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Lari

Sobre Lari

Nome: Larissa Martins Mendes. Belo Horizonte, 1992. Hoje, aos 22 anos de idade é estudante de Letras Inglês na Universidade Federal de Minas Gerais & dedica seu tempo trabalhando com o ministério para jovens, Alvo da Mocidade, com o enorme amor que tem por eles e pelo Evangelho.

Onde está o meu irmão?

 O filho lhe disse: ‘Pai, pequei contra o céu e contra ti. Não sou mais digno de ser chamado teu filho’.22 “Mas o pai disse aos seus servos: ‘Depressa! Tragam a melhor roupa e vistam nele. Coloquem um anel em seu dedo e calçados em seus pés. Tragam o novilho gordo e matem-no. Vamos fazer uma festa e comemorar. Pois este meu filho estava morto e voltou à vida; estava perdido e foi achado’. E começaram a festejar. “Enquanto isso, o filho mais velho estava no campo. Quando se aproximou da casa, ouviu a música e a dança. Então chamou um dos servos e perguntou-lhe o que estava acontecendo. Este lhe respondeu: ‘Seu irmão voltou, e seu pai matou o novilho gordo, porque o recebeu de volta são e salvo’. “O filho mais velho encheu-se de ira, e não quis entrar. Então seu pai saiu e insistiu com ele. Mas ele respondeu ao seu pai: ‘Olha! todos esses anos tenho trabalhado como um escravo ao teu serviço e nunca desobedeci às tuas ordens. Mas tu nunca me deste nem um cabrito para eu festejar com os meus amigos. Mas quando volta para casa esse seu filho, que esbanjou os teus bens com as prostitutas, matas o novilho gordo para ele! (Lucas 15:21-30, NVI)

Esse é o retrato da Igreja. Dia a dias os filhos perdidos estão retornando pra casa. Indignos aos próprios olhos, contrariamente são recebidos com festa e alegria. Estão feridos, mas estão arrependidos.

Logo ali, está também o seu irmão, irado e contrariado. Na conduta exemplar e na proximidade com o pai, esconde um coração pobre e seletivo: “Como pode meu irmão retornar depois de tudo o que fez? Como pode ele entristecer o meu pai e voltar para casa em clima de festa? Como pode meu pai se esquecer e receber de braços abertos?”

Caro irmão mais velho, nós vamos festejar!

Bom dia.

Apagão

Ontem acabou a luz.

Juntaram-se logo num mesmo lugar. Um feixe restante de brilho rodeado. Reunidos no espaço e tempo. Surgiu ali um único assunto, um único variado riso, uma só música. Comida. Alegria. Pensamento. Espírito.

E ficaram assim, juntos. Reunidos.

Não queriam estar cegos. Não queriam estar sozinhos no escuro. Não queriam tropeçar nem ter medo. Eles só queriam luz.

Eu sou a luz do mundo.
(Jesus Cristo)

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Homens, mulheres & canetas de Deus

Como menininha de muitos caprichos, aprendi a pintar e bordar os meus escritos. Mamãe dizia que os olhos cansavam de folhear os deveres, tantas eram as cores e brilhos. Da característica de menina, fiz a analogia. Dum bate papo que surgiu sobre canetas, falamos sobre ser homens e mulheres de Deus.

Nas mãos de Deus, escrever história é literatura mais preciosa. Falar de vida é metalinguagem. Pintar e bordar é inevitável.

Seriamos canetas, você e eu. Feitas para grifar, delimitar margens, escrever textos longos, escrever textos curtos, escrever palavras especiais, escrever com traços grossos, ou com traços finos. Escrever para apagar, escrever pra nunca apagar. Escrever histórias de amor. Escrever histórias de dor. Escrever colorido, escrever de preto. Escrever com brilho. Escrever bem fosco. Escrever desenho. Escrever palavra. Escrever uma página. Escrever um livro.

Canetas diferente, mas todas canetas. Diferentes funções, mas todas canetas e feitas para escrever uma história. Se canetas num estojo,  paradas, são inúteis.

Naquele dia respondemos a pergunta: mas o que é ser homem ou mulher de Deus?

É escrever história, sair do estojo e deixar de ser apenas mera caneta, para ser caneta de grifos ou caneta de margens. Um objetivo, função, sentido, individualidade. É além de escrever história, escrever a história do autor. Senhorio, escravo, servo – de Deus.

Canetas no estojo são só canetas. Assim como canetas perdidas fora do estojo, são canetas de outro dono. Canetas de grifo que escrevem textos longos e logo se cansam. Canetas de textos que fazem grifos. Canetas escuras que querem colorir mas nunca colorem. Canetas nas mãos erradas escrevendo palavras erradas, que logo voltam pro estojo e se perguntam por que são canetas.

Muito bom

Livrem-se, pois, de toda maldade e de todo engano, hipocrisia, inveja e toda espécie de maledicência. Como crianças recém-nascidas, desejem de coração o leite espiritual puro, para que por meio dele cresçam para a salvação, agora que provaram que o Senhor é bom. (1 Pedro 2:1-3)

Agora que provaram que Ele é bom. 

Depois de um capítulo de palavras tão cheias de amor e desejo profundo pela santidade, Paulo chama minha atenção no versículo 3. Uma nota arrasadora!

Não que se assim não houvesse – uma prova pessoal da bondade de Deus, quaisquer conduta estaria justificada. Tão somente porque assim o é – Deus é bom!, que retomei ao capítulo 1 com anseio enorme pela santidade pessoal.

Numa conversa mês atrás, deparei-me com a pergunta simples, mas profunda: “Deus tem sido bom com você?”. Tenho provado diariamente da imensa bondade daquele que é o meu Senhor, e respondido repetidas vezes: “sim!”.

Inevitavelmente, as exortações de Paulo (1Pe 1:13-25) ganham profundo valor e tornam-se uma necessidade indiscutível;

Como filhos obedientes, não se deixem amoldar pelos maus desejos de outrora, quando viviam na ignorância. (1 Pedro 1:14)

Nos muitos maus desejos de outrora um risco enorme de conformismo. Contra a ignorância que insiste em persistir, um chamado a obediência.

Mas, assim como é santo aquele que os chamou, sejam santos vocês também em tudo o que fizerem,pois está escrito: “Sejam santos, porque eu sou santo”. (1 Pedro 1:15-17)

Nesse sábado a minha lembrança é que Deus é bom e tem sido bom. Que a minha ignorância é vencida pela minha esperança em Cristo & obediência Aquele que chama.

Deus tem sido bom com você?

 

Eu individual

Das tantas da caminhada cristã, sou admiradora do papel fundamental que exercem as referências sobre nossas vidas. Da maneira indiscutivelmente sábia que nos foi dado o privilégio de o ser e também ter. E do amor de Deus personificado.

E é nesse contexto de admirações que dois personagens me saltaram os olhos. O filho de Ana, menino Samuel, que servia a Deus e crescia em estatura e graça diante dos homens e de Deus, supervisionado por Eli , o profeta, nos dias em que as palavras do Senhor eram muito raras e as visões não eram frequentes.

O texto de 1 Samuel 3 me chama muita atenção. Pelo relacionamento tanto quanto pelo chamado individual e pessoal de Deus.

As Escrituras contam que o Senhor chamou a Samuel por três vezes e, por três vezes Samuel foi até Eli, “Ora, Samuel ainda não conhecia o Senhor. A palavra do Senhor ainda não lhe havia sido revelada.” (1 Samuel‬ ‭3‬:‭7‬ NVI)

Aqui, o meu apreço pelo relacionamento admirável, que acrescenta, ensina e ama. Acredito que assim seja com as nossas referências, prontos e obedientes, aprendemos atender as suas palavras muito sábias e cuidadosas. Samuel era assim, ao primeiro chamado não reconhecido de Deus, ele acreditou ser a voz de Eli e respondeu: “aqui estou. E correu até Eli.”. Por uma segunda e terceira vez, Samuel se levantou e foi até Eli, pois este o havia chamado.

E foi então que “Eli percebeu que o Senhor estava chamando o menino e lhe disse: “Vá e deite-se; se ele chamá-lo, diga: ‘Fala, Senhor, pois o teu servo está ouvindo’ ”. Então Samuel foi deitar-se. (‭1 Samuel‬ ‭3‬:‭8-9‬ NVI)

Eli conhecia a Deus. Da instrução o menino foi direcionado a própria Voz. Sem intermédio ou interpretação, era Samuel e o próprio Deus. Ali, meu apreço pelo chamado individual e pessoal de Deus.

“O Senhor voltou a chamá-lo como nas outras vezes: “Samuel, Samuel!” Samuel disse: “Fala, pois o teu servo está ouvindo”. E o Senhor disse a Samuel:..”(‭1 Samuel‬ ‭3‬:‭10-11‬ NVI)

Aprendo e reaprendo sobre a alegria e o presente de encontrar vestígios do conhecimento e caráter de Deus no outro. Do aprendizado inerente e do auxílio bem-vindo e adorável. A personificação. Indiscutível e primordialmente, da necessidade de reconhecer a voz de Deus através dos nossos próprios ouvidos.

Então Eli disse: “Ele é o Senhor; que faça o que lhe parecer melhor”. Enquanto Samuel crescia, o Senhor estava com ele e fazia com que todas as suas palavras se cumprissem. (‭1 Samuel‬ ‭3‬:‭8-9, 18-19‬ NVI)

“Porque sim!”

A frase é mesmo dum típico humor educado e intrinsecamente egoísta. Um ponto final para perguntas sem respostas ou para respostas longas demais, complicadas demais ou simples demais.

De conversas ordinárias ou papos pro ar, são ligeiros pontos finais dum milhão de pensamentos inexprimíveis. Egoísta. Humor egoísta.

Da boca de quem sente preguiça, de quem não gosta de render ou quer manter a razão. Egoísta. Educadamente egoísta.

Do que se basta e  não procura controvérsias ou mudança de pensamentos. Dono da última palavra. Egoísta. Intrinsecamente egoísta.

“Mas porque que sim não é resposta!” para quem tem perguntas, bem como porquês não são perguntas para quem tem todas as respostas.

&, assim, nos colocamos de um lado ou de outro. Eu e você.

Bom dia de domingo!

(DES)CULPA: um alívio necessário

Colocaram a culpa nas estrelas e logo se esqueceram. Do choro, do medo, da história. Voltaram para casa, convencidos da injustiça da vida ao contrário da justiça da morte.(http://www.outrasfronteiras.com.br/blog/aculpaeminha)

Tentamos preencher o vazio de perguntas sem respostas com a culpa. Culpa de alguém. Não bastante seriam as estrelas, quanto menos eu mesma.

Dona de todas as histórias e sonhos do mundo. Alguns mais longos outros mais curtos, simples ou pomposos, tristes ou felizes, famosos ou ordinários. Ela eu conheci primeiro, sem ter na memória a primeira vista, sei que foi a primeira. Não conheço que não tenha a conhecido, se não a conheceu não existiu. Se deixou de existir, conheceu. Todos a carregam bem no peito e de tão cegos acreditaram tê-la, fizeram-se donos sem mesmo poderem deterem-na, mas o fizeram. Donos da própria e da dos outros, uns mais da sua outras mais do outro. Fizeram dela deusa, para a maioria, o bem mais precioso a todo custo_ espaço, tempo e dinheiro.

Carrega como justiça seu próprio fim, mas prometeram-lhe a eternidade. & Se hoje falo dela, é porque não me convenci da sua injustiça.

Do pecado a culpa que leva à morte. Da graça (des)culpa que traz de volta a vida.

E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu Filho. (1 João 5:11)

A culpa é minha

Lembro da vez que a vi pela primeira vez, não que não a conhecesse, de ouvir falar ou avistar de longe, mas lembro bem é da primeira vez. Ela não é do tipo que se esquece, ainda não conheci quem o tenha feito.

Há os que a ignoram, dizem vê-la de muito longe e, por vezes, fingem não ver. Há também os que a aceitam como ela é, sem maiores curiosidades, acostumaram-se. Os que a odeiam tentam evitá-la a todo custo, ainda que para isso se ponham cara a cara. Uns convivem perto, aprenderam a preferi-la antes de muita coisa, desses eu digo, completamente enganados. Muitos são os amedrontados, vivem para adiar o encontro e apenas isso.

Se veste de bela ou de fera. Misteriosa. Muitas são as perguntas nunca respondidas por ela,e muitos mais foram os que se encontram com ela sem, contudo, trazerem respostas. E há os que continuam a fazê-las.

Ela é famosa. Dona de muitos filósofos, deusa de muitos poetas, atriz principal de belos romances. Ela arranca choro e gemido. Palavras bonitas e arrependidas. Comove. Não há um sequer que não tenha a conhecido.

Divergente são as opiniões sobre ela. Sabe-se que arranca o sopro e a batida. Dizem ser início. Mas dizem também ser fim. Dizem fracasso, mas esperança. Injusta, mas justa. Salário, mas lucro.

Foi numa noite dessas que vi os muito soluços por causa dela, num desses filmes adaptados dos best-seller. Não que fosse querida por si mesma, mas por que fora quem com ela se tinha ido. Colocaram a culpa nas estrelas e logo se esqueceram. Do choro, do medo, da história. Voltaram para casa, convencidos da injustiça da vida ao contrário da justiça da morte.

Valor(es)

Fogo, ferro, ouro, petróleo. Dinheiro.

É de muito tempo que se atribui demasiado valor a alguma coisa. Chamaram-se riquezas e dominaram o mundo. Tornaram-se sonhos e felicidade. Tristeza, ansiedade e pobreza. Desejo, necessidade e prioridade. E nós as amamos.

De tão especial têm sua raridade. Difíceis de encontrar, delicados, de profundezas. Pra poucos, muito e pra muitos, pouco. Se assim não fosse, não seriam ouro.

E, enquanto olhamos pra de baixo da terra. Esquecemos do bem mais raro: delicados e de profundezas e, mais do que difíceis, impossíveis de encontrar se quer um igual a outro.

Homem. Eu e você. A quem Um encontrou valor e amou.

Por isso vos digo: Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestuário?
Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas? (Mateus 6:25-26)

O bom amigo

Era antes do sol nascer quando pus os pés no chão frio. O frio ansioso na barriga, o bom ânimo e a alegria pareceram maiores que o corpo doente e o sono acumulado das anteriores manhãs do mesmo ritmo.

O banho quente, a mochila cheia, uma última olhada na lista de lembretes, e uma hora de quebra cabeças pra fazer caber o mundo de papel nas quatro rodas. Café na mão, sai.

Uma manhã onde o ritmo andava de impasse com o corpo. O vazio virava cor. Pessoas corriam, se sujavam, sorriam, se incomodava, comemoravam e corriam de novo.

Uma manhã de muitas histórias, das quais escolhi a ligação entre um corre e o outro. Da voz familiar, muito amiga mas inesperada. De quem não precisava estar ali, de quem não tinha motivos pra se preocupar. De quem apenas quis estar ali: “Só quero saber como posso te ajudar hoje; te levo comida?”

O dia passou, quase acabou e, da voz amiga voltei a ouvir carinho, a lembrança de me cuidar e curar, o simple desejo pelo bem meu estar. Muito amor.

Alegria enorme é saber que tempos uma família, pessoas que não precisavam estar ali, que não tinham motivos para se preocupar, mas apenas escolheram estar ali. Amigos.

Obrigada!

Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros. (Rm 12:10)

Ótimo domingo.