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Eduardo Victor

Sobre Eduardo Victor

Mineiro de Belo Horizonte, 33 anos, cristão e missionário em Alvo da Mocidade. Apaixonado pelas Escrituras, tornei-me um sonhador quando descobri que Deus pode nos surpreender com as coisas mais simples e inusitadas desta vida...

Ladeira abaixo

Meu domingo havia terminado. Cheguei em casa cansado. Tinha acordado às 6h e só voltei para casa perto das 21h. Depois de estar alimentado e pronto para dormir, resolvi ligar a TV. Até hoje, não sei dizer se fiz bem ou mal. Parei num canal evangélico de uma igreja brasileira. Havia lá um auditório lotado e o microfone nas mãos de um pastor vestido de pano de saco (é isso mesmo que você está lendo) que se julgava um homem de Deus. Ele estava dizendo que, no tempo de Elias, 7 mil joelhos não haviam se dobrado a Baal. E, por causa disso, ele iria orar de joelhos durante 7 minutos, afirmando que Deus iria fazer milagres na vida daqueles que assumissem o propósito de doarem R$1.000,00 para que aquele canal não saísse do ar. Afinal, o “evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo” precisa continuar sendo anunciado.

Quem me conhece, imagina o que vem por aí, né? Vamos por partes:

1º) Não foram 7 mil joelhos que permaneceram fiéis em Israel (I Rs.19:18). Foram 7 mil homens. Se eu não estou enganado, partindo do pressuposto que cada homem tinha 2 joelhos, eram 14 mil joelhos. O pastor, na verdade, só era bom para fazer contas com dinheiro. Tipo quando o professor Girafales fazia um conta envolvendo laranjas e o Chaves dizia que saberia a resposta se fossem maçãs. No entanto, é bastante provável que o grande galho da maioria dos pastores de hoje não seja com a matemática, mas com a Bíblia Sagrada.

2º) Agora, vamos falar sobre os 7 minutos de oração. Por que 7 minutos? Por que não 7 horas? Quanto mais oração melhor. Nosso Senhor virava a noite orando (Lc.6:12). Mas ali, precisava ser algo dinâmico. O programa tinha horário e quem quisesse receber os milagres, tinha o tempo de 7 minutos pra transferir o dinheiro para a conta da igreja. E nem precisa dizer que, durante toda a oração, os dados bancários da igreja estavam estampados na tela da TV, né?

3º) O deus que me pede dinheiro como condição para me abençoar chama-se Diabo. O Deus que se apresenta nas Escrituras faz o sol nascer sobre maus e bons, faz a chuva vir sobre justos e injustos. Não exige condições para abençoar. Já o Diabo, no deserto, diz a Jesus: “Se prostrado me adorares, tudo isto te darei.” (Mt.4:9)

Fui dormir triste. Meu coração estava pesado. Não é isso que o verdadeiro Evangelho faz ecoar nos corações humanos. No início, a igreja era um grupo de homens centrados no CRISTO VIVO. Então, chegou à Grécia e tornou-se uma FILOSOFIA. Depois, chegou à Roma e tornou-se uma INSTITUIÇÃO. Em seguida, à Europa e tornou-se uma CULTURA. E, finalmente, chegou à América e tornou-se um NEGÓCIO.

Alguém sabe me dizer se essa ladeira acaba por aqui ou tem mais para onde descer?

Um grande abraço!!!

Palco da deidade

Apresento-lhes o palco mais perigoso do mundo. O palco da deidade. Ele é armado de maneira silenciosa. Não é preciso muito pra vê-lo surgir. Às vezes, basta que a vida melhore ou que as coisas comecem a dar certo. Sua estrutura não é metálica. O palco da deidade tem como alicerce, egos inflados. Começa a ser montado quando surge o desejo (incontrolável) de querer estar no centro. Não exige parafusos. Exige vaidade. Não são placas de madeiras compensadas que compõem seu piso. São placas de arrogância sobrepostas às placas de orgulho.

“Em dia designado, Herodes, vestido de trajo real, assentado no trono, dirigiu-lhes a palavra; e o povo clamava: É voz de um deus, e não de homem!” (At.12:21-22)

Vestes reais, trono e microfone são ingredientes da soberba.

Aquilo que ouvimos pode ser uma simples frase, mas pode também ser a tampa de um caixão: “É voz de um deus, e não de homem!”

Quem disse isso: o povo? Talvez tenha sido o diabo.

E há quem diga que a voz do povo é a voz de Deus. Será? 

“No mesmo instante, um anjo do Senhor o feriu, por ele não haver dado glória a Deus; e, comido de vermes, expirou.” (At.12:23)

Flávio Josefo diz que Herodes Agripa sentiu fortes dores no coração e no abdômen e morreu 5 dias depois. Ter sido “comido por vermes” seria possivelmente ancilóstomos, ou seja, vermes que se alimentam de sangue e geralmente parasitam o intestino e os órgãos próximos.

Não sabemos exatamente o que ocorreu. A informação que temos é de que, no fim de tudo, o juízo de Deus parece se levantar contra todo ego humano que pretende rivalizar com Deus.

Porque a soberba precede a ruína; a altivez do espírito, a queda; e o palco da deidade, a tampa do caixão. Foi Salomão quem falou sobre soberba e altivez do espírito (Pv.16:18). Sobre o palco da deidade, fui eu mesmo.

Um grande abraço!!!

Ignorantemente pó

Ele não parava de responder perguntas. Era questionado todo o tempo.

“Com que autoridade fazes estas coisas?”

“É lícito pagar tributo a César ou não? Devemos ou não devemos pagar?”

“Na ressurreição, quando todos os sete irmãos ressuscitarem, de qual deles será ela a esposa?”

“Qual é o principal de todos os mandamentos?”

Não havia dificuldade diante das perguntas. Elas pareciam simples, quase bobas, quando seus lábios proferiam as respostas. Se não há perguntas difíceis para Ele, vale a pena perguntar tudo a Ele.

Até que chega um momento em que o jogo vira.

“Agora, eu faço perguntas!”, diz Jesus.

“O batismo de João era do céu ou dos homens?”

A resposta era insuficiente: “Não sabemos”, responderam os religiosos da época.

Vamos a mais uma pergunta: Como dizem os escribas que o Cristo é filho de Davi? Se Davi lhe chama de Senhor, como, pois, ele seria seu filho?”

Não houve resposta. Somente a informação de que a grande multidão o ouvia com prazer. (Mc.12:37)

As perguntas feitas por Jesus revelam nossa superficialidade. Revelam a nossa estupidez bíblica. Afinal, a mesma Escritura que afirma Jesus como filho de Davi, também registra Davi chamando-o Senhor!

Aí vem a sensação de não estar entendendo nada. A sensação de estar diante de um livro contraditório. E Jesus lá… Seguro, convicto, em paz!

Foi Orígenes quem disse que Deus parece ter recheado seu livro sagrado de inúmeras inconsistências. Não porque a Bíblia seja, em si mesma, inconsistente. Mas para ficasse claro que a verdade é mais profunda do que nossas mentes rasas. Deus é maior do que seres finitos que trazem na sua essência mais elementar a dimensão de pó da terra.

É nesse nível de consciência sobre si mesmo que Deus parece nos conduzir à profundidade. E sempre que nos julgamos sábios, nossa ignorância afeta a densidade e voltamos à superfície.

“Tens visto a um homem que é sábio a seus próprios olhos? Maior esperança há no insensato do que nele.” (Pv.26:12)

“Se alguém julga saber alguma coisa, com efeito, não aprendeu ainda como convém saber.” (I Co.8:2)

Portanto, a pergunta, no fim de tudo, é se você já aprendeu como convém saber.

Um grande abraço!!!

 

A grande tragédia

Ainda era madrugada. Elas entraram no túmulo às pressas. Tinham nas mãos os aromas para embalsamá-lo. A desesperança cheirava mais forte que as especiarias trazidas para o embalsamento.

O que alguém espera encontrar num túmulo? Morte.

Embalsamar alguém morto é curioso. Você concede alguns cuidados finais, mas fica aquela sensação de impotência. Nenhum perfume trará alguém de volta à vida. Fica uma impressão de zelo e estupidez, mas talvez a morte seja para nós tão horripilante, que criamos o hábito de maquiá-la.

O que elas encontraram? Um questionamento.

Por que buscais entre os mortos ao que vive?” (Lc.24:5), perguntaram os anjos.

Ele está vivo? “Sim!”, disseram os anjos.

Elas saíram do sepulcro diferentes de como haviam entrado. As mãos não carregavam mais aromas. As mãos agora continham esperança.

O que mais importa quando não temos mais nenhuma outra coisa é esperança. Não apenas a esperança do verbo “esperar”, mas esperança do verbo “esperançar”. A primeira, tem a ver com a espera e nos torna passivos. Somos lembrados da nossa dependência de Deus. A segunda, tem a ver com ir atrás, buscar, não desistir. A responsabilidade humana não pode ser ignorada.

Nosso problema é quando nos falta esperança. Você desiste de esperar e fica paralisado. Ignora o fato de que é dependente de Deus e permanece imóvel. Quando morre a esperança danou. É por isso que dizemos que ela é a última que morre.

A tragédia não é quando um homem morre! A tragédia é aquilo que morre dentro de um homem enquanto ele ainda está vivo.

Qual é a sua tragédia?

O que já esteve vivo dentro de você e hoje encontra-se morto?

Quais eram seus sonhos?

Por que você parou de esperar?

Por que parou de correr atrás daquilo que tanto almejava?

Por que buscais entre os mortos ao que vive?

Aquelas mulheres saíram de lá cheias de esperança. Elas ainda não tinham visto o Cristo ressurreto, mas esperavam vê-lo. Além de esperar, elas correram para anunciar o que tinha acontecido aos onze e a todos os outros que também creram.

Não foram os aromas que trouxeram vida. Foi a esperança.

Que seja assim também conosco!

Um grande abraço!!!

 

Férias em BH

Estou de férias em BH. Cheguei na segunda-feira e tenho tentado aproveitar o tempo. Quando você deixa pra trás todas as suas raízes, qualquer oportunidade de estar junto é um privilégio. Apesar da saudade e de tudo que me torna nostálgico sobre BH, sinto meu coração em Brasília. Em Cristo, a geografia tem pouca relevância. O que conta mesmo são as pessoas. Jesus morreu por elas, não por lugares. Além disso, o que continua (e continuará para sempre) encantador são os princípios e valores que descubro em Cristo. Eles estão para além do local, da época e da cultura. E os princípios, para serem partilhados e assimilados, não exigem necessariamente intimidade entre aquele que ensina e aquele que aprende. O exemplo foi do casamento que compareci na última terça-feira. Uma amiga da Ana Luisa, minha namorada, estava se casando. O celebrante era um tal de João, amigo dos noivos. Ele não era padre, nem pastor. Era um amigo íntimo que havia sido convidado para celebrar aquela união. No final da celebração, eu estava impressionado e com um enorme desejo de parabenizar o João pelas palavras proferidas.

Ele usou um texto bastante difícil na celebração. Mateus 19. Papo de Jesus com os fariseus e com seus discípulos. O assunto era a questão do divórcio. Quem é que escolhe falar sobre divórcio numa celebração de matrimônio? Tal ousadia já havia sido suficiente para me cativar. Como se não bastasse, a explanação foi sensacional. Poderia descrever nesse post cada tópico tratado no casamento. Sabe quando você escuta alguém e a vontade é que ela não pare de falar?

O que quero repartir com vocês foi a frase mais impactante do João em todo o casamento:

“O amor há de julgar se as nossas relações são divinas ou não!”

As palavras eram pesadas para uma cerimônia que tinha a alegria como ingrediente básico. Mas o João havia sido enfático. Disse que o amor iria questionar todas as nossas relações. Se eram de Deus ou não. Ele frisou que as palavras de Jesus são: “Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.” (Mt.19:6)

Se foi Deus quem ajuntou, o amor ajuntou. Porque Deus é amor. E o amor é para os fortes. Para aqueles que dão conta de lidar com ele. As Escrituras dizem que o amor é mais forte do que a sepultura e as muitas águas não podem apagá-lo. (Ct.8:6-7)

O amor usa o tempo para questionar quão divinas são as nossas relações.

O João disse que alguns de nós, depois de um tempo, terão de confessar: “Eu não fui capaz de amar! Não dei conta. Assumo minha fraqueza e confesso que optei pelo divórcio.”

O que é o divórcio, senão a admissão pública da nossa incapacidade de amar?

A conclusão do post não poderia ser outra. Se eu tivesse que adivinhar o que você está pensando nesse exato momento, diria que tudo isso é pesado demais.

Não sei se te consola, mas você não é o único (a) que achou pesado demais esse discurso.

“Se essas são as implicações, não convém casar.”(v.10), disseram os discípulos.

A resposta de Jesus foi imediata: “Nem todos são aptos para receber esse conceito, mas apenas aqueles a quem é dado… Quem é apto para o admitir, admita.” (vv.11-12)

Porque o dia da cerimônia é lindo, mas é o dia a dia que revela a força daqueles que juram amor eterno no altar. Porque o amor não se engana com os discursos, mas conhece a dureza dos nossos corações.

O amor não está ajuntando pessoas para um dia de celebração. O amor está ajuntando pessoas para construírem história.

Assim disse o João, quer dizer, Jesus. Eu estava diante de um princípio. A vida era só perguntas sobre o amor e a minha aptidão para tal conceito. Nessa hora, não importava mais se eu estava em Brasília ou em BH.

Um grande abraço!!!

 

 

 

Antes tarde do que nunca

Eu nunca tive muita dificuldade de enxergar meus próprios pecados. Acho que tenho uma lucidez razoável em relação às minhas fraquezas. Aqui em Brasília, inclusive, percebo que essa consciência tem crescido. Ontem mesmo, chorei por causa dos meus pecados. Morar sozinho tem seus benefícios. Sinto que sou alguém mais reflexivo e introspectivo. Avalio isso como algo bastante positivo. Estou mais consciente da minha miséria. Outra vantagem é poder chorar livremente na sala do seu apartamento. Choro de arrependimento. Lágrimas com sabor de vergonha. Aliás, qual foi a última vez que você chorou por causa dos seus pecados? Você experimenta vergonha por causa deles?

Às vezes, pecamos de maneira tão desenfreada que emendamos um pecado no outro. E o mais incrível é que, entre um e outro, há um intervalo de tempo. Tempo sagrado. Tempo em que deveria acontecer o corar de vergonha e o arrependimento. Deveria, mas nem sempre é o que ocorre.

Vocês se lembram de Pedro no final do evangelho? Ele nega Jesus por 3x. Entre a 2ª e a 3ª vez, a Bíblia diz que passou cerca de 1 hora. 60 minutos! (Lc.22:59) Tempo suficiente para que Pedro voltasse atrás. O choro amargo só veio depois.

Antes tarde do que nunca.

“Então, voltando-se o Senhor, fixou os olhos em Pedro, e Pedro se lembrou da palavra do Senhor… Então, Pedro, saindo dali, chorou amargamente.” (Lc.22:61-62)

Quanto tempo demora pra você voltar? Quantos minutos entre o pecado e o choro amargo?

Talvez você se assuste com o fim do post, mas o problema não é pecar. Na verdade, pecar SEMPRE é problema. Não me entenda mal. Deus sabe que o pecado é inerente à nossa natureza. O problema, portanto, não é pecar. O problema é pecar e não voltar.

Se você tem dúvidas, ouça com atenção o próprio Deus falando.

Assim diz o SENHOR:

Quando caem os homens, não tornam a levantar?

Quando alguém se desvia do caminho, não torna a voltar?

Por que, então, esse povo anda para trás e continua andando, sem retornar?

Persiste no engano e não quer voltar.

Prestei muita atenção, mas não ouvi nada.

Ninguém há que se arrependa da sua maldade, dizendo: Que fiz eu?

Cada um corre a sua carreira como um cavalo desgovernado.

As cegonhas sabem quando é tempo certo de voar. A pomba, a andorinha e o sabiá sabem quando é tempo de voar.

Mas e meu povo? Meu povo não sabe de nada.

Vidas quebradas. Gente arrebentada.

Para piorar, aplicam curativos ao dizerem: ‘Não é tão grave assim. Está tudo bem!’

Mas não está ‘tudo bem’!

Eles não sabem o que é sentir vergonha, nem mesmo sabem ficar vermelhos.

Não há esperança para eles.

Estão caídos no chão e assim vão ficar.”

Isso foi o que Deus disse no livro de Jeremias! Se você não se identificou com o post, sou capaz de afirmar que pensou em alguém que está cada dia mais obstinadamente longe de Deus.

Se quem está no caminho errado não é você…

“Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia.” (I Co.10:12)

Agora, se é alguém que você ama…

“Meus irmãos, se algum entre vós se desviar da verdade, e alguém o converter, sabei que aquele que converte o pecador do seu caminho errado salvará da morte a alma dele e cobrirá multidão de pecados.” (Tg.5:19-20)

Lute…

Vá atrás…

Ore…

Porque quando o assunto é voltar para Deus, antes tarde do que nunca!

Um grande abraço!!!

 

E quem duvida que Deus é bom?

Um ano se passou. Ainda lembro dos detalhes daquela terça-feira. Coração alegre, eufórico. “É hoje que eu vou começar a namorar a Ana Luisa, Deus?” Era difícil de acreditar… Para quem sabia que o coração também hospedava seus traumas, um novo relacionamento era a certeza de que a sorte estava sendo restaurada. “Deus, parece absurdo, mas eu estou gostando dela… Quem iria imaginar que isso aconteceria novamente comigo? E o mais legal é que eu olhava para ela e também reconhecia um sorriso que, além de lindo, era contagiante, envolvente e revelava reciprocidade. Não deu outra!

Ficamos como quem sonha… Então, a nossa boca se encheu de riso, e a nossa língua de júbilo. Aqueles que nos viam e conheciam um pouco das nossas histórias diziam: “Grandes coisas o SENHOR tem feito por eles!” E nós corroborávamos com tais palavras: “Sim! Com efeito, grandes coisas fez o SENHOR por nós; por isso, estamos alegres.”

O clima no alto da cidade era esse. Perfume no ar, coração acelerado e lágrimas nos olhos… Era a hora de fazer o pedido! “Ana Luisa, você me permite lutar muito para te fazer feliz?” Aquele “sim” foi dito, sucedido por um beijo doce de quem eu não fazia ideia de quão fantástica era. (PS: quem conhece o coração da Ana Luisa, sabe do que eu estou falando!) Demos as mãos, oramos e entregamos aquele namoro nas mãos de Deus.

Completamos nossos primeiros 365 dias juntos! Um ano de uma história que evidencia a bondade e o cuidado do nosso Papai do céu. A Ana Luisa é um presente Dele na minha vida. Já ouvi a explicação de que quando Deus nos dá algo que não merecemos, o nome disso é graça. Então, tá explicado! Sei que não mereço, mas descobri que a graça não leva em conta nossos méritos.

O desejo é continuar olhando para a cruz, para que o sonho continue ganhando vida e para que Ele me ensine o que significa “morrer” por aquela a quem amo.

“A casa e os bens vêm como herança dos pais; mas do SENHOR, a esposa prudente.” (Pv.19:14)

Deus sabe qual tem sido a minha oração…

Que o amor tenha vida longa e que ele sempre seja motivo de celebração!

Um grande abraço!!!

Post dedicado à Ana Luisa Pos dos Reis. Minha vida é bem melhor com você do meu lado.

Frustração

Basta que um sonho não se realize. Basta expectativas em vão. Basta que você veja seu “castelo” desmoronar. O resultado é sempre igual.

Frustração:“Estado de um indivíduo quando impedido por outrem ou por si mesmo de atingir a satisfação de uma exigência pulsional.”

Todos têm. Todos terão. A frustração é inerente a vida e produz corações amargurados, pessimistas e cheios de melindre.

Ao longo de mais de dez anos, tenho convivido com pessoas frustradas. De vez em quando, reparto com elas algumas das minhas próprias frustrações.

Não sei quais são as suas, mas queria fazer alguns comentários sobre este terrível ingrediente da vida que atende pelo nome de frustração.

Em meio às frustrações, pense! É isso mesmo. Raciocine! Avalie o processo. O que ocorreu no caminho? Por que isso deu errado? Não que você irá ter as respostas todas as vezes. Tem frustração que excede o nosso discernimento, mas o que quero dizer é que a maioria das pessoas são dominadas pelas emoções e agem de maneira passional nessa hora.

Quando seu castelo desmoronar, certifique-se da legitimidade daquele sonho. Questione se aquilo era mesmo algo que Deus também estava comprometido. Esse sonho também era de Deus? Porque nenhum dos propósitos do nosso Deus podem ser frustrados e tem sonho que a gente acha que é também de Deus, só que não. Considere, inclusive, a possibilidade de que, no dia da frustração, a não realização do teu sonho é que foi a grande bênção Dele na sua vida.

E para concluir, uma última informação. Nem todo castelo desmoronado significa o fim daquele sonho. Talvez seja um convite para a perseverança. Quase uma provação. Porque tem castelo que hoje está de pé, mas que caiu algumas vezes antes de ficar pronto. Você compreende o que quero dizer? Nesse caso, é bom pedir sabedoria do alto pra podermos enxergar a diferença entre teimosia e perseverança. A linha entre as duas coisas é bastante tênue.

Quais são as suas frustrações?

Deus nunca as ignorou. Ele quer cuidar disso e te ensinar a lidar com elas. Tem sido assim comigo e Ele não me ama mais do que ama você.

Um grande abraço!!!

Não entendi

Quando fui estudar sobre “Inerrância da Bíblia”, acabei descobrindo um princípio muito legal sobre hermenêutica. Todo texto bíblico permite que se faça conjecturas sobre ele, desde que você não altere o sentido original ou a essência do texto. Eu uso muito isso. Conjecturas em palestras, estudos e até no post de hoje. Vamos a ela.

“Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta”, perguntou Filipe.

Jesus lhe respondeu: “Filipe, há tanto tempo estou convosco, e não tendes me conhecido? Quem vê a mim vê o Pai; como dizes tu: Mostra-nos o Pai? Não crês que eu estou no Pai e que o Pai está em mim?”

“Você está no Pai e o Pai está em você? Não entendi. Acho que tenho dificuldade com paradoxos.”

Paradoxos e mais paradoxos.

Assim é a vida cristã.

Só ganha a vida quem perde. O maior é o menor. E a loucura de Deus é assim, cheia de sabedoria.

Quem me dera, ao menos uma vez, explicar o que ninguém consegue entender. Que o que aconteceu ainda está por vir e o futuro não é mais como era antigamente.

Se você pensar de maneira minuciosa nas palavras ditas pelo Renato Russo na música “Indios”, o mais razoável é a conclusão de quem diz: “Não entendi!” 

Afinal, o que falar do anseio de querer explicar o que ninguém consegue entender?

Jesus era o “Mestre do Paradoxo”. Deus ama paradoxos. A Bíblia é o livro dos paradoxos e o nosso mundo parece ser o grande palco onde o dramático paradoxo de Deus se manifesta. A fé, que é um pré-requisito para quem deseja viver com Deus, não resolve o dilema do paradoxo. Ela o acolhe sem desejar desembaraçar-se dele. Não se propõe a explicá-lo. Ela simplesmente o abraça, tornando o paradoxo vivível.

Os tolos tentam explicar os paradoxos. Aprendi com Kierkegaard que, sempre que o entendimento sente piedade do paradoxo e começa a tentar ajudá-lo para que chegue a uma explicação, o paradoxo se retira por saber que, se for explicado, deixa de existir.

Não é preciso ter fé quando somos confrontados com certezas inabaláveis. A fé se faz necessária nos momentos crepusculares onde o mundo está cheio de incertezas, quando a noite é fria por causa do silêncio de Deus. E a sua função não é substituir as interrogações por certezas e seguranças, mas ensinar-nos a viver num mundo imbuído de incógnitas.

Acho que é isso, pessoal. Vou parando por aqui porque sei que Jesus é Deus. Sei também que Jesus é Filho de Deus. Jesus é Filho Dele mesmo?

“Não entendi!”

Um grande abraço!!!

Ideias extraídas do livro “Paciência com Deus”, de Tomás Halík.

 

Odre na fumaça

“Odre na fumaça”.

Talvez esse não seja um bom título para um post, mas não dava para ter sido outro. Peço que continue lendo o texto. Preciso explicar o que aconteceu e o título fará sentido no final. Essa semana, li um dos meus capítulos preferidos da Bíblia. Coincidentemente, o maior capítulo de toda a Escritura: o Salmo 119. Interessante pensar que o maior capítulo da Palavra de Deus fala sobre um amor genuíno pela própria Palavra. Mas o título do post surgiu por causa do verso 83.

“Já me assemelho a um odre na fumaça; contudo, não me esqueço dos teus decretos.” (Sl.119:83)

Essa foi a comparação do salmista. Um odre na fumaça. Odre é um antigo recipiente feito de peles de animais que era usado para transportar líquidos como água, azeite, vinho ou leite.

Mas, por que um odre na fumaça?

Porque após ser costurado, o couro cru do animal, em apenas algumas poucas horas, começa a se deteriorar. Exatamente por isso, os odres são expostos à fumaça dos fogões à lenha para serem depurados. Com o calor do fogão e a fumaça constante, o odre escurecia, ficava enrugado e diminuía de tamanho, mas nenhuma bactéria se apoderava dele por causa da fumaça. Agora, ele estaria perfeitamente puro para receber líquidos importantes que precisavam ser transportados ou armazenados.

Era impossível não pensar na minha vida. Lembrei de momentos e situações em que a minha existência parecia se resumir em “calor” e “fumaça”. Dias em que a alma escurece, enruga e parece diminuir de tamanho. Odres transformados por fogões à lenha são como corações que se moldam pelas dores e angústias da vida.

Eu não sei o que Deus está fazendo na sua história.

Sei que vinho novo requer odre novo. Deus sempre vem com o vinho. O odre é por nossa conta. E o processo, você já sabe como é.

Tá, mas o que eu devo fazer enquanto isso?

O mesmo que o salmista, após a conjunção adversativa “contudo”.

Porque, nesse caso, a 2ª parte do versículo é mais importante do que a 1ª!

Um grande abraço!!!