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Uns mais iguais que os outros

Dizem que “quem canta seus males espanta”. Hoje acordei cantando parte de uma música, mas nem sei explicar por que. Há muito não escuto Engenheiros do Hawaii. Mas me identifiquei com as palavras de Humberto Gessinger e posso aplicá-las facilmente aos dias atuais. Minha leitura é que quem canta se espanta com os males.

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“Há tantos quadros na parede

há tantas formas de se ver o mesmo quadro

há palavras que nunca são ditas

há muitas vozes repetindo a mesma frase

(ninguém = ninguém)

me espanta que tanta gente minta

(descaradamente) a mesma mentira

todos iguais, todos iguais

mas uns mais iguais que os outros”

                                                                                   Ninguém = Ninguém, Engenheiros do Hawaii

O que me espanta é que tanta gente acredite nas mesmas mentiras. Todos iguais, mas uns são mais iguais que outros.

(In)consciente

Existem dizimistas de todos os tipos. Quantos são os que questionam e duvidam do que os lideres das instituições cristãs fazem com o dinheiro doado por seus fieis? Os que concluem que seus recursos estão sob a suspeita de estarem sendo manipulados em benefício do pastor, bispo, sei lá. Ficam desanimados, por desviarem o olhar de Jesus e passam a enxergar o vento do pecado que sopra por todo lado.

Alguns gostam de trocar figurinhas com Deus. Dão a nota de 1 real na expectativa de que Deus dê a de 100 reais. Creem numa relação de custo benefício, na perspectiva de que existe uma transação, e como toda transação, querem levar vantagem.

Tem os que se alegram na instituição da qual fazem parte, que acreditam na visão e nos milagres que observam. E se alegram por ver que a visão que vêm de Deus transforma.

Outros crêem no princípio. E ao lerem as paginas das escrituras veem claramente um Deus que deseja ter entregue aquilo que Lhe pertence. Que enxergam no dízimo a possibilidade de viverem através de uma generosidade que não é caridade, é adoração.

E por fim, os conscientes. Conscientes de todos estes conceitos. Que são capazes de dar o mais lindo discurso sobre a importância da contribuição, sobre a necessidade dos que trabalham pela causa de Cristo e promovem belos sermões sobre os líderes religiosos cegos. Mas incapazes de enfiar a mão no bolso e não aprendem com a compaixão de Jesus, e não conhecem o privilégio de adorar através da piedade que é fonte de contentamento. Talvez não estejam tão conscientes como aparentam.

Nem prata, nem ouro.

1Pedro e João subiam ao templo à hora da oração, a nona.    2E, era carregado um homem, coxo de nascença, o qual todos os dias punham à porta do templo, chamada Formosa, para pedir esmolas aos que entravam.    3Ora, vendo ele a Pedro e João, que iam entrando no templo, pediu que lhe dessem uma esmola.    4E Pedro, com João, fitando os olhos nele, disse: Olha para nós.    5E ele os olhava atentamente, esperando receber deles alguma coisa.    6Disse-lhe Pedro: Não tenho prata nem ouro; mas o que tenho, isso te dou; em nome de Jesus Cristo, o nazareno, anda.    7Nisso, tomando-o pela mão direita, o levantou; imediatamente os seus pés e artelhos se firmaram    8e, dando ele um salto, pôs-se em pé. Começou a andar e entrou com eles no templo, andando, saltando e louvando a Deus. (At 3.1-8)

Prata e o ouro não validam a entrada no templo para que se possa adorar o Deus Vivo. Levam a esmolar ainda mais riqueza. Não vão levantar o coxo, pelo contrário, alguns vivem coxos por sua presença constante. Não vão olhar nos olhos, nem mesmo estender as mãos. Aliás, coxo é quem os olha com expectativa de receber alguma salvação.

Aprenda a olhar atentamente pra Deus. O Deus que não tem prata nem ouro, mas nos deu tudo o que tem: Jesus Cristo. O nome capaz de estender a mão forte que levanta, que nos permite caminhar, entrar no templo, saltar e louvar.

Não é a prata, nem mesmo o ouro. Apenas um nome.

Riquezas do Cotidiano

De repente uma amiga despretensiosamente lê para você um poema de Arnaldo Antunes que marcou seu dia. Marcou mesmo. E por isso compartilho e agradeço à minha amiga Lorena Mariano pela leitura aleatória rica de reflexão.

“Eu apresento a página branca.

Contra:

Burocratas travestidos de poetas
Sem-graças travestidos de sérios
Anões travestidos de crianças
Complacentes travestidos de justos
Jingles travestidos de rock
Estórias travestidas de cinema
Chatos travestidos de coitados
Passivos travestidos de pacatos
Medo travestido de senso
Censores travestidos de sensores
Palavras travestidas de sentido
Palavras caladas travestidas de silêncio
Obscuros travestidos de complexos
Bois travestidos de touros
Fraquezas travestidas de virtudes
Bagaços travestidos de polpa
Bagos travestidos de cérebros
Celas travestidas de lares
Paisanas travestidos de drogados
Lobos travestidos de cordeiros
Pedantes travestidos de cultos
Egos travestidos de eros
Lerdos travestidos de zen
Burrice travestida de citações
água travestida de chuva
aquário travestido de tevê
água travestida de vinho
água solta apagando o afago do fogo
água mole sem pedra dura
água parada onde estagnam os impulsos
água que turva as lentes e enferruja as lâminas
água morna do bom gosto, do bom senso e das boas intenções
insípida, amorfa, inodora, incolor
água que o comerciante esperto coloca na garrafa para diluir o whisky
água onde não há seca
água onde não há sede
água em abundância
água em excesso
água em palavras.

Eu apresento a página branca.

A árvore sem sementes.

O vidro sem nada na frente.

Contra a água”.

                    Arnaldo Antunes

Primeiro o Reino

Domingo é dia de espiritualidade. É o dia escolhido para ir à igreja, assistir ao culto cristão e transcender. Mas a vida espiritual é real quando vivida a cada dia, quando prestamos atenção na maneira como falamos, sentimos e agimos, nos tornando conscientes da voz do Espírito em cada momento.

Enganamo-nos porque estamos sempre sobrecarregados, ocupados e preocupados com a vida diária, e por isso pensamos que o nosso Pai não tem espaço. Todas estas coisas, portanto, preenchem nossa vida interior e exterior. Um preenchimento que dá sinais de vazio.

Mas Deus pode se tornar homogêneo com qualquer área de nossas vidas. Por isso…

“Não se preocupem dizendo: ‘que vamos comer?’ ou ‘que vamos beber’ ou que vamos vestir…’

É possível?

É possível ter uma vida despreocupada?

Livres das pressões em busca de futilidades?

Vivermos sem a dependência de nossos impulsos por comer demais, vestir demais, viajar demais, nos divertir demais? É possível que nossos comportamentos não sejam guiados por todas estas coisas?

sim.

É isso que Jesus promete quando o Reino vem primeiro que qualquer pensamento, movimento e sentimento.

Busquem em primeiro lugar o Reino de Deus e todas as coisas lhes serão acrescentadas”. E ao sentirmos que Jesus já nos deu tudo o que é necessário, viveremos vazios das preocupações e imbuídos em teu Santo Espírito.

Abraços.

Inspirado pelas ideias  do livro “Tudo se fez novo” de Henri Nouwen.

Convém que eles cresçam e Eu diminua

Relacionamentos imaturos possuem prazo de validade. É que se deve saber quando é o momento do outro, de honra, atenção e evidência para que a relação não se transforme em competição.

João Batista sabia disso quando no momento oportuno disse a frase mais sábia de sua história: “Assim, pois, já este meu gozo está cumprido. É necessário que Ele cresça e eu diminua” (Jo 3.29). Esse era o sentimento de João Batista e também dos 12 apóstolos de Jesus. Foram entendendo que era a vez de Jesus merecer toda atenção, que a contribuição do Mestre para o mundo seria eterna, que cada palavra, cada gesto e cada feito do Senhor eram ricos de significado e propósito. Ele precisava falar mais do que ouvir, agir mais do que mandar agir. Porque era a vez dEle.

Até que…

…Jesus passa a bola para os seus discípulos quando diz: “ Em verdade, em verdade vos digo que aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai”. Jesus está dizendo nas entrelinhas: “convém que vocês cresçam e eu diminua”.

Jesus não está dizendo que os discípulos fariam coisas melhores do que Ele. Está ensinando que era a hora deles assumirem as devidas responsabilidades no devido tempo. Era hora de eles serem ouvidos pelo mundo, de ganharem toda atenção. Os propósitos eternos estavam agora em suas mãos, pela autoridade dada por Jesus. Porque o Mestre iria pra junto do pai. E agora era a vez deles.

Relacionamentos maduros são aqueles em que a bola é passada no devido tempo. Em que não há competição porque sabemos o tempo de cada um falar, de cada um ouvir e agir. Sabemos quando é hora de valorizar o que o outro é e o que o outro fez.  Seja um namoro, um casamento, uma amizade, o fruto é o crescimento de ambos por uma causa maior do que nós mesmos. E assim saber de quem é a vez.

Parei no meio do post

Impressionante como a impulsividade com as palavras pode conduzir à grandes conflitos nos diversos relacionamentos. Não apenas a palavra mal colocada, mas aquela que fere o caráter, que manipula terceiros para jogar uns contra outros e usa de retórica pra levar vantagem.

Aqueles que não perdem discussão, não se dão a liberdade de pensar na possibilidade de estarem errados porque não ficaram convencidos de que não estão certos. Sofistas que não dialogam e teimosos que ignoram o crescimento proporcionado pelo erro.

Enquanto escrevia as palavras acima, pensei e julguei pessoas. Quando de repente o vento sopra em meu ouvido: pode este ser você? Por isso, parei pra pensar e parei de escrever…

O Mágico

O show começa quando imediatamente se faz presente e convida sua platéia a participar. Alguns gostam apenas de assistir, outros querem entender a lógica da coisa. E outros querem participar, porque entendem que foram chamados. Sobem ao palco com receio e medo, mas sobem.

Não é um coelho que sai da cartola, nem uma senhorita serrada ao meio, muito menos cartas de baralho. Não é um truque. É uma verdade que vai sendo revelada sem muitas explicações.

Parece mágica quando Ele transforma o coração de pedra em coração de carne, a morte em vida, o perdido em achado. Quando ao invés do consumismo exacerbado ou do culto ao corpo, ele transforma em aceitação pessoal e amor próprio. Quando a platéia só enxerga a busca por prazer e alívio imediato, ele tira da manga relações de compromisso e fidelidade. Há momentos no show em que a ira e o desejo de fazer justiça com as próprias mãos simplesmente desaparecem dando lugar ao perdão e mansidão. E a platéia vai se admirando sem saber direito como Ele fez.

O segredo do Mágico? Quem subiu no palco percebeu Sua enorme habilidade em substituir o finito pelo eterno.

Oração pré acampamento em Furnas

Hoje darei lugar a uma pessoa que vai compartilhar um pouco de sua experiencia de oração. Pessoa que admiro muito, pela maneira como a vi nascer e se desenvolver com Cristo.  A casa é sua e seja muito bem vinda, Luiza Fagundes.
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Boa noite querido Deus!

Há pouco mais de 6 anos fui a Furnas pela primeira vez. Ouvi sobre o Senhor, percebi que era pecadora, abri meu coração e comecei a vida que vale a pena. Seis anos mais tarde, já concluí o Ensino Médio, passei no vestibular, estou no último ano da faculdade, fiz intercâmbio, morei sozinha, sofri, cresci, me diverti, viajei muito, realizei sonhos, aprendi a estudar a Bíblia, comecei a servir ao Senhor, tentei cuidar de algumas meninas, errei bastante, fiz grandes amigas…

Também pequei muito, me arrependi, fui perdoada.

A vida vem seguindo e sou muito grata pelos relacionamentos que cultivo, por minha família, pelo ministério, pela vida acadêmica e profissional, pela grana e principalmente pelo nosso relacionamento. Porque independente da minha disposição o Senhor se faz presente e me, ágapee me transforma e me concede o dom da vida.

Queria pedir perdão por minhas ausências, negligências, pecados não confessados, rebeldias… E Te agradeço por, mesmo assim, me conceder Sua graça. Eu não mereço, só o Senhor merece e me ágape sem receber nada em troca, ou recebendo migalhas, ou recebendo meu muito, mas nunca ágape, pois sou imperfeita, mas assim o Senhor manifesta sua perfeição em mim.

Amanhã volto mais uma vez a Furnas, não com o objetivo de ser servida (apesar de que isso também vai acontecer), mas para servir, para amar e me doar sem esperar receber nada em troca, mas, ainda assim, recebendo tudo do Senhor, sempre. Estou muito feliz por essa oportunidade, queria ter feito isso há mais tempo, mas a hora é essa. Sei que sou fraca fisicamente (e não só), que sou preguiçosa, folgada, manhosa, mimada. E, no entanto, estou pagando para passar um feriado trabalhando: lavando, servindo, limpando.

Loucura aos olhos dos homens, não? A Luíza de 16 anos achou muito estranho quem topava fazer isso: “Pagando o mesmo preço pelo acampamento? Não teria motivo nenhum para fazer isso!”.

Mas o preço a se pagar vai muito além de alguns reais, é o preço de tomar sua cruz, de negar-se a si mesmo, de se humilhar, de abrir a porta que esteve tão bem trancada… Mas ainda assim é de graça, pela graça, pela graça somos salvos. Por um Deus que é amor, não eros, não philia, mas ágape, perfeito, incondicional, infinito! E o que Ele espera de nós? Que aceitemos o convite, só isso. Os trajes, o traslado, tudo ele vai fornecer e ainda vai nos permitir participar mais, a trabalhar nos detalhes junto com Ele, enquanto Ele supre nossas necessidades e nos amolda, à Sua imagem e semelhança.

Por que não se entregar? Que outro convite pode ser melhor que esse, para a vida, a vida em abundância?

Os prazeres do pecado? Vãos, vazios, efêmeros, culposos, rasos, e geradores de uma conta altíssima a pagar. Nada é mais enganoso do que pretender aproveitar a vida pecando. O pecado é morte, e a morte é dolorosa e inconsolável.

Deus dá a vida, plena e eterna. Nada parece melhor, nada é melhor.

E por amor a esse Deus maravilhoso, e às pessoas que O conhecem ou ainda não, vale muito a pena servir.

Que venha Furnas para a honra e glória de Deus e que o Senhor cuide de tudo e todos. Que muitos ouçam o seu convite, e comecem a compreender, e se arrisquem, e Te aceitem!

Amém!

Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu filho unigênito, para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna.Jo 3.16

* Registro minha gratidão especial às pessoas que foram diretamente responsáveis pelo início e crescimento do meu relacionamento com Cristo. Muito obrigada Andréia, Fael, Rafa, Patrick e Tati! Que vocês permaneçam sempre nEle!