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Em defesa do Aniquilacionismo – 3

Olá meus amigos! Este é nosso terceiro post sobre o tema aniquilacionismo. Se você chegou até aqui sem ler os dois posts anteriores, você pode ler o primeiro aqui e o segundo aqui.  O previsto era que tivéssemos quatro posts sobre o tema, depois deixei para cinco posts, e, por incrível que pareça, este tema termina hoje.  Sim, caros leitores, este será nosso ultimo post sobre o tema.  Então vamos lá caminhar até o fim desta jornada!

São muito numerosos os versículos bíblicos que de fato falam sobre um castigo eterno, em contraposição direta a uma vida eterna, promessa de Deus para os salvos na cruz de Cristo. Para este estudo, vamos pegar um versículo simples, direto e de fácil interpretação. Mateus 25:46.

“E estes irão para o castigo eterno, porém os justos, para a vida eterna.”

Uma análise rápida com as palavras usadas para a tradução em português deste trecho seria suficiente para garantir um veredicto igualmente rápido de um inferno eterno. Contudo, já que gastamos dois domingos e cerca de 6.000 palavras para chegar a este versículo, acho que vale a pena ir mais a fundo sobre a sua origem. Em grego, língua original do evangelho de Mateus, a expressão equivalente a “castigo eterno” é “kólasin aionion.” Como dito na primeira parte deste estudo , eu não tenho conhecimento de grego, e minha fonte de pesquisa foram escritos do teólogo Basil Atkinson . E foi Basil quem afirmou que o adjetivo “eterno” (aionion) está condicionando o substantivo “castigo” (kólasin) dando a ele uma condição de resultado de uma ação e não propriamente ao processo de castigo. Desta forma, castigo eterno é uma condição deste castigo, e não a sua duração. Castigo eterno é um castigo que não pode ser revertido ou revisto. É um castigo sem escapatória. A utilização grega da palavra “ainion” não é utilizada regularmente para conotar um castigo que dura para sempre, e neste ponto, os até os maiores críticos do aniquilacionismo acabam por concordar. O eterno é um resultado, não um estado. Da mesma forma, a condição de  uma “redenção eterna”, termo encontrado em outros versículos, pode ser facilmente entendida como uma redenção de efeitos eternos, e não como uma ação eterna. Um exemplo pode ser encontrado em Hebreus 9:12, e o termo grego para “eterna redenção” é “aionían lútrosin”. Então, o que fizemos até aqui foi conceituar que a aparição do eterno nos conduz ao efeito, e não a duração do castigo.

A partir de agora, seria muito bom se você pudesse ler os versículos de 7 a 15 do capitulo 20 do livro de Apocalipse. Você também pode fazer isto clicando aqui.

Resolvido o problema do castigo eterno, outro ponto interessante a se notar é que, de certa maneira, o inferno e o lago de fogo do livro de apocalipse não são o mesmo lugar. Então, ainda que no final deste estudo o leitor opte por seguir com sua crença tradicional de sofrimento eterno, seria interessante notar que este sofrimento não se daria no inferno, e sim, no lago de fogo. Esta afirmativa é clara no livro de apocalipse 20:14, de onde tiramos o conceito da segunda morte da semana passada.

“ Então, a morte e o inferno foram lançados para dentro do lago de fogo. Esta é a segunda morte, o lago de fogo”.

Ainda que existam várias referencias a fogo e fumaça ligadas ao sofrimento no inferno, o próprio inferno será lançado no lago de fogo, conotando a destruição do inferno, e da própria morte. Logo, se existirá um lugar para onde os condenados no julgamento final irão, ele será o lago de fogo, e não propriamente o inferno. Esta ideia faz muito sentido quando pensamos que o inferno não é eterno no sentido de duração, e apesar de ter procurado pela expressão “inferno eterno” na bíblia, eu não a encontrei. E antes que pensemos que o inferno estará cheio de almas quando for lançado ao lago de fogo, sugiro uma visita ao versículo 13 do mesmo capítulo 20. Lá, vamos descobrir que o inferno e todo qualquer outro lugar existente para quem já passou pela primeira morte será esvaziado para o julgamento. Isto por si só não vale como argumento pró-aniquilacionismo, pois independente do lugar onde haverá o sofrimento, o tema central da discussão é saber se haverá ou não sofrimento eterno, mas achei interessante colocar este ponto para dismistificar um pouco mais a figura do inferno bíblico.

Como meu objetivo não é convencer ninguém a abandonar sua visão clássica, e muito menos ganhar uma discussão teológica, a partir de agora eu vou direto aos pontos onde eu mesmo duvidei do aniquilacionismo. Pode parecer estupidez colocar logo as partes mais complicadas, mas entendo que esta é a única forma para levantarmos um verdadeiro debate. Já aviso que o final pode parecer um pouco fatalista ou abrupto, mas se passarmos pela parte difícil e acharmos sentido no que está escrito,  o leitor poderá acabar este texto acreditando no aniquilacionismo. Vamos lá?

A primeira complicação está pertinho de onde estamos agora. No Apocalipse mesmo. Vamos trabalhar na diferença entre o versículo 10 e o versículo 15 do capítulo 20. Esta é aquela parte onde a bíblia não é explicita, e por isto, esta é uma parte onde o “eu creio” entrará em ação. O que acontece nestes dois versículos é o lançamento de figuras ao lago de fogo. No versículo 10, o diabo é lançado no lago de fogo. No versículo 15, serão lançados os Não Inscritos no Livro da Vida. No versículo 10, descobrimos que o falso profeta e a besta já estão no lago de fogo, e o versículo é maior que o versículo 15 por causa do seu final. E o seu final faz, ao meu ver, muita diferença. Note que o versículo 10 termina dizendo que a estes seres “serão atormentados de dia e de noite, pelos séculos dos séculos.” Podemos dizer, claramente, que o falso profeta, a besta e diabo sofrerão eternamente. Agora, note no versículo 15. Ele acaba bruscamente. Ele não tem uma referencia direta ao sofrimento daqueles que não estão inscritos no Livro da Vida. Então, eis o dilema! Podemos afirmar categoricamente que o diabo sofrerá eternamente? Sim! Com muita clareza! E podemos afirmar o mesmo para os “não-salvos”? A minha opinião é que não, não podemos afirmar, pois a palavra assim não diz! Ela deixa em aberto. Eis a parte em que cada um pode crer segundo seu estudo, suas orações, suas visões ou segundo seu teólogo favorito. Não existe referencia clara para o que se sucede com os condenados uma vez que estes estejam no lago de fogo. O máximo que podemos fazer aqui é pesquisar outras referencias sobre o destino dos condenados, para tentarmos clarear esta passagem com outras partes da escritura, e é isto que faremos agora.

Para continuar com o dedo na ferida, vamos continuar em Apocalipse. Lá existe um versículo que nos diz o que se sucederá com os adoradores da besta. É de longe o versículo mais complicado, difícil de entender e contextualizar, e poderá ser a base para os defensores do inferno clássico.  No capítulo 14, verso 11, temos:

“E a fumaça do seu tormento sobe para todo o sempre; e não têm repouso nem de dia nem de noite os que adoram a besta e a sua imagem, e aquele que receber o sinal do seu nome.”

Não me abandonem agora dizendo: “Pablo, acabou! Você acabou de confirmar que o sofrimento é eterno!” Pode ser que sim. Se isto te satisfaz, se você leu este versículo e foi tomado pela certeza de que o sofrimento eterno, está tudo bem que você pare por aqui! Só espero que tudo que construímos até aqui tenha de certa forma te ajudado a ficar mais próximo de Deus, ou a entender melhor algumas passagens obscuras e pouco discutidas da escritura. Eu mesmo quase parei por aqui pensando comigo mesmo que não tem como negar este versículo. Mas eu precisei tentar. Eu precisei ir além do que se lia simplesmente, e eu achei algumas coisas interessantes, que gostaria muito de mostrar e escrever para vocês!

Mas eu não posso! Não posso porque tudo que encontrei a partir daqui não foi suficiente para me convencer do contrário. Não posso porque, apesar dos argumentos utilizados pelos teólogos, o versículo 11 é forte demais para ser negado, para ser refutado. E eu tentei! Tentei até poucas horas antes de escrever este texto. Eu poderia por exemplo citar a epístola de Judas, livro de um único capitulo, que inclusive precede o Apocalipse. Podia dizer que no versículo 7 existe uma referencia as cidades de Sodoma e Gomorra sendo destruídas por um fogo descrito como eterno. Depois, eu iria explicar dizendo que se formos aos locais onde estas cidades existiram, não haveria mais fogo queimando, conotando uma analogia com o a fumaça eterna do versículo 11  que citamos acima, mas eu mesmo não acredito mais nisto o suficiente para dize-lo como verdade. Isto não me parece forte o suficiente para seguir acreditando e escrevendo sobre isto. Negar o versículo 11 começou a me parecer uma tentativa desesperada de mudar algo que me causa medo. Para ser sincero, estou feliz e em paz com Deus para não faze-lo. Todos os outros argumentos aniquilacionistas ainda existem por ai, mas acreditem, eles não foram suficientemente fortes para me convencer por todo o tempo. Eles funcionaram bem durante algum tempo, e estou realmente convencido de tudo que escrevi até chegar no versículo 11 do capítulo 14 de Apocalipse.  A partir daí, as coisas não parecem funcionar mais.. não mais como pareciam funcionar antes de iniciar esta longa caminhada até aqui. Pode parecer abruto, mas entre um texto e outro, houve muita meditação da minha parte, e se aceitarem minha linha de pensamento e me derem o direito de formar uma opinião, posso dizer que não é necessário ir atrás deste assunto. Não mais.

Este é um fim melancólico para nosso projeto. Confesso que fiquei mexido e envolvido com ele em níveis que não consigo descrever em palavras. Mas, afinal, fui convencido pela pelo versículo 11 do capitulo 14 de Apocalipse. Para bem ou para o mal, meus queridos amigos, o sofrimento dos não-salvos parece eterno, e me parece mesmo inegável e irrefutável. Contudo, algumas coisas que descobrimos até aqui me deixaram consciente de algumas verdades que, apesar de apenas retóricas, podem ser tomadas como biblicamente possíveis. Entre elas, temos um inferno mais real e menos mítico, e temos a consciência perfeita de que o lago de fogo não é o inferno. No fundo, isto me causa mais medo do que esperança, uma vez que, se o inferno é ruim, o lago de fogo me pareceu ser ainda pior. O pensamento possível é que, sendo no lago de fogo ou no inferno, haverá um sofrimento eterno,  em termos de execução e em termos de duração. Os termos gregos e as traduções diversas de outros versículos que utilizei até aqui me parecem corretas. Os aniquilacionistas realmente foram profundos em buscar uma solução para o dilema, e parte do material que eles produziram faz muito sentido. O que fez sentido, tentei trazer para cena. O que não faz muito sentido, na minha ótica, acabei por deixar de fora, por achar que se trata de um material muito bom, mas que não parece funcionar. A equação não parece fornecer resultados corretos quando o versículo 11 entra em cena.

O que podemos tirar de conclusivo para este estudo não ser de todo perdido é a advertência pare termos mais TEMOR de Deus, e com seu julgamento. Longe de incitar o medo, desejo que o leitor apenas entenda que nossa noção de justiça não é necessariamente a noção da justiça de Deus. Eu comecei este projeto com compaixão pelos não-salvos, talvez tentando formatar o que eu considero justo e buscando biblicamente comprovar o que eu gostaria de crer. Mas vou terminar preocupado com minha própria vida! Eu nunca precisei tanto de Jesus, nunca antes tive tanto receio de pecar como tenho agora, e nunca antes o peso das minhas iniqüidades foi tão claro como é agora. Somente um Deus amoroso poderia se fazer homem para evitar que pessoas pecadoras como eu e você tivéssemos um destino terrível ao fim de nossas vidas. Entender este sofrimento nos faz entender o amor de Deus que quer nos libertar deste destino.  Eu tive um pequeno vislumbre do que aguarda os condenados, e não gostei nada do que vi. Por isto, creio que a urgência do Evangelho é real e tangível, e se você realmente ama a pessoa que está ao seu lado, seja ele seu pai, sua mãe, seus irmãos ou aquele melhor amigo, não perca seu tempo. Ore por ele, converse com ele, fale com ele sobre a palavra de Deus, e leve Jesus até a porta do coração dele. Ele é nossa salvação, nosso bom pastor, nosso caminho até Deus. Fale isto com quem você ama, hoje. Amanhã já pode ser tarde demais

Por fim, finalizo dizendo que nosso motivo para estar perto de Deus não deve nunca ser o medo do lago de fogo, ou o medo do inferno. E pode parecer irônico, mas era exatamente aqui que eu queria chegar quando tentei defender o aniquilacionismo. Eu pretendia terminar dizendo que não devemos ter medo do inferno, e nem devemos escolher Deus por medo do sofrimento eterno. Ia dizer que  se for este o motivo para estarmos com Deus, ainda não havíamos entendido o amor de Deus em sua natureza mais graciosa. Deus não pode ser a melhor escolha. Ele é a ÚNICA escolha que podemos fazer! Então, aniquilando ou não as almas condenadas, Deus continua sendo um Deus amoroso e justo. No fim, a sensação de justiça será completa para todos. Tentei achar respostas humanas para descrever tal justiça, mas isto parece pertencer mais ao campo da fé. Então, tenhamos fé na justiça de Deus, pois ela será como Ele: Perfeita.

Contudo, fiquem alertas, meus irmãos. O peso dos pecados pode condenar os homens  a uma existência inteira em sofrimento. E pior que isto, uma existência inteira longe de Deus. Na única vez que Cristo experimentou a ideia de ficar longe de Deus, Ele suou gotas de sangue.

Que este mesmo Jesus, que nos entende e nos ama,  nos ajude diariamente. E que possamos estar todos no Reino de Deus quando o fim chegar.

Como sempre, nosso campo de comentários está aberto, e minha disposição para discutir o assunto continua igual.

Um abraço a todos e obrigado por sua atenção em todos estes dias!

Em defesa do Aniquilacionismo – 2

Olá pessoal!  Tudo bem?

Este é nosso segundo post sobre o tema “Aniquilacionismo”. Este texto é uma continuação do primeiro,  e caso você esteja lendo este aqui sem ter lido o anterior, eu sugiro que você dê um pulo rapidinho AQUI e faça a leitura! Para os demais que nos acompanham desde a semana passada, vamos em frente!

Na semana passada eu propus dividir este estudo em quatro partes, mas devido ao tamanho da segunda parte, optei por dividi-la em dois posts, logo, a principio, teremos 5 partes no total. Deixarei para introduzir os argumentos favoraveis ao aniquilacionismo na semana que vem, me permitindo estender um pouco mais a introdução e definições iniciais da nossa discussão.  Apesar de estar praticamente finalizado em relação à forma e conteúdo, os posts futuros ainda não estão escritos pois pretendo utilizar-me de todos os comentários que voces fizerem, permintindo assim uma construção participativa do que estamos falando.

Apesar de me apoiar nos ombros de alguns teólogos para suscitar a discussão que agora produzimos, é necessário afirmar que mesmo entre os aniquilacionistas existe uma série de variações a respeito de diversas teorias. Tenho tentado filtrar aquilo que realmente nos interessa, trazendo para mesa apenas elementos seguros e reconhecidamente aceitos por boa parte da comunidade cristã. De qualquer forma, para procedermos com a defesa do aniquilacionismo é necessário que sejam definidas algumas verdades sobre as quais vamos trabalhar. Algumas das divisões doutrinárias são tão complexas que discutir sua natureza iria requerer um estudo ainda maior do que este que agora fazemos. De complexo, por hora, nos basta o aniquilacionismo em si mesmo. Desta forma, é preciso assumir os seguintes axiomas:

Primeiro Axioma: Existem duas mortes

Sabemos de maneira corriqueira que a morte é o salário do pecado. Sabemos que o homem foi criado a imagem e semelhança de Deus, mas por causa da queda lhe foi negado o fruto da árvore da vida, e desta maneira, fomos condenados a morrer. Sabemos que a morte implica em cessar nossas atividades neste mundo físico. Paulo nos confirma isto quando escreve aos hebreus, no capítulo 9, verso 27: “Aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o Juízo.”  Até aqui temos o seguinte esquema:

                                           nascemos > morremos > somos julgados.

O livro do apocalipse nos apresenta ao conceito da segunda morte. Ele aparece primeiro na carta escrita para a igreja de Esmirna, dizendo que aqueles que ficarem firmes com Cristo não sofrerão os “danos da segunda morte” (Ap 2:11).  Logo mais a frente,  o mesmo livro nos esclarece o que é a segunda morte: é ser lançado no lago de fogo (Ap 20:14-15).

Pelo texto do capítulo vinte, podemos interpretar que os “não-salvos” serão aqueles que sofrerão a segunda morte ( e serão lançados no lago de fogo após o julgamento final), mas podemos também concluir que a primeira morte é inevitável para todos os seres humanos (obviamente existem exceções , como Elias e os arrebatados, mas esta vereda é daquelas complexas que evitaremos, por hora).

Logo, podemos assumir de maneira geral que existem duas mortes, sendo a primeira delas, inevitável.  A segunda será nosso ponto de discussão.

Base bíblica chave: Ap 2:11, Ap 20:14-15

 Segundo Axioma: O espírito (ou alma) é sensiente

Vamos considerar como verdade a hipótese de que o espírito humano (alma) existe e é sensiente e consciente, ou seja, mantém-se sensível mesmo após a perda de sua unidade corporal. Em resumo: temos consciência após a primeira morte, mesmo sem nosso corpo físico. Contudo, exclua-se deste axioma o entendimento de que as almas são imortais ou que não possam ser destruídas. A destruição ou não destruição da alma é justamente o cerne do nosso debate, e tanto uma opção como a outra serão apresentadas como argumentos favoráveis ou desfavoráveis ao aniquilacionismo. A afirmação também só vale para a primeira morte, ou seja, só vale até o juízo final.

O evangelho de Lucas nos apresenta uma história bastante singular sobre um homem rico que, indo ao inferno, conversa com Abraão, que se encontra separado deste homem por um profundo abismo. A interação do homem rico com Abraão é claramente pós-morte, assim como é clara a consciência dos envolvidos. A passagem não parece ser alegórica (não é parábola e envolve seres reais), e, portanto, seu sentido literal nos permite confirmar este axioma. Esta passagem é bastante simbólica para o contexto do aniquilacionismo. É de fato uma revelação assustadora, e eu creio ser real e literal. Isto nos levará para o terceiro axioma.

A vereda sobre os que “adormecem” quando morrem, ficando inertes até o julgamento, também será evitada pelo mesmo motivo do axioma anterior. Seu estudo levaria mais tempo do que este que agora apresentamos, e não interfere no resultado final. O estado de “dormindo” ou “acordado” antes do julgamento final não interfere diretamente no destino da alma após este julgamento, esteja o condenado indo para o inferno ou sendo aniquilado.  O imortalismo, portando, não será um assunto para este post.

Base bíblica chave: Lucas 16:19-31

Terceiro Axioma: O inferno existe

Sim, meus amigos. Eu creio que o inferno exista. Negar a realidade do inferno nunca foi prerrogativa deste estudo. Grande parte dos aniquilacionistas é acusada de querer amenizar a consequência do pecado ou relativizar a existência de um sofrimento pós-morte. Não é nosso caso. Neste estudo, partiremos do principio de que o inferno existe. O que de fato queremos pensar não é a existência do inferno, pois estou convencido de que ele é real. Existe sim um lugar de sofrimento e ranger de dentes, e este lugar é o inferno. O que eu pretendo discutir é a natureza deste inferno. Em última instância, pretendo discutir a sua composição, mas principalmente eu pretendo discutir a sua duração! Acredito que o inferno tenha prazo de validade, e só não farei deste fato um axioma por questões de retórica. Precisarei de um inferno eterno para negar o aniquilacionismo nas próximas semanas.

Apesar de não ser necessário ao nosso objetivo final, acho interessante entrar, mesmo que minimamente, em um assunto que é tangencial a teoria do aniquilacionismo: o que é o inferno?  Meu principal objetivo com esta pequena exposição é equalizar nosso entendimento sobre o assunto e dismistificar o que é cultural do que é de fato bíblico.

Biblicamente falando, o inferno (lugar) é uma composição complexa de quatro termos utilizados nas versões originais, e traduzidas para diversas línguas como simplesmente “inferno”.  Fato semelhante se deu com a palavra “amor”, e sobre este assunto já escreveu o nosso amigo Rafa Santtos aqui mesmo no blog (leia aqui). No caso do inferno (lugar) as palavras que o definiam originalmente são: Sheol, Hades, Gehenna e Tártaro, a saber:

Sheol / Hades (1) – Um vocábulo hebreu (She`Ol) e um vocábulo grego (Heidi), que basicamente podem ser considerados sinônimos. Em hebraico puro e simples, a tradução mais aproximada seria “sepulcro” ou “sepultura”. É utilizado frequentemente na bíblia como referência a uma condição de morte e para um lugar para onde os mortos vão. O termo utilizado para definir o local onde o homem rico suplica por água na passagem de Lucas 16:19-31 (mostrado no axioma anterior) , traduzido como inferno nas versões em português, é Hades (vide nota de rodapé das traduções NVI).

Gehenna (2) – Vocábulo derivado do hebraico “Geh Hinnóm”, que significa “Vale do Hinom”. Uma pesquisa rápida vai nos revelar em 2 Crônicas 28:1-3 que o Vale do Hinom foi utilizado para oferecer sacrifícios ao deus Moloque por, pasmem, Acaz, rei de Judá. A bíblia relata que Acaz sacrificou seus filhos queimando-os e produzindo fumaça sacrificial.

“O comentador judeu David Kimhi (1160-1235), no seu comentário sobre o Salmo 27:13, dá a seguinte informação histórica a respeito de “Gehinnom”: “E é um lugar no terreno adjacente a Jerusalém, e é um lugar repugnante, e eles lançam ali coisas impuras e cadáveres. Havia ali também um fogo contínuo para queimar as coisas impuras e os ossos dos cadáveres. Por isso, o julgamento dos iníquos é parabolicamente chamado de Gehinnom.” (3)

Vale do Hinom

Então, quando pensamos na idéia de “inferno” da cultura ocidental, a imagem que mais se assemelha seria a do Vale do Hinom, local de morte, com um fogo constantemente acesso para queimar lixo, corpos humanos e restos de animais.

Tártaro (4) – Aparece uma única vez em toda a bíblia, em 2 Pedro 2:4 , para retratar o local para onde foram lançados os anjos que pecaram contra Deus. Uma tradução razoável seria “abismo”. Pouco importante para nosso caso, muito importante para um estudo sobre a queda de Lúcifer. Particularmente falando, faz alguns anos que tento me aprofundar no estudo da queda dos anjos, então acho importante apenas acrescentar que não existe nenhuma referência bíblia sobre o diabo reinar no inferno, como se o inferno fosse a batcaverna do capiroto. Isso é folclore. O diabo nem mesmo habita no inferno, quanto mais reinar. O diabo habita no mundo, e o que ele quer é reinar sobre as nossas vidas. Colocar o diabo no inferno é negar que ele anda entre nós, procurando para o homem a mesma ruina que atraiu para sí mesmo. Logo, é sábio ficarmos livres desta versão do inferno, uma vez que ela não é bíblica. Não pretendo escrever com mais profundidade sobre isto neste estudo, então, se por curiosidade quiser se aventurar neste universo, me ligue e vamos tomar um café. Na bibliografia vou deixar um livro interessante sobre o assunto. (5)

Na maioria das aparições destas quatro palavras nos escritos em hebraico e grego, os tradutores optaram por utilizar a palavra “inferno”, principalmente quando o termo se refere ao mundo dos mortos. Quando o sentido é literalmente de sepultura ou cova (o que acontece principalmente com o She`ol), a tradução é costumeiramente por “sepultura”.

De qualquer maneira, para nosso estudo, as traduções feitas pelas versões NVI ou ARA nos bastará. Alguns teólogos consideram que as diferenças entre um ou outro “inferno” difere no resultado final, se apegando a estes conceitos para justificar a aniquilação. São teorias longas e repletas de silogismos e traduções complicadas. Interessantes, mas pouco práticas e fora do meu alcance semântico. Novamente, não será nosso caso. Quer seja o Hades, quer seja o Gehenna, trabalharemos com o conceito de “inferno” como o “mundo dos mortos”, e chegaremos à mesma conclusão . Apenas como nota e talvez para futuras referências de um estudo sobre o inferno e suas variações, daqui em diante quando eu me utilizar de algum trecho bíblico que contenha a palavra ou conceito de “inferno”, tentarei colocar o termo de origem da tradução utilizada.

Enfim, temos as verdades sobre as quais vamos trabalhar.  Duas mortes, almas conscientes e um inferno real.  Conceitos absolutamente clássicos entre diversas comunidades.

Vamos ficar por aqui.  Semana que vem, finalmente,  vamos partir para os argumentos pró-aniquilacionistas.  Nosso campo para comentários está aberto para críticas, sugestões, complementos, comentários ou o que mais quiserem acrescentar.

Um abraço!

Bibliografia

(1) Mercer Dictionary of the Bible - Robert Rainwater
(2) http://www.jewishencyclopedia.com/articles/6558-gehenna
(3) http://www.jw.org/pt/
(4) http://sobregrecia.com/2009/08/25/el-tartaro-infierno-mitologico/
(5) Satã, Uma Biografia - Henry Kelly

Em defesa do Aniquilacionismo – 1

A decisão de escrever sobre um assunto tão complexo e polêmico foi difícil. Conversei com várias pessoas e li muita coisa sobre o assunto, mas confesso que depois de 40 dias de estudo ainda acho que as conversas foram poucas e as leituras insuficientes.  Contudo, me convenci de que a melhor maneira de dar forma para este texto seria começando a escrever.  Não sou teólogo, não sei ler em hebraico ou grego, e tudo que agora passo a escrever são baseados em leituras de teólogos e pastores conceituados do meio cristão, principalmente os acadêmicos e religiosos americanos, com poucas exceções. Outra parte do que escreverei virá da própria Bíblia, documento máximo para qualquer cristão. E onde a Bíblia não for clara, falarei da minha fé e no que eu acredito, sentimentos desenvolvidos na minha relação diária com Deus. Nestes momentos, tentarei ser explícito de que isto é algo que eu “creio” e não necessariamente algo “explicitado” nas escrituras. Para preservar um pouco o tamanho do texto, peço também permissão dos leitores para não transcrever todas as citações bíblicas que utilizarei. Apesar de não serem estritamente necessárias para o entendimento do conteúdo, seria interessante que o leitor consultasse sua Bíblia.

Meu planejamento inicial é que este “projeto” dure 4 posts, divididos no seguinte esquema: Introdução, Argumentos Favoráveis, Argumentos Contrários e Conclusão. Acredito que o tamanho dos posts deva ser ligeiramente mais longo que as médias. Tentarei ser sucinto, mas a própria complexidade do assunto me obriga a ser mais detalhista. Por fim, gostaria de dizer que todos os comentários, contrários e favoráveis, muito mais do que bem vindos, são essenciais para que este conteúdo seja rico em ideias. Gostaria muito de ouvir o que cada um pensa a respeito, tanto de leitores assíduos como de leitores que por aqui passam a primeira vez. O campo de comentários esta logo abaixo, então, por favor, me ajude a concluir este projeto participando da criação de um verdadeiro fórum para troca de ideias. E que tudo seja feito para Glória de Deus. Então vamos lá:

O que é Aniquilacionismo?

A ideia de inferno sempre me incomodou. Para muitos cristãos o inferno seria algo como aquele descrito por Dante Alighieri na “Divina Comédia”. A Igreja Católica se apossou da idéia do purgatório e chegou até a vender salvação,  na forma de indulgência, em certos períodos de sua história. Os gregos tinham suas várias histórias sobre o Reino de Hades.  O fato é que o destino do homem após sua morte é um tema controverso e antigo, muito antigo. Tão antigo como a discussão sobre o lar do diabo e das almas condenadas. Para onde vão?  De alguma forma aquela visão clássica de um satanás vermelho, com rabos e chifres, sentado no trono de um deserto árido de fogo, cheio de lava fumegante e derretida, repleto de inúmeras almas gritando e gemendo em dor e sofrimento eterno, não se associavam com o conceito que tenho sobre a bondade e misericórdia de um Deus que se fez homem para pagar por nossos pecados. Como poderia Deus permitir que algo assim existisse? Como poderia Deus obter uma vitória completa se, coexistindo com um novo Reino, onde viveremos todos na presença completa de Deus, haveria um local de tamanho sofrimento e agonia?

O Inferno de Dante, por Gustave Dore
O inferno visto por Dante, de Gustave Dore

John Stott disse o seguinte:Eu acho o conceito de tormento consciente eterno emocionalmente intolerável e não compreendo como as pessoas conseguem conviver com isso sem cauterizar seus sentimentos ou esfacelá-los com a tensão. Mas as nossas emoções são um guia instável, não confiável para nos conduzir à verdade e não devem ser exaltadas ao lugar de suprema autoridade em determiná-la. Então minha pergunta deve ser e é não o que me diz o meu coração, mas, o que diz a Palavra de Deus? “ (1)

Concordei muito com Stott! Como podemos suportar tal destino para nossos irmãos que não serão salvos? Pessoas que amamos, que estão ao nosso redor, e que sofrerão eternamente. Por outro lado, não basta achar que não faz sentido. Tem que existir base bíblica para tal. E acreditem: elas existem. Existe sim base bíblica para crer no aniquilacionismo. São estes argumentos favoravéis ( e até mesmo os desfavoráveis) que eu gostaria de apresentar e discutir com vocês.

Foi neste questionamento que Stott apresenta que entre alguns teólogos nasceu uma teoria chamada de “Aniquilacionismo”. Esta teoria tomou força aparentemente no ano de 1987, com a publicação de diversos artigos pelo canadense Clark Pinnock, pelo próprio John Stott, por William Fudge e por Philip Edgecumb Hughes. Desnecessário dizer que tais artigos causaram certo estremecimento na comunidade evangélica dos Estados Unidos e mexeu com diversas personalidades. Logo, um acirrado debate tomou conta das convenções e muita gente graúda se posicionou contra os argumentos apresentados.

A teoria do aniquilacionismo não é amplamente aceita pela comunidade evangélica, e é refutada por diversos outros importantes teólogos, infelizmente. Justamente por isto, meu receio em escrever sobre um assunto onde tanta gente grande já debateu. Mas precisamos prosseguir se quisermos chegar em algum lugar por aqui, portanto, falemos mais sobre o aniquilacionismo propriamente dito.

Segundo o teólogo e pastor Gregory A. Boyd, “Aniquilacionismo é a doutrina que afirma que tudo o que não puder ser redimido por Deus será exterminado.” Nós, os aniquilacionistas, acreditamos que as pessoas que não serão salvas serão exterminadas, deixando de existir conscientemente. Não existirá um inferno eterno, nem danação eterna, nem sofrimento eterno. Ou existiremos conscientemente no Reino de Deus, ou seremos aniquilados, extintos, exterminados.

Para falar de aniquilacionismo vamos falar, inexoravelmente, de fim dos tempos, imortalidade da alma, salvação, condenação e do inferno. Só existe um único ponto que evitarei discutir, e este ponto é sobre o “caráter de Deus”. Com esta decisão, pessoalmente estarei descartando vários argumentos favoráveis ao aniquilacionismo utilizados por teólogos que o defendem, mas por outro lado estarei em paz com minha consciência e com meu dever cristão. Se não me sinto totalmente apto a falar sequer sobre o aniquilacionismo, que dirá falar sobre o caráter de Deus. O caminho será longo, e digo logo que de cara que os argumentos favoráveis ao inferno clássico são bastante contundentes. Mas assim como eu, alguém aí fora pode encontrar sentido na aniquilação. E eu quero escrever para estas pessoas!

Você já parou para analisar sua crença? Você acredita no inferno? Qual sua opinião sobre o fim dos tempos?

Semana que vem a gente continua!

Um abraço!

 

Bibliografia
(1) Evangelical Essentials - John Stott

Lucas 12:57-59

Lucas é o evangelista médico/historiador. Não foi testemunha ocular da caminhada terrena de Jesus, mas investigou minuciosamente os Seus feitos. Importante salientar que o seu livro foi finalizado ainda no primeiro século, provavelmente na década de 60 d.C. Pouco menos de 30 anos depois da morte, ressurreição e ascensão de Jesus.

Mesmo muito inspirado nos demais evangelhos sinóticos, Lucas não abandonou a sua investigação. Entrevistou, estudou e valeu-se de sua forma peculiar de escrever, abusando de seu grego impecável, quase clássico. Tudo em Lucas me impressiona, mas particularmente o Jesus que fala de juízo e justiça divina.

O texto que venho dividir com vocês hoje tem sua correspondência em Mateus 5:26-26.

O contexto poderia ser resumido da seguinte forma: os judeus de ontem e muitas outras pessoas de hoje olham para Jesus e não entendem o que Ele fala. Isso quando conhecem suas falas.

“Dizia ele à multidão: “Quando vocês vêem uma nuvem se levantando no ocidente, logo dizem: ‘Vai chover’, e assim acontece.E quando sopra o vento sul, vocês dizem: ‘Vai fazer calor’, e assim ocorre. Hipócritas! Vocês sabem interpretar o aspecto da terra e do céu. Como não sabem interpretar o tempo presente?” Lucas 12:54-56

O que a vinda de Jesus representava?

E, então, o texto de hoje:

“Por que vocês não julgam por si mesmos o que é justo? Quando algum de vocês estiver indo com seu adversário para o magistrado, faça tudo para se reconciliar com ele no caminho; para que ele não o arraste ao juiz, o juiz o entregue ao oficial de justiça, e o oficial de justiça o jogue na prisão. Eu lhe digo que você não sairá de lá enquanto não pagar o último centavo”. Lucas 12:57-59

Temos especial dificuldade com as expressões empregadas neste trecho, são elas: a) MAGISTRADO; b) RECONCILIAR; c) OFICIAL DE JUSTIÇA; d) PRISÃO.

Os sinais do tempo exigem uma decisão imediata. É o que Jesus está dizendo. Há no texto duas compreensões de julgamento: uma no sentido de discernir o que é justo e outra relacionada à ira de Deus. O segundo é o julgamento que consiste na resposta de Deus ao pecado. Com isso já respondo uma primeira pergunta: Quem é o Magistrado? O próprio Deus!

A nossa caminhada aqui na terra é o momento para a RECONCILIAÇÃO. O momento de reconciliarmos com Deus e o momento de reconciliarmos com a nossa própria história. Se não houver reconciliação voluntária e fundamentada em fé o próprio Jesus disse que sobrevirá julgamento, oficial de justiça e prisão. Não me pergunte o que seriam os outros dois, mas de uma coisa eu sei: as prisões conhecidas na antiguidade não eram nada agradáveis.

Hoje é o dia da decisão mais importante da sua vida.

“Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido”. Lucas 19:10

A busca por consolo

Fiquei surpreso com um pequeno versículo que li essa semana: “… Esaú está se consolando com a ideia de matá-lo” (Gn.27:42b). Essa foi a frase dita por Rebeca ao seu filho Jacó. Seu irmão só esperava a morte do pai para matá-lo, enquanto isso não acontecia, o sentimento de ódio e a ideia de matá-lo o consolava. Que triste! Ser consolado por algo tão terrível … será que o consolo acontecia de fato? Creio que não.

Fiquei pensando em quantas pessoas buscam consolo por coisas estranhas na Bíblia:

Isaque foi consolado da morte da mãe com Rebeca (Gn. 24:67)

Rebeca era consolada ao ver o Filho usurpador (Jacó) se sobressair.

Outros buscam consolo em gurus, falsos mestres:  Zacarias 10:2

A lista é longa, vou parar por aqui.

Quando penso nos dias de hoje, muitas outras coisas são buscadas como consolo – drogas, sexo, poder, dinheiro, status, roupas, relacionamentos, religiões, diplomas, etc…

Até quando? Sabemos de onde vem o consolo, o que estamos esperando?

Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, Pai das misericórdias e Deus de toda consolação, que nos consola em todas as nossas tribulações, para que, com a consolação que recebemos de Deus, possamos consolar os que estão passando por tribulações.   (II Co.1:3-4)

Quando a ansiedade já me dominava no íntimo, o teu consolo trouxe alívio à minha alma. (Salmo 94:19)

Este é o meu consolo no meu sofrimento: A tua promessa dá-me vida.  (Salmo 119:50)

 

Que possamos buscar consolo Naquele que, de fato, consola!

Abraços e até a próxima

Fermento

Advertiu-os Jesus: “Estejam atentos e tenham cuidado com o fermento dos fariseus e com o fermento de Herodes”.
(Marcos 8:15)

 

O fermento é um fungo responsável pelo crescimento da massa do pão. Ele faz toda uma massa crescer. Jesus usa a mesma ideia de crescimento nesse texto, mas, logicamente, não fala de algo físico e sim de algo espiritual. A massa seria o nosso coração, o fermento poderíamos colocar como ideias, filosofias, atitudes.

Qual era o fermento dos fariseus?

Sem dúvida o fermento deles é o legalismo religioso, a hipocrisia. Impressionante como esse fermento é fácil de encontrar nas “esquinas da vida”. Produto altamente disseminado, principalmente no meio religioso. E como esse fermento é potente, como leveda rapidamente um coração! Características desse fungo: regras acima das vidas, intolerância, cruzadas, sectarismo.

Qual era o fermento de Herodes?

Uma vida liberal, entregue aos prazeres da vida, sem responsabilidades morais. “Comamos e bebamos pois amanhã morreremos” seria seu lema! Produto altamente disseminado também, em um mundo onde o hedonismo (busca do prazer acima de tudo e todos) fala alto. Pessoas que vivem como canta o poeta: “vida louca vida,
vida breve, já que eu não posso te levar, quero que você me leve”. Um homem que preferiu as últimas da Grécia do que as velhas do povo Judeu. Um homem coração de Alexandre. Características desse fungo: Egoísmo, hedonismo, escravidão de prazeres, insanidade.

Mas existe um terceiro fungo – O fermento do Reino! Jesus veio à terra para propagar e propiciar o Reino. Ele entra (“Porque o reino de Deus está dentro de vós”- Lucas 17:20-21) como uma pequena semente (Marcos 4:31-32) em nossos corações e cresce como um fermento!

A pergunta que fica para mim é: Que tipo de fungo tem levedado meu coração? O que está crescendo dentro do meu coração?

Qual fermento você tem comprado e usado?

Abraço a até a próxima!

De quem é a culpa?

“Você é o responsável por sua mãe e eu estarmos nos separando!”

“Sou assim por causa de meus pais.”

“Vou separar porque ela não me faz feliz”

“O meu chefe me persegue”

“Ele não estava me fazendo feliz no namoro”

“Ninguém me compreende!”

“Tenho problemas com luxúria por causas das roupas que essas meninas vestem!”

“Por que o senhor permitiu isso?”

“Uso drogas por causa de uma má companhia no passado.”

“Sou preguiçoso por causa do demônio da preguiça!”

De quem é a culpa? É impressionante ver como as pessoas hoje tem dificuldade de assumir responsabilidades! De assumir suas vidas! É muito mais fácil (a curto prazo) colocar a culpa nas pessoas, coisas ou em Deus. Mas, a longo prazo, os efeitos são devastadores: Adultos que deixaram de crescer, pessoas orgulhosas, auto-engano. Talvez um dos grandes males de nossa sociedade contemporânea é uma geração de adultos crianças, que não estão dispostos assumir suas vidas, suas escolhas e consequências!

Mas essa história é antiga:

E chamou o SENHOR Deus a Adão, e disse-lhe: Onde estás?
E ele disse: Ouvi a tua voz soar no jardim, e temi, porque estava nu, e escondi-me.
E Deus disse: Quem te mostrou que estavas nu? Comeste tu da árvore de que te ordenei que não comesses?
Então disse Adão: A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comi.
E disse o SENHOR Deus à mulher: Por que fizeste isto? E disse a mulher: A serpente me enganou, e eu comi.
Gênesis 3:9-14
Quanta transferência de culpa!
Precisamos aprender com Jesus, que assumiu o caminho da cruz e todas as consequências desse caminho ( inclusive carregando toda a culpa que não era Dele e sim da humanidade). Afinal de contas um dia”cada um de nós prestará contas de si mesmo a Deus.” (Romanos 14:12)
De que forma você tem levado sua vida?
Abraço a até a próxima!

 

 

O problema do 9 sem o 10 ou do 10 sem o 9

Lendo Efésios me deparo com um dos paradoxos do cristianismo:

Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus.Não vem das obras, para que ninguém se glorie;
Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.
(Efésios 2:8-10)
Se pegarmos o verso 9, podemos dizer: “Somos salvos pela fé! Obras não levam a lugar nenhum! O fruto da obra é orgulho!”
Se pegarmos o verso 10, podemos dizer: “Obras são necessárias! Deus têm preparado obras para mim! Sou um homem de ação e não de contemplação!”
Enfatizar sua vida cristã em somente um dos versos irá trazer problemas para você. Ou uma fé teórica ou obras com o fim em si.
Não há como separar fé e obras! Ambas devem existir! A fé é a razão da obra! A obra é a consequência natural da fé!
Nada melhor que virar o ano podendo nos questionar: Esses versos estão interligados e arraigados em minha vida? Vivo na interdependência deles ou dou prioridade para um dos versos?
Como você se avalia?
Abraço e até a próxima!

O Reino de Deus

Jesus veio ao mundo para pregar as boas novas do Reino de Deus (Lc 4:43). Mas o que seria este tal Reino de que ele tanto falava?

No imaginário judaico era algo como o reino de Salomão ou de Davi – cheio de esplendor, de conquistas sobre outros povos, de fartura e no qual fossem explorados por nenhuma outra potência (Lc 14:15). Algo como uma retomada do poder político sobre a própria nação, dominada pelos romanos há algum tempo à época de Jesus.

No pensamento de muitos atualmente o Reino de Deus é um espaço físico com natureza exuberante, onde todos vestem branco, não há noite e que só conheceremos após a morte. A primeira opção mostrou-se errônea há quase dois mil anos e a segunda, permita-me discordar de quem pensa assim, também mostra-se equivocada.

Ao ler o evangelho de Lucas, fica claro que Jesus descrevia um Reino metafísico que seria conhecido do mundo após seu sacrifício na cruz. Um reino em que seria dos pobres (Lc 6:20). Um reino que já existia (Lc 7:28), mas que ao mesmo tempo era uma boa nova (Lc 8:1). Cercado de mistério (Lc 8:10), que deveria ser anunciado (Lc 9:2), um reino sobre o qual Jesus ensinava (Lc 9:11). Que estava próximo dos que eram contemporâneos a Jesus (Lc 9:27) e que não abria espaço para dúvida quanto a ser parte ou não (Lc 9:62) após um convite do Mestre. Um reino que chegava através de Jesus (Lc 11:20) após João (Lc 16:16) e que deveria ser buscado acima de comida, bebida ou qualquer outra preocupação desta vida (Lc 12:31). Que começaria muito pequeno e seria muito grande, como a semente de um grão de mostarda e sua árvore (Lc 13:18). Que cresceria como fermento em uma massa (Lc 13:20). Um reino de porta estreita e difícil acesso (Lc 13:28), em especial aos ricos (Lc 18:24). Que seria e é dedicado aos que desejam perder sua vida (Lc 17:33), um reino acessível a pessoas semelhantes às criancinhas (Lc 18:16), que exigia e exige renuncia e que também recompensa (Lc 18:29). Um reino invisível (Lc 17:20) que seria ocupado não só por Israel, mas por pessoas de todas as partes do mundo (Lc 13:29). Que uma vez conhecido, deve ser multiplicado pelos que dele usufruem (Lc 19:11). Um reino, enfim, aguardado por muitos (Lc 23:51) e que foi cumprido na morte e ressurreição de Jesus (Lc 22:16).

Este reino, segundo creio, é uma opção ao mundo em relação ao mal. Uma nova chance à humanidade de manter um relacionamento com Deus. Isto se mostrou possível por meio do pagamento do Pecado por Jesus na cruz e sua posterior ressurreição. Se minhas ideias estiverem certas, vivo neste reino há algum tempo e já tenho algo dele para lhe contar.

O Reino de Deus na Terra é formado pela comunhão de pessoas que lutam para viver os propósitos divinos. Nele não há espaço para falta, porque sempre que estou em necessidade sou ajudado pelos o compartilham comigo(At 2:42-47). Não há também lugar para preocupações intermináveis, pois buscando as coisas de Deus o restante me tem sido acrescentado (Mt 6:33). É um espaço definitivamente aberto a todos, porque não fui nenhum tipo de santo antes de nele entrar (Mt 21:31). É algo minimamente organizado, onde devo cumprir com duas regras básicas – amar e amar (Mc 12:34). Não é lugar de teoria, mas sim de vida prática (1Co 4:20) e por isto gosto dele. É o Reio que não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo (Rm 14:17). É um reino em que há constante luta contra outro reinado que há no mundo há muitos e muitos milênios e por isto, difícil de se vivido.

Como fazer parte então de um reino que se mostra tão interessante? A resposta de Jesus em João 3 a Nicodêmos foi para que ele nascesse de novo. Este é meu desejo para você que leu até aqui, mas que ainda não conhece esta vida.

Não quero deixar de observar que nosso conhecimento da plenitude do Reino de Deus está reservado para depois daquilo que a Bíblia chama de juízo. O que gostaria de escrever hoje é que esta era, de uma forma ou de outra, já começou e está acessível a todos através da vida cristã genuinamente vivida. Reconheço que é complicado vivenciar o Reino de Deus se outros dele não partilham à nossa volta. Sou grato ao Pai por ter esta oportunidade.

Gostaria de terminar este pequeno estudo com uma reflexão. Se há um reino, o pressuposto básico é de que há um rei e súditos, e os súditos via de regra se sujeitam ao rei. Quem ocupa qual lugar na sua relação com Deus hoje?

Forte abraço.

 

O Deus que ouve

Essa semana estava lendo um texto muito interessante em IReis 8, especificamente dos versos 22 – 61. Esse texto é uma oração de Salomão no momento em que a arca da aliança (que simbolizava a presença de Deus) era trazida para o templo recém construído. O que me chama atenção na oração é a certeza de Salomão em um Deus que ouve. No entanto o fato de Deus ouvir sempre vem seguido de outro verbo:

  1. “Ouve dos céus e dá-lhes o teu perdão” (V. 30, 34, 36, 39,)
  2. “Ouve dos céus e age” (V. 32 e 39)
  3. “Ouve dos céus e atende” (V. 43)
  4. “Ouve dos céus e defende” (V. 45 e 49)

Assim como Salomão, podemos crer em um Deus que ouve e, depois, responde. Nosso Deus interage, reage, participa, relaciona! Coleciono em minha vida situações com um Deus que perdoou, que agiu, que atendeu e que defendeu. Tenho certeza que você também viveu situações assim! Se você ainda não se relaciona com esse Deus talvez esteja na hora de trazer a arca (Sua presença) para fazer parte do templo de sua vida! Quando isso acontece temos a certeza da presença de um Deus que ouve …. e …. responde!

“Que os Teus olhos estejam abertos para a súplica do teu servo e para a súplica de Israel, o teu povo, e que os ouças sempre que clamarem a Ti.”

(Verso 52)