Customização da Fé

Depois de um tempo razoavelmente longo, essa semana voltei a sentir um prazer que já havia produzido saudade. Voltei a dar estudos bíblicos e percebi o quanto meu coração se alegra com isso. Foi exatamente no meio do estudo que ouvi um dos meninos dizer de jeito totalmente convicto: “Eu vou para o céu e não tenho a menor dúvida!” Ele até justificou sua opinião, mas o que quero frisar é outra coisa. Ao dizer que ia para o céu, aquele jovem de 14 anos não revelava uma inequívoca certeza de salvação. Ele era, na verdade, a representação perfeita da sociedade e do mundo em que vivemos.

Se você ainda não notou, gostaria de lhe dar as boas vindas à era da Customização da Fé. Adequamos a fé ao nosso próprio gosto ou às nossas necessidades. A fé contemporânea vem sob encomenda e é elaborada sob medida. Fé customizada.

O Deus do séc.XXI é, de todos os períodos da história, o Deus mais pessoal e subjetivo. A expressão “o meu Deus” é recorrente. A oração deixa de ser “Pai Nosso” e se torna “meu Pai”. É o menos autoritário e menos exigente que já existiu. Ninguém acredita que vai ser condenado. Na Idade Média, a grande maioria da população acreditava que iria para o inferno. Hoje em dia, o inferno está fechando as portas por falta de candidatos. Todos se julgam dignos do paraíso. A lista de nomes de deputados e senadores do Congresso Nacional é praticamente o Livro da Vida. Fé customizada.

A conduta é abominável. O discurso é “Deus me entende”. Fé customizada.

Deixa eu ver se eu entendi. Você se define como uma pessoa cristã, tem vida sexual ativa, mas não é casada?

É que a fé é customizada, sob medida, lembra? Ahhhh, sim… Tô entendendo!

Santo Agostinho disse que a pessoa que seleciona das Escrituras o que quer e rejeita o que não quer, acredita em si e não nas Escrituras.

A fé customizada é representada por expressões do tipo: “Eu rezo do meu jeito”, “Deus no comando” ou “Blessed”(que significa ‘abençoado’, porque vai que o teu inglês consegue ser pior do que o meu).

A vida é uma fábrica de tosquices, só que no Natal eu posto no Facebook um versículo sobre o nascimento de Jesus e na Páscoa eu publico no Instagram uma fotinha sobre o Messias crucificado, entendeu?

Até quando eu vou me esquivar de um papo reto com Deus?

Um papo em que me coloco disposto a ouvir respostas de perguntas do tipo:

Meu jeito de rezar tá certo, Deus?

O Senhor tá de fato no comando da minha vida?

Minha vida se assemelha àqueles que o Senhor define como os teus abençoados?

Ao ouvir aquele menino de 14 anos dizendo que iria para o céu, minha sugestão foi imediata: “Deus te disse isso ou é você quem está dizendo?”

Ele parou para pensar. Minha oração é que ele não customize a fé. Isso requer andar com ele. Ninguém deixa de customizar a fé sem auxílio. Esse é todo o meu anseio. Semana que vem vamos para o capítulo 2.

Um grande abraço!!!

 

Eduardo Victor

Sobre Eduardo Victor

Mineiro de Belo Horizonte, 33 anos, cristão e missionário em Alvo da Mocidade. Apaixonado pelas Escrituras, tornei-me um sonhador quando descobri que Deus pode nos surpreender com as coisas mais simples e inusitadas desta vida...

3 comentários sobre “Customização da Fé

  1. Não que eu não concorde com os argumentos, mas vc não tem vergonha de praticamente transcrever uma palestra do Leandro Karnal e postar como sua?

  2. Oi, Gabi! Não me sinto nada mal. Absolutamente não! Transcrever uma palestra do Karnal? Foi o Karnal quem viveu aquela experiência com aquele menino de 14 anos? Ele sabe que o menino se chama Evandro? No final do post eu digo que para ele deixar de customizar sua fé, seria necessário andar com ele. Gastar tempo. Entrar em seu próprio mundo. O Karnal está fazendo palestras e, como um ateu declarado, de vez em quando fala algumas coisas que prestam. Talvez porque tudo que está na Bíblia é verdade, mas nem toda verdade está na Bíblia. Estou dizendo isso pra mostrar que o post extrapola e muito a voz do Leandro Karnal. Eu convidei sim, a voz dele para participar também. Mas dizer que o post é uma voz transcrita do Karnal? De maneira alguma! A gente não pode esquecer que a voz do Santo Agostinho aparece também…

    E sobre um mundo onde ideias são repetidas, aprendi que a originalidade acaba sendo uma vaidade ilusória.

    “Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo! Não! Já foi nos séculos que foram antes de nós.” (Ec.1:10)

    Quem disse que essa ideia é do Karnal? Quem garante que ele não pegou de alguém? E se foi ele quem copiou de mim? Já pensou? Rsrsrsrsrsrs…

    Eu teria vergonha e me sentiria extremamente incomodado se o post fosse uma reprodução, como você mesma disse, de uma palestra dele. Mas o post vai muito mais além, Gabi!

    Se não há nada de novo nesse mundo e afirmar que algo é original acaba sendo uma grande vaidade, a originalidade acaba sendo a arte de esconder bem as fontes!

    Grande abraço, Gabi!

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