“Cartas a um cristão como eu” #1

Belo Horizonte, 25 de Abril de 2015.

Caro Ed, fiquei feliz em receber a sua correspondência, e mais feliz ainda em perceber em você o interesse de debater sobre as suas dúvidas, angústias e tribulações.

Em primeiro lugar gostaria de lembrar-lhe das palavras do nosso Mestre, quando diz que aquele que ouve a Suas Palavras e as pratica é como um construtor prudente, que edifica sobre a rocha a sua casa, em que vindo ventos, chuvas e tempestades ela permanece de pé. Pelo que sei você conhece a Palavra, conhece o Mestre e sabe o que Ele espera de você. Apegando-se ao que você já ouviu Dele acredito que esta será apenas mais uma das várias tempestades que tormentam a sua fé.

Creio que sua tendência melancólica e nostálgica te atrapalha muito quando se trata das suas crises de fé, que conforme você mesmo disse, são muitas. Pelo que você me escreveu, tudo indica que você deseja reviver as boas fases do passado, enquanto creio que Deus deseja lhe mostrar novas e maravilhosas coisas. “Prossiga para o alvo, rumo ao prêmio da soberana vocação em Cristo Jesus”.

Quanto aos questionamentos, acredito que eles esbarram de novo no seu temperamento, e mais uma vez lhe digo para estar em alerta. A melancolia lhe deixa cabisbaixo, e a nostalgia te leva a duvidar do presente e do futuro!

Pense comigo: o mundo mudou. Mudou socialmente e culturalmente. Até mesmo dentro da diminuta fatia de tempo em que você confessa a fé cristã houveram mudanças. Sim, em 10 anos muito da nossa cultura e sociedade mudou. Eu e você também mudamos, Ed. E muito! Mas ao longo das eras, das décadas e dos anos duas coisas permanecem intactas: Deus e o Ser Humano.

Deus é imutável, Único. Ele próprio afirma isso nas Escrituras (se bem que alguns colocam em cheque essa ideia, e podemos discutir sobre isso em outra ocasião). O Ser Humano, apesar de todas as diferenças de comportamento, também continua, em seu íntimo, a mesma criatura: criada, amada, decaída e desejosa de estar de novo na presença do Criador. Os anseios,  o cerne, o centro do Ser Humano permanece intacto.

Acho que partindo do pressuposto de que Deus e o Homem são ainda os mesmo podemos responder à sua pergunta. Sim, Jesus Cristo convém à época atual! Ele não perdeu o brilho, a majestade, o sentido e o propósito. Ele continua tanto interessante quanto ESSENCIAL para a alegria e realização humana. Afinal, sem Ele é impossível chegarmos a Deus!

Ao ser humano que continua vivendo em trevas, sem um propósito claro para a sua existência, Ele afirma: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andará em trevas; pelo contrário, terá a luz da vida”. Ao homem que continua vivendo vazio, com a alma gritando de fome, em uma existência sem sustento e vida, Ele declara: “Eu sou o Pão da Vida; o que vem a mim jamais terá fome; o que crê em mim jamais terá sede”. Ao Ser Humano que se sente solto, desolado em um mundo cheio de perigos, sem alguém que se importe e que lhe cuide, Jesus diz: “Eu sou o Bom Pastor. O Bom Pastor dá a vida pelas ovelhas”. E àquele (no caso, todo) ser humano que busca algo que ainda não conhece afim de satisfazer todos os desejos do seu coração e se encontrar no lugar onde foi criado para estar, o Mestre afirma: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, senão por mim”.

Ed, os títulos de Jesus são atemporais, e não importa em que época estamos, Ele continua sendo o Primogênito de toda a Criação, Aquele pelo qual podemos satisfazer por completo a nossa alma.

Espero que eu tenha lhe ajudado.

Com carinho, Dudu Mitre.

Um comentário sobre ““Cartas a um cristão como eu” #1

  1. Que legal saber que isso vai ser uma série de posts, Du!

    Os questionamentos dessa primeira carta são vivos, atuais e muito, mas muito pertinentes… Que Deus nos ajude a compreender sua imutabilidade e que Cristo possa ser compreendido como sendo TUDO aquilo que desejamos, todo o tempo!

    Valeu pelo primeiro post! Aguardando os próximos…

    Grande abraço!!!

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