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Rafael Santtos

Sobre Rafael Santtos

Rafael Santos, Belo Horizonte, 18 de abril de 1984, cristão desde 2012, sonhador, aventureiro, sanguíneo, exortador. E deseja dividir um pouco do que pensa através do Outras Fronteiras.

Do absurdo à obediência – #5 solitude

Hoje abro espaço para um grande amigo e companheiro de Outras Fronteiras, Rafael Freitas. Ele me acompanha desde os primeiros passos na vida com Deus, em 2002.  Desde então tem me ensinado com suas palavras e sua vida o que é ser seguidor de Jesus. Pedi a ele que escrevesse para a série de posts sobre disciplinas espirituais, sobre solitude, e ele nos brinda com este texto simples e profundo que segue abaixo. Boa leitura!

Um homem cansado, exausto e perseguido.  Assim estava Elias, após vencer uma grande guerra contra os profetas de Baal. Não conseguia ter sossego, pois seus inimigos (Acabe e jezabel) eram implacáveis perseguidores do Profeta de Deus.

É neste contexto que Deus pede que Elias se retire para o monte Horebe, onde teriam um encontro de amigos. E a bíblia narra o momento em que Elias percebe que Deus havia falado.

1 Rs 19.9-13

Então veio um vento fortíssimo que separou os montes e esmigalhou as rochas diante do Senhor, mas o Senhor não estava no vento. Depois do vento houve um terremoto, mas o Senhor não estava no terremoto.Depois do terremoto houve um fogo, mas o Senhor não estava nele. E depois do fogo houve o murmúrio de uma brisa suave…E uma voz lhe perguntou: “O que você está fazendo aqui, Elias? 

Não no vento.

Não no terremoto.

Não no fogo.

A voz do Senhor numa brisa suave, que alguns acreditam ser o próprio silêncio. Este mesmo, que temos tanta dificuldade em experimentar. Estamos cansados, exaustos, pressionados. E esperamos a manifestação de Deus em meio a tanto barulho.

Um absurdo! Vidas absurdamente barulhentas!

Na palavra absurdo, encontramos a palavra latina “surdus” que quer dizer “surdo”. Quando porém experimentamos a brisa suave, nos retiramos para o silêncio, aprendemos a obedecer a Deus. Sabe porque? Porque a palavra “obediencia” vem da palavra latina “audire”, que quer dizer “ouvir”.

Sabe o que Deus tentou fazer com Elias?

Tentou fazê-lo mudar de um momento de sobrecarga, preocupações e ocupações barulhentas, para um momento de espaço interior disponível para ouvir a Deus e seguir suas orientações. Do absurdo à obediência, da surdez aos ouvidos atentos à brisa suave.

Que seus ouvidos o conduzam à obediência! E que você fique surdo apenas para o absurdo.

Abraços

Os demais textos da série podem ser lidos aqui: leituraoraçãomeditação e memorização.

Disciplinas espirituais – #4 memorização

A memorização consiste em gravar na mente versículos e passagens bíblicas. Não é decorar, porque decorar pressupõe algo de grande volume, mas guardado por pouco tempo. Mas por que memorizar se o texto está disponível todo o tempo na Bíblia para consulta? Listo dois motivos que considero importantes:

  1. Porque edifica a nós mesmos. Está escrito para termos o pensamento nas coisas que são do Alto. Ter a Bíblia na memória é uma excelente forma de fazê-lo.
  2. Porque edifica a Igreja. Quando se vai exortar ou admoestar alguém é melhor falar do que é certamente bíblico do que falar frases soltas da mente.

Aprendi que é melhor memorizar passagens inteiras do que apenas versículos. O cuidado que se deve ter com isto é o de não memorizar textos fora de contextos, e dar uma interpretação equivocada ao que está escrito na Bíblia. Teríamos, se assim fosse, um resultado diferente do que se busca.  Memorizar um texto inteiro ajuda, inclusive, no entendimento do que foi memorizado.

Vários são os métodos que podem ser utilizados para memorização. Existem aplicativos para celulares e tablets. Outros preferem o tradicional lembrete anotado em um pedaço de papel e colocado junto ao celular ou no bolso, de maneira que possa ser visto várias vezes ao longo do dia. Eu gosto de escrever várias vezes o texto como maneira de memorizar.

Não tenho muitas passagens guardadas em mente. Tenho um grande desafio que já dura alguns anos – memorizar toda a carta de Filipenses. Consegui ir até o versículo 11 do capítulo 2, mas a tarefa anda um pouco devagar já tem um tempo. Sinto que não tenho memorizado mais por não acreditar na real importância que a memorização tem. Com isto, acabo priorizando outras atividades no dia-a-dia e não dedico tempo necessário para o progresso na memorização.

Deixo o link na versão android e versão iOS para um aplicativo que já usei e pareceu bom à época. Se você tiver uma tática ou algo interessante a respeito não deixe de acrescentar nos comentários.

Este post faz parte da série sobre disciplinas espirituais e você pode ler os textos nos links leituraoração meditação.

A ideia de escrever este post é me desafiar e desafiar você a memorizar passagens bíblicas e, com isto, auxiliar no nosso crescimento espiritual. Hoje oro a Deus para que nos ajude neste desafio.

Forte abraço!

Disciplinas espirituais – #3 meditação

A meditação não surgiu no contexto cristão. Ela é praticada a milhares de anos e é parte da cultura de diversos povos, sobretudo do Oriente. Ela pode ser praticada sob duas modalidades: esvaziamento da mente, por um lado, e intensa concentração em um assunto, por outro.

Como cristãos ela é praticada na segunda modalidade – com a concentração em torno de algo como uma ideia, texto bíblico ou outra literatura cristã, por exemplo. De muito pensar e refletir pode-se chegar a uma profundidade que não se obteria pelo simples contato com aquilo que se medita. Não existe uma regra, assim como nas outras disciplinas, para sua prática. Depende muito da individualidade de cada um.

A meditação é importante para que consigamos aprender e tirar conclusões a respeito de algo e não simplesmente entender sobre o assunto.

Certa vez o Adilson Donatelli ia dar uma série de palestras num acampamento e o tema era “Jacó”. Em minha pouca idade na fé pensei que não havia tanta coisa a ser contada as respeito senão que ele era um fanfarrão. Grande engano o meu. O Adilson tirou ideias e ideias sobre relacionamento pessoal, com Deus, com os outros, familiar… Ele conseguiu descrever com tanto detalhe a vida de Jacó que consegui compreender muito da importância deste personagem bíblico para a formação de toda a doutrina cristã moderna. Percebi que ele havia gasto muito e muito tempo estudando e meditando em torno daquela história. O mesmo Adilson certa vez orientou o Edu, nosso amigo aqui do blog, sobre como se preparar para dar um estudo sobre o livro de Efésios. O Edu foi buscar conselho de quais livros e autores poderia estudar para preparar seu material. O conselho foi para que lesse o texto bíblico puro e simples por cinquenta vezes! O convite do Adilson era para que estudasse e meditasse mais, afinal o mesmo Espírito Santo que havia inspirado os famosos autores dos comentários bíblicos disponíveis no mercado também estava no Edu e com sua orientação e inspiração ele poderia descobrir coisas no texto de Efésios que nenhum dos comentaristas havia descoberto.

Nossa sociedade prega a necessidade de estarmos atarefados todo o tempo para sermos considerados pessoas importantes. Não há mais tempo livre entre uma atividade e outra. Não há tempo suficiente para ser dedicado a pensar muito em torno de algo. Se há o tempo ele é gasto nas redes sociais. Falo por mim, tenho muita dificuldade de meditar.

Nosso amigo aqui do blog Pablo Tadeu compartilha sua experiência com meditação: “Medito bastante! Geralmente com paisagens naturais tendo a ver muito a obra e a beleza de Deus. Trabalhar em alto mar e viajar muito me permite ver muita coisa da natureza. Medito nessas horas! Quando leio algo na Bíblia que mexe comigo, fico simplesmente parado e pensando no que li. Acontece muito também!”. Outro amigo, o Faell, também deixou sua opinião e uma sugestão: “Com uma Bíblia na mão… às vezes com livro… Faço minha leitura e medito nela. Pesquise ‘Exercícios Espirituais de Inácio de Loyola’ me ajudou muito a aprender um pouco mais”.

Convido você a compartilhar conosco o que pensa e como pratica a meditação. Qual a importância da meditação para você? Qual sua maior dificuldade em praticá-la?

Este post faz parte da série sobre disciplinas espirituais. Os outros dois posts já publicados podem ser acessados aqui: leitura e oração.

Forte abraço e até a próxima terça-feira.

Disciplinas espirituais #2 – oração

A oração é uma conversa com Deus a respeito daquilo que estamos fazendo juntos.

Dallas Willard

Na última terça-feira iniciei uma série de posts sobre disciplinas espirituais e a relação com Deus através delas. Escrevi sobre leitura. Hoje dou continuidade escrevendo sobre oração.

Aprendi que a oração, junto à leitura, é o pilar do relacionamento com Deus. Se com a leitura conhecemos a Deus, com a oração nos fazemos conhecidos por ele. Nos colocamos com nossos pedidos egoístas, com nossa compaixão pelo outro através da intercessão, somos gratos e glorificamos a Deus.

high-five
Isto é um high five que você faz com Deus ao orar, não o símbolo de oração nos teclados de smartphones.

Durante parte da minha caminhada com Cristo questionei sobre a necessidade de orar a um Deus onisciente. “Se ele já sabe, por que orar?”. Descobri logo depois que a oração é permitir que Deus trabalhe na minha vida e participar deste trabalho junto com ele. “Mas se ele já sabe de tudo e ainda tenho pedido para que ele cuide, por que nem todas as minhas orações são aceitas?”. Fui ensinado pelo amigo Selmão que Deus não é o responsável pelo mal que há no mundo, que desde a queda da humanidade pelo Pecado tudo tende ao caos e que Deus tem trabalhado pelas pessoas e pelo seu bem, apesar do mal. Tem ainda outra questão envolvida nesses pedidos sem resposta. Meu amigo Martins brinca ao dizer que Deus tem quarto respostas básicas aos nossos pedidos: “Sim”, ” não”, “espere um pouco” e “você está me’ zuando’, né?”. Concordo com ele que há pedidos que aparentam espiritualidade profunda e que na verdade escondem exigências egoístas dirigidas a Deus. Reconheço, ainda, que não sei tudo sobre o assunto e que para mim há pedidos sem respostas em que o aparente silêncio de Deus é incompreensível. Nesses casos eu simplesmente continuo a orar.

Por algum tempo acreditei que era minha oração que fazia com que Deus agisse naquilo pelo qual orava. Mudei de visão com a resposta do Dallas Willard que coloquei no início do post: quando oro concordo com Deus a respeito de algo que ele já vai fazer. É muita prepotência crer que Deus vive parado em estado de inércia e só se coloca em movimento em função dos meus pedidos. Orar é ter o privilégio de tentar entender o que Deus faz e perceber esta ação dele no nosso cotidiano. Ação esta que poderia passar despercebido.

Tenho por hábito orar pela manhã. Penso que assim começo meu dia pelo que há de mais importante nele, minha relação com Deus. E entrego em suas mãos tudo o que poderia me deixar angustiado ao longo do dia. Com a paz que excede todo entendimento tenho forças para encarar as batalhas do dia que se seguirá. Confesso que tenho dificuldade com sono. Muitas vezes acordo já na hora de ir para o trabalho e não consigo ter o tempo de oração com a qualidade que gostaria de ter. Como enfrento a mesma dificuldade pela noite ao deitar, prefiro manter o tempo pela manhã. São muitas coisas pelas quais orar caso esteja realmente interessado em contar tudo o que se passa na minha mente e no meu coração para Deus. Assim, aprendi que dividir em assuntos é uma ótima maneira de orar por tudo sempre é com tempo razoável para cada uma delas. Meu critério de divisão são as prioridades da minha vida pelos dias da semana. Na segunda-feira oro pela relação com Deus, na terça pela família, na quarta pelo trabalho, na quinta pela minha namorada, na sexta pelo ministério que quero ter com Deus e pessoas, no sábado pelos amigos e domingo tenho oração livre. Não que seja livre somente domingo. Em outros dias da semana também oro livremente, mas procuro lembrar destas prioridades e orar por elas. A divisão ajuda muito, mas traz em si um perigo. É necessária disciplina. Caso deixe de orar algum dia da semana por alguma prioridade, só oraria por ela na outra semana e ficaria 15 dias sem conversar com Deus sobre aquilo, o que para meus padrões é muito tempo.

Concluo com meu pedido de oração: que Deus nos ajude nas nossas dificuldades em orar.
Deixo o link do post da semana passada sobre leitura e um post antigo que escrevi sobre oração.

Disciplinas espirituais #1 – leitura

Começo hoje uma série de posts sobre disciplinas espirituais aqui no blog. Aprendi no início da minha caminhada com Cristo que as disciplinas são maneiras pelo meio das quais posso estabelecer e aprofundar minha relação com Deus. Por meio da oração, leitura, estudo da Bíblia, solitude, memorização de versículos e passagens, escrita, jejum e o que mais for considerado disciplina espiritual acrescenta nesta agradável tarefa de tentar me tornar mais amigo de Deus. A ideia da série de posts não é escrever tratados sobre o assunto. Alinhado com o tema do Blog, quero sair um pouco da correria do dia-a-dia e compartilhar o que tenho pensado, vivido e sonhado a respeito da minha relação com Deus. Hoje, para começar, quero falar de leitura da Bíblia.

leitura_biblia

A leitura da Bíblia é o meio pelo qual busco conhecer i) quem é Deus; ii) o que ele quer de mim; e iii) o que ele tem para mim. Quando leio a respeito de como os patriarcas do Antigo Testamento se relacionaram com Deus, quando vejo os desígnios dele para seu povo, ou quando vejo a relação dele com Jesus, por exemplo, tenho para o modo como Deus pensa. Por meio das instruções dadas, sobretudo por Jesus, passo a saber para qual caminho devo tentar levar meu coração e minhas atitudes. Quando estou mal, por meio da leitura, sei quem é Deus e o que ele pensa sobre minha salvação (dentro dos seus conceitos). A leitura é o canal de comunicação com o qual melhor consigo ouvir a Deus no cotidiano.

Durante boa parte da minha vida cristã entendi que a leitura ideal era a de cinco capítulos diários. Poucos foram os tempos em que consegui atingir e manter constante esta meta. O que era para ser algo prazeroso acabava por se tornar um peso para mim. Com o tempo as coisas foram mudando. Hoje fico feliz com três capítulos por dia. Hoje, porque já tiveram fases em que um simples capítulo diário já era o bastante para me fazer próximo de Deus. Há pouco tempo descobri que uma amiga minha que tem uma relação muito profunda com Cristo passa por períodos em que lê apenas dois versículos por dia. De maneira contrária, tenho outro amigo que não conseguia aprofundar a relação com Deus por meio da leitura porque lia dez ou mais capítulos num único dia, o que para ele era algo ruim. Não há um padrão a ser seguido. A leitura, aprendi, deve ser feita da maneira como parecer melhor ao leitor.

Apesar da sua importância para minha relação com Deus, ainda não consigo ler todos os dias. A preguiça tem me acompanhado ao longo dos anos. Minha meta para este ano é me manter constante naquilo que estiver planejado.

E você, como vê as disciplinas espirituais? O que acha delas? Como é sua leitura? Compartilhe conosco!

Por fim, disponibilizo neste link um plano de acompanhamento de leitura da Bíblia para quem deseja lê-la por inteiro. Este plano foi elaborado pelo meu amigo Doug (Davidson Guimarães) e tem ajudado muito. Para incluir nova leitura basta clicar em “salvar leitura” e preencher os campos.

Entregues a nós mesmos

Na leitura dos capítulos 78 a 81 do livro dos Salmos vemos o qutanto Israel no antigo testamento estava triste por estar submisso a outros povos. A reclamação é sempre contra Deus, para que ele honre seu próprio nome e haja concedendo Vitória a Israel.

Por um tempo considerei os prováveis motivos pelos quais Deus não respondia a oração do salmista. Será que  ele não teria perdoado seu povo de seus pecados? Será que queria ensinar algo por meio do seu silêncio? Será que ele estava com dó dos outros povos que lutavam contra Israel, a nação que ele havia escolhido para chamar de sua? Não, nada disto. No Salmo 81 vem a resposta:

Mas o meu povo não quis ouvir a minha voz, e Israel não me quis. Portanto eu os entreguei aos desejos dos seus corações, e andaram nos seus próprios conselhos. Oh! se o meu povo me tivesse ouvse Israel andasse nos meus caminhos

Salmos 81:11-13

O povo à época cultuava outros deuses, havia abandonado as leis estabelecidas por Deus, vivia deliberadamente em pecado. Percebo então que a escolha não havia partido de Deus, ele não queria o mal do seu povo. Deus tentou ensinar de que maneira deveriam ter vivido, mas eles preferiram seu próprio caminho. O que Deus fez não foi vingar, ignora ou castigar o povo. Ele simplesmente deixou que as consequências viessem à tona.

Quando penso na minha caminhada como cristão vejo de maneira clara que cheguei a tentar viver meus próprios sonhos e  levar a vida da minha maneira para que eles fossem realizados. À medida que os concretizava, sentia as consequências das minhas decisões distantes de Deus. Estar entregue às minhas próprias posições foi a pior coisa que poderia ter me acontecido.

Aprendi desde então a temer a Deus e a viver ao seu lado. Triste ler na história de Israel que eles não aprenderam e foram submissos a outros povos por gerações e gerações. Não posso afirmar que estou para sempre nos caminhos que creio que Deus gostaria que eu vivesse, mas tenho lutado para tanto. Assim oro para que Deus continue comigo e me dê força para não desanimar da luta de segui-lo. Oro também para que ele proteja você, amigo leitor. Que possamos usufruir dos benefícios de viver a vida cristã de maneira plena e que nunca estejamos entregues a nossas próprias paixões.
Forte abraço, até a próxima terça-feira.

O que faria Jesus?

A corrupção, o estultícia (no sentido pejorativo da palavra) e os erros do outro são facilmente visualizados em mim mesmo. Sempre pensei que o problema da humanidade é o ser humano, que sempre quer tirar vantagem em relação ao outro. Não quero generalizar e não digo que você seja alguém assim. Admito que tendo a ser.

Pensei nestas coisas num dia de volta pra casa, mais especificamente em Congonhas, São Paulo. Estava em conexão de Curitiba para BH. Queria sair da sala de embarque, por onde havia chegado, para almoçar num restaurante que gosto e que fica no saguão do aeroporto. O problema é que para chegar nele é preciso dar uma volta muito grande pelo desembarque, que fica no outro extremo do aeroporto. Já conhecia a regra, ainda assim tentei sair pela área do raio-x. Pensei na hora “ah, não faço mal algum ao sair por aqui”. Fui barrado. Voltei triste e caminhei em direção ao desembarque. No caminho vi uma porta lateral que economizaria um bom tempo para que eu conseguisse almoçar com calma até a hora do novo embarque. Tentei me fazer de desentendido e sair por ela, mas fui informado novamente que a única saída possível seria no fim do longo corredor.

Após perceber minha atitude me senti mal. Pensei no quanto era ruim aquele tipo de atitude. Pensei também no rigor com que julgo o outro ao pensar a possibilidade de tentarem levar vantagem sobre mim nas coisas mais superficiais do dia-a-dia. Pensei, ainda no aeroporto, no quanto vigio para que ninguém passe na minha frente na fila do restaurante ou na fila do embarque, por exemplo. Envergonhado, pedi perdão a Deus.

Jesus ensinou a seus discípulos e a nós que desse a honra ao outro. Ensinou que os que quiserem ser os primeiros que fossem os últimos. Ele deixou o lugar de rei ao abaixar e lavar os pés dos discípulos.  Ensinou que devemos dar a outra face ao sermos injustiçados.

Nos primeiros anos tentando andar com Jesus vivia um padrão muito maior do que o de hoje, confesso. Naquela época reparava mais nas situações do dia-a-dia e tentava viver como Jesus nos detalhes cotidianos. Volto agora a refletir a este respeito. Concluo que exercício deve ser diário para que eu pense em cada passo, cada decisão, em qual seria a atitude de Jesus. E é mesmo um exercício, algo que deve ser lembrado todo o tempo, envolve o compromisso de tentar agrada-lo todo o tempo.

Assim, oro para que o Espírito Santo não me deixe esquecer e para que não me permita conformar com a ideia de fazer algo divergente daquilo que Jesus faria. Oro para que ele faça de mim o exemplo de filho de Deus que ele quer que eu seja.

Compartilho o desafio com você. No seu lugar hoje, o que faria Jesus?

A Rocha que é mais alta do que eu

Como bons seres humanos, às vezes nos sentimos inseguros, desanimados, cansados e sem esperança com a vida. Nosso coração parece estar despedaçado.
Com Jesus também foi assim. Em seu leito de morte chorou, banhado em suor e sangue. Abandonado por todos, inclusive os melhores amigos.

O que fazemos quando estamos com medo, com dúvida, nos sentindo desolados, desconsolados?

Jesus nos ensinou o caminho da oração. Aquela oração verdadeira, que derrama o coração diante do Pai, com toda sinceridade possível, até mesmo dos mais íntimos pecados.

Assim bem escreveu o salmista:

“Desde o fim da terra clamarei a ti, quando o meu coração estiver desmaiado; leva-me para a rocha que é mais alta do que eu”

Salmos 61:2

Minha oração hoje é para que nossa relação com Deus não seja superficial, mas sim profunda. Oro para que Deus nos ajude a entender, assim como Jesus fez, que o verdadeiro consolo só pode vir dEle. Que Deus seja nossa rocha que nos leva mais alto do que poderíamos ir sós.

Forte abraço, até a próxima.

O homem com o cântaro de água

Quinta-feira, véspera da páscoa. Os discípulos de Jesus o questionam sobre onde ele gostaria de fazer a ceia daquela noite. Ele envia dois destes com a missão de encontrar e seguir um homem que estivesse carregando um pote de água. Este homem os levaria ao local em que seria feito o jantar.

A esta altura da história, os discípulos já tinham visto Jesus transformar um pão e dois peixes em alimento suficientes para uma multidão, tinham o visto andar sobre as águas, curar cego de nascença, fazer paralítico andar… Os dois discípulos que receberam a ordem especificamente já tinham visto até mesmo Jesus se transfigurar diante de seus olhos. Ainda assim, imagino o quão estranho deve ter sido para eles entrar numa cidade do porte de Jerusalém à procura de um homem com um balde de água nas mãos. Quantas e quantas pessoas não estariam carregando potes de água?

Apesar de parecer pouco razoável a ordem, eles obedeceram e saíram em busca do local. Narra a história em Marcos 14 que encontraram o homem e o seguiram, assim como havia ordenado Jesus, até a casa de um outro homem. Eles questionaram o dono da casa sobre onde deveriam comer a páscoa e, também como havia dito Jesus, lhes foi mostrado uma ampla sala no andar superior, toda mobiliada.

Quantas e quantas vezes Deus tem nos mandado seguir o homem com o pote de água nas mãos? Muitas destas vezes tenho sido desobediente a esta ordem por julgar pouco razoável o que Deus quer de mim. Nesta noite os discípulos comeram com Jesus e tiveram a oportunidade de desfrutar de um excelente tempo ao lado dele e uns dos outros, como está narrado nos capítulos 13 a 17 do evangelho de João. A noite memorável ficou conhecida entre nós até hoje como a noite da Santa Ceia.

The Last Supper Restored, Leonardo Da Vinic

Quanto teriam perdido os discípulos se não tivessem obedecido a ordem e ido atrás do homem com um pote de água? O que temos perdido nós quando deixamos de ir ao encontro do que Deus quer que façamos? Minha oração hoje é para que tenhamos mais fé em Deus, por mais estranho que seja seguir seu caminho e não aquilo que parece lógico aos nossos olhos e aos olhos daqueles que nos cercam. Que os homens com cântaros de água nas mãos nos levem a lugares nunca antes imaginados na vida cristã.

Forte abraço e até a próxima terça-feira.

Estas ideias são fruto da meditação do amigo Alberto Miranda na sua leitura matinal diária do livro de Marcos. Amigo este com quem pude ter poucos, mas excelentes momentos de bate-papo na semana que se passou em Ribeirão Preto.

Novos tempos – um convite à fé

“o que ela [a vida] quer da gente é coragem”

Riobaldo em “Grande Sertão: Veredas” (de João Guimarães Rosa)

O ano de 2015 começou e com ele as reflexões a respeito da vida e suas dificuldades. Alguns questionamentos de quem você e eu somos nos vem à mente e nos aflige o coração. Algumas das dificuldades de 2014 que gostaríamos que estivessem lá ainda insistem em nos acompanhar. Várias decisões aguardam ansiosamente pela sua e pela minha força e vontade de agir. Com muitas e muitas delas não sabemos lidar ao certo até o momento. E, para piorar nossa angústia, algumas das situações já começaram a ocorrer (ou simplesmente continuaram a ocorrer) sem que pudéssemos escolher exatamente o que gostaríamos que fossem feitas delas.

Como lidar com tudo isto? Sentar e chorar? Será…?

Como bons cristãos voltamos nossa atenção agora para nosso manual de vida, a Bíblia. Nela tenho percebido ao longo dos anos o quanto Deus foi presente na vida das pessoas que se relacionaram com ele e o quanto pode estar presente também na minha e na sua. Um capítulo específico lista os “heróis da fé”, Hebreus 11. Abel, Enoque, Noé, Abraão, Sara, Isaque, Jacó, José, Moisés, Raabe, Gideão, Baraque, Sansão, Jefté, Davi, Samuel e os profetas, de maneira abrangente.

Dentre os exemplos listados gosto bastante das histórias de Jacó, José e de Davi. Jacó tem uma história de conflitos, dentre eles com sua família em casa, consigo mesmo e com Deus, com seu tio após ter ido morar em suas terras. José, o caçula dos onze filhos de Jacó conviveu de perto com a inveja de seus irmãos, quase foi morto por eles e foi então vendido como escravo aos egípcios. Chegou a conquistar a confiança do rei e a ocupar boa posição no palácio real. Sofreu ao não aceitar se deitar com a rainha, foi preso e passou boa parte de sua vida deixado de lado numa cela de prisão. Davi era considerado o pior entre os filhos de seu pai Jessé. Recebeu uma promessa de que seria rei em Israel. Viu de perto a possibilidade da promessa ser cumprida, mas foi obrigado a fugir da fúria de Saul, o então rei. Passou toda sorte de problemas mesmo tendo ciência de sua inteira inocência diante da perseguição que sofrera.

As histórias de Jacó, José e Davi são muito ricas e não teria como serem abordadas num simples post. Fica aqui o convite para que você as leia (Jacó e José em Gênesis, a partir do capítulo 25; e Davi nos primeiro e segundo livros de Samuel). Em todas elas é perceptível o quanto Deus se fez presente. Jacó viveu muito e foi feliz ao abençoar os filhos de José em seu leito de morte. José voltou a ocupar lugar de destaque entre os egípcios e foi considerado o segundo do reino, atrás apenas do próprio Faraó. Davi foi aclamado rei após a morte de Saul, destruiu seus inimigos e teve longo e duradouro reino em Israel. Enquanto viviam as situações que descrevi talvez eles não tivessem noção da ação de Deus, mas eles não deixaram de crer que Ele estivesse cuidando de tudo.

Hoje não sei ao certo o que você tem passado, talvez se sinta como um dos personagens bíblicos citados (ou não). Sei que estou distante de sofrer algo parecido com o que aconteceu a eles, mas vejo em minha vida muitas e muitas dificuldades na tarefa de seguir adiante. Assim como Deus fez na história de todos os heróis da fé, tenho plena convicção de que ele tem feito por você e por mim. Ao olhar para trás já tenho muitos motivos para agradecer a Ele pelo que já houve de bom, tenho certeza que você também. Aqui volto na pergunta que fiz no início: sentar e simplesmente chorar diante dos desafios que se apresentam? Creio que não foi isto que aconteceu nas histórias que comentei.

Meu convite para você hoje e principalmente para mim é que possamos estar de cabeça baixa para orar a Deus e reconhecer que ele tem muito amor por nós e quanto somos frágeis diante de tudo que se apresenta. Convido também a levantar a cabeça e tentar enxergar ao longe o quanto Deus ainda tem a fazer por nós dois. Convido principalmente para que tenhamos fé no seu amor, cuidado e atitudes para conosco.

Os personagens citados acima viram Deus mudar profundamente suas vidas e lhes proporcionar dias muito melhores do que aqueles de dificuldades. Mas a promessa de Deus a eles não era somente aquela, segundo o autor de Hebreus. A promessa de Deus para eles era Jesus. E por este motivo o autor do livro de Hebreus disse que eles nada seriam se não fosse por nós, que recebemos o perdão por meio de Jesus e podemos estar mais pertinho de Deus. Maior promessa hoje a nós é a vida eterna ao lado do Pai, quando toda lágrima será enxugada de nossos rostos e contemplaremos a Deus face a face.

Termino com o desafio: que possamos abrir nossas mentes e enxergar a caminhada das nossas vidas repleta de coragem, de ânimo e de fé nos dias melhores que ainda estão por vir nos novos tempos que agora se iniciam.

Dedico este post a um amigo que tem estado desanimado com os desafios da vida.

Forte abraço e até a próxima terça-feira.