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Pablo Tadeu

Sobre Pablo Tadeu

Cristão, casado, formado em Publicidade e Propaganda, tem 31 anos e ama cinema, futebol, filosofia e viagens.

A Lua de Sangue

Muito se discutiu no meio cristão sobre o significado da última Lua de Sangue, ocorrida no domingo dia 27 de setembro. Ela finalizou uma série de 4 luas de sangue ocorridas em pouco menos de 1 ano, sendo todas elas em feriados judaicos.  O que causou certa comoção foi justamente a coincidência dos eventos com o calendário judaico.  Em todas as vezes que este tipo de evento astronômico aconteceu, tivemos mudanças significativas em Israel.

Em 1492, primeiro ano da série mais recente, os judeus foram expulsos da Espanha no reinado de Isabel e Fernando II, depois da assinatura do Decreto de Alhambra. Em 1949 foi o segundo evento:  Israel chega a um acordo com os vizinhos Egito, Síria, Líbano e Jordania, delimitando a fronteira de seu recém criado Estado. Já em 1967, último evento deste série, Israel vence a chamada Guerra dos Seis Dias e conquista definitivamente a cidade de Jerusalém.

Todos estes eventos, ocorridos ao longo de quase 500 anos de história, levam a comunidade a pensar que neste ano de 2015 alguma coisa poderá acontecer.  Mas a verdade é que não existe consenso sobre o que de fato estamos presenciando. Sinais do fim ou apenas mais um eclipse? Não é facil dizer e dificil é dar certeza sobre qualquer uma das opções.

Mas de uma coisa podemos ter certeza: não é uma decisão muito sábia esperar o fim do mundo para andar na linha. Mesmo que o mundo continue por mais alguns poucos anos, pode acontecer algum evento que leve nossa vida ao fim, e neste caso, nosso apocalipse será inexoravelmente antecipado. Se morrermos amanhã,  este será o dia de nossa lua de sangue.

Então, amigo cristão, tente viver como se o fim do mundo fosse acontecer daqui a alguns poucos segundos. Não deixe nada pendente na sua relação com Deus. Não deixe nada oculto na sua vida com Cristo.  No fim das contas, se podemos nem ter a chance de ver outra lua cheia, quanto menos de ver o fim dos tempos!

Viva de forma a estar com suas “vestes limpas” quando O Cordeiro vier.  Para mim, e mesmo para você, pode ser que Ele venha antes do que virá para o mundo.

Um abraço!

Quebre o Padrão!

Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”  Rm 12:2

Passei boa parte desta manhã pensando sobre quais padrões do mundo se referia Paulo em sua carta aos romanos. Tentei elencar os padrões atualmente vigentes. Alguns deles inofensivos, outros nem tanto. A forma como eu me visto, por exemplo, é totalmente moldada ao atual padrão. Meu corte de cabelo, idem! Minha casa tem elementos totalmente vinculados ao início do século XXI. Seria este tipo de padrão que Paulo se referia?

Enquanto dirigia até a farmácia, ainda pensando em Romanos 12, um homem atravessou a rua bem a frente do meu carro. Estava fora da faixa de pedestres, viu meu carro em movimento e mesmo assim resolveu atravessar. Não esboçou reação de correr. Pelo contrário,  me olhou através do para-brisas do carro e andou triunfalmente pela rua, sem se importar com a própria segurança.

Meu primeiro reflexo foi de buzinar. Um rápido raio de indignação cruzou meu pensamento.  Mas este pensamento topou com o pensamento da “renovação da mente”. Eu dirigia um carro modelo 2014, totalmente moldado ao padrão do mundo.  Mas eu não precisava ser um motorista do mesmo padrão.

Segurei a irritação, diminui a velocidade do carro e fiz uma oração pelo pedestre folgado que atravessava a rua de maneira insegura e arriscada. Esbocei até um sorriso amistoso pra ele. Nesta manhã eu consegui não agir como um motorista moldado pelo mundo. Eu poderia ser o motorista apressado que buzina e enfrenta o pedestre. Ambos ficaríamos irritados. E o amor? Onde ficaria?  Seria uma bela manhã estragada por bobagens. É assim que o mundo tem sido, e não é assim que eu quero ser.  Mesmo nas pequenas coisas.

Os padrões do mundo são diversos. No dia de hoje, tente quebrar algum deles! Esta pequena mudança pode ser a porta para grandes mudanças. Use sua mente para se transformar.  Seja a mudança que você quer ver no mundo.

Um abraço!

 

Meu amigo Ateu

Eu tenho um amigo ateu.  A relação dele com Deus me intriga bastante, pois ao mesmo tempo em que ele se mostra aberto a debates bíblicos e tenta entender como o cristianismo funciona ele se mostra belicoso e reativo a assuntos cristãos, principalmente quando o assunto gira em torno da vertente evangélica da Fé.

Eu me lembro de já estar neste mesmo lugar, pois eu também fiz esta transição de ateu-cristão a pouco mais de 4 anos, depois de fazer estudos bíblicos por quase 3 anos. Este meu amigo fez um estudo comigo de pouco mais de 1 ano.

Em uma conversa que tivemos ele me questionou se meu convencimento veio puramente de forma intelectual. Levei um tempo para responder e isto me levou a analisar inclusive a minha própria história.

Quando respondi, eu disse que não. E fui sincero. Quando dei um passo rumo a certeza daquilo que eu não via, a decisão não foi puramente intelectual. Ao contrário! Foi muito emocional.  Sou contra a divisão helenista clássica de razão / emoção, mas para este caso vou abrir uma exceção. Quando me tornei cristão, eu  sentia no meu coração que era exatamente aquilo que eu precisava fazer com a minha vida. Não foi uma conclusão apenas lógica. Os anos de estudo prévio que tive antes da decisão foram importantíssimos para o processo. Foi através dele que a Palavra mexeu com a minha vida. Mas o final do processo foi 100% lágrimas e 0% razão.

Com este meu amigo, aprendi uma importante lição. Para os ateus, não basta apenas falar da Palavra. Esta, sem dúvida,  nunca voltará vazia. Mas o que não pode faltar mesmo é uma boa dose de oração. O mesmo tempo gasto com estudos ou bate-papos deve ser investido em oração, pois o final do processo será sempre um clique do Espírito Santo, e é por isto que devemos orar.

Não seja vaidoso dizendo que você levou seu amigo ateu a Cristo.  Pense que você levou Cristo até a porta do coração dele. Isto é o que você faz quando estuda e dialoga com ele. Depois, ore para que o Espírito Santo o  ajude a abrir a porta quando Cristo bater. Afinal de contas, o final do processo nunca é puramente intelectual.

Pode acreditar em mim, eu já estive do outro lado.

Um  abraço!

Corpo Fotografado

Há pouco tempo atrás morreu o jovem cantor sertanejo Cristiano Araújo. Junto com a notícia da morte, veio a divulgação em massa das imagens de seu corpo. Imagens fortes, do acidente, do necrotério, do hospital. Imagens de celular, repassadas de grupo em grupo e expostas na internet. O fato gerou revolta, comoção nacional. Iniciou-se uma caça as bruxas. ” Quem fotografou o corpo do jovem cantor deve pagar! Isso é um absurdo!”  Na mesma rede que se apressou em divulgar as fotos, os fotógrafos foram igualmente expostos e rapidamente condenados.

Mais recentemente, uma outra morte também foi bastante exposta.  Um outro morto famoso. Só que este morto não era bonzinho. Era um ser humano cruel e que não respeitava a vida humana. Imagens do corpo do criminoso conhecido como Playboy, o traficante mais procurado do Rio de Janeiro , foram divulgadas inclusive em veículos oficiais de comunicação, sem o menor pudor. Estes mesmos veículos, que criticaram a divulgação das imagens do Cristiano Araújo, estavam ali expondo as imagens do Celso Pinheiro, vulgo Playboy.  Eu não vi ninguém reclamando ou se escandalizando com a divulgação destas imagens.

Sabem qual é o problema deste exemplo? O problema é a relação do nosso senso de certo e errado baseado no comportamento do outro! Sempre que fazemos isto, estamos flexionando nosso caráter e condicionando nosso padrão ao padrão do outro! A relativização da verdade é perigosa, pois corremos o risco de nos igualarmos aquele que é fruto de nosso julgamento! Comemorar a divulgação das imagens do corpo do Playboy é mostrar a mesma falta de respeito que ele mesmo, o traficante e assassino,  mostrava por suas vítimas. Desta forma, estamos nos igualando a ele no desprezo demonstrado pela vida.

Se divulgar imagens de corpos é cruel e desnecessário, esta regra tem que valer para qualquer corpo exposto.  Nosso padrão deve ser o padrão de Deus, nunca o padrão do mundo! Afinal de contas, tanto o Cristiano como o Celso estão agora mesmo passando pelo único julgamento que realmente interessa: o de Cristo.  E deste julgamento, ninguém está livre.

Um abraço!

A Graça de um Deus incorruptível

     Vocês já notaram como grande parte das relação do homem com as diversas divindades ao redor do mundo, ao longo de toda a história da humanidade,  é baseada em algum tipo de troca? Este nível de relação chega inclusive a nominar as divindades de acordo com os favores obtidos: temos deuses da guerra, deuses do amor, deuses da colheita, deuses da chuva, deuses do sol e muitos outros.  Basicamente, era preciso agradar a estes deuses para obter seu favor, num processo claro de se tornar “merecedor”  da ajuda desta ou daquela divindade.

     Olhemos agora para o nosso Deus. Nosso Deus é conhecido como o Deus da Graça, como o Deus que se fez homem para pagar por algo que não temos condições de arcar, como um Deus que nos abençoa, nos guarda e nos protege independente de merecimento.  Não há nada que possamos fazer para atrair o favor de Deus. Na verdade, não há nada que precisemos fazer para isto. Nosso Deus não aceita barganhas, não escolhe merecedores e nem presta favores a prediletos. Nosso Deus permite que tenhamos tudo, absolutamente tudo, dentro de sua Graça. Não é merecimento, é Graça!

     O conceito de Graça é absurdo. Chega a soar como loucura. O Cristão precisa se acostumar com este conceito se quiser ter uma relação profunda com Deus. Muitas vezes, em nosso íntimo, buscamos agradar a Deus para obter seus favores e suas bênçãos. Ainda olhamos para Deus e pensamos: “Veja Deus! Eu orei todos os dias nesta semana! Eu mereço aquele emprego melhor, pois sou um bom filho!”

    A verdade é que a Graça tira Deus do nosso campo de atuação. A Graça coloca Deus como um ser incorruptível, que não pode ser manipulado, que não pode ser controlado. A Graça reflete o caráter integro, inabalável e supremo de Deus. Se é Graça, não pode ser comprado. Se é Graça, não pode ser obtido por meio de favores ou por meio de “se tornar merecedor.”

A Graça é gratuita, e se completa plenamente em Cristo!

Isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que crêem; porque não há diferença. Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus.
Romanos 3:22-24

Você tem barganhado pelos favores de Deus?

Um abraço!

Em defesa da Apologética

Vários estudiosos e pesquisadores da ciência da comunicação concordam que a formação de nossas ideias e a conformação de nossa consciência crítica envolve fatores muito complexos para serem mensurados.  Não conseguimos rastrear a fonte de grande parte daquilo que somos ou pensamos, exceto claro, da parte cristã que nos cabe fundamentar liquida e certamente sobre a palavra de Deus e nossa relação com  Ele.

Ademais, nosso gosto musical, nossas preferências literárias e cinematográficas, nossa propensão a gostar ou não de cebola e nossa identificação com qualquer outro tipo de filosofia advém de nossa relação com todo o universo que nos cerca. Apenas uma coisa é consenso entre os pensadores: somos influenciados pela cultura em que estamos inseridos. Nossa forma de vestir, de falar, de andar e uma parte de nosso comportamento varia inexoravelmente do momento cultural em que vivemos. Até mesmo para nos comportarmos abertamente contra o movimento cultural vigente, precisamos primeiro abstrair deste movimento para depois ultrapassá-lo.  Interessante notar que a rebeldia e a superação do momento cultural produzem o mesmo efeito, mas com fontes completamente diferentes.

Por isto tudo que descrevemos, a apologética tem se tornado cada vez mais necessária para o cristão.  Vivemos um momento de acentuada tendência intelectual,  que preconiza a adoção do método científico, da forma como é aplicado a todas as ciências naturais conhecidas, em todas as áreas do conhecimento humano, inclusive na cultura. Seria o tão falado “cientificismo”.  Mesmo odiando me utilizar de traduções de dicionário,  para encurtar o processo vou me valer dele para definir a apologética como “Teologia; defesa argumentativa de que a fé pode ser comprovada pela razão” ( Houaiss)

Neste aspecto, precisamos da apologética para blindarmos nosso intelecto dos ataques culturais do cientificismo.  Precisamos mais ainda dela quando somos convidados, ainda que compulsoriamente, a defender nossa fé utilizando argumentos contemporâneos,  e nesta caso, leia-se argumentos científicos. Não são mais raros os cristãos que se perdem para a ciência, a filosofia e os métodos racionais de observação.

Nossa fé, baseada em nossa relação com Deus, é base mais do que forte para uma vida cristã saudável. Mas a apologética pode ser uma aliada poderosa para mentes mais sagazes, atormentadas pela dualidade da fé-razão.  Alimente sua mente científica com argumentos científicos sobre sua própria fé! Não caia no cientificismo do mundo antes de experimentar o cientificismo cristão! Nós não temos um Deus que é apenas bondoso. Temos um Deus extremamente inteligente e a sua obra, a Bíblia Sagrada, é um  dos livros mais complexos já escritos.

Estamos preparados para defender a razão de nossa fé?

“Antes, santificai ao Senhor Deus em vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós.”
1 Pedro 3:15

 

Um abraço!

A primeira vez

A primeira coisa que me passou pela cabeça quando fui convidado para ser o palestrante da reunião aberta de nossa comunidade cristã foi: será que estou pronto? Esta pergunta logo foi substituída por outra mais importante e pertinente: será que estou entregue?

A relação entre prontidão técnica e entrega espiritual de um palestrante, pregador ou pastor deve, em ultima instância, pender mais para o lado da entrega. A forma é importante, mas a obra não é nossa, é Dele.

Somente quanto tive a noção exata de que a música e a letra não são, e nunca serão minhas, é que consegui relaxar e fazer o que mais importava: conversar com Deus sobre o que nós dois falaríamos para nossa plateia.

Logo que subi ao palco e dei boa noite para nossa plateia, uma espécie de frio subiu por minha espinha e meu estômago se revirou. Era o “eu ” tomando conta.  Quando me  lembrei que deveria me esvaziar, as coisas melhoraram muito. Um pensamento invadiu minha mente: “Fale com eles da sua relação Comigo!”

A partir disto ficou fácil. “Eis-me” aqui é uma excelente forma de fazer o medo ir embora. Vocês deveriam experimentar!

Um abraço!

 

E quem tem autoridade?

A internet deu palanque a várias vozes. De repente, um surto de criatividade com altas doses de licença poética permite que ateus discursem sobre Jesus com uma retórica suficiente para alçar tais textos como críveis dentro da esfera do cristianismo.

A questão é puramente retórica!  Me pergunto em qual ponto nós deixamos de olhar para a vida e passamos a olhar para as letras. Quando a habilidade com as palavras superou os frutos do espírito?

Sempre tive como plano mestre do meu ministério falar de Cristo para as pessoas. Falar do Cristo verdadeiro, aquele que só encontramos no dia a dia de joelhos dobrados e olhos marejados pelas emoções das palavras bíblicas. Conhecer este Cristo com intimidade e profundidade não é o que acontece durante o primeiro amor. Neste, somos arrebatados pela incrível sensação de pertencer a Deus, de ser parte de uma comunhão nunca antes experimentada. Conhecer Cristo leva tempo. Leva uma vida inteira de relacionamento, e mesmo assim, estamos sempre descobrindo novas facetas neste maravilhoso relacionamento.

Pode um ateu sentir Cristo? Pode alguém entender verdadeiramente quem Jesus foi, e quem ele continua sendo, ao ponto de discursar sobre Ele com propriedade,  sem ter os joelhos dobrados? Como pode alguém saber de Cristo em níveis admiráveis e continuar indiferente ao seu chamado para servir?

Esta pergunta só pode ser respondida em níveis muito pessoais. Mas eu tenho a minha resposta, e eu a compartilho com vocês: Não serei seduzido por um discurso bonito que versa sobre um Jesus para quem o autor não dobrou os joelhos.

Cada um que autorize seus mentores. Os meus, escolherei por suas vidas.

Um abraço.

Vida com Deus

Uma tarefa muito árdua para qualquer Cristão é discutir assuntos bíblicos com alguém que não valoriza a bíblia da forma como nós o fazemos.  Para o cristão, toda e qualquer palavra da Bíblia é tida como verdadeira, e muitos estudos sobre inerrância comprovam que nosso livro sagrado é perfeitamente alinhado e nunca se contradiz em nenhum ponto.

Contudo, se nosso interlocutor não aceita a sacralidade de nosso livro, toda e qualquer discussão baseada na bíblia é inócua, pois sua validade racional não atingirá no outro o mesmo êxito que logramos com nossas análises. Mesmo a mais profunda e mais intelecutal análise teológica cristã, perfeita em sua argumentação e de retórica inconteste, só terá validade em um universo onde a a divindade dos argumentos seja válida e aceita.

Desta forma, discutir qualquer assunto bíblico contra argumentos seculares incrédulos é como tentar explicar a fórmula de báskara utilizando a teoria da deriva dos continentes. O argumento não funciona uma vez que as linguagens, os enfoques, as interpretações e a validade dos argumentos estarão desalinhadas.  A bíblia só é a bíblia se Cristo for o filho de Deus, tiver sido crucificado e ressuscitado ao terceiro dia. A bíblia só é inerrante se Adão e Eva forem literais, e não figurativos. A bíblia só existe na completude argumentativa se for revestida de milagre.

Para os incrédulos,  a chave é Cristo.  Para os seculares,  o caminho é a redenção e o alívio que só Jesus pode propiciar. Para estes irmãos, precisamos falar de nós mesmos, falar de nossas orações e de como Deus mudou nossa visão do mundo. Precisamos falar de como éramos vazios e como nos tornamos completos. Precisamos falar de como nosso coração era angustiado e de como ser tornou consolado. Precisamos falar de sentimentos, precisamos falar da vida que tínhamos antes e da vida que passamos a ter depois.

Depois de falar de nossas vidas, certamente conseguiremos falar da bíblia com mais propriedade. Se nossa vida revestir a bíblia de autoridade, as linguagens ficam iguais e os argumentos podem ser alinhados.

O que eu me pergunto, depois disto tudo é:  eu posso falar da minha vida com Deus para convencer alguém de que a bíblia é revestida de autoridade e verdade?

Um abraço!

Figueiras e Azeitonas

Vivemos tempos complicados. Por todo lado nossa fé em Cristo é vilipendiada. Discursos dissonantes e mentes maldosas rapidamente criaram um clima de guerra. “Pecadores” e “Cristãos”  foram divididos em classes que parecem ser dissolutas e distantes.  Ambos os lados escolhem atacar.  Cada vez mais um grupo afronta ao outro. O grupo rotulado de “cristãos”  são taxados de retrógrados, bitolados, manipulados. Por sua vez, os chamados “pecadores” são descritos como condenados, emissários do diabo e destinados ao inferno.

O que dói é ver a figura de Cristo ser ridicularizada. O que magoa é ver o símbolo do nosso querido Salvador ser inserido em locais não apropriados, enquanto sua imagem na cruz, repleta de significado para toda a raça humana,  serve de alegoria em uma festa de rua. Um misto de raiva e indignação cruza nosso peito. Alguns chegam a desejar o mal para aqueles que afrontam a soberania de Deus, que insistem em negar a Sua existência e fazer zombaria de sua história. “Cristãos” discutem, rebatem, se revoltam, escrevem e dizem atrocidades que estão distantes do cerne do cristianismo. No ápice, chegam a dar o veredito de condenação ao inferno como se tal autoridade fosse dada a algum ser humano.

Nesta hora, é preciso calma, pois não podemos perder aquilo que nos torna verdadeiros cristãos: o amor! Tarefa muito complicada, eu confesso, mas no fim,  o que deveríamos esperar? Precisamos mesmos nos incomodar a cada vez que o mundo produz frutos digno do mundo?

” Meus irmãos, pode acaso uma figueira produzir azeitonas, ou uma videira figos? Nem tampouco pode uma fonte de água salgada dar água doce.” Tiago 3:12 

Estamos esperando que do mundo brotem manifestações de respeito e crença em Jesus? Estamos esperando que o mundo magicamente se dobre de joelhos e confesse seus pecados sobre um trio elétrico?  Porque deveríamos nos incomodar quando figueiras produzem figos e fontes de água salgada produzam água salgada?

O que deve de verdade nos incomodar é quando nós, seguidores de Cristo, agimos como o mundo. Quando criticamos a vida sexual de um terceiro enquanto escondemos nossos vídeos pornográficos ou fazemos sexo fora do casamento, antes ou depois deste. Quando chamamos o próximo de promíscuo mas secretamente olhamos para a cruzada de pernas de uma mulher que se assente próximo de nós. Estaremos nós mesmos caindo no conto do “Pecadores x Cristãos”, nos esquecendo de nossas transgressões para cuidar das transgressões dos outros? Se este for o caso para alguns, então uma profunda reflexão é urgentemente necessária.

Para aqueles que não conhecem ao Pai, nem ao Filho e nem ao Espírito Santo, e Deles fazem zombaria, e insistem em crucifica-los, Jesus diria: ““Pai, perdoai-os porque eles não sabem o que fazem.”

E para nós, que conhecemos e seguimos a Jesus, que temos Sua palavra em nossas mentes e a ajuda do Espírito Santo para discernir entre o certo e errado, o que diria Jesus para nós quando igualmente zombamos e pregamos Suas mãos no madeiro com nossos próprios pecados?

Acredito que devemos nos indignar menos com os pecados do mundo, e devemos nos indignar mais com nossos próprios pecados.

Eles estão errados. Estão muito errados!  Mas eles podem ao menos se justificar. Afinal de contas, eles não sabem o que fazem.

E nós? Que desculpa temos para continuar pecando?

Um abraço!