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Dor

Do alto da cruz Jesus já havia experimentado todas as dores do mundo. As dores da carne causadas pela intensidade dos espinhos que penetravam em sua cabeça. Seu corpo também já havia sofrido com as torturas, acoites e os enormes pregos que atravessaram mãos e pés. A dor causada pela humilhação, pelo cuspe e também o tapa. O desdém, a indiferença e a traição.

Mas o pior ainda estava por vir. Jesus ainda sentiria a maior dor que alguém pode experimentar. A dor da ausência de Deus, quando abraçaria o pecado da humanidade, como um soldado que pula em cima de uma granada pra salvar seus companheiros a quem ama. Abandono, alienação, silencio. São as consequências naturais do pecado, quando Deus parece morto.

“Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” Mt 27.46

Esse é o momento em que Jesus grita de dor. Quase não a suporta o distanciamento de Deus que o fere profundamente, muito mais do que seus estigmas. Porém, não interrompe seu diálogo com Deus nem mesmo no momento em que experimentou a solidão da alma. Ele clama com sua fé ferida.

Que essa seja a nossa atitude. De clamar pelo nosso Deus, mesmo com Seu aparente silêncio e colocar diante dele as dores da carne que abrem feridas, que nos desanimam e nos fazem chorar e perder a esperança.

Insuportável mesmo é viver sem a presença de Deus.

1 minuto no silêncio

1 minuto. Para alguns é muito tempo, até por que tempo é dinheiro. Tempos em que nossas mentes e corações ouvem as diversas vozes do cotidiano ou apenas a voz solitária do ego.

O silêncio, portanto, tortura e incomoda como se estivesse nos levando pra morte, quando Deus parece silencioso. Mas o silêncio é vida porque temos a possibilidade de cair em si, de olhar pra dentro e perceber que falta alguma coisa, falta combustível. Falta a presença de Deus.

A pausa preenche a alma. Hoje o silêncio fez o mundo ter um vislumbre do Divino, na solidariedade e compaixão, um minuto que falou mais do que todos o s outros 90 da história.

umminuto
Responder as perguntas não respondo.
Perguntas impossíveis não pergunto.
Só do que sei de mim aos outros conto:
De mim, atravessada pelo mundo. 

Toda a minha experiência, o meu estudo,
sou eu mesma, que, em solidão paciente,
recolho do que em mim observo e escuto
muda lição, que ninguém mais entende. 

O que sou vale mais do que o meu canto.
Apenas em linguagem vou dizendo
caminhos invisíveis por onde ando.

Tudo é secreto e de remoto exemplo.
Todos ouvimos, longe, o apelo do Anjo.
E todos somos pura flor de vento.
                                                        Cecília Meireles

Faça um minuto de silêncio, escute mudo a lição. Não apenas quando o luto é presente, mas quando a Vida nos dá o presente de nos acompanhar diariamente. Um minuto pode mudar uma vida inteira

Você consegue?

“Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus…” Sl 46.10

#forçachape

Sobre feridas Crônicas

Hoje nosso blog será presenteado com o texto de uma pessoa que admiro muito, e que leva a vida com Cristo muito a sério.  Obrigado por compartilhar conosco novamente, minha querida amiga Luiza Fagundes.
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Feridas crônicas são as que doem mais no inverno e, por mais que estejam quietas, qualquer esbarradinha faz queimar e doer demais, de um jeito que a gente achava que ferida crônica não pode doer. Agora percebo que são essas feridas crônicas, semiesquecidas, mas sempre abertas as que doem mais e nunca deixarão de doer simplesmente por tentarmos esquecê-las e, principalmente, porque tem sempre alguém esbarrando, por mais que a gente tente evitar.

Não adianta evitar esbarrões, o que precisamos mesmo é colocar remédio, aquele Mertiolate do tempo que ardia, aquela anestesia que parece doer mais que a dor que evita, aquela aflição da agulha costurando nossa pele, aquela recolocação de um dedo no lugar mesmo que doa mais que a pancada que deslocou o osso. E o médico é o Senhor, nosso Deus.

Durante algum tempo, já sendo cristã, achei que já tinha perdoado tudo que me feriu. O estranho é que a ferida ainda estava aberta. E racionalizando dei-me o direito de chorar, gritar, espernear, bater a porta, jogar na cara… Tudo na certeza de que estava no meu direito! Mas mesmo racionalizando e, de certo modo, me vingando, a ferida ainda estava lá na carne viva… Aquela que eu achava que já tinha virado cicatriz.

Cicatriz é uma marca: vai clareando com o tempo, mas geralmente não some de vez; não dói, mas é um lugar mais sensível; dá até para disfarçar com uma maquiagem. Mas ferida não! Está ali sempre doendo. E como maquiar a pele sangrando? Não adianta nada, dói ainda mais e suja a maquiagem.

Se ainda não cicatrizou, se não adianta maquiar, como curar?! A gente precisa ir ao médico e permitir que ela faça todos os tratamentos, mesmo os que parecem piores que a doença. Você não conhece esses tratamentos e não conseguiria tratar sozinha (mesmo se achando muito entendida de medicina), então você precisa confiar no médico!

Não adianta racionalizar, se justificar, se deixar levar pela emoção. Não adianta fingir, tentar esquecer, achar que o tempo vai curar… Coitado do tempo! Ele não cura nada! Pelo contrário: torna a doença crônica: você se acostuma com ela, mas ela não pode mais ser curada, se torna parte do seu organismo: uma parte indesejada com a qual você aprende a conviver.

Deus não. Ele não faz tratamentos paliativos, Ele traz a cura definitiva, mesmo que o tratamento seja longo, doloroso, e até mesmo contraindicado por muitos médicos entendidos. Ele não apoia nossas racionalizações ou rompantes emocionais. Ele nos diz a verdade (ou diz que não está na hora da gente saber), Ele é a verdade!

Que o Senhor trate nossas feridas. Ele é o Deus da cura e da restauração. Sejamos totalmente dependentes do Senhor, nos entreguemos em suas mãos, vamos permitir que Seu perdão transborde em nossas vidas. E por meio do Seu amor, do Seu perdão, também perdoar, verdadeiramente.

Vamos permitir que o Senhor cuide dessas feridas e as transforme em cicatriz. Que no início vão ser muito feias, mas com o tempo (e nisso sim o tempo pode ajudar) vão ficar mais finas.

Mt 6:12 “Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido.”

*Adaptado de uma oração escrita em 10 de maio de 2013

Amor em conserva

Se a fruta precisar ser transportada, terá de ser enlatada e, com isso, perder um pouco de suas boas qualidades. Mas encontramos gente que, na verdade, aprendeu a preferir a fruta enlatada em conserva à fruta fresca”.

Essa frase de C.S.Lewis nunca foi tão atual. Nós sabemos de nossa superficialidade, mesmo que inconscientes dela e que temos uma mania quase incontrolável de enlatar as coisas e esquecer do sabor original.

Os fariseus enlataram Deus, o colocaram dentro das tábuas da lei. E em Cristo, temos a chance de experimentar a fruta fresca, mas preferimos consumir um amor a Deus “em conserva” nos nossos ritos, nas disciplinas rígidas, nas tradições e na lei como um fim e não como meio. Paradoxalmente, sabemos que é a obediência a Deus que nos liberta.

Enlatamos nossos relacionamentos, no mundo virtual por exemplo, onde pedimos aprovação através de curtidas, demonstramos sentimentos por emoticons animados e compartilhamos nossas vidas pelos áudios de WhatsApp. Também o sexo que tem se tornado virtual, não apenas pela falta do corpo presente, mas também por corpos que se encontram sem unidade.

Nossas igrejas estão enlatadas. Porque temos preferido a coletividade em detrimento da membresia. Falo sobre ser membro do corpo de Cristo, como Paulo nos ensinou, onde somos todos diferentes e complementares, assim como os órgãos do corpo. Cada um tem um nome e é importante e digno. Na igreja de Cristo, somos membros uns dos outros. Diferente de igrejas que cultivam uma coletividade secular, onde somos tratados como números, parte de um corpo de estatísticas e resultados. É quando o nome é substituido por um número, e quando este se perde, ninguém sabe quem é, mas será atualizado na estatística.

Que possamos saber diferenciar uma fruta enlatada do sabor inigualável de uma fruta natural, que possui os nutrientes da vida.

Abraços.

Tesouros

Há 2 semanas atrás fui surpreendido com uma péssima surpresa: a de que meu carro não estava mais onde eu havia deixado. Conferi na memória pra saber se era apenas mais um de meus esquecimentos. Antes fosse, mas realmente constatei que o carro havia sido levado por ladrões.

Confesso que não fiquei muito incomodado, pois o carro estava segurado e isso me levou à tranquilidade, apesar dos transtornos. No dia seguinte, me deparei com o capítulo 2 do Evangelho de Mateus.

“E vendo eles  (os magos) a estrela alegraram-se com grande e intenso júbilo. Entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se, o adoraram; e abrindo os seus tesouros, entregaram suas ofertas: ouro, incenso e mirra.” Mt 2.10-11

Interessante. Homens que se alegraram com a presença de Jesus, se prostraram e o adoraram. E no momento de entregar todos os seus tesouros, deram ofertas.

Quais são os seus tesouros? Quais são as coisas mais valiosas de sua vida? Quais são aquelas coisas que ao chegar na presença de Jesus, você diria: “Senhor, eu posso lhe dar tudo, menos isto”?

Quando você diz “…eu posso lhe entregar tudo, menos isto” é porque você sabe que “isto” é tudo pra você. E no fim, você não entregou nada, senão apenas algumas ofertas.

      Abraão deu seu filho. E seu filho (sua família e descendência) era tudo para ele.

     Zaqueu devolveu todo o dinheiro que havia roubado. E dinheiro era tudo para ele.

Homens que não estavam dando ofertas, mas entregando seus maiores tesouros.

Pergunto novamente, quais são os seus tesouros?

Lembre-se que o próprio Deus nos entregou o seu maior tesouro para que assim pudéssemos ter vida. Ele nos deu tudo. Ele nos deu vida.

Enquanto vivermos presos aos nossos tesouros, seremos como um peixe que vive dentro de um aquário que está boiando no mar. Teremos uma parte da vida, mas não desfrutaremos a liberdade da imensidão. Não aprenderemos nunca o que é ser livre.

Abraços.

Um ano com ela(s)

Um ano é suficiente pra que muita coisa aconteça. Meu último ano foi novidade sem fim e não falo de um novo ano, mas de uma nova vida, minha filha que amanhã completa seu primeiro ano de uma eternidade inteira, se Deus quiser. E a partir dessa florzinha que nasceu, outras coisas nasceram e mim.

Paulinha, filha amada.

Nasceu uma dimensão diferente de amar, em que a abnegação restringe a expectativa do troco. E também um novo papel de ensinar aprendendo a respeitar os limites da individualidade e estimular a autonomia. Que proporcionar segurança e socorrê-la nas adversidades não significa deixá-la dependente no trabalho que é somente dela. Aos poucos a pequenina vai assumindo as responsabilidades que lhe cabe.

Estou aprendendo a dizer não, olhando apenas as necessidades, porque minha tendencia é dizer sempre sim para os desejos. Fico vibrando com as qualidades que descubro em minha filha, mas espero não ser condescendente com as falhas. Também prefiro lutar para ensiná-la a descobrir seus limites, ao mesmo tempo em que não se deixa dominar pelo medo, esperando o momento certo de superá-los.

Muita coisa em um ano. Mas não me canso de amá-la e espero que ela também vá entendendo o quanto ela é amada, o quanto eu e a mãe dela somos amados incondicionalmente pelo Pai. E assim também aprenderá a amar a si própria.

Fico sonhando no dia em que ela entenderá muitas palavras, pra eu poder falar pra ela sobre A Palavra Viva e Encarnada. Mas com os tantos anos de vida que tenho, vou compreendendo que só agora consigo aprender algumas coisas do amor de Deus, e que ela, apenas balbuciando, vai me fazendo discernir dia após dia.

Parabéns, minha filha!
*Este post é dedicado não apenas a minha filha, mas a mulher que mais me ensina o significado de amor pela familia, minha esposa maravilhosa, Lucianna Coury.

Vós sois?

Impressiona a influência que o mundo tem exercido dentro da igreja, dentro das pessoas. Ele dita o ritmo de nossas vidas, ele influencia nosso caráter e diz pra onde vamos e o que devemos fazer. Creio que o plano de Deus sempre foi de que o contrário ocorresse. E por isso Jesus usa duas figuras para nos encorajar a cumprir com esse propósito:

Vós sois o Sal da terra”. O sal, que tem uma profunda e fundamental influencia no tempero, porém, invisível aos olhos. Uma especiaria que transforma o interior sem ser notado e nem percebido, mas gera uma silenciosa e poderosa transformação.

“Vós sois a luz do mundo”. Agora uma influência impactante e visível, que pode ser observada a olho nu. A luz porém é diferente: ela não pode não ser percebida. Não há maneira de não vê-la.  A luz sobressai a qualquer ambiente escuro e passa a ser notada, levando a verdade revelada e uma nova consciência para os que habitam em terras escuras.

Interessante notar que Jesus primeiro fala do Sal e depois usa a figura da luz, como se a prioridade fosse a transformação interior, silenciosa e profunda para uma vida temperada e saborosa. E essa vida há de ser revelada naturalmente e assim a verdade vai aparecendo de dentro pra fora e a boca vai falando do que o coração está cheio, cheio de verdade, cheio de propósito, cheio de vida e cheio de luz.

Sal e luz. Vós sois?

 

Quem está falando?

Muitos creem no Diabo como uma figura mitológica. Eu não. Creio que este ser e sua presença são tão verdadeiros quanto nossa própria existência, mas confesso que muitas vezes subestimo sua criatividade e poder de destruição.

É um grande risco enxergar o diabo em tudo de mal que acontece, como também é um risco achar que ele nunca está presente.

Sabemos que sua esperteza se concentra nas mentiras ditas e nas múltiplas vozes que distorcem nossa identidade e nos prometem reinos em troca de nossa alma. São as vozes da tentação.

“Não aceite, você é melhor do que ele”
“Todo mundo faz, porque você não deveria fazer?”.
“Experimente!”
“Ninguém vai perceber.”
“Só hoje!”

Astuto. Note que na maioria das vezes ele não quer te levar a fazer a vontade dele. Ele se dá por satisfeito quando lhe convence a não fazer a vontade de Deus. E isso já é o suficiente para a destruição.

Que possamos ouvir a voz de Deus para discernir todas as vozes enganosas e malignas que gritam alto em nossos corações.

A liberdade de NÃO fazer o que NÃO quero

Já faz um tempo que havia deixado um convite aberto pra uma amiga escrever aqui no blog. E esta semana ela me enviou um texto muito legal e cheio de verdade que gostaria de compartilhar com vocês. É um prazer recebê-la, Letícia Moscatelli…

Já ouvi várias vezes, da boca de pessoas espertas e inteligentes, que não concordam com o Cristianismo, porque é uma “religião” cheia de proibições. “Eu não troco minha liberdade por nada”, dizem.

A minha resposta é que eu também não troco a minha liberdade EM CRISTO nem por um milhão de dólares. Somos naturalmente pecadores, temos o gene da tendência ao pecado inscrito em nosso DNA. Paulo detectou isso: “Não entendo o que faço. Pois não faço o que desejo, mas o que odeio.” (Romanos 7:15). Essa angústia terrível é de Paulo, minha, sua, da humanidade, pois sofremos a frustração diária de não termos controle dos nossos atos.

Com Jesus, única e exclusivamente com Jesus, somos capazes de dizer NÃO a todas aquelas “coisas” que fazemos e das quais nos arrependemos no dia seguinte. Somente com Ele no comando de nossas vidas podemos rejeitar pensamentos e atitudes que até as mais liberais e descoladas pessoas gostariam de não ter e não fazer, mas são incapazes de resistir. Essa vitória só vem se convidarmos Jesus a cada segundo, minuto, hora, dia para conduzir a nossa vida, nos afastando da tendência ruim e colocando o Seu caráter perfeito em nós.

O resultado disso é uma vida de paz, de plenitude, de consciência tranquila. O que você quer para sua vida? Libertinagem ou a verdadeira liberdade?

Colhendo Mentiras!

É certo que somos assombrados pela serpente. Aquela mesma que está acostumada a nos vender ilusões. E a principal ilusão é a de que nos falta algo, como se dissesse:

Você ainda não tem o que te completa. Existe algo que Deus não quer que você tenha, mas que você pode ter ou pode Ser. Vá, vá buscar o que é seu!”

E assim vivemos com a constante sensação de que falta alguma coisa pra sermos felizes e completos.

Maçã Argentina

Esse sentimento de vazio é diabolicamente e brilhantemente explorado em nossa sociedade. Uma sociedade de consumo que surfa a onda das nossas carências e das nossas faltas, e por isso, nos ensina a acumular e substituir.

Mais um Iphone, mais uma camisa, mais uma viagem. Acúmulo. E se não acumulo, resolvo substituir. Esse sapato não dá mais, esse relacionamento não serve mais, essa igreja já não atende minhas expectativas. Outro pastor,  outro louvor por favor!

E assim, vamos comprando a ilusão da novidade, desfrutando profundamente da superficialidade e comendo do fruto que nos leva a experimentar o exterior do Jardim da Eternidade.

Vai pegar?