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Enquanto durmo

Acredito muito na importância da oração e estou convicta do poder que ela tem de me transformar e trazer mudanças para muitas circunstâncias ao meu redor. Sei que, como Tiago disse, eu não tenho algumas coisas simplesmente porque não peço (Tg 4:2).

Creio também que Deus deseja profundidade e intimidade na nossa relação com Ele, e que para isso devemos ser muito transparentes, colocando diante do Senhor cada um dos nossos desejos e detalhando cada pedido.

Mas tenho a impressão de que às vezes eu oro como se tivesse que fazer Deus se lembrar de algumas das minhas necessidades. O problema dessa postura é que ela mostra que eu ainda estou no controle; como se Deus dependesse das minhas súplicas para começar a agir. Pura arrogância e orgulho…

Em uma das últimas tardes, me sentindo cansada e frustrada por não conseguir colocar em palavras e “explicar” para Deus o que sentia e queria, resolvi deitar e dormir um pouco. Incrível foi a sensação de que em tão pouco tempo  de sono meu coração foi acalmado e trabalhado. Acordei em paz, sentindo que Deus tinha respondido as orações que eu nem tinha conseguido fazer!

Lembrei que “noite e dia, estando [o homem que lançou a semente] dormindo ou acordado, a semente germina e cresce, embora ele não saiba como” (Mc 4:26-29).

Sei que embora a minha oração tenha muito poder, o meu silêncio também pode ser uma oração, porque “o seu Pai sabe do que vocês precisam, antes mesmo de o pedirem” (Mt 6:8).

Posso confiar que Ele está no controle e vai cuidar de mim até quando eu não faço nada. Alias, creio que às vezes é isso o que Ele está esperando: que eu deixe minha arrogância e assuma que não consigo fazer nada, para que então Ele comece a fazer.

Que Deus te lembre que Ele tem cuidado muito de todas as suas necessidades e desejos, até mesmo enquanto você dorme…

A sete chaves

Gl 4:9 “Mas agora, conhecendo a Deus, ou melhor, sendo por ele conhecidos…”

Durante algum tempo eu não entendia nada do que esse versículo queria dizer. Porque eu sempre afirmei que desde que eu decidi andar ao lado de Jesus EU passei a conhecer a Deus e a buscar aprender um pouco mais sobre quem Ele é!

Será que Paulo agora estava dizendo que eu estava enganada sobre isso?

Acho que não… Mas talvez ele estivesse querendo dizer um pouco mais do que isso.

Há um tempo tenho entendido o quanto Deus anseia por me conhecer e saber quem eu sou. Não que o próprio Criador não me conheça, mas Ele deseja ouvir da MINHA boca algumas coisas que Ele mesmo já sabe – porque viu.

Desde que começamos a nos relacionar tenho tentado abrir meu coração e deixar que Ele me sonde, ao mesmo tempo em que O conheço também.

Mas há muitas coisas na vida que guardamos a sete chaves dentro do nosso coração. Coisas que não gostaríamos de assumir nem pra nós mesmos; histórias que não gostaríamos de ter vivido; segredos que gostaríamos de compartilhar; pecados sobre os quais nunca tivemos coragem de falar.

No último fim de semana fiz um desafio com uma amiga. Desafiei-a a  orar e pedir que Deus a fizesse lembrar de sentimentos, histórias e pecados que ainda não tinham sido expostos. Foi incrível participar desse processo de descoberta (des-coberta) e pensar no quanto traz alívio poder confiar meus segredos diante do Pai que anseia por me conhecer.

Você tem se des-coberto para Deus? Ele conhece todas as suas ambições? E seus piores podres? Os traumas que mais te causaram feridas? Sabe o que você pensa sobre como Ele te criou? Sobre a forma como sua família é? Aquela parte da sua história que você ainda não contou pra ninguém?

As coisas escondidas precisam ser reveladas. Traz alívio e conforto poder colocar tudo pra fora… E Deus quer muito saber a SUA versão sobre tudo aquilo que Ele já sabe. Ele quer ouvir da sua boca!!!

O desafio está lançado pra cada um de nós. Porque só nós temos as chaves…

Ótima semana!

A maior tática

Duas histórias muito conhecidas e parecidas.

Pedro fora alertado: “Ainda esta noite, antes que o galo cante, três vezes você me negará”. Surpreso, declarou que se fosse preciso até morreria com o Senhor.

Judas também estava presente quando Jesus revelou diante de seus discípulos: “certamente um de vocês me trairá”, ao que impetuosamente negou.

Histórias bem conhecidas e similares.

Pouco tempo depois, Pedro de fato negou seu Mestre 3 vezes. Judas o trocou 30 moedas de prata.

Pedro foi motivado por covardia e medo; Judas, por ganância e orgulho.

Após o cantar do galo, o olhar direto e penetrante para Pedro. Após o beijo vendido, a graciosa pergunta do Mestre: “Amigo, o que o traz?”.

Então ambos tomam consciência do pecado e reconhecem o erro cometido.

Até aí as semelhanças são muitas. A diferença está no desfecho da história.

Pedro se arrepende e chora amargamente. Judas sente remorso e enforca-se!

Pedro se voltou para seu Senhor, e tomando posse do perdão gratuito oferecido, experimenta transformação e redenção. Judas encerrou-se em seu próprio eu, e remoendo-se em desprezo pelo que tinha feito, escolhe a morte.

A tristeza segundo Deus não produz remorsomas sim um arrependimento que leva à salvação, e a tristeza segundo o mundo produz morte. (2 Coríntios 7:9-10)

Até hoje o inimigo tem ganhado muitos através dessa tática. Produzir remorso é uma das suas mais poderosas armas! Ele tenta nos convencer de que confessar uma vez ainda é insuficiente; que depois de uma semana de alguns pecados não resolvidos, não faz sentido tentar voltar para o Senhor no domingo; que Deus não é capaz de perdoar de novo o pecado já cometido tantas vezes; que após um dia inteiro sem falar direito com Ele, é vergonhoso esboçar qualquer súplica no fim do dia.

Há mais cristãos que saem da fé por estarem afundados em culpa e autocondenação do que podemos imaginar. Vivem o desespero, a intranquilidade e a ruína, enquanto o pai da mentira ri, satisfeito por ter mais uma vez te convencido de que o amor de Deus não é tão grande a ponto de cobrir todos os seus pecados.

O único pecado contra o qual podemos lutar é o pecado perdoado! Foi em posse desse perdão que Pedro foi transformado a ponto de alguns anos depois morrer pelo seu Senhor.

A traição diária do nosso Senhor é certa, infelizmente. Mas contra essa poderosa arma do inimigo, a poderosa graça de Deus nos convida a tomar posse do perdão de novo…e de novo…e mais uma vez!

Em quem você vai  acreditar?

Coisas grandiosas

No que consiste a vida para você? O que te move a levantar cedo pela manhã, estudar, trabalhar e se esforçar?

Em resposta a essas perguntas, alguns diriam que a vida consiste em trabalhar e se esforçar no presente para no futuro poder desfrutar de tranquilidade e qualidade de vida. Acumular para que não falte depois; ou ganhar e gastar com o que se deseja e contentar-se com razoavelmente pouco, porque o importante é aproveitar o que se pode ter.

A diferença entre essa mentalidade e o que a Bíblia ensina é, algumas vezes, sutil. Porque a grande questão não é a velocidade com que gastamos nosso dinheiro ou se temos ou não qualidade de vida. O problema é o quanto essa mentalidade tem a ver com viver uma vida para satisfazer os próprios prazeres; viver uma vida auto-centrada, puramente (ou sutilmente) egoísta. A vida se resume no que se pode ganhar dela. Shopping, festas, viagens, um novo penteado ou um fim de semana num resort. O grande problema é quando o que nos move é ter NOSSAS necessidades e desejos atendidos.

A Bíblia ensina de forma diferente, e em Jr 45:5 o Senhor fala com Baruque, servo de Jeremias, através do próprio profeta.

“‘Destruirei o que edifiquei e arrancarei o que plantei em toda esta terra. E então? Você deveria buscar coisas especiais pra você? Não as busque, pois trarei desgraça sobre toda a humanidade’”.

O que o Senhor está dizendo é que o lema “busque o que for bom pra você” pode ser exatamente contrário ao que Ele deseja que façamos. E o que Ele mais deseja, senão que aqueles que Ele criou de modo tão especial se voltem pra Ele e saibam que Ele é o Senhor?

Não busque coisas grandiosas pra você. Não viva uma vida auto-centrada, com motivações egoístas. Há muitos do seu lado vivendo uma vida de desgraça por estarem longe do amor do Senhor.

C.S. Lewis diz que “tudo o que não é eterno, é completamente obsoleto”. De fato, não temos feito nada até que mudemos a vida de pessoas através do conhecimento de Cristo. Não viver uma vida centrada no que é importante e bom só pra mim. Dar às pessoas a chance de não viver uma vida de desgraça. Pensando assim, avalio que apesar de ter feito tantas coisas na última semana, em muitos momentos eu não estava fazendo nada, de fato.

Que o Senhor nos ajude a não cair na armadilha de viver em função de buscar coisas grandiosas pra nós mesmos. “Ó Senhor, livre-me da tentação de acreditar que a mobília da minha sala é mais importante do que a vida das pessoas”.

Deslumbramento

Você já pensou no quanto é bom poder se deslumbrar com alguma coisa? A sensação pode vir diante de uma bela paisagem, de um animal, de uma obra de arte, ou de qualquer coisa que encante nossos olhos…

Algumas criações humanas nos trazem essa sensação. A vontade é de ficar ali admirando por horas o que nenhuma câmera consegue registrar.

Mas parece que várias das criações de Deus só “estão ali” para nos impressionarem. Formas e contornos calculados, combinações de cores perfeitas, resistência e sutileza conjugadas e detalhes que nenhum outro artista poderia elaborar.

Fico pensando o que Deus fica fazendo lá de cima, olhando pra isso tudo. Acho que Ele também para pra observar e pra descansar na Sua Criação – o sétimo dia de Deus.

Nem sempre estamos sensíveis e humildes para reconhecer a beleza das coisas criadas. Digo humildes porque junto com o encantamento vem a sensação de pequenez e impotência, e a confissão da grandeza de Deus. “O nada humano e a suficiência divina – um tão real quanto o outro” (Howard Taylor).

Algumas vezes durante os últimos dias me peguei deslumbrada. Nem sempre tão sensível quanto poderia, mas me lembrei do Salmo 148 .

“Louvem todos o nome do Senhor, pois somente o seu nome é exaltado; a sua majestade está acima da terra e dos céus” (v. 13).

Louvar o Senhor, manifestar sua majestade, santidade, criatividade e onipresença; é esse o propósito de toda a Criação. E então diante de tudo o que foi criado o que nos cabe é parar e admirar. Assim como o Autor de tudo isso faz, a nós só resta parar pra observar e descansar na Criação. Isso é louvar o Senhor.

Como disse alguém certa vez, em certo lugar: Deus nos deu aqui na terra um pedacinho do paraíso para que possamos contemplar – e nos deslumbrar.

Eu e minha família

Js 24:15 “Mas, eu e minha família serviremos ao Senhor”.

Isso foi o que disse Josué aos israelitas, pouco antes de morrer, logo depois que Israel já tinha tomado posse da terra prometida por Deus em Canaã. Ele lembrou ao povo sobre como Deus se mantivera fiel até ali e deixou claro que mesmo que o povo decidisse seguir a outros deuses, ele e sua família continuariam seguindo e servindo ao SENHOR.

Na primeira vez em que li esse versículo – já não lembro mais se foi ao ler o Antigo Testamento ou se foi em algum para-choque de caminhão – ingenuamente interpretei-o como se fosse uma oração de Josué. Depois, mesmo tendo entendido o contexto, propositalmente adotei-o como a minha oração. E passei a pedir a Deus que um dia eu e minha família estivéssemos juntas servindo ao Senhor.

Orei por isso durante quase 10 anos. E muitas vezes (principalmente nas vezes em que eu falhei gravemente no meu testemunho em casa) esse sonho pareceu muito distante…

Mas no último ano algumas coisas começaram a mudar. No início desse ano recebi uma mensagem muito sincera e humilde da minha irmã, confessando o desejo de se aproximar mais de Deus. E no ano passado minha mãe decidiu começar a estudar a Bíblia, no grupo de pais com o Homero, e desde então passou a se mostrar muito mais interessada em conhecer Jesus e a ler mais de tudo o que pode ajuda-la a crescer na fé.

Quando penso no tempo que Abraão, Isaque e vários heróis da fé esperaram para receber de Deus o que Ele havia prometido, concluo que não sou a única que às vezes tem que esperar por anos até que minhas orações sejam respondidas. Mas sou muito grata porque Ele finalmente tem respondido!

Não há nada melhor do que ouvir minha mãe contando sobre o que ela tem lido na Bíblia. Não há nada mais entusiasmante do que ver que minha irmã tem lutado para se entregar, assim “como um atleta que se esforçou muito durante o exercício, quebrou todos os ossos e agora precisa reaprender a andar” – palavras dela mesma.

Esses dias minha mãe me chamou para orarmos juntas antes de irmos dormir. Já fizemos isso algumas vezes, mas dessa vez, tendo sido uma iniciativa dela mesma, foi diferente. Não há o que pague ver algumas lágrimas escorrendo do rosto dela depois de termos falado com o Pai com tanta liberdade e sinceridade.

É maravilhoso pensar que hoje temos tentado seguir e servir ao Senhor juntas. E como se não bastasse, uma das maiores apoiadoras do meu ministério tem sido a minha mãe. E não porque ela costuma falar muito disso (sei que ainda não é tão fácil pra ela), mas ela me apoia simplesmente porque eu sei que esse ministério tem alcançado a vida dela e tem ajudado minha família a conhecer Aquele que pode nos dar Vida.

Ontem dei uma Bíblia pra ela. “Letras gigantes”, porque o braço já está ficando curto demais, sabe?! Mas que alegria saber que essa Bíblia não vai ficar guardada dentro da gaveta.

Eu e minha família temos servido ao Senhor. E eu tenho certeza de que Deus quer nos dar ainda mais presentes aqui em casa.

Se você há muito tempo não ora pela sua família, faça isso ainda hoje. E mesmo que demore um tempo para que Deus te responda, continue orando…

Lc 18:7 “Acaso Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a ele dia e noite? Continuará fazendo-os esperar?”

Que eu, você e as nossas famílias possamos servir juntos ao Senhor!

Quando Deus se cala

Silêncio: uma palavrinha simples, mas que incomoda muito.

Tenho particularmente dificuldade de lidar com ela. Foi difícil me acostumar a dirigir sem ligar o rádio; os ruídos às vezes me ajudam a fugir da necessidade de refletir. Incomoda também quando, em um papo, o assunto acaba e ficamos nos encarando nos olhos enquanto esperamos que o próximo assunto surja.

Especialmente difícil é quando Deus faz silêncio.

Se formos sinceros admitiremos que muitas das nossas crises de fé surgem aí. Ter uma relação com um Deus invisível já não é assim tão fácil. Mas tudo fica mais complicado quando parece que Ele resolveu não se fazer perceptível, quando nossas orações não têm resposta e quando aparentemente o amor Dele nos deixou, restando-nos questionar o que fizemos pra tudo isso acontecer.

Continuamos buscando respostas, orando por soluções, curas, mudanças e milagres, mas tudo o que ouvimos é “…”

Como diz o Salmo, “Ó Deus, não te emudeças; não fiques em silêncio nem te detenhas” (Sl 83:1).

A questão é que parece que Deus não está muito preocupado em se revelar o tempo inteiro pra nós. Ele já fez isso suficientemente na Pessoa de Jesus. Parece que agora Ele quer mesmo é que nós o busquemos e continuemos buscando-o mesmo quando não recebemos o que pedimos Dele. Afinal, Ele não tem a “obrigação” de provar nada pra nenhum de nós.

Para Philip Yancey, um desejo insistente e furioso por uma resposta às vezes não mostra uma fé abundante, mas sim uma falta de fé.

Questiono a qualidade da minha fé. Sei que inúmeras vezes minha fidelidade a Deus depende muito das suas manifestações e respostas. Só Deus sabe o quanto eu costumo desanimar quando não sinto a Presença forte Dele no meu coração.

Preciso aprender a me relacionar com Ele motivada não pelo que Ele pode me dar, mas por Quem Ele é! Desfrutar da Sua companhia mesmo quando Ele parece não estar ali. Sem ligar o rádio, olhando nos olhos Dele e deixando-o olhar fundo nos meus olhos. Permitir que às vezes Ele permaneça em silêncio enquanto passamos tempo juntos.

Que a sua e a minha fé resistam ao silêncio de Deus.

Boa semana pra você!

Vontade de Deus

Entender a vontade de Deus é uma dificuldade constante na minha vida. Em vez de confissões, ações de graça e adoração, o teor das minhas orações é, na maioria das vezes, uma súplica desesperada por entender o que Deus deseja pra minha vida, seja no que diz respeito a grandes e difíceis decisões, seja em suas vontades específicas nos simples detalhes do meu dia-a-dia.

Acredito – e espero – que essa seja uma característica da maioria de nós, cristãos. De fato vejo muitos no nosso meio aflitos e angustiados, orando para compreender qual curso escolher, se aceitar ou não uma proposta de emprego, com quem e quando namorar ou qual programa fazer diante das possibilidades pro fim de semana.

É claro que há os que não se importam; e há momentos em que todos nós somos assim. Continuamos assentados no trono das nossas vidas, fingindo não saber que devemos consultar o Senhor ou querendo nos esconder Dele quando sabemos que a Sua vontade pode ser bem diferente da nossa. Nesses casos, espero e rogo pela misericórdia de Deus, que se renova a cada manhã e suporta até a dureza do meu coração.

Entender a vontade de Deus é um assunto controverso, cheio de discussões quase inacabáveis e parece que ao conversarmos sobre isso nunca nos dão a resposta esclarecedora que gostaríamos de ter. Na verdade, creio que o mistério que existe em torno do tema é um aspecto da graça e da sabedoria de Deus. Que bom que não temos todas as respostas que queríamos; assim continuamos lutando e dependendo de Deus nos pequenos passos que tentamos dar.

Mas ao ler esses dias alguns capítulos de Deuteronômio um versículo chamou minha atenção.

Dt 10:12,13 “E agora, ó Israel, que é que o Senhor, o seu Deus, lhe pede, senão que tema o Senhor, o seu Deus, que ande em todos os seus caminhos, que o ame e que sirva ao Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração e de toda a sua alma, e que obedeça aos mandamentos e aos decretos do Senhor, que hoje lhe dou para o seu próprio bem”.

Não é isso o que sempre quisemos saber? O que é que o Senhor me pede? Qual é a vontade Dele pra mim?

A Bíblia parece simplificar a questão: que eu o tema, ande nos caminhos Dele, ame-o, sirva-o e lhe obedeça. Se alguma decisão e atitude minha contraria o temer, amar, servir e obedecer, devo então fugir dessa opção.

É claro que a Bíblia não traz respostas minuciosas sobre todos os conflitos que podem passar pela nossa cabeça (é nisso que está o mistério!). Mas é bom saber que temos alguns critérios para nos ajudarem a decidir.

E mesmo assim, quando não for muito fácil entender o que Deus nos pede e por isso errarmos, que saibamos que Deus valoriza o nosso esforço e o nosso sincero desejo de compreender o que Ele quer. E que possamos louvar o mistério e continuar buscando todas as respostas no Senhor!

Ornamento

Os livros proféticos no Antigo Testamento sempre me trazem várias dúvidas e comumente fico algum tempo pensando sobre o que “tudo aquilo” tem a ver comigo. Da última vez que li o livro de Ezequiel também foi assim. Muitas questões de difícil compreensão e muito tempo gasto pensando…

Apesar de muitos discursos sobre ira, destruição, sangue e castigo, Ezequiel também é um livro de esperança, reconstrução e restauração. Um livro atual, cheio de analogias e simbolismos que dizem muito para nós hoje.

Já bem no final desse longo livro, depois de alguns discursos duros e sangrentos, Ezequiel descreve uma de suas visões: um templo e detalhes sobre seus pátios, portas, salas e altares. Então o profeta passa a falar sobre algumas das características e atribuições que os sacerdotes, responsáveis por ministrarem nesse templo, teriam. Oferecer sacrifícios em nome do povo, usar roupas de linho, andar com os cabelos sempre aparados, e vários outros detalhes sobre sua conduta, que em uma leitura corrida e desatenta não parecem fazer sentido.

A função principal dos sacerdotes, no entanto, não era se apegar a todas essas regrinhas e cerimonias, mas:

Ez 44:23 “Eles ensinarão ao meu povo a diferença entre o santo e o comum e lhe mostrarão como fazer distinção entre o puro e o impuro”

Esse era o papel dos sacerdotes. Era isso o que estava por trás de todas as atribuições e era isso o que mostrava a necessidade dessa conduta rigorosa.

Muitas interpretações têm sido feitas sobre essa passagem de Ezequiel. Não cabe aqui discutir sobre elas. Cabe, no entanto, a reflexão sobre essa passagem à luz do Novo Testamento. E é Pedro quem diz, logo no início de sua primeira carta:

1 Pe 2:5 “Vocês também estão sendo utilizados como pedras vivas na edificação de uma casa espiritual para serem sacerdócio santo”.

A Bíblia é clara! Através de Cristo, o sacerdócio agora está por nossa conta! A responsabilidade é nossa de ensinar ao povo a diferença entre o santo e o comum, entre o puro e o impuro. Dura responsabilidade, exercida através de simples atitudes no nosso dia-a-dia.

Sl 93:5 “A santidade, Senhor, é o ornamento perpétuo da tua casa”.

Eu e você, que através de Cristo somos agora templo do Espírito e casa de Deus, somos também sacerdotes, cuja principal atribuição é ter a santidade como ornamento e através das nossas atitudes ensinar o que é puro e santo.

Porque somos “sacerdócio santo”; foi o que Pedro falou e Ezequiel me lembrou. A nossa vida precisa ser referência de pureza, para que as pessoas aprendam a diferença entre o puro e o impuro.

Como ensinamos a diferença entre o santo e o impuro? Vivendo a santidade…ou a impureza.

O que você tem ensinado através do seu estilo de vida? Qual tem sido o seu ornamento?

Doadores de Vida

As aulas de sexta feira à tarde na faculdade sempre são as mais difíceis. Primeiro, pelo cansaço de uma semana inteira de muitas aulas, estágio, provas e trabalhos pra apresentar. Segundo porque as programações de sexta à noite com o grupo de jovens muitas vezes são tudo o que ocupa a nossa cabeça o dia todo – e alguns aqui sabem do que eu estou falando…

Na última sexta não teria sido diferente. Confesso que a caminho da faculdade meu único desejo era descobrir que a aula tinha sido desmarcada – o que não é muito incomum na faculdade. Mas a aula que eu teria nesse dia marcou o meu dia e me fez pensar e aprender pra uma VIDA inteira…

Era uma professora nova que daria uma aula breve naquele dia sobre comunicação terapêutica e a importância da escuta para uma assistência humanizada. Não foram muitos os professores que marcaram a minha vida; porém a forma como essa mulher ensinava não só com a experiência e o conhecimento que ela possuía, mas com a paixão que ela demonstrava ter pelo ser humano me emocionaram. Entusiasta, alegre e cheia de vida! Era tanto sorriso e alegria que não cabiam mais nela. Um brilho nos olhos que constrangia e fazia os nossos olhos brilharem também. Enquanto ensinava, de modo muito sutil e despretensioso ela testemunhava de sua convicção do amor de Deus, e os que me conhecem um pouco mais devem conseguir imaginar algumas lágrimas descendo pelo meu rosto enquanto ela falava. Saí da aula com uma certeza: eu estava mais VIVA quando saí do que quando cheguei.

Não são muitas as pessoas que têm em si essa capacidade de transmitir vida. Essa habilidade deveria ser mais comum entre os cristãos. No entanto nem sempre é o que acontece. Muitos de fora nos veem como pessoas travadas, rigorosas, culpadas e reprimidas – muito longe do que Jesus sonhou que fôssemos. “Eu vim para que tenham vida, e a tenham plenamente” (Jo 10:10). Por que é que a descrição que fazem de nós é exatamente contrária à que deveríamos ter? Por que não temos sido apaixonados, corajosos, entusiasmados e alegres a ponto de tornar a vida das pessoas ao nosso redor mais intensa?

“A glória de Deus é uma pessoa repleta de vida”. Foi o que disse Ireneu, um teólogo do segundo século. Alguns traduzem a Glória de Deus como a Presença única Dele. E tendo experimentado isso essa semana, eu concordo que não há nada que manifeste mais a Presença de Deus do que uma pessoa cheia de alegria de viver e paixão. De fato, se tivermos compreensão do amor e do zelo de Deus pela nossa vida, naturalmente nossa resposta será também amar e transmitir vida a quem nos rodeia.

Transmitir vida. Esse é o trabalho missionário mais simples e mais urgente a ser feito.

Quanta vida você tem transmitido no seu dia-a-dia e nas relações que você constrói? Qual descrição tem sido feita de você: um cristão travado e reprimido, ou um cristão doador de vida?