Desenhos na areia

Da descoberta inesperada à exposição vergonhosa e intimidadora. A mulher fora pega em flagrante adultério, arrastada, ainda nua, com os cabelos soltos, até a praça pública. Jogada no meio de uma roda de juízes impiedosos, ela ouve a conversa.

“Ela não merece misericórdia, foi pega em flagrante!”

“Meretriz!!”

“A lei manda que ela seja apedrejada até a morte!”.

E é mais ou menos esse o tom das acusações que alcançam os seus ouvidos.

Ela ouve então as palavras serem dirigidas a um homem que por ali passava. “E você, Jesus, o que diz que devemos fazer?”. A mulher ergue os olhos, procurando o destinatário de tal pergunta, e o que ela acha salta aos olhos. O homem se abaixa, diante dela e de toda aquela multidão de acusadores e, calmamente, como se não fora a ele que a pergunta era dirigida, começa a desenhar no chão. Postura que incomodou, postura que chamou atenção!

“Esse homem é maluco???”

“O que ele está desenhando ali???”

“Ele está nos ignorando!!!”

“Ei, você, responda! O que acha que devemos fazer??”

A resposta foi simples e direta, de uma sabedoria absurda.

“Aquele que nunca pecou, que atire a primeira pedra”

O homem se abaixou de novo, voltou a desenhar.

Um a um os acusadores foram soltando as pedras que já estavam prontas para serem lançadas e foram se retirando, certamente encucados com a reação e com as palavras daquele homem. Não sobrou mais ninguém, apenas Jesus… E claro, a mulher. Como pude me esquecer dela? Bom ,acho que deu certo a estratégia de Cristo.

Os holofotes que antes estavam sobre o pecado daquela pobre moça agora se voltaram para Jesus. Houve uma mudança de foco. Saiu de uma mulher ferida e pecadora e se transferiu para o Deus Homem, aquele que aleatoriamente (ou não!) desenhava na areia com os dedos.

Mais ou menos assim aconteceu na cruz: do ódio para o Amor. Da escravidão para a Liberdade. Do pecado para a Graça. Da morte para a Vida. E o foco de todas as histórias se tornou Jesus Cristo.

Quão bom é me deparar diariamente com o Homem que escrevia na areia e ouvi-Lo dizer a mim: “Também eu não te condeno. Pelo contrário, eu te perdoo. Agora vá para casa e não peques mais.”

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