Anomia espiritual

Em uma aula na FAFICH (Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG) no início do curso de Direito aprendi sobre anomia social. O termo foi desenvolvido pelo sociólogo Émile Durkheim no início do Século XX. Nesta aula o didático professor contou a historinha de como nasciam os cachaceiros para explicar o que Durkheim queria dizer com “anomia social”. Vejamos.

Um de meia idade possuía uma vida relativamente estável, até que perdeu seu emprego. Todos os dias ele passou então a sair de casa pela manhã à procura de trabalho. Descobriu que já não era mais o jovem em potencial de trinta anos atrás. Como não encontrava, passava longas e entediantes tardes em casa na frente da TV. Com o tempo veio a temida depressão. Sua relação com a esposa já não era mais a mesma, não conseguia oferecê-la a mesma segurança de outrora e se sentia envergonhado ao vê-la cuidar do sustento da casa. Perdeu também a autoridade para disciplinar seus filhos. Um dia ela saiu pela manhã com currículos impressos debaixo do braço. Foi a diversas agências de emprego, mas novamente não encontrou nenhuma vaga com seu perfil. Triste, ele caminhou cabisbaixo e sem esperança de volta para casa. No caminho encontrou um bar. Pensou em tomar algo. Como não possuía mais recursos para o bom 12 anos, ele pediu algo mais barato. O antigo pai de família respeitado, bem empregado, sadio e estável tomou assim sua primeira dose de cachaça. Saiu, desta maneira, do boteco fazendo parte do numeroso time dos cachaceiros e, assim como eles, marginalizado e com a vida destruída. Tudo por conta da perda do seu referencial valorativo: seu emprego.

Nós também passamos por um processo de anomia, mas no campo espiritual. Isso ocorreu conosco há muito tempo, quando decidimos não viver dentro do padrão estabelecido por Deus. Sem uma certeza a que agarrar passamos também a buscar em uma ou outra cachaça um motivo para viver.

Para nossa alegria nossa história não terminou como a do homem acima descrita. Deus, em seu infinito amor, nos mostrou o caminho por meio de Jesus. Nele temos o modelo de vida a seguida e a verdadeira razão para viver.

Hoje quero deixar um desafio para alguns e uma pergunta outros e para mim mesmo.

Se ainda está perdido no bar, faço o convite para que venha a conhecer este caminho tão gratificante ao lado de Cristo.

Se já conhece a vida com Jesus, pergunto: já se viu livre das cachaças em sua vida?

Rafael Santtos

Sobre Rafael Santtos

Rafael Santos, Belo Horizonte, 18 de abril de 1984, cristão desde 2012, sonhador, aventureiro, sanguíneo, exortador. E deseja dividir um pouco do que pensa através do Outras Fronteiras.

5 comentários sobre “Anomia espiritual

  1. Que legal, Rafa.
    Sou muito grata por poder ter uma vida com Deus e poder tê-lo na minha caminhada diária. As “cachaças” rondam, mas quando olho pra Ele, todas elas parecem ser sem sentido (e o são).
    Bjos

  2. E, no caso da Ana, são “cachaças” de forma literal… =/

    Agora, com Cristo, é como se tívessemos entrado no AA e, juntos, lutamos dia a dia para não tomar outra dose.

    Bom texto, amigo.

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