O choro mais triste

Ao exílio, à tristeza, ao descaso, à descrença… à ruína! Este foi seu choro mais triste.

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Tudo começou com uma pequena atitude, um pequeno erro. Aos poucos começou a se afastar daquilo que acreditava ser o certo. Aliás, o “certo” virou um conceito abstrato na sua mente confusa. A falta de perspectiva em relação ao futuro aliada à dificuldade de avaliar seu passado deixaram seu coração vazio. As coisas não faziam mais sentido. O questionamento da sua mente era se algum dia aquilo tudo fez algum sentido. Duvidou se algum dia acreditou naquela pessoa, naquele estilo de vida. Ou teria apenas vivido de maneira adolescente o sonho dos outros. A utopia do mundo perfeito com pessoas transformadas já não empolgava seu coração.

Seria mesmo a vida uma sequência de nascer, ser educado, encontrar alguém, estudar, formar, encontrar um emprego, casar, ter filhos, comprar uma casa, educar os filhos, deseducar os netos, envelhecer e morrer? Fazer hora entre uma refeição e outra esperando a morte chegar? Estaria mesmo preso no determinismo de ser aquilo que a vida lhe disse que era desde a infância? Deveria agir para sempre com a mesma forma com que fora condicionado? Repetiria inevitavelmente os erros dos seus pais?

As coisas foram tomando proporções maiores. Suas dúvidas o desanimavam e os pequenos erros se repetiam numa freqüência que se tornara incontrolável. Quando percebeu já era tarde. Estava distante demais daquilo tudo que um dia havia vivido.

Seu nome: Israel. A conseqüência de ter deixado esfriar seu coração: o exílio. Jerusalém vazia, povoada apenas por aqueles que não poderiam ser produtivos ao novo império que a controlava. Fome, sede, ausência de recursos. Assim como um homem que um dia virou as costas para o Deus da sua mocidade, o povo que um dia fora chamado “de Deus” enfrentava a pior tristeza poderia sentir, a distância do próprio Deus.

Apesar dos pedidos para que o profeta não lhe suplicasse por aquele Israel rebelde é notório o quanto a tristeza não era sentida apenas pelo povo. No fundo, no fundo, o que Ele mais queria era que o povo se arrependesse e voltasse a andar no seu Caminho. Assim Deus chorou seu choro mais triste. E nesse contexto é que vejo a oração com o coração mais puro de Jeremias.

“Lembro-me da minha aflição e do meu delírio, da minha amargura e do meu pesar. Lembro-me bem disso tudo, e a minha alma desfalece dentro de mim. Todavia, lembro-me também do que pode dar-me esperança: Graças ao grande amor do Senhor é que não somos consumidos, pois as suas misericórdias são inesgotáveis. Renovam-se cada manhã; grande é a tua fidelidade! Digo a mim mesmo: A minha porção é o Senhor; portanto, nele porei a minha esperança”.
Lamentações 3:18-25

Esta é a história de Israel. Qualquer semelhança é mera coincidência. Esta hoje é minha oração, as coincidências se repetem…

Rafael Santtos

Sobre Rafael Santtos

Rafael Santos, Belo Horizonte, 18 de abril de 1984, cristão desde 2012, sonhador, aventureiro, sanguíneo, exortador. E deseja dividir um pouco do que pensa através do Outras Fronteiras.

3 comentários sobre “O choro mais triste

  1. Lindo Rafa…

    “Seria mesmo a vida uma sequência de nascer, ser educado, encontrar alguém, estudar, formar, encontrar um emprego, casar, ter filhos, comprar uma casa, educar os filhos, deseducar os netos, envelhecer e morrer? Fazer hora entre uma refeição e outra esperando a morte chegar?”

    Oro para que nossa geração não repita esses erros e viva com a certeza de que há algo muito maior atrás do monte.

  2. É possível imaginar o coração de Deus da maneira como você descreveu o afastamento de Israel!

    Bração!!!

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