas as respostas. Longe disso! Confesso publicamente minha ignorância e assumo que ainda carrego comigo a expressão “não sei” no meu vocabulário. No entanto, já abandonei a fase da minha vida cristã em que tinha medo de pensar. É que chega uma hora que você acaba descobrindo que o oposto da fé não é a dúvida, mas o medo. A dúvida, nesse caso, passa a não ser problema. Pelo contrário, ela é quase um catalisador que nos convida a confiar em alguém maior do que nós. E quem anda com Jesus sabe que está com Aquele que detém todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento em si mesmo. Está tudo Nele. Quando eu não entendo, creio. Se entendesse, não precisaria crer.

    Termino meu comentário confessando minha profunda tristeza por causa do seu ceticismo, Arthur. Foi o G.K. Chesterton quem disse: “São céticos de tudo. O ceticismo é tão grande que correm o risco de começarem a duvidar da tabuada ou da lei da gravidade.”

    E a gente sabe que quem começou a duvidar da lei da gravidade, uma hora acaba se machucando… Talvez porque o homem foi concebido para duvidar de si mesmo e não da verdade, amigão!

    Um grande abraço!!!

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