CORAÇÃO GORDO, OLHAR CEGO

Muita comida, bebida boa, água quente e diversos investimentos garantindo o futuro. Não enxergam outra coisa, a não ser o carro mais badalado e o próximo destino para as férias.

Mesmo Jesus falando sobre a dificuldade para o rico entrar no céu e Paulo afirmando que a razão de todos os males é o dinheiro, continuamos nossa busca de forma insana.

Dinheiro, sexo e poder. O ser humano destrói tudo por causa disso. E quando digo ser humano estou falando de você e de mim. Quando falo que destruímos tudo estou falando sério, desde a nossa própria identidade, nossas famílias e nosso planeta.

Todos sabem e não fazem nada.

Insensíveis a Deus e à Sua vontade, engordamos nossos corações e não mais enxergamos claramente.

Onde vamos parar??

Lendo algumas páginas da biografia do Padre Fábio de Melo chorei por perceber como tenho vivido de forma egoísta, acomodada e preguiçosa. Como tenho colocado meus planos em ação sem perguntar ao meu Deus: “que queres que eu faça, Senhor?”

Tenho a impressão de que inverto as posições em muitos momentos, quando desejo que Deus me sirva ao invés de desejar e praticar o contrário. Compartilho alguns trechos;

“No dia que Chico Bia morreu, talvez em 1949, talvez em 1950, mulheres (…) prepararam um pano branco e o entregaram aos homens. O corpo foi enrolado no pano, que foi amarrado com cordas num pedaço de pau, e, assim, balançando naquela haste que todo mundo ali conhecia como padiola, o corpo do avô que padre Fábio não conheceu saiu daquele sítio carregado no ombro.

Ora era Zé Elias com Tião…Ora era Zé Luciano com Mané…

E assim, de ombro em ombro, os homens foram se revezando, as mulheres os seguindo, em três horas de caminhada até o cemitério de Candeias.” (p.41)

E mais uma que bateu forte demais;

“…quando botava a barriga no fogão, ou os pés no chão, até ela achava uma loucura engravidar outra vez. Vinha tomando pílulas anticoncepcionais, pois, tinha certeza, “só aquilo que fazia evitar filho”.

Até que lhe chegou um pedido que uma católica praticante fervorosa não podia negar. “Eu quero mais um filho seu”, disse uma voz que só Ana Maria ouviu, e que, ela não tem a menor dúvida, era a voz de Deus. (…) foi conversar com Natinho para ver se ele mudava de ideia.

“O que Deus tá querendo é com nós dois, Natinho, Deus quer mais um filho nosso!”

E o homem, que podia jurar que esse era assunto resolvido, quase pulou da cadeira.

“Mas não pode ser…Deus não tá querendo tanto assim não, Ana…Ele tá vendo o tanto de filho que nós já tem aqui…Já tem dois menino dormindo em cada cama…é sete menino pra mim dar de comer e beber. (…)

Olha, Natinho, (…) eu vou assumir essa coisa, viu?”

Depois de muita insistência, o pedreiro não viu alternativa senão continuar sua obra. Era vontade de Ana Maria, a vontade de Deus.” (p.54)

E assim veio Fabinho, o caçula de 8 filhos, conhecido como Padre Fábio de Melo.

Eu gostaria de saber que voz você tem escutado. O que você tem visto? Para onde tem corrido?

Você está confortável??

Eu, paradoxalmente, nunca estive tão confortável, porém, sentindo “um incômodo danado”.

Cooperador de Cristo.

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