Cartas a um cristão como eu #5

Olá, Ed. Como é bom ouvir (ou ler) a respeito das suas experiências com o perdão Divino. É realmente singular a paz e a liberdade com as quais o homem que, como você disse, “toma posse do perdão de Deus” é tomado. E essa expressão que você utilizou é de uma sabedoria muito profunda… Realmente ser perdoado é questão de tomar posse de algo que já foi oferecido definitivamente na cruz do nosso Senhor.

Quanto ao episódio com a sua esposa, a sua postura não me impressiona nem um pouco. A reação que você esperava de você mesmo era consequência de alguém que não valorizava e nem vivia o Perdão. Agora isto mudou, e já não se espera outra resposta ao pecado que é cometido contra você senão o mesmo perdão. É uma incoerência egoísta e pecaminosa ser perdoado e não desprender perdão, ser agraciado e não agraciar. É também uma espécie de suicídio o “não perdoar”. Tenho para mim que é tão ou talvez mais tóxico e corrosivo para a alma humana o não perdoar e se encher de rancor e ódio do que o pecar contra alguém e não se dispor a pedir perdão.

Além de tudo o que você experimentou pessoalmente você ainda tem praticado a confissão comunitária com os seus amigos cristão mais chegados? Isso sim é surpreendente. Este é, na minha opinião, o passo mais difícil a ser tomado em direção à posse do perdão Divino. O mais difícil e também o mais negligenciado. Muitos e muitos cristãos naufragam na fé pela falta desta prática. Expor os pecados a outros é vergonhoso, dolorido, mas extremamente importante para que o arrependimento seja sincero e para que o perdão seja mais palpável e vivo. E apesar de toda a dificuldade, viver essa prática é de grande benefício para a nossa fé! O texto de Tiago 5:16 confirma isso com as seguintes palavras: “Confessai, portanto, vossos pecados uns aos outros, e orai uns pelos outros, para serdes curados. A súplica de um justo vale muito em seus efeitos.”

Não tenho mais nada o que lhe dizer sobre o perdão. A verdade é que é muito fácil falar e argumentar a favor dele. O desafio e a dificuldade se encontram em vivê-lo. Buscar perdão é declarar podridão, fragilidade e dependência; recebê-lo é ter que lidar com um paradoxo amoroso que aniquila o nosso orgulho e desestrutura a nossa convicção meritocrática de vida; oferecer perdão sincero é agir divinamente, numa postura de entrega e sacrifício, gerando vida. E essas coisas nunca vão caber em uma carta ou em um bate papo teológico; o perdão se aprende sendo vivido, buscando-o, recebendo-o e disponibilizando-o, ainda que sejam necessárias 70 tentativas multiplicadas por 7.

Por fim, em algum momento da sua carta você citou os seus problemas com alguns vícios… Fiquei interessado no assunto! Fale- me mais sobre eles, vamos conversar sobre isso!

Com carinho, Dudú Mitre.

Um comentário sobre “Cartas a um cristão como eu #5

  1. O perdão tem sido para a minha relação com Deus, o que o oxigênio tem sido para a minha existência, Du.

    Eu não consigo me imaginar sem…

    Que as cartas ao amigo Ed continuem desafiando outras pessoas!

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