Corpo Fotografado

Há pouco tempo atrás morreu o jovem cantor sertanejo Cristiano Araújo. Junto com a notícia da morte, veio a divulgação em massa das imagens de seu corpo. Imagens fortes, do acidente, do necrotério, do hospital. Imagens de celular, repassadas de grupo em grupo e expostas na internet. O fato gerou revolta, comoção nacional. Iniciou-se uma caça as bruxas. ” Quem fotografou o corpo do jovem cantor deve pagar! Isso é um absurdo!”  Na mesma rede que se apressou em divulgar as fotos, os fotógrafos foram igualmente expostos e rapidamente condenados.

Mais recentemente, uma outra morte também foi bastante exposta.  Um outro morto famoso. Só que este morto não era bonzinho. Era um ser humano cruel e que não respeitava a vida humana. Imagens do corpo do criminoso conhecido como Playboy, o traficante mais procurado do Rio de Janeiro , foram divulgadas inclusive em veículos oficiais de comunicação, sem o menor pudor. Estes mesmos veículos, que criticaram a divulgação das imagens do Cristiano Araújo, estavam ali expondo as imagens do Celso Pinheiro, vulgo Playboy.  Eu não vi ninguém reclamando ou se escandalizando com a divulgação destas imagens.

Sabem qual é o problema deste exemplo? O problema é a relação do nosso senso de certo e errado baseado no comportamento do outro! Sempre que fazemos isto, estamos flexionando nosso caráter e condicionando nosso padrão ao padrão do outro! A relativização da verdade é perigosa, pois corremos o risco de nos igualarmos aquele que é fruto de nosso julgamento! Comemorar a divulgação das imagens do corpo do Playboy é mostrar a mesma falta de respeito que ele mesmo, o traficante e assassino,  mostrava por suas vítimas. Desta forma, estamos nos igualando a ele no desprezo demonstrado pela vida.

Se divulgar imagens de corpos é cruel e desnecessário, esta regra tem que valer para qualquer corpo exposto.  Nosso padrão deve ser o padrão de Deus, nunca o padrão do mundo! Afinal de contas, tanto o Cristiano como o Celso estão agora mesmo passando pelo único julgamento que realmente interessa: o de Cristo.  E deste julgamento, ninguém está livre.

Um abraço!

2 comentários sobre “Corpo Fotografado

  1. Que isso, amigão!!!

    Análise espetacular da incoerência humana. Você tá ficando bom nisso daqui, hein?

    Valeu pelo post, Neruda!

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