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Rafael Santtos

Sobre Rafael Santtos

Rafael Santos, Belo Horizonte, 18 de abril de 1984, cristão desde 2012, sonhador, aventureiro, sanguíneo, exortador. E deseja dividir um pouco do que pensa através do Outras Fronteiras.

O rio morto e o cristão morno

Em Itabuna, cidade ao sul da Bahia, passa um rio chamado Rio Cachoeira. O nome dele lembra movimento, mas o que se vê não é bem isto.

rio-Cachoeira

O Rio Cachoeira já alimentou muitas famílias com sua água limpa, de poucos sedimentos, e muito peixe. Ele já serviu de lazer para as crianças brincarem. Ele já foi útil para os muitos animais que viviam (e ainda vivem) à sua margem. Ao longo dos anos, porém, veio a degradação com a ação humana e alta carga orgânica despejada no Rio. Para piorar a situação a Prefeitura de Itabuna, preocupada com a vazão do Rio na passagem pela cidade, criou um barramento, o acabou por transformar o Rio numa espécie de lago. A pouca movimentação dele e o crescente aumento das algas que se alimentam do seu excesso de nutrientes causam sua eutrofização, com a baixa oxigenação e consequente morte dos seres vivos que nele se encontram.

O Rio Cachoeira da maneira como está pode ser comparado ao cristão morno. Assim como o rio não se move e não oxigena, é o cristão tem levado a vida em “banho-maria”. De longe parece bonito, no meio da comunidade cristã, mas de perto não tem a relação com Deus como fora à época do primeiro amor. Todo cristão passa por períodos ruins, o desafio é não deixar que este momento passe a ser uma situação constante. João escreve algo muito pesado no livro do Apocalipse a respeito deste cristão:

Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera foras frio ou quente! Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca.

Apocalipse 3:15-16

Para que o Rio volte a ter vida é necessário recuperar as áreas de nascentes, seus afluentes e acabar com o despejo de material poluente no seu curso. Creio que o cristão morno também precise de um pouco de vida no que é básico na sua relação com Deus. Além de limpar o que há de básico, há necessidade de retirar o pecado que tem poluído a vida com Deus. A leitura diária, a oração e as demais disciplinas espirituais são a chave para o início da volta para a relação profunda com Ele. Assim, o cristão pode voltar a experimentar da cachoeira que o Espírito Santo pode fazer dentro dele.

Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva.

João 7:38

Para quê veio Jesus? – reflexão sobre o cristão e a política

Para que veio Jesus? Para criar leis e trazer à humanidade um código de ética em que são toleradas algumas coisas/pessoas e abominadas outras? Não sei ao certo, mas não creio ter sido muito do que tenho visto, em especial propagandeado pelos cristãos no Facebook, aquilo que Jesus veio fazer.

Os judeus, no contexto do trabalho de Deus vivo entre os homens, estavam dominados pelos romanos. Existia uma lei romana a ser seguida, existia um governador nomeado por Roma e também líderes (notadamente religiosos) junto ao povo para preservação da Lei Judaica – a Torá, submetidos igualmente à Roma. Havia também e inclusive uma esperança de que o Salvador que viria da parte de Deus os libertasse desta dominação. Mas, contrariando até os próprios Romanos, Jesus não se filiou a nenhum partido ou grupo político da sua época.

Ele não organizou nenhuma cruzada para acabar com o poderio do Império dominante, como teriam feito os reis de Israel do antigo testamento. Ele simplesmente andou junto das pessoas e as influenciou. Ele ensinou aos seus próximos o que seria viver com Deus. Engraçado notar que as aulas dele não foram nem mesmo registradas em livros por ele mesmo. Os relatos que temos nos evangelhos são escritos de terceiros que observaram Jesus viver com Deus e falar daquilo com os que o cercavam. Então Jesus definitivamente não se propunha a cuidar da vida das pessoas por meio da política (não na concepção de política como conjunto de pessoas que representam o povo por meio de participação em algum plenário para tomada de decisões a respeito de regras a serem seguidas pelos representados).

O próprio Jesus em determinados momentos anunciou para qual motivo teria vindo ao mundo. Ao caminho do jardim onde seria preso e depois torturado e morto Jesus disse mais uma vez (e por último) aos seus discípulos “é chegada minha hora, para isto vim”. Dizia a respeito de sua morte, de como deveria sofrer aquelas coisas que estavam por vir para que se cumprisse a vontade de Deus. E a vontade de Deus não era que fosse criada uma nova lei escrita em substituição à Torá. A vontade Dele era de que o seu povo e todo o restante da humanidade voltasse a se relacionar com Ele, algo que só seria possível através do pagamento pelo pecado da distância. Pagamento este que foi feito por meio da morte em Cristo.

Talvez o que tenha causado confusão no meio cristão é o fato de que alguns religiosos (teólogos e não-teólogos) tenham feito um paralelo atual (no período eleitoral, sobretudo) entre a nação brasileira e as nações abençoadas e amaldiçoadas por Deus no antigo testamento. Deus nunca quis deixar de lado uma nação em detrimento de outra, até mesmo porque Deus é pessoal e trata por indivíduos e não por não este ou aquele grupo de pessoas (Mateus 22:32). Num primeiro momento estavam todas as pessoas (e por conseguinte, nações) condenadas em Adão e Eva pelo pecado do distanciamento de Deus. Posteriormente Deus escolhe uma pessoa (Abraão) para que se transformasse em uma nação (Judeus), por meio da qual traria ao mundo ele próprio (Jesus) para dar oportunidade aos seres humanos de voltar ao status anterior de relação com Ele mesmo (através da cruz e da ressurreição). Estas coisas ficam mais fácil de entender se as levarmos em consideração como um exercício que creio ser mais didático para que pudéssemos entender de que se trata relacionamento com Deus do que por amor de Deus por um e não por outros.

Claro está que Deus não se compactua com práticas que considera inadequadas. Assim, ainda que um grupo faça isso ou aquilo de ruim à época de Jesus, não há relato de que ele tenha condenado um tipo específico de pessoas que optaram por algo. É a velha máxima de que Deus odeia o pecado e não o pecador. Não há registro de projetos de lei, de manifestações em praça pública ou redes sociais da época de ódio por parte de Jesus a alguém que vivia em pecado. Até pelo contrário, temos que ele andou junto desses pecadores e os protegeu, na medida em que deu oportunidade a eles de o conhecerem e de mudarem de vida. Há os bons exemplos de Zaqueu e da mulher adúltera que podemos citar.

Fico muito triste quando leio no Facebook ou ouço em algum bate papo de cristãos sobre seu posicionamento religioso em relação a um grupo de pessoas que cometem pecado ou um candidato político específico que não tem projetos de acordo com os princípios que vivemos (como se o outro candidato também não tivesse projetos nada condizentes com os ideais cristãos e talvez até piores se analisados em conjunto). Estes argumentos não raramente vem acompanhados de falas sobre “defesa da família”, dos “bons costumes” e etc, expressões estas muito mais próximas de governos extremistas (de direita, como os facistas) e o governo militar da história ainda recente do Brasil. Parte do que ouço caminhando pelo nosso país em seus muitos cantos é apenas reprodução do que alguém disse diante de um púlpito e que em nada tem a ver com a experiência pessoal do meu interlocutor com Deus, o que mais me entristece e até me preocupa. Normalmente sofro calado, não falo nada, resolvi desabafar aqui hoje, passado o calor das emoções das eleições.

Para finalizar um exemplo do mundo das artes:

Em 2011 o ator Selton Mello dirigiu, co-escreveu e estrelou o filme “O Palhaço”. Entre as muitas reflexões que o filme faz está presente a ideia de papéis. Ele aprende de seu pai e chega à conclusão de que “o rato come o queijo, o gato bebe leite e eu… sou palhaço”.

Jesus não se aventuraria no mundo da política e deixaria de lado o plano de Deus para a humanidade. Creio ser extremamente importante nos fazermos representar na república em que vivemos. Mas creio que não devemos deixar de lado o ensino da palavra, o cuidado pessoal com quem nos cerca, a proteção de nossas famílias em casa com cada um dos seus indivíduos para a partir de um ou outro candidato tentarmos fazer valer o pensamento daquilo que cremos como propósito divino para os seres que ele ama. Fazendo um paralelo com o filme que citei como exemplo, Jesus veio salvar o mundo e nós…

Obs. O tema de longe se esgota aqui. Aliás, estou muito ansioso para ler o que alguns dos amigos do blog pensam sobre o que tem estudado a respeito do assunto.

Bem devagar – a volta ao primeiro amor

Imagine uma pessoa que conhece a Jesus e passa a desenvolver uma relação com ele. À medida que o tempo passa, esta pessoa aprofunda esta relação. Ela se envolve na comunidade cristã, tem excelentes tempos de oração, faz estudos em grupo e sozinho da Bíblia, etc. Ela cresce e amadurece enquanto cristã. Passado um tempo, este relacionamento esfria e a pessoa acaba por se afastar de Deus nas suas decisões, nas atividades corriqueiras do dia a dia e principalmente no seu coração. Você talvez conheça alguma história assim. Desculpe a ousadia, mas arrisco afirmar que talvez você mesmo já tenha passado por uma situação como esta, ou ainda talvez vá passar.

O distanciamento é apenas momentâneo, uma fase ruim. A pessoa em questão tenta então retomar a antiga amizade. Quem viveu com Jesus de verdade jamais conseguiria cogitar a possibilidade de viver longe dele. Ele tenta orar, ler, meditar, mas sofre ao ver que a relação não é mais como fora um dia. Desanimado, volta a se afastar. Esperançoso, tenta ir num acampamento cristão, num evento com algum grande nome do meio teológico, tenta buscar algo mais profundo. Assim,  passa a travar uma verdadeira guerra consigo mesmo na busca por um relacionamento com Deus ora de um lado, ora de outro nestes extremos.
Esse tipo de luta, apesar de parecer nobre, não é lá muito edificante. A frustração é a primeira consequência. As demais são provenientes dos pecados mesmo, aqueles cruéis que fazem com que ela se sinta ainda pior do que já estava. Parece que há uma bola de neve e que cada atitude leva pra lugares sempre mais distantes de Deus.
O que a pessoa da qual falamos não percebe é que a Deus está tão perto e tão acessível que a busca por um tipo específico de relacionamento vira um fim em si mesmo e o que se queria num primeiro momento deixa de ser buscado. Um exemplo de algo assim é o personagem Ted Mosby, protagonista da série de TV americana How I Met Your Mother. Durante temporadas e temporadas ele corre atrás de alguém que estava ali todo o tempo, mas alguém com quem ele nunca consegue se encontrar de verdade.
ted_mosby_guarda_chuva
Ted Mosby e o guarda-chuvas dividido por ele e a futura mãe de seus filhos

O desafio então não seria perder um tempo precioso buscando o inalcançável, mas sim ir devagar, dia a dia, nas pequenas coisas ir incluindo Deus de volta na sua vida. Se observarmos bem, toda dia e toda hora temos a oportunidade de buscar a Deus. E cada experiência pode ser única, assim como já foi um dia. O primeiro amor do cristão pode sempre voltar a ser experimentado.

Tenho vivido este desafio há (digamos) alguns anos. Hoje, após esta descoberta, tem sido sobremaneira gratificante pra mim ler um capítulo da Bíblia ou participar de um grupinho de estudos bíblicos. Através de uma palestra sou tocado pelo Espírito Santo de maneira muito especial como há muito não acontecia. Não há nada de mágico acontecendo, mas sinto que minha relação com Deus tem melhorado.
“Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim,
Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.”
Paulo de Tarso, em carta aos filipenses (Filipenses 3:13-14)
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Conheço um monte de gente que passa por algo parecido, já conversamos muito, boa parte deles e eu, sobre este assunto. Meu desejo e minha oração hoje é que nós consigamos ter uma relação simples e ao mesmo tempo profunda com nosso amigo. Algo que não seja necessariamente voltar àquela velha relação com Deus, mas sim criar uma nova, talvez até mais profunda do que a anterior.
Termino com o trecho de uma música composta por Gilberto Gil e cantada por Caetano Veloso, da a qual gosto muito.
Sem correr
Bem devagar
A felicidade voltou pra mim
Sem perceber
Sem suspeitar
O meu coração deixou você surgir
E como o despertar depois de um sonho mau
Eu vi o amor sorrindo em seu olhar
E a beleza da ternura de sentir você
Chegou sem correr
Bem devagar
Bem devagar – Gilberto Gil. Prenda Minha (Caetano Veloso, 2000)

E pensar na vida

Já fazia um tempo que não convidava alguém para escrever aqui. Quando pensei neste convite logo me veio à mente a pessoa mais assídua do nosso grupo de versículos bíblicos no Whatsapp. Espero que vocês gostem do seu texto assim como gostei. Com vocês Eduarda Castelo Branco, ou simplesmente, Duda!

“Sair da correria do dia a dia e pensar na vida”: esse foi o desfio que me deram quando me convidaram para escrever aqui no blog. Apesar do meu medo, aceitei o desafio. Vou dividir com vocês algumas coisinhas que tenho vivido e pensado nesses últimos dias. Espero que gostem.

A maioria de nós sabe que devemos amar e temer a Deus; que devemos ler a bíblia e orar pois somente tendo uma relação íntima com Deus teremos a oportunidade de conhecê-lo melhor. Sabemos que devemos adorá-Lo com nossas vidas. Mas colocar tudo isso em prática é o verdadeiro desafio. (CHAN, Francis. Crazy Love.)

Muitas vezes achamos que não temos tempo, que tudo bem fazer isso mais tarde, que é suficiente o fato de irmos à igreja uma vez por semana ou de estarmos lendo um livro que tem um conteúdo interessante. Mas não, só isso não é suficiente. Pelo menos não estava sendo suficiente para mim.

Deus nos chama para nos relacionarmos com Ele. Ele diz que se crermos Nele, somos considerados filhos (Jo 1:12) e assim como qualquer relacionamento entre pai e filho, nós precisamos de tempo. Tempo para se conhecer, estar junto, para desenvolver um relacionamento e se tornar íntimos.

Deus quer participar das nossas vidas, Ele quer ser nosso pai, nosso melhor amigo e caminhar ao nosso lado. Mas Ele não vai forçar nada. Nunca. Se você quiser conversar com Deus todos os dias, todas as horas, Ele estará lá para te ouvir; se não quiser, tudo bem, ele também estará lá, esperando pelo momento em que você queira se relacionar.

E por último mas não menos importante: Deus ouve e responde TODAS as nossas orações. As respostas são três: sim, não e mais tarde. Nem sempre a resposta será sim, muitas vezes será não ou mais tarde e temos que estar preparados e dispostos a ouvir essas duas últimas, mesmo não querendo ouví-las. Quando a resposta é não ou mais tarde temos a incrível idéia de fechar nossos olhos e ouvidos e seguir caminhando sozinhos porque achamos que Deus não ouve ou não responde às nossas orações. Ele respondeu, você quem não aceitou a resposta.

Você é filho de Deus?
Você tem se relacionado com Ele?
Você tem mantido os seus olhos e ouvidos abertos para as respostas de suas orações?
Você tem entregado a sua vida e sido fiel àquele que te amou tão loucamente que mandou o seu único filho para morrer no SEU lugar?

Desafie a você mesmo. Saia da correria do seu dia a dia para pensar na sua vida.

“Esta palavra é digna de confiança:
Se morremos com ele, com ele também vivemos; se perseveramos, com ele também reinaremos. Se o negamos, ele também nos negará; se somos infiéis, ele permanece fiel, pois não pode negar-se a si mesmo.” (II Tm 2:11-13)

O choro de Jesus

Quanto sofrimento passamos nesta vida. Quanta coisa ruim. Impossível imaginar uma vida sem Cristo. Mas e quando somos acometidos de alguma tragédia ainda sendo cristãos?

Já me questionei muito em relação às intenções de Deus para comigo diante do sofrimento. Parece que Ele não quer fazer nada para aplacar a dor, visto que ele pode tudo.

Quando volto para a Bíblia vejo em Jesus alguém que se preocupa com o outro, que sente e que sofre junto. Foi assim com a dor de Maria, Marta e do seu amigo Lázaro.

Eram três irmãos que tinha uma amizade muito profunda com Jesus. Maria e Marta, certo dia, mandam mensageiros a Jesus para que ele os visite porque Lázaro estava doente. Jesus estava atarefado e não pôde ir no momento que soube da enfermidade. Quando finalmente chegou à Judeia, Jesus foi informado do falecimento de seu amigo. As esperançosas Marta e Maria sabiam da ressurreição dos mortos num futuro, mas ainda estavam profundamente tristes pelo ocorrido. Jesus, tal como elas, também entristeceu-se por Lázaro ter sofrido os males da doença e ter morrido. Ele então o ressuscita. O que chama atenção na passagem de João 11 é o menor versículo da Bíblia – “Jesus Chorou” (vers. 35).

Jesus tem sentimentos e se preocupa com a vida de seus amigos. A relação de Marta, Maria e Lázaro com Jesus vai muito além de um pedido de auxílio. Talvez por isto a tristeza.

Deus não é responsável pelo mal no mundo e não faz mal a ninguém. Estamos diante do caos, em que muita coisa está fora do seu lugar planejado por Deus. Não quero com um pequeno post resolver o mistério milenar de quando, como e porque Deus age. Quero hoje, um dia triste para alguém, somente o lembrar de que nosso amigo Jesus tem se preocupado com a situação presente e tem chorado junto.

Que este mesmo Jesus aplaque nossas dores na adversidade, amém!

A luz dos olhos

O olho humano é o órgão responsável pela visão no ser humano. Tem diâmetro antero-posterior de aproximadamente 24,15 milímetros, diâmetros horizontal e vertical ao nível do equador de aproximadamente 23,48 milímetros, circunferência ao equador de 75 milímetros, pesa 7,5 gramas e tem volume de 6,5 cm³. Os olhos são os órgãos sensoriais da visão, os olhos capturam a luz que incide sobre as retinas dos olhos que é uma superfície parabólica de tecido vivo formado por células fotorreceptoras de luz que captam a luz e transformam essa energia luminosa em impulsos nervosos que adentram pelo nervo óptico que leva essas informações para o cérebro, para que lá sejam interpretados os feixes luminosos e enfim formar a imagem no cérebro.

Mais do que esta definição, os olhos são os meio mais eficazes de se ter contato com o mundo ao nosso redor. Importante para interpretarmos o que nos circunda. E mais, para Jesus, os olhos são a fonte de luz para o corpo (Mateus 6:22-23), ou seja, o meio pelo qual nosso corpo receberá as influências externas.

Mas será que Jesus falou a respeito dos olhos como sendo apenas este aparelho físico que transmite informações para o cérebro? Creio que não. Porque ele mesmo disse que o que contamina o homem não é o que entra, mas sim o que sai, pois procede do coração (Mateus 15:18)

Os olhos são, neste caso, a maneira como enxergamos o mundo e não só como o vemos. São as interpretações que damos para os fatos sociais, para o meio ambiente, para as perspectivas de futuro pessoal e da humanidade como um todo. E acima de tudo, qual a nossa relação com estas coisas. O contexto no qual Jesus diz a respeito dos olhos está relacionado com o Reino de Deus. Está entre ajudar tesouros no Céu e servir a Deus.

Assim, podemos concluir que a luz que ilumina nossa alma é a forma como vemos o mundo e principalmente, como vemos o que está além do mundo. Minha oração hoje é para que possamos enxergar todas estas facetas e para que não vivamos alienados. Oro também para que nossa visão, assim como nosso pensamento, estejam nas coisas do alto, como bem nos ensina Paulo (Colossenses 3:2).

Davi e o cuidado de Deus

Você é cristão e vive triste diante da aparente falta de cuidado de Deus por você? Sei bem como é, também sou assim. Nas últimas semanas tenho lido com um pouco mais de atenção a história dos reis de Israel e a história de Davi tem me chamado a atenção.

Contextualizando, o povo de Israel formou-se e consolidou-se como nação após a saída do Egito e a ocupação da terra de Canaã. Até então só havia a promessa de Deus aos patriarcas de que seriam grandes os números dos seus descendentes. Foi na travessia do deserto entre o Egito e Canaã que Deus então fez um pacto com as famílias descendentes dos filhos de Israel.

Não havia um rei, como nas demais nações que habitavam a região. Isto pareceu estranho aos israelitas. Assim, eles pediram a Deus que lhes dessem uma organização política baseada na monarquia, tal qual a dos demais povos vizinhos. Deus, a contra gosto, cedeu ao pedido e nomeou Saul rei. Saul não agradou a Deus, que logo escolheu outra pessoa: Davi. Ele foi o rei mais famoso da história de Israel. Das suas muitas referências, o fato de ter o coração segundo o coração de Deus é, sem dúvida, a mais marcante.

Poderíamos descrever de diversas maneiras como era este coração de Davi. Quero tratar de uma em especial. Davi foi escolhido por Deus para ser o novo rei enquanto Saul ainda reinava sem questionamentos da população israelita. Israel estava em guerra contra outras nações sob o comando de Saul. Davi aparece como proeminente combatente ao derrotar o filisteu Golias. Saul, movido por inveja, passa a perseguir da Davi, que só tinha apoio num primeiro momento de um batalhão de desocupados que ele conseguiu formar e de reis inimigos de Israel, posteriormente. E Davi esteve foragido durante anos e anos por causa da perseguição gratuita de Saul.

Mesmo com a promessa do reinado, Davi sofre e sofre muito por causa de Saul. E este sofrimento é acompanhado em toda narrativa do livro de 1 Samuel pela fidelidade de Davi, não só ao rei, mas principalmente a Deus, já que ele entendia de forma clara que Deus havia colocado Saul no poder e ali o mantinha. Por duas vezes Davi teve a oportunidade de matar Saul e não o fez. E ainda se indignou com o jovem que levou a notícia da queda de Saul em batalha, querendo ganhar algo de Davi ao afirmar que fora ele quem o matara.

Vejo que Deus tem a promessa da vida em abundância para mim, aquela de João 10:10. Tenho plena convicção do poder soberano de Deus. Ainda assim, no entanto, sou impaciente e incrédulo diante da adversidade.

Com a leitura do início da história de Davi como o rei de Israel tenho refletido sobre como ele deve ter sofrido antes de assumir o reinado. Penso em quando teve que sair em fuga, avisado por seu amigo Jônatas de que seu pai Saul queria lhe matar. Imagine só o frio daquela noite, o quanto Davi estava sem rumo, como não tinha o que comer, como se sentia vulnerável sem armas, sem companhia. Talvez aí tenha escrito algum dos muitos belos salmos que conhecemos. Davi logo depois angariou seguidores. Ele bem poderia ter tentado tomar o poder das mãos de Saul na guerra, já que era melhor combatente que Saul e ainda tinha a promessa de Deus de que assumiria o reinado. Mas ele fez diferente, sofreu pacientemente o quanto sofreu e só no devido tempo se tornou rei de Israel.

Tenho passado por um momento de grande alegria. Nas minhas orações só tenho motivo para me envergonhar diante de Deus por ter desacreditado do seu amor e cuidado por mim, por ter vivido longe Dele, ter voltado a me aproximar, ter me afastado, ter voltado…

Aprendo uma lição com Davi, a de que apesar das circunstâncias não devo deixar de ter a certeza de que Deus reina absoluto e de que devo me portar sempre com esta certeza arraigada no meu coração, para ter força quando o momento for de chorar, e também na consciência, para conseguir tomar as decisões que forem necessárias nestes períodos de deserto na vida.

Oro hoje para ter um coração segundo o coração de Deus. Convido você para que se inspire em Davi e faça o mesmo. E oro para que até lá Deus lhe dê força para que continuemos firmes na batalha, assim como Davi esteve.

Abraço e até a próxima.

O evangelho segundo o Facebook

A salvação chegou, finalmente! Eis a boa nova. Está estampada na bandeira levantada na timeline do Facebook.. A solução para todos os problemas da humanidade estão em apenas 60 segundos no vídeo que vai mudar sua vida. Está também na foto compartilhada com o chamado de “quantas curtidas este guerreiro merece?”. Ou naquele texto gigante do maior pensador (da moda) do séc. XXI que “todo mundo deveria parar para ler”. E se o próprio Jesus tivesse um perfil na rede social? Será que ele teria compartilhado aquele texto com o escrito entre parênteses e caixa alta: “todo cristão deveria ler isto”? Será que teria ao menos curtido?

Posts dos mais variados “amigos” pipocam a cada segundo. O que se lê é a opinião baseadas na experiência individual de cada um. Ideias boas: como a necessidade de deixar de lado os preconceitos, como a justiça contra os mensaleiros e tantos outros absurdos da política, como o amor verdadeiro e incondicional… No Facebook é legal porque ninguém é triste. Ele traz a felicidade foto a foto, comentário por comentário (de “liiiiiinda”, por ex.). Tudo isto apresentado na forma de “salvação”, em linhas gerais, já que ali a vida parece caminhar para a algo próximo da perfeição. Mas será mesmo esta a vida que Jesus iria nos propor se fosse nosso amigo lá?

A página da web não representa a realidade, não como ela verdadeiramente é. Com menos de um segundo consigo curtir uma publicação que fala de Deus. Não sei quanto tempo levaria para aprender a viver o que está escrito ali.  Nossa visão a repeito de Deus é formada num primeiro momento por aquilo que os outros acreditam ser Ele e pelo que nos contam a seu respeito, inclusive na rede.

Se Jesus tivesse uma fanpage talvez muita gente não teria clicado em “curtir” quanto pensaríamos num primeiro momento. Suas opiniões a respeito dos temas polêmicos solucionados na rede social talvez não tivesse tanto respaldo dos internautas. Os comentários seriam mais excêntricos que os do AjudaLuciano. Se Jesus tivesse Facebook talvez teria apenas pouco mais de uma dúzia de amigos.

Uma pequena parte de quem Jesus é aparece de vez em quando pinçada na tela que acessamos com tanta frequência. Ideias e versículos soltos… Mas a salvação de que ele veio falar não tem tanto a ver com o cachorrinho abandonado na esquina (que a pessoa não tem coragem de levar para casa e quer de toda forma que alguém o faça através da publicação de uma foto). Sua salvação está intimamente relacionada com seu perfil, com quem ele é, e que infelizmente não está disponível em versão oficial na rede social. Sua mensagem central não está resumida em melhores investimentos em educação, infraestrutura, saúde pública, moradia e distribuição de renda, como sugerem alguns lá. A resolução do verdadeiro problema de cada um de nós e da sociedade como um todo não pode ser resumida na nova teoria/invenção de um cientista de alguma universidade renomada mundialmente. Deus definitivamente não está presente no nosso meio como uma luz tão forte ao fundo no horizonte, como vemos compartilhado, acompanhada de uma frase de efeito. As ideias de Jesus são experimentadas permeadas por muitas lágrimas, ausentes nas fotos de perfil que trocamos a cada mudança de estado de espírito. As boas novas de Jesus não são encontradas nos status de relacionamento postado na timeline. Elas estão fora do Facebook.

Deus_natureza

Mas se Jesus tivesse Facebook como seria, então? Quatro evangelistas traçaram o perfil e descreveram quem realmente é Jesus – Mateus, Marcos, Lucas e João. Quero com este post deixar o convite para que você leia o que eles disseram a seu respeito. Tem um punhado de bíblias disponíveis nos mesmos lugares em que você tem visto seu Facebook. Se não quiser nenhuma delas posso lhe providenciar uma de papel.

E nada melhor que uma frase típica de Facebook para terminar o post: A multidão gritou “crucifica!” a respeito de Jesus, então cuidado com o que ela tem gritado pra você na rede social!

Deus, um novo amigo

Como se inicia uma amizade? Já pensou a respeito? Não, né? Ninguém pensa, as coisas simplesmente acontecem. Quando pequeno você convive dia após dia na mesma rua que uma turma de crianças e dali, sem saber como, nasce uma “amizade de infância”. Na escola você anda com uma turminha e dali sai um amigo. O mesmo na faculdade. Quem sabe no estágio ou no trabalho… E quando este novo amigo é Deus?

No início de uma amizade você pode ser menosprezado pelo novo conhecido. Pode ser que não coincidam uma série fatos que você gostaria que coincidissem. O novo amigo lhe desagrada. Ainda assim, você acaba por insistir nesta amizade. E é justamente isto que faz com que ela dure. Certa vez li (não me recordo onde) que seus melhores amigos são aquelas pessoas que você mais perdoou. Olhando para trás percebo que em boa parte isto é verdade. A amizade necessita de tempo e do compartilhar das mais variadas situações para que se efetive e se consolide. A verdadeira amizade, muito antes de ser uma amizade, passa por diversos percalços.

Quando nos tornamos adultos este tempo e paciência para batalhar por um novo amigo se tornam cada vez mais escasso. Não é mais possível e desejável andar em bando. As oportunidades de encontros com as pessoas que se gostam são raras e mais valorizadas do que quando se é criança/adolescente. E assim a abertura de espaço para novos amigos se torna quase inexistente. Ainda que passamos a conviver com alguém de maneira forçada (como numa sala de aula de pós-graduação, por exemplo), investir numa nova relação é algo muito dispendioso se comparado aos amigos que já se tem.

Há alguns anos ouvi numa palestra que Jesus queria ser meu amigo. Até então só o via como aquele moço pregado na cruz lá na igreja. Distante, frio, de cabeça baixa, triste. É estranho pensar em Deus como um amigo, é, aliás, um grande desafio.

João foi um discípulo bem próximo de Jesus. A maneira como descreve o que ele pensava e o que fez mostra quão profunda era a amizade dos dois. Lendo o que João descreve em seu livro, vejo que Jesus queria que eu me aproximasse de Deus e fosse seu amigo assim como ele era de João. Ele se diz o pão da vida e promete saciedade a todos que dele comerem. Mastigar Jesus como um pão não faz muito sentido, então ele mesmo complementa explicando que todos os que acreditassem nele teriam a vida eterna. Acreditar nele (0u comer o pão) seria, segundo suas palavras, crer na sua divindade e na sua morte enquanto fator de aproximação com Deus.

Conhecer esta relação estabelecida na forma de amizade foi algo que mudou minha maneira de enxergar Deus. Acontece que quando ouvi isto já tinha muitos amigos. Já havia pago um preço muito alto para cultivar cada uma daquelas amizades. E foi assim que na minha cabeça Deus virou alguém que “tenta entrosar” comigo depois de adulto. As barreiras são muito grandes e o processo de fazer uma nova amizade tende a ser um tanto quanto difícil. Na primeira situação que não me agrada na relação recém-estabelecida já sinto um pouco de preguiça. E parece que eu preciso insistir um pouco mais do que Deus nesta amizade. Afinal, mais do que amigo, Deus se aproxima como dono da minha vida.

Com o tempo, as aventuras vividas junto de Deus transformam-se em marcos em que a amizade se sustenta. Não é fácil ser amigo de alguém que não se vê. De vez em quando parece loucura conversar com alguém assim. Só quem se relaciona sabe como isto funciona, é indescritível.

O convite com este post é para que você conheça mais do que Deus, mas sim um amigo que é senhor, mas que é próximo e que quer se relacionar com você (e comigo). O convite é para que você desconstrua tudo quanto já pensou a respeito do que possa ser Deus e recomece partindo desta premissa: Deus é um novo amigo.

Em meio a tanta dificuldade tenho tentado seguir aprofundando esta amizade. E você, o que tem pensado a respeito desta amizade?

A semente e os espinhos

A parábola da semente contada por Jesus a seus discípulos traz alguns elementos: um semeador, a semente, o solo à beira do caminho, o solo pedregoso, o solo cheio de espinhos e solo fértil (texto completo em Mateus 13:1-23, Marcos 4:1-20 e Lucas 8:4-15). Escrevo hoje especificamente sobre a semente caiu entre os espinhos.

A semente que caiu entre espinhos é, segundo Jesus, a situação de alguém que tem contato com ideias de Deus, mas se deixa levar pelas preocupações deste mundo e o engano das riquezas. E por este motivo tais ideias não fazem efeito nele.

Nas primeiras vezes em que ouvi/li esta parábola refleti muito a respeito do que poderiam ser estes espinhos. Foi muito bom entender que boa parte das situações com as quais estava inteiramente envolvido não me faziam bem. Não sei dizer ao certo todas elas, mas creio que uma pode servir de exemplo. Meus amigos e eu vendíamos loló, uma mistura química que causa efeito alucinógeno de curta duração, que aparentemente não vicia, e é de fácil acesso para os então adolescentes. Víamos basicamente três vantagens em sermos os “reis do loló” naquela época: 1) todos nos procuravam para comprar o produto, o que nos fazia populares, e passávamos a impressão de corajosos por comercializar algo proibido; 2) auferíamos uma quantidade não muito grande de dinheiro, mas o suficiente para ostentar um padrão de diversão minimamente legal; e 3) aliado à “moral” e à grana, estava nossa fama com as meninas do nosso grande círculo de relacionamentos, vivíamos cercado por elas. As transformações que o Espírito Santo fez em mim naquele primeiro momento como cristão não podem ser compartimentadas e racionalizadas. Assim, não tem como afirmar com precisão se foi após entender sobre os espinhos que deixei o loló de lado, mas com certeza estas ideias tiveram alguma influência.

Percebo que era imprescindível deixar de lado todos aqueles espinhos para conseguir prosseguir como cristão, para que as palavras ouvidas surtissem algum efeito em mim. Foi um marco muito grande deixá-los de lado. Passada pouco mais de uma década, volto a pensar no assunto.  Será que acabou, os espinhos foram todos vencidos? Claro que não! Parece óbvio que os espinhos não deixaram de me sufocar, mas uma análise superficial faz com que eu pense neles como aquelas primeiras dificuldades enfrentadas.

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Os espinhos estão sempre presentes. E ao olhar à minha volta tenho percebido que eles tem sufocado não só a mim, mas também muitos dos meus irmãos e irmãs na família cristão. Merecem atenção por estarem mais evidentes os espinhos poder, dinheiro e relacionamentos. Vou exemplificar falando de mim:

O poder de ser um jovem bem sucedido profissionalmente tem falado para que eu dedique cada vez mais tempo à minha carreira e negligencie meu tempo com Deus. Sinto isto pessoalmente, ao ir dormir cada vez mais tarde trabalhando e acordar mais cedo para ir para o trabalho, pois deixo de ter aqueles tempos de leitura e oração com qualidade (não necessariamente demorados); sinto comunitariamente, por adotar cada vez mais uma postura egoísta de correr atrás dos meus próprios interesses; sinto no ministério pessoal, ao dedicar cada vez menos tempo para construir o Reino de Deus através do grupo de estudos bíblicos do qual sou um dos responsáveis.

O dinheiro me chama mais a atenção do que Deus ao fazer com que eu veja mais necessidades e urgências que dependem dele. Preciso muito procurar dinheiro para sustentar um padrão alto de consumo. Preciso muito do dinheiro para nutrir minha falsa sensação de segurança na medida em que consigo comprar “com meus próprios esforços” aquilo que julgo ser indispensável à minha vida abundante.

Os relacionamentos não falam, eles gritam, com uma voz de pavor. Pavor que se manifesta no pensamento de que se eu não relativizar meus princípios ou aceitar namorar a primeira pessoa que aparecer vou acabar sozinho pelo resto da vida. Esta assombração ganha força quando aliada ao meu desejo natural de deixar de fugir da “solidão”. Ganha maior expressão também por eu ser um ser, a princípio, um animal que tem desejos hormonais de “beijar na boca e ser feliz”.

Os espinhos citados são apenas exemplos. Pode ser que os seus sejam outros, completamente diferentes em sua manifestação, mas exatamente iguais na maneira de nos afastar daquela palavra tão boa que ouvimos há pouco. Sim, há pouco, porque o que são dez anos comparado a cinquenta ou sessenta anos nos quais ainda pretendo viver, e como cristão. Talvez Jesus tivesse dito sobre estes espinhos justamente para pessoas de alguns anos de caminhada ao seu lado, ao contrário do que já pensei um dia.

Para terminar, deixo o grande desafio de pensarmos um pouco nos nosso espinhos atuais e, principalmente, um apelo (àqueles com quem tenho liberdade para tal) para que consigamos lutar contra eles em direção ao que Jesus disse sobre a boa semente.

E estes são os que foram semeados em boa terra, os que ouvem a palavra e a recebem, e dão fruto, um trinta, e outro sessenta, e outro cem. (Marcos 4:20)

Ps. Se tiver dificuldade de pensar se há espinhos atrapalhando o crescimento hoje e sobre como tem ouvido a voz de Deus, é só refletir sobre seus frutos.

Forte abraço!