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Violão

Uma bela música tem preço. A disciplina e o desejo das mãos, que, ao pegar o violão, transformam o movimento das cordas no prazer de uma bela melodia. Senão, viverá da experiência do outro que toca, de quem aprendeu com a dor provocada nos dedos, mas colheu o fruto do esforço.

Assim é a virtude, que se colhe pela dor do aprendizado e o compromisso com mudança. É quando os dedos vão ganhando intimidade com as cordas.

Ser bom pai exige esforço, atitude e perseverança conduzidos pelo amor de Deus em nós. Assim como ser um bom marido, um profissional exemplar, um servo obediente ou mesmo um bom atleta. Belas canções, mas, para não ter o prazer de ouví-las, basta cruzar os braços e ser levado pela inércia ou o vício do conforto.

São os vícios e as virtudes brigando dentro de nós. Que o barulho desordenado termine em música. E que possamos curtir as melodias uns dos outros. 

Abraços!

No limite

Protestos, perplexidade e indignação contra a corrupção e a maldade humana. É assim que tenho notado o comportamento das pessoas (inclusive eu) que assistem de camarote a imundice e a crueldade dos poderosos. Quando lemos as noticias dos jornais, parece que uma única pergunta salta na mente: será que toda essa maldade não tem limites? 

E a quarta geração tornará para cá; porque a medida da injustiça dos amorreus não está cheia ainda”. Gn 15.16

Ainda.

Parece que esse versículo é Deus dizendo: ainda não é o momento do meu juizo. Ainda não é a hora de iluminar o beco escuro. Mas Deus impõe limites sim e vai exercer juizo. O mal vence as vezes ou muitas vezes, mas a ressurreição de Jesus me traz a certeza de que a maldade é parcial e aguarda o seu fim. Inclusive a nossa maldade.

Qual é a medida da sua maldade, das suas mentiras, da sua iniquidade? Já pensou que uma hora a casa vai cair e que em algum momento essa medida vai se encher e o que está encoberto vai ser trazido à luz?

Cuidado! Não se arrisque a viver nos limites. Pode ser que você esteja acomodado porque a sua casa ainda não caiu.

Ainda.

O Palestrante

Todos dizem que ele é um grande palestrante. Falam de como suas palavras penetram, convencem, animam e vão de encontro à necessidades. E  há muitos que disseram ter ficado tão impactados que saíram do auditório com decisões de transformação. Sou testemunha dessa verdade porque uma palestra foi capaz de gerar mudanças em minha vida. Mas a palestra vem durando até hoje  e com conteúdo diverso.

Fala sobre amizade verdadeira, aquela em que a distância não fragiliza os vínculos, e que alegrias e sofrimentos são compartilhados por igual. Também sobre amor ao próximo, aquele ensinado por Cristo, que caminha até a redenção dos perdidos, mesmo que pra isso seja necessário mudar a geografia e experimentar a solidão da cruz. Ensina sobre a superação contra decepções, a não deixar-se prostrado ao sofrimento e alcançar a ressurreição da esperança de ver de novo os sonhos tomarem forma.

O conteúdo é extenso, profundo e recompensador.  Sem dúvidas, a sua  melhor palestra é a sua vida porque não é apenas o discurso sobre o palco com platéia. É vida em obediência a Cristo tocando vida, que toca vida, que toca vida e faz crescer o Reino.  Agora com outro público que possui as mesmas necessidades e que experimentará o privilégio de viver e conviver com você.

Vá palestrar, meu amigo Eduardo Victor!

Quando o vinho acaba

As festas de fim de ano são aguardadas. Muito. Vive-se a expectativa do recesso, de momentos que teremos tempo para nos alegrar, comemorar, confraternizar, celebrar e também alimentar sonhos. Onde a família se une com um pouco mais de sensibilidade e carinho porque estamos na época de agir assim. E faz-se planos sobre a saúde, sobre o trabalho, sobre a família, com esperanças renovadas e expectativas alinhadas. As taças são erguidas acompanhadas dos sorrisos desejosos até as mãos se abaixarem para beber todos os sonhos.

Mas o tempo se vai e leva consigo tudo aquilo. A rotina volta como um “estraga prazeres”.

Acabou a festa.

Acabou a alegria.

Acabou o vinho.

Semelhante ao que acontece num casamento em Caná da Galileia. Quando a celebração e a comemoração do casório andavam a todo vapor, o vinho acaba. Imagino o olhar desconcertante do mestre de cerimônias responsável pela organização e andamento da festa. E também os sorrisos amarelados dos familiares tentando fazer parecer que está tudo bem, e os amigos dizendo “Não parem com a música, a festa está ótima”.

Até que a sensibilidade da mãe de Jesus prevê a tragédia. Imagine uma festa sem bebida! Alegria e a celebração teriam um curtíssimo prazo de validade,  exatamente como as comemorações de fim de ano.

Mas Maria clama pelo amor e misericórdia de Jesus. E quando o Filho de Deus é convidado a participar, as águas das talhas vão ficando escuras e o insípido passa a ter gosto de uva.

Vinho pra todos!

Alegria!

A festa continua.

É isso que Jesus faz. Permite que a festa recomece. Mas com uma alegria que tem um gosto inigualável, digno de que se celebre a vida, a eterna. Essa vida que você pode experimentar agora, uma festa que não tem fim. Porque Jesus encheu a taça com seu sangue pra que nossa vida pudesse continuar, como uma grande festa.

Que você convide Jesus para participar do seu ano para dar sabor e significado pra sua vida. Ele não faz nada que dura apenas alguns dias. Seu padrão é a eternidade. E assim não ficará aguardando recessos de fim de ano pra ter um pouco de alegria. Irá esperar pelo grande dia onde a festa será brindada com toda a família de Deus reunida e o riso será eterno.

Feliz 2016!

*Inspirado nas ideias de Tim Keller, no livro Encontros com Jesus.

O Natal das contradições

As mesas estão fartas; os corações famintos e sedentos. Os votos são de felicidade numa trégua que dura até o fim do recesso. As luzes que iluminam e enfeitam as casas são as mesmas que disfarçam a escuridão da alma.

Vivemos o natal das contradições. E talvez a maior delas esteja nos relacionamentos. Conseguimos enviar mensagens de feliz natal e votos de felicidade pra quase todo mundo, o tempo todo em nossos Twites, WattsApp, facebook, Instagram, Linkedin, Flickr, Youtube, Pinterest, Tumblr. Virtualmente somos quase seres onipresentes, seguindo aquela velha mania de querer ser Deus. Hoje nos comunicamos mais, e cada vez mais com menos pessoalidade e intimidade. Quando a mensagem pouco a pouco vai tomando o lugar da presença.

Mas a origem do natal é pessoal. E paradoxal. Um Deus que pode estar em todos os lugares ao mesmo tempo, escolheu um: a manjedoura. Para se fazer presente, para dar um abraço em carne e osso, falar amorosamente, olhar nos olhos, perdoar e redimir. Era disso que joão estava falando quando disse O que era desde o princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com os nossos próprios olhos, o que contemplamos, e as nossas mãos apalparam, com respeito ao Verbo da vida” – I Jo 1.  E sabemos que esse mesmo Verbo também se tornou carne. Presente.

Feliz Natal! Não apenas com mensagens virtuais, mas com presença. A sua presença na vida das pessoas que ama, e a do menino Jesus em sua vida.

Feliz natal

A fé que opera

Moisés estava num monte.

Samuel estava dormindo.

Pedro estava num barco.

O que eles têm em comum? Ouviram um chamado. Não importa onde estavam e não interessa se estavam descansando, se divertindo ou trabalhando. Importa se obedeceram com fé a quem estava chamando.

E não apenas ouviram. Eles obedeceram com a fé que opera, que age, que faz, que se move, que acorda, que experimenta o improvável. A fé viva. O debate nunca foi “fé x obras”, mas “fé viva x fé morta”. Em Cristo, o que tem valor é a fé que opera pelo amor (GL 5.6). A fé que opera.

Estamos na cultura do conforto e queremos exercer a nossa fé para que Deus se mexa, faça milagres e cure pessoas, mas a fé daqueles homens os tirava do conforto, de sua condição de inoperância para serem usados pela mãos de Deus.

A fé morta não tem consequências, não dá fruto. A fé viva tem consequência: a obediência. Essa mesma que transforma, que liberta povos da escravidão e que ouve a voz de Deus mesmo quando dormindo, que anda sobre as águas.

Se você diz que crê, mas não sai do barco, fique atento. Sua fé pode estar dormindo ou pior: pode estar morta.

Fôlego

“E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou-lhe nas narinas o fôlego da vida; e o homem tornou-se alma vivente.” Gn 2.7

Pó da terra –> Homem –> Alma vivente. Deus e sua mania de construir vida.
Alma vivente –> Homem –> pó da terra. O homem e sua mania de caminhar em direção ao barro.
Que possamos tomar Fôlego pra vida, sendo levados pelo sopro de Deus.

Seja alma vivente!

Tenha um bom dia!

O restaurante

Um homem entra em um restaurante. Era cliente já fazia algum tempo e sempre servia a refeição sugerida pelo menu oferecido pelo gerente, que possuía as chaves do estabelecimento e a confiança do dono que sempre dizia num tom de brincadeira e amor aos clientes: “cuide bem das minhas ovelhinhas”.

Mas naquele dia o gerente com boas intenções e querendo agradar aos clientes, num ato de ousadia e sem pedir permissão para o dono, havia mudado um pouco a maneira de servir os clientes.

Resolveu fazer um self service com uma variedade enorme de opções.

— Sirva-se a vontade, disse o gerente.
— Mas são muitas opções, respondeu o homem confuso.
— O que te dá vontade?
— Muitas coisas, mas nem sempre minhas vontades são saudáveis.
— Faça uma concessão, disse o gerente cheio de boas intenções.
— Você é muito gentil!
— E você é um ótimo cliente. Mas fique à vontade, a casa é sua, disse o gerente que logo em seguida foi atender a clientela.

E o homem, sentou-se a mesa ainda sem discernir sobre o que comer. E passando a observar o movimento, percebeu que o gerente passava na mesa daqueles velhos e bons clientes oferecendo aquilo que lhes era conveniente.

Alguns ouviam, sabiam discernir, mas ficavam fiéis ao cardápio original. Outros, porém, selecionavam e faziam seu próprio cardápio seguindo a ideia do gerente.

O homem confuso passou a entender como o restaurante funcionava. E sabiamente, decidiu procurar outra igreja.

Provai e vede! (Sl 34.8)

Tenho vivido dias de pura alegria ao lado de minha esposa e especialmente ao lado de minha filha. Falo sobre a alegria que o nascimento de um(a) filho(a) proporciona. Não dou a mínima pras noites longas e mal dormidas, nem para fraldas sujas e de péssimo cheiro, porque prefiro contemplar o pequeno sorriso, as expressões engraçadas e os pezinhos chutando o ar.

Eu poderia ser o melhor orador da Terra, traduzindo em perfeitas palavras aquilo que tenho vivenciado, ou ter o dom de transcrever no papel cada sorriso e expressão trocados. Poderia ser um exímio cineasta que através de um lindo filme exprime os sentimentos mais profundos que emociona e arranca suspiros e toca vidas. As pessoas ficariam admiradas, algumas emocionadas e tocadas, mas nenhuma conseguiria ter a mesma sensação que eu apenas por ouvir falar.

É necessário provar. Nada, nada se compara com a experiência, com o tempo gasto e os momentos juntos. É singular.

pezinho2

É desta maneira que vejo meu relacionamento com Deus. Eu ouço belíssimas palestras, assisto lindas mensagens de filmes acerca de Deus e da existência humana, converso com amigos que vivem uma vida espirital, leio livros, a bíblia e etc., mas nada é semelhante ao relacionamento que tenho e desenvolvo com Deus pessoalmente.

E assim, posso construir a minha história sem tentar reproduzir experiências alheias. Tirar minhas próprias conclusões, ter as minhas convicções e lutar para viver de maneira autêntica diante de Deus, mesmo sabendo que as vezes deixo Deus preocupado, sem sono, fazendo-o vir até mim para limpar as “caquinhas da vida” e o mal cheiro. Mas ele sabe que vale a pena trocar olhares, sorrisos, meias palavras enquanto assiste e promove o crescimento.

Que possamos não apenas conhecê-lo de ouvir falar, mas que nossos olhos vejam e contemplem a beleza e a bondade de Deus.

“Provai e vede”.

Atos (de quem?)

Ter amigos é muito bom. Poder estudar a bíblia com estes é um presente. Há mais ou menos um mês atrás fui agraciado com um convite de dois grandes amigos para estudarmos a bíblia juntos. E a medida que aprendo vou compartilhando…
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No livro de Atos, no capítulo 8, as escrituras narram uma história muito peculiar, onde Filipe sai de repentinamente de sua caminhada evangelística para anunciar o evangelho à um eunuco etíope que voltava para casa, após ter ido adorar a Deus em Jerusalém.

Uma jornada que se resume à alguns verbos:

1.”Dispõe-te e vai…” (Vs. 26) – Uma obediência que transcende sua própria compreensão e concordância dos fatos. Filipe não entendia os “porquês” de deixar diversas pessoas para anunciar o evangelho para um homem somente. Não precisamos entender a lógica das coisas para experimentar o extraordinário de Deus, somente obedecer por fé. “Ele se levantou e foi” deixando para trás o conforto e a preguiça.

2. “Aproxima-te e acompanha-o” (Vs. 29) – E ao fazer isso, ouviu o etíope ler o profeta Isaías. Filipe ouviu o que aquele homem tinha a dizer, percebeu suas dúvidas e compreendeu suas reais necessidades e seu anseio por conhecer a Deus. Filipe entendeu a parábola do bom samaritano, quando Jesus ensina que o próximo (a quem devemos amar) não é quem já tem proximidade, mas aquele no qual nós decidimos nos aproximar.

3. “E convidou a subir e sentar-se” (Vs 31) – Foi o convite que aquele eunuco fez a Filipe. O chamou para a intimidade, para participar de sua vida e juntos conhecerem ao Deus verdadeiro. E assim Filipe “anunciou-lhe Jesus” (Vs 35). Houve júbilo, e aquele homem se batizou, crendo de todo o coração.

Atos.

Ação.

Atitude.

Esse é o livro dos verbos. Que nossa vida os conjugue.

* Obrigado Homero e Bernardo por se aproximarem e me convidarem para subir na carruagem.