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Despedida

“Caminhando Jesus e os seus discípulos, chegaram a um povoado, onde certa mulher chamada Marta o recebeu em sua casa. Maria, sua irmã, ficou sentada aos pés do Senhor, ouvindo a sua palavra. Marta, porém, estava ocupada com muito serviço. E, aproximando-se dele, perguntou: ‘Senhor, não te importas que minha irmã tenha me deixado sozinha com o serviço? Dize-lhe que me ajude! Respondeu o Senhor ‘Marta! Marta! Você está preocupada e inquieta com muitas coisas; todavia apenas uma é necessária. Maria escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada'”.


Queridos leitores,

Venho com este post me despedir de vocês. A partir de dezembro não estarei mais publicando posts no Blog Outras Fronteiras. Essa minha decisão foi bastante pensada e ponderada. Irei fazer um intercâmbio no final do ano, e logo que eu voltar, estarei na reta final na faculdade (quase formando). Além disso, tenho planos para o ministério que irão demandar bastante tempo. Portanto, acho que vai ficar difícil ter tempo suficiente para fazer posts de qualidade. Não sei se vocês sabem, mas para publicar um post cada um aqui gasta bastante tempo pensando sobre o que irá escrever, escrevendo e editando!

Participar desse bolg com amigos tão queridos foi uma experiência ímpar em minha vida! Foi muito emocionante e desafiador publicar posts quinzenalmente. Queria agradecer imensamente a vocês que disponibilizaram um tempinho para ler meus posts e para deixar comentários que me fizeram refletir e até reconsiderar algumas opiniões minhas. Foi um prazer poder dividir um pouco da minha vida com vocês e poder saber um pouco da vida de vocês também. Obrigada mesmo.

Enfim, depois de uma conversa com minha queridíssima amiga Nanda, decidi acrescentar esse trecho de Lucas 10: 38-42 no meu post de despedida. O desejo mais sincero do meu coração é que no ano que vem eu não fique como Marta, ocupada com muito serviço e preocupada  e inquieta com muitas coisas, e sim que eu seja como Maria, constantemente aos pés de Cristo, ouvindo a sua palavra. Por favor, orem por mim!

Esse é meu desejo para todos vocês também. Espero que ao final do ano de 2010 vocês possam olhar para trás e perceberem que permaneceram lá, aos pés de Cristo, aprendendo com ele e tendo suas vidas completamente transformadas.

Um abraço, com carinho,

Carla.

O gracioso círculo

Existem dois aspectos no relacionamento entre os três membros da Trindade que me deixam absolutamente fascinada: eles se alegram enormemente quando o outro recebe toda a glória e eles exaltam uns aos outros com um desprendimento de quem não faz questão de ser exaltado também.

Observe:

O Espírito Santo vem em nome de Cristo, testemunha a respeito dele e glorifica a ele. Já Cristo submete sua vontade à do Espírito (quando é impelido para o deserto para ser tentado) e à de Deus (quando faz sua oração no Getsêmani). Deus, por sua vez, na transfiguração, diz “Este é o meu Filho amado, em quem me agrado. Ouçam-no!”. Após dizer isso ele não acrescenta: “Ouçam-me também depois de terem ouvido meu Filho, não se esqueçam que eu também estou aqui; não se preocupem apenas com meu Filho”.

Como afirma John Ortberg, “Cada membro da Trindade chama a atenção para o outro, com fidelidade e altruísmo, formando um gracioso círculo”.

Acredito que esse “gracioso círculo” só pôde ser formado porque existia muito amor entre eles. Cada um se sentia plenamente amado pelos outros, sem precisar receber nenhuma glória para se sentir mais aceito e mais seguro.

Esses aspectos do relacionamento presente na Trindade me encantam tanto porque sei da dificuldade que eu tenho de ouvir outra pessoa sendo muito elogiada, enquanto eu nem sou mencionada. Por outro lado, sei também que quando me sinto amada, não fico tão mal ao ver a atenção sendo dirigida inteiramente à outra pessoa.

O melhor disso tudo é que o Pai, o Filho e o Espírito Santo nos convidam para fazer parte dessa comunhão que eles desfrutam. Meu coração bate mais forte quando penso que, participando dessa comunhão, é possível sim eu ser um pouco menos egoísta e me alegrar inteiramente quando os holofotes estão todos sobre outra pessoa.

Obs.: As idéias presentes nesse post foram retiradas do livro “Somos todos (a)normais?”, de John Ortberg.

A intolerância da Igreja X O amor de Cristo

Sobre Cristo, Brennan Manning, em seu livro Convite à loucura, afirma:

“Suas palavras não vinham carregadas de repreensão e humilhação, castigo e moralismo, acusação e condenação, ridicularização e depreciação, ameaça e chantagem, avaliação e rotulagem. Sua mente era constantemente habitada pelo perdão de Deus”.

“À mulher flagrada em adultério, nem mesmo perguntou se estava arrependida. Nem exigiu uma firme decisão de se corrigir. Não lhe fez uma preleção sobre as severas consequencias de uma futura infidelidade. Ele viu sua dignidade como ser humano prestes a ser destruída pelos presunçosos fariseus. Depois de lembrá-los de sua participação na culpa da mulher, ele olhou para a mulher, a amou, perdoou e advertiu para que não pecasse mais”.

Sobre a Igreja, John Ortberg, em seu livro Somos todos (a)normais?, afirma:

“Eu amo a igreja. Mas às vezes me pergunto: por que as igrejas produzem tantos apedrejadores?”.

Quando li as colocações de Brennan Manning sobre a atitude de compaixão de Cristo, percebi que algumas vezes ajo de forma radicalmente oposta. Ao invés de perdoar, acuso. Ao invés de amar, rotulo. Muitas vezes, faço questão que a pessoa esteja arrependida e decida agir diferente.

Já quando li as frases de John Ortberg pensei: de fato a Igreja corre um grande risco de se tornar repleta de pessoas intolerantes, cheias de pedras nas mãos, prontas para acusarem outras pessoas. É triste pensar que algumas vezes eu faço parte dessa turminha de apedrejadores.

A conclusão a que cheguei é que a Igreja fundada por Cristo alcançava os pecadores que todos os fariseus rejeitavam e atiravam pedras. Os alicerces da Igreja de Cristo eram o perdão e o amor. Curioso como muitas vezes nos distanciamos desses alicerces fundados por Cristo e nos aproximamos do modo hipócrita como os fariseus agiam com os pecadores.

Muitas são as pessoas prontas a apontar o dedo para você e a te julgar, porém poucas são aquelas dispostas a te estender a mão e a te amar de fato. Meu desejo e minha oração é para que a nossa igreja possa ser um desses poucos lugares onde não há lugar para condenação, somente para o perdão.

Oração

Como expus no meu último post, ter relacionamentos profundos com pessoas é algo importantíssimo para sermos felizes.

Entretanto, existe outra coisa que é ainda mais importante para termos uma vida abundante: ter um relacionamento profundo com Deus.

Há algo objetivo que eu possa fazer tanto para desenvolver um relacionamento profundo com Deus quanto com pessoas? Sim. Orar.

Eu entendo que a oração deveria sustentar todos os nossos relacionamentos.

Sobre ter um relacionamento profundo com Deus, Bill Hybels nos esclarece, em seu livro Ocupados demais para deixar de orar, que  “a comunhão mais íntima com Deus só se obtém por intermédio da oração”. Ou seja, somente dedicando um tempo para nos colocarmos diante de Deus e expor todas as nossas alegrias e angústias (entre outras coisas) que poderemos ficar mais próximos dele.

Já sobre ter relacionamentos profundos, lembrei-me do livro do Philip Yancey, Oração: ela faz alguma diferença?, onde ele diz que é a oração não muda só a pessoa por quem se está orando, muda também quem ora. Quando oramos persistentemente por alguém, nossa compaixão, interesse e amor por ela aumentam significativamente. Quem ora não consegue ficar parado.

A partir dessas idéias fiquei me questionando se:

  1. Minhas orações têm sido automáticas e não têm contribuído para eu ter um relacionamento íntimo com Deus;
  2. Eu tenho orado por alguém com regularidade;
  3. Alguém ora por mim com regularidade.

Portanto, pensando sobre essas questões, pude concluir que se eu dedicasse mais tempo à oração, acredito que minha vida estaria significativamente diferente. Termino este post bastante animada a me dedicar mais à essa prática que é tão fundamental.

É impossível ser feliz sozinho

uma querida amiga minha!
Naty - uma querida amiga minha!

“Nunca conheci uma pessoa incapaz de relacionar-se com alguém – vivendo isolada, sozinha e sem amigos – e que, ao mesmo tempo, tenha tido uma vida feliz e gratificante”.

“Em contrapartida, nunca conheci alguém que sempre teve bons relacionamentos – cultivou grandes amizades, foi dedicado à família, dominou a arte da generosidade e recebeu amor – e que, ao mesmo tempo, tenha levado uma vida infeliz”.

John Ortberg, do livro “Somos todos (a)normais?”

A partir dessas afirmações de John Ortbeg, podemos supor que a conquista da felicidade está intimamente atrelada aos relacionamentos que você desenvolve durante a vida. Você concorda com isso?

Acredito que muitas vezes corremos atrás de muitas realizações e conquistas,  como, por exemplo, “vencer competições, ter uma carreira de sucesso ou atingir uma meta difícil”, pensando que isso nos fará felizes. Investimos em tantas coisas que acaba sobrando pouco tempo para nos dedicarmos aos relacionamentos.

Porém, nos enganamos: buscamos a felicidade no lugar errado. Essa busca por realização nos deixa obcecados e escravizados, contribuindo para que nossos relacionamentos fiquem cada vez mais empobrecidos e superficiais. Paulo, em sua carta aos Coríntios nos esclarece que podemos conquistar várias coisas, mas sem amor nada seremos.

Entendo, hoje, que ter bons relacionamentos, amizades verdadeiras, é algo importantíssimo e que realmente faz toda a diferença em minha vida. São, na maior parte das vezes, nos meus relacionamentos que posso experimentar um pouco do amor que Deus tem por mim.

Para finalizar, uma frase da música Wave de Tom Jobim, que de certa forma sintetiza tudo o que foi dito anteriormente: “fundamental é mesmo o amor, é impossível ser feliz sozinho…”

Palavras desperdiçadas

Segundo Vygotsky (um teórico do desenvolvimento humano), a relação do homem com o mundo é indireta e mediada por símbolos, sendo que a língua é o principal deles. Ou seja, para interagirmos com o mundo que nos cerca, as palavras são preciosas, são o instrumento mais importante que nós, seres humanos, possuímos para nos relacionarmos.

Palavras

Curioso é como tantas vezes fazemos um mau uso desse instrumento e geramos mal estar para todos os lados: para mim, para você e para a comunidade que nos cerca. As palavras podem ser usadas tanto a nosso favor quanto contra, tanto para acrescentar coisas boas aos relacionamentos quanto para espalhar, causar atritos e desunião.

Quando fazemos um mal uso das palavras? Quando mentimos, causamos intrigas, fofocamos, falamos mal de alguém, entre outros. Além disso, a Bíblia já nos alerta sobre o perigo de falar muito – o perigo de desperdiçar palavras. Sabemos que quem controla a sua língua é sensato (Pv 1o:19) e que a língua é um pequeno órgão do corpo que é capaz de fazer grandes estragos na vida das pessoas (Tg 3: 5,6).

As vezes alguém diz algo que toca em um ponto que me angustia de tal forma que saio desperdiçando e espalhando palavras por todas as partes. Depois, não consigo mais recolher essas palavras e acaba sobrando um resto que contamina a mim e a todos a minha volta.

Com essas minhas experiências, aprendi que, ao desperdiçarmos, não enxergamos o outro. Como somos seres relacionais, não há como vivermos bem sem que o outro esteja bem, assim, o maior prejudicado pelo nosso próprio desperdício, acaba sendo nós mesmos.

Quando algo não vai bem

“Note algo muito curioso. É o defeito que faz a gente pensar. Se o carro não tivesse parado, você teria continuado sua viagem calmamente, ouvindo música, sem sequer pensar que automóveis tem motores. O que não é problemático não é pensado. Você nem sabe que tem fígado até o momento em que ele funciona mal. Você nem sabe que tem coração até que ele dá umas batidas diferentes. Você nem toma consciência do sapato, até que uma pedrinha entra lá dentro. Quando está escrevendo, você se esquece da ponta do lápis até que ela quebra. (…) A gente pensa porque as coisas não vão bem – alguma coisa incomoda. Quando tudo vai bem, a gente não pensa, mas simplesmente goza e usufrui…”

Estse é um trecho retirado do livro “Filosofia da ciência – Introdução ao jogo e suas regras”, escrito por Rubem Alves.  Quando eu li esse texto, no meu primeiro período do curso de psicologia, achei fantástica a idéia trazida pelo autor de que nós só paramos para pensar em algo, quando este algo não vai bem.

Trouxe este tema aqui para o blog porque na semana passada, só fui valorizar uma pessoa,  parar para pensar nela, quando, por um minuto, pensei que a tivesse perdido. Permita-me contar-lhe como foi.

Meus pais tinham ido viajar e eu iria tomar conta da minha irmã no fim de semana. Poucas horas depois de eles terem saído de casa, eu estava almoçando e fui acordar minha irmã para almoçar comigo. Ela acordou normalmente, sentou-se à mesa, serviu seu prato, e alguns segundos depois disse que não estava se sentindo muito bem. De repente, ela foi ficando pálida e com o corpo mole. Corri para ajudá-la e a moça que trabalha aqui em casa também. Tentamos levá-la para o sofá, mas não conseguimos. Seguramos o seu rosto e ela apagou por alguns instantes. Chamamos por seu nome e tentamos reanimá-la, e foi um alívio imenso ver seus olhinhos abrindo e ela perguntando o que tinha acontecido.

Ufa! Nossa, levei um susto enorme! Foi apenas um desmaio devido à uma queda de pressão. Mas, depois disso, não fui na aula e passei o dia cuidando dela – o que foi um privilégio para mim, pois pude demonstrar um pouco do meu amor por ela através de cuidados simples.

Depois desse episódio fiquei pensando em como ela é importante para mim e como eu não aguentaria perdê-la. Passei a valoriza-lá mais e a apreciar mais ainda sua companhia. É muito bom ver ela feliz e com saúde, cada dia crescendo mais.

Foi assim que me lembrei das palavras de Rubem Alves.  Realmente é bom que coisas ruins aconteçam para que possamos reparar nas coisas boas. Lembrei-me então de outra pessoa que também já falou sobre isso: Tiago. Em sua carta, na Bíblia, ele diz que é importante que passemos por dificuldades, pois assim aprenderemos a perseverar e a nossa fé será aperfeiçoada.

Eu entendo que Deus nos ama tanto que ele não poderia permitir que passássemos pela vida sem nenhuma tribulação. É através delas que temos grandes oportunidades de sermos aperfeiçoados, de sairmos do modo “automático” em que vivemos e pararmos para pensar tanto no que não vai bem, quanto no que vai bem.

Minha vida simulada

Volto às aulas hoje e, se você me perguntar qual foi minha distração favorita nesse tempo sem aulas, te responderei sem hesitar: jogar The Sims 3.

The Sims 3

Caso você não conheça, esse é um jogo de computador que tem tem como objetivo simular a vida real. Nele, basicamente, você cria personagens, chamados sims, e gerencia a vida deles. Cada um desses sims possui desejos e necessidades básicas. Os desejos variam de sim para sim, já as necessidades são as mesmas para todos, assim como na vida real.

Existem seis barras de necessidade, que nos indicam o quanto cada uma está satisfeita. As seis necessidades básicas são: fome, banheiro, higiene, diversão, social e energia. Por exemplo, normalmente, quando o personagem chega do trabalho, ele está tenso: precisando de diversão. Então, o direciono para jogar um jogo no computador e espero até que a barra “diversão” fique completa. Imediatamente após a barra ficar completa, o direciono para outra atividade do tipo “estudar mecânica”, para que ele melhore essa habilidade (se ela for necessária para seu emprego) e seja promovido.

O que eu gostaria de ressaltar é que eu tenho total controle sobre a vida deles, sei do que eles precisam e do que não precisam, de modo que a vida de cada personagem é perfeitamente estruturada. Após satisfateita uma necessidade específica, já o direciono para suprir outra necessidade e quando todas as necessidades estão supridas, direciono-o para investir em sua vida profissional ou afetiva.

O curioso é que na vida real eu conheço as minhas necessidades e prioridades, mas mesmo assim não consigo estruturá-las. Como seria bom se, quando minha “barrinha” diversão estivesse completa, eu saísse da frente da televisão e fosse fazer algo bem mais útil e prioritário! Acho que tanto tempo de diversão em frente ao The sims me ajudou a perceber a forma desestruturada como eu tenho vivido.

Cuidado: arrogância à vista!

Há um programa na televisão chamado Troca de esposas que vai ao ar no canal People and Arts. Esse programa é um reality show que, a cada episódio, mostra duas semanas de duas famílias que trocam as esposas entre si. Ou seja, a esposa de umas das famílias viverá na casa da outra durante esse período, e vice versa.

O interessante do programa é que a “nova esposa” precisa viver de acordo com as regras da casa durante a primeira semana e, na segunda semana, é ela quem dita as regras, sendo que os produtores sempre buscam duas famílias que vivem de maneiras opostas. E, ao final do programa, ambas as famílias compartilham como foi a experiência.

Houve um episódio que me chamou muito a atenção. A troca foi feita entre uma família muito evangélica (o pai era pastor) e outra muito ateísta (o pai tinha um programa de rádio no qual falava exclusivamente contra o cristianismo). Dentre as várias coisas legais que foram mostradas, o que achei mais legal foi a postura humilde  do pastor ao final do programa em contraste com a postura arrogante de sua mulher no início do mesmo.

Ele disse que ficou admirado com o carinho que a esposa atéia tinha pela filha dele e que o modo com que ela cuidou da menina o ajudou a ficar mais atento às necessidades de sua filha. Além disso, uma das regras que ela implementou (“é proibido orar com os filhos antes de dormir”) o ajudou a perceber que ele deveria conversar mais com os filhos sobre coisas do dia-a-dia e não ficar falando apenas sobre assuntos religiosos. Por outro lado, a esposa dele mudou de casa pensando somente no que ela poderia ensinar para a nova família e não no que ela poderia  aprender.

Percebo que nós, cristãos, na maioria das vezes, agimos com esse ar de prepotência da esposa do pastor. Nos relacionamos com as pessoas pensando somente no que podemos acrescentar à vida delas, NUNCA pensando no que elas podem acrescentar às nossas vidas. É curioso como posso me tornar uma pessoa prepotente, incapaz de aprender algo com aqueles que pensam diferente de mim, buscando justamente ser o oposto disso. Lamentável. Por exemplo, não entro na minha sala de aula buscando o que eu posso aprender com as pessoas que estão ali, mas pensando no impacto que eu gostaria de trazer à vida delas. Triste, não?

Quando percebi esse erro, pude mudar minha atitude. Pude deixar de lado toda a minha prepotência e ao invés de buscar incessantemente ser um “bom exemplo” no meio em que vivo, busco o que vem antes disso, um relacionamento íntimo com Deus. Ser um “bom exemplo” é uma consequência disso. Quando deixo de pensar somente no que eu posso levar para as pessoas e me permito aprender com todas, consigo escapar um pouco da arrogância que às vezes me acompanha.

Pegue seu garfo

Li uma história no livro “Venha andar sobre as águas” que me fez refletir bastante e, por isso, decidi escrever um post sobre ela. O livro foi escrito por John Ortberg e trata de temas profundos de uma forma simples e prática. Recomendo a leitura!

Bom, essa história é sobre uma mulher que descobriu que tinha câncer e que lhe restavam apenas três meses de vida. Ela foi aconselhada pelo seu médico a se preparar para a morte. Chamou então um pastor amigo dela e lhe disse que queria deixar tudo pronto para o seu funeral. Então escolheu as músicas que deveriam ser tocadas, os trechos da Bíblia que o pastor deveria ler e a Bíblia que ela gostaria que enterrassem junto a ela.

Quando o pastor já estava indo embora, ela fez mais um pedido: gostaria de ser enterrada segurando um garfo na mão direita. O pastor não sabia nem o que dizer diante de um pedido tão inusitado!

Garfos

Ela então explicou: em todos os anos em que ela freqüentou a igreja, os seus momentos favoritos eram quando, na hora da refeição, os encarregados de retirar os pratos se inclinavam e diziam “pode segurar o garfo”. Isso significava que o melhor ainda estava por vir, que ainda seria servida a refeição principal. Então, ela gostaria que, quando as pessoas a vissem no caixão com um garfo na mão e perguntassem para ele o porquê daquilo, ele respondesse “porque o melhor ainda está por vir – segurem o garfo”.

Pensando em tudo isso, comecei a me questionar sobre o quanto eu penso nessa afirmação de que “o melhor ainda está por vir”. Sendo completamente sincera, penso muito pouco sobre isso. Assim como disse no meu último post, se eu pensasse um pouco mais sobre o que me aguarda, talvez seria um pouco menos pessimista e reclamona (como eu de fato sou). Esta história me ajudou a renovar a esperança que eu tenho em Cristo e a me lembrar que essa esperança me faz falta no dia-a-dia.

Entretanto, o ponto forte dessa história, na minha opinião, é que “segurar o garfo”, no sentido simbólico, significa se preparar para algo melhor. A partir dessa idéia, comecei a me perguntar: como podemos nos preparar para esta vida plena ao lado de Deus? Quais são as coisas às quais precisamos nos agarrar para que possamos aproveitar o que está por vir?

Gostaria que juntos pudéssemos pensar nessas respostas.

É importante notar que somente aqueles que estiverem segurando o garfo poderão experimentar algo delicioso. Portanto, agarre o seu!