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Homero Castro

Sobre Homero Castro

Nome: Homero Resende Castro Nasci em 1979 em Belém do Pará, moro em Belo Horizonte desde 1989. Sou formado em História pela Universidade Federal de Minas Gerais. Desde 1999 trabalho como missionário na associação Alvo da mocidade. Eu e minha maravilhosa esposa, Camila temos duas filhinhas lindonas, Helena e Elisa, e uma sapeca cadela chamada Leona.

Encontro

“E trocaram a glória do Deus imortal por imagens feitas segundo a semelhança do homem mortal…” Romanos 1:23

Creio que uma das imagens que o homem esteja criando no que se refere à relação com Deus é a do “encontro”.
Do encontro religioso entre homem e Deus sai o homem cheio de si, regozijante, pleno, satisfeito. São esses “encontros” que por aí brotam em testemunhos sob os mais variados grupos cristãos e grupos “espiritualistas” em nossa sociedade. No entanto, se passarmos pelo crivo da Bíblia, poderíamos afirmar (ou duvidarmos muito) se isso não seria um falso encontro com Deus ou um encontro com o “Não deus” criado segundo a semelhança “do homem mortal”.
Creio que encontros verdadeiros com Deus nos tira pretensões, quebra arrogância, auto-suficiência, a piedade religiosa, a fé vencedora. Esse encontro nos chama a pensar a falta, nos traz novas compreensões, novos deveres e serviços. Foi assim com Moisés (que esconde seu rosto e coloca suas fraquezas), foi assim com Jacó (que temeu aterrorizado), com Isaías (que se avaliou negativamente perante Deus), com Paulo (caiu por terra em cegueira, perguntando “que queres que eu faça?”). Todos feito em um contexto de muito temor e respeito!

Encontros esplendorosos entre o cristão “pop” e o Deus “rastafari” não me convencem e creio que não convenceriam nenhum desses homens acima!

Que tipo de “encontro” você tem tido?

Abraço e até a próxima!

O leão e “a Cabana”

Na última semana tive a oportunidade de assistir dois filmes. Convidei minha filha de 7 anos para assistir o primeiro filme do “Crônicas de Nárnia” (daqui a pouco falarei sobre essa experiência) e tive a oportunidade de assistir a estréia do filme “A cabana”.
Falando primeiramente sobre esse último filme, baseado em um “best seller” mundial. O filme , como o livro, é controverso. Não é meu intuito aqui ficar descrevendo todos os pontos teológicos, até porque não me sinto capaz. Sem me aprofundar, posso questionar e ressaltar…
Ele passa uma visão correta sobre a trindade? creio que não!
Ele pode passar uma visão universalista (ou “reconciliação total”)? Hummm, talvez!
Ele tende a criar sentimentalismo religioso tão comum no meio gospel? Sem dúvida!
Ele peca ao superestimar o papel do homem e subestimar o papel de um Deus juiz e soberano? Sim!

Então você não o indicaria? Sim, eu o indicaria!

“Examinai tudo. Retende o que for bom.” (1 Tessalonicenses 5:21)

Fico com o conselho de Paulo. Tem coisas boas para reter? Tem!
A forma como mostra a necessidade de perdão e ser perdoado para que a vida siga em frente é um exemplo de algo que pode ser retido. Inclusive o fato de lutar para perdoar aqueles que já passaram pela sua história e não estão mais vivos. O perdão como uma decisão racional e que é seguida, com o tempo, pelo seu sentimento, é algo a ser retido.
Sabe o que me cansa às vezes no meio cristão? Os guardiões da boa doutrina que criticam tudo e todos. Essa atitude é presente na vida daqueles que conhecem (ou julgam conhecer) o “pacote completo” de Deus. Eu perguntaria para essas pessoas, que obra de arte na história da humanidade consegue apresentar Deus? Desafio qualquer um a me apresentar uma obra. Não falta muito para começarmos o “INDEX” da pós modernidade, já teriamos uma grande lista para entrar na fogueira. É tão difícil assistir a um filme, depois sentar com seus amigos e conversar sobre coisas ruins e boas do filme? Sem ter que ser um atalaia da verdade impedindo todos de assistirem, pois você viu e sabe que é do mal. Tendo,inclusive, que pesquisar a vida do autor em sites de fofoca gospel.
O que falar da reconciliação entre pai e filha no fim do filme? o que falar da atitude da esposa? Tem coisas a serem retidas, e são as mais práticas. Aquelas que, muitas vezes, os “Pitbulls” da fé fogem, se escondendo atrás de discussões sem fim sobre a trindade.
Podem causar estragos? Podem! Assim como muitos escritos de Lutero causaram! Mas aprendi, ao longo dos meus anos de ministério, que Deus não precisa ser defendido. Na verdade Ele nos defende, a todo o momento.

Voltando agora para o “Crônicas de Nárnia”… na expectativa que o filme cria sobre a chegada de Aslam, o grande leão, minha filha dizia: “Papai, estou com medo!”. Quando o leão aparece, ela ganha paz, pois ele parece bom. Em certo momento do filme, a feiticeira coloca em dúvida uma promessa do leão, e ele rosna ….de forma agressiva, mais medo! No climax do filme, quando o leão é sacrificado, minha filha diz: “Ah não, que filme chato! Porque o leão tem que morrer. ele é bom!” Na ressurreição e na vitória da guerra, ela demonstrava alegria. E no fim, ao vê-lo caminhar na praia até desaparecer ela diz: “Papai, para onde ele vai?”
Expliquei para ela que a história do Leão era contada em 7 livros, e ela logo disse: “Eu quero ler!” Falei com ela que era muito grande e ela disse: “eu quero!” Peguei o livro, passei para ela, acho que se assustou com o tamanho. Abriu, leu uma página e deixou na cabeceira de sua cama. O que ela vai aprender ali? Um leão que é amável, mas que é soberano. Que é acessível, mas misterioso. Que aparece quando quer e desaparece sem dar satisfações. Que ruge alto pelas injustiças e pelo mal, mas que aceita carinho na juba feito por uma criança. No fim do papo perguntei para ela quem era o leão no nosso mundo e ela respondeu: “Jesus!”
Meu desejo é que ela seja amiga desse leão. Sendo amiga do leão ela vai saber reter o que é bom, sem medo de entrar na cabana. Sabendo que a cabana é pequena demais para todo o tamanho do leão. Tamanho inclusive, que ela nunca vai conseguir dimensionar.

Gosto muito da forma como o C.S.Lewis representou Jesus em Aslam, “o leão não domesticado!”

Esse leão não domesticado não pode ser enjaulado na cabana e nem pelos “guardiões da fé”. Que possamos segui-lo, deitado aos seus pés. Aprendendo com cada rosnado, com cada ensino, com cada batida de seu coração. Para que, dessa forma e por graça de seu poder, possamos ser cada dias mais parecidos com Ele.

Abraço e até a próxima!

Os dois caminhos na “busca” pela alegria

Vivemos em uma sociedade instantânea. Essa sociedade (Assim como todas as outras) desenvolve (ou tenta desenvolver) suas respostas aos anseios dos seres humanos. Um dos anseios humanos é como ser alegre? A resposta vem “instantaneamente”: pela substituição!
Está chato? Mude!
Acabou o amor? arrume outra(o)!
O casamento está te fazendo infeliz? Substitua!
O trabalho te estressa? Troque!
O amigo te pressiona? Conheça novas pessoas!
O computador está ultrapassado? compre um novo!
A rotina está te matando? Viaje!
A Igreja é fraca ou falha? encontre outra!
Simples! O caminho da suposta alegria é a “substituição”. Mas será que funciona? Creio que não!

O caminho de Jesus para a alegria nunca foi o de substituição mas o de transformação:
“A mulher que está dando luz sente dores, porque chegou a sua hora; mas, quando o bebê nasce, ela esquece a angústia, por causa da alegria de ter vindo ao mundo um menino” João 16:21
Em um momento de questões emocionais fortes para seus discípulos, Jesus lança essa analogia. “Vocês passarão por dores, mas vale a pena! Deus está no comando, e te ama. A dor será transformada, creia!”

E foi assim com José – de escravo a prisioneiro, de prisioneiro a segundo homem mais importante do mundo na época. Um homem que pode dizer para os irmãos que o venderam como escravo: “Vocês planejaram o mal contra mim, mas Deus o tornou em bem, para que hoje fosse preservada a vida de muitos.”(Gn50:20)
E foi assim com Davi que escreveu belíssimos salmos enquanto enfrentava forte oposição, muitos deles transbordando alegria em meio a dores.
Foi assim com Jesus que transformou o símbolo maior de humilhação e vergonha, a cruz, na maior vitória e glória da humanidade.
A substituição é a forma imatura e instantânea de resolver os problemas, talvez essa seja uma das respostas para o fato de nossa geração ser a mais imatura e mimada da história.
Não há como crescer em uma sociedade que não suporta e espera por transformação!

Substituição ou transformação? Qual é o caminho que tem percorrido?

Abraço e até a próxima!

A pergunta crucial

“Isaque disse a seu pai Abraão: “Meu pai! ” “Sim, meu filho”, respondeu Abraão. Isaque perguntou: “As brasas e a lenha estão aqui, mas onde está o cordeiro para o holocausto? ”
Gênesis 22:7

Podemos fazer tudo com excelência!
Podemos pensar em tudo!
Podemos andar na linha!
Podemos ser bons pais, amigos, maridos, esposas, filhos!
Podemos não faltarmos nenhuma reunião cristã e nem acampamentos!
Podemos seguir os mandamentos!
Podemos ter nosso grupinho de estudo bíblico!
Podemos testemunhar sobre Jesus!
Podemos ser bem sucedidos socialmente e financeiramente!
Podemos ter muitos diplomas!

Mas no fim….
a pergunta crucial ainda continua sendo a de Isaque para seu pai:

“Onde está o cordeiro?”

Abraço e até a próxima

O cuidado com a Arca (Parte 2)

Semana passada falei um pouco sobre a arca da aliança e a forma como Deus quis que ela fosse “carregada”. A arca representava a presença de Deus. Creio que hoje, todos aqueles que compreenderam o que Jesus fez na cruz e creem carregam a arca dentro de si. A presença de Deus é acessível (“está próxima” e se torna “dentro”). Mas o que podemos aprender com as coisas que existiam dentro da arca? Talvez essas coisas nos ensinem o que devemos “carregar” dentro de nós enquanto levamos a presença de Deus.
1°: Lei – Se quisermos carregar a arca da presença de Deus precisamos ter consciência de sua lei… de sua palavra. A lei de Deus poderia ser comparada à função de um esqueleto em nossos corpos. Sem essa estrutura não conseguimos ter forma, mobilidade, força.
2°: Vara – A vara de Arão que simboliza o poder de Deus em um momento de libertação de seu povo no Egito, mas também simboliza a correção e disciplina. Precisamos carregar conosco a vara da correção (para ser usada em nós mesmo primariamente e, posteriormente, com aquelas pessoas que Deus tem colocado em nosso caminho de peregrinação).
3°: Maná – A doçura e energia do Maná. A lei e correção são necessárias, mas o maná traz o equilíbrio necessário para que a presença de Deus seja vivida dentro de um ambiente saudável de alimento e amor.

Como você avalia esses três componentes da arca em sua vida? Em sua peregrinação?

Abraço e até a próxima

O cuidado com a arca (Parte 1)

“Mande fundir quatro argolas de ouro para ela e prenda-as em seus quatro pés, com duas argolas de um lado e duas do outro.
Depois faça varas de madeira de acácia, revista-as de ouro
e coloque-as nas argolas laterais da arca, para que possa ser carregada.
As varas permanecerão nas argolas da arca; não devem ser retiradas.”
Êxodo 25:12-15

A arca era a representação da presença de Deus. Esses versos acima nos mostram os cuidados com a movimentação dela, e nos ensina muito. Precisamos entender que a arca é móvel. A urgência de movimento é visto na preocupação de Deus em colocar 4 argolas em suas extremidades. Para alguns pais da Igreja, esse pedido representava a necessidade da presença de Deus se deslocar pelos 4 cantos do mundo. O evangelho exige mobilidade, urgência, movimento!

Mas como seria carregada?

Através de varas de madeira de acácia, revestidas de ouro. Homens e mulheres corajosos e perseverantes que carregam a arca. As varas não tem significado e nem propósito senão pelo fato de carregar a arca. As varas “não devem ser retiradas” das argolas. Homens e mulheres que carregam o evangelho (como essas varas) devem estar encaixados aos 4 cantos do mundo, levando o que há de mais precioso para a humanidade: a presença de Deus!

Como você se avalia como uma “vara de carregar arca”?

Abraço a até a próxima!

Sobre espadas e cálice

“‘Sim, o que está escrito a meu respeito está para se cumprir’
Os discípulos disseram: ‘Vê, Senhor, aqui estão duas espadas.’
‘É o suficiente!’, respondeu ele.” Lucas 22:37-38

Pedro ouviu isso logo antes de Jesus ser preso. Essas palavras talvez tenham levado ele a dar uma demonstração clara de zelo sem conhecimento. Naquela noite a vida de Pedro passou por muitas situações. Ele cometeu todos os erros possíveis (eu também cometeria!): Não aceitou o que Jesus lhe disse sobre negação, adormeceu a invés de orar, falou quando deveria ouvir… e… puxou a espada! Queria lutar contra o inimigo errado, usando a arma errada , com a motivação errada e com o resultado frustrante.
Em dias de discussões políticas sobre um “estado cristão”, onde as minorias deveriam se curvar a esse estado, é sempre bom lembrar que enquanto Pedro carregava a espada, Jesus carregava o cálice!
Quem deve se curvar a quem (obrigado, Lengo, por me lembra disso)?
O que o cristão deve ter em mãos?
É triste quando cristãos bem intencionados tomam a espada para “defender” o Senhor Jesus Cristo. Ele censura essa defesa e se entrega na cruz.

P.S.: Texto em homenagem ao meu amigo Lengo, apesar das diferenças e provocações, é muito bom poder lutar para seguir Jesus ao seu lado!
Abraço e até a próxima

“Suas feridas nos curaram”

O nome desse post é um verso do livro de Isaías (53:5). Esse verso me remete à vida de Tomé. Um homem que “exigiu” se encontrar com as feridas de Cristo. Certa vez o Papa Gregório Magno disse: “A incredulidade de Tomé foi mais útil à nossa fé do que a fé dos discípulos crentes”. A dúvida de Tomé talvez seja uma negação de uma ressurreição infantil. Talvez fosse necessário não o fato de ver Jesus ressurreto mas sim o Cristo ferido ressurreto. O homem Jesus foi massacrado, o Cristo glorificado não esconde e nem nega essas feridas. As feridas no corpo ressurreto de Cristo me ensina um mistério pascal mais real. A vida deixa marcas, feridas. A ressurreição não as nega, mas as leva a um novo significado. Eu só conseguiria crer em um Deus que me mostrasse suas chagas, e talvez o mesmo ocorria com Tomé. E é nas feridas do mundo que conseguimos nos aproximar do Cristo ressurreto. Onde existe ferida, existe um Deus próximo e compassivo. Aquele que demonstra com seu Olhar e consolo: “Eu sei bem como é essa dor”.
Que nossas feridas e as feridas do mundo nos aproximem daquele que com suas feridas nos cura!

Abraço e até a próxima

Quando a matemática não fecha

Sabe aquela questão matemática que quando você se depara parece sem solução?
Veja o seguinte versículo:

“Tornei-me tudo para com todos, para de alguma forma salvar alguns” (I Co.9:22b)

Tudo + Todos: Alguns

Que matemática é essa?

Tonar-se “tudo” é um preço muito alto… desgastante… abnegação imensa.
“Para com todos” é muita gente… que pluralidade… quanta diversidade.

Ah… mas quando você participa do “salvar alguns” você vê, surpreendentemente, que a matemática não fecha!
Sabe por que?
Porque todo o preço do “tudo” e do “todos” se tornam muito pequenos para o grande privilégio de vivenciar a salvação de alguns!
É impressionante como esse “alguns” se tornam sua companhia, sua alegria, sua família, sua comunhão.

Obrigado a cada um desses “alguns”, creio que sabem quem são. Obrigado pelo privilégio de poder ver Deus agindo na vida de vocês e poder ter a certeza que a matemática não fecha mesmo!

Abraço e até a próxima!

Em quem tenho me tornado?

Os ídolos deles, de prata e ouro, são feitos por mãos humanas.
Têm boca, mas não podem falar, olhos, mas não podem ver;
têm ouvidos, mas não podem ouvir, nariz, mas não podem sentir cheiro;
têm mãos, mas nada podem apalpar, pés, mas não podem andar; nem emitem som algum com a garganta.
Tornem-se como eles aqueles que os fazem e todos os que neles confiam.
Salmos 115:4-8

Triste pensar sobre essa possibilidade de fim…
Me tornar o sexo…
Me tornar o meu trabalho…
Me tornar o em poder…
Me tornar meu time de futebol…
Me tornar meu hobby…
Me tornar dinheiro…

Essa transformação vem acompanhada com o fato de…
não termos mais o que falar…
não termos mais como olhar com os olhos da fé, o olhar misericordioso, o olhar sobre a criação…
Deixarmos de ouvir o próximo e o nosso verdadeiro Deus…
Deixarmos de sentir o aroma agradável de Cristo…
Deixamos de lado o tato, o contato, o abraço, o carinho…
Os pés deixam de nos levar aos lugares altos, não nos enviam a anunciar as boas novas…
O silêncio e a solidão tornam-se companheiros do dia a dia…

Que possamos mirar no único Deus verdadeiro! Meu desejo é me tornar como Ele! Aquele que enche minha boca de boas novas. Que me estimula a olhar ao próximo e desenvolver olhos de fé. Que me chama a ouvi-lo e a ouvir o próximo. Que me faz sentir cheiros melhores que as das mais preciosas especiarias. Desenvolve meu tato, meu contato. Que me faz subir aos lugares altos para contempla-lo. Que me faz emitir palavras de gratidão, confissão, salvação e edificação.
Um Deus vivo nos transforma em “humanos vivos”
Que assim seja!

Abraço e até a próxima!