Amor: Deus, eu, o outro

Amor. Se a maioria dos assuntos sérios podem ser muito profundos, a Bíblia nos diz ainda que o Amor pode ser largo, alto e comprido. Hoje vou tentar tratar de dois aspectos desse tão vasto tema.

Há dois autores cristãos que escrevem basicamente sobre amor mas de enfoques muito diferentes. Os primeiros mandamentos nos dão um pouco destas diferenças: amará o Senhor (…) amará o próximo como a si mesmo.

Com o pecado apenas um destes três objetos de amor permaneceu, ainda assim, uma amor incompleto que dificilmente pode ser reconhecido como amor. No mundo ideal amávamos a Deus, amávamos a nós mesmos e ao próximo. Hoje só nos resta uma idolatria do eu, que pode ser confundida com amor. Jesus veio reestabelecer a ligação com o Pai por meio da qual seríamos capazes de voltar a amar verdadeiramente o Eu e o próximo. Tudo começa com Deus, mesmo o que não parece ser dirigido a ele.

Brennan Manning me encanta com sua profunda visão sobre o amor de Deus por nós. Diz ele em uma passagem que me impacta sempre: “Aprendi de um sábio franciscano que, para quem conhece o amor de Cristo, nada mais no mundo é tão belo e desejável.”

Nada mais no mundo. Dinheiro, roupas, tecnologia, sucesso profissional, beleza, pessoas… Nada mais é belo. Nada mais é desejável. Só há o amor de Deus.

Fica claro que daí tudo muda: a idolatria a si mostra-se radicalmente diferente do verdadeiro amor e, estando seguros de nós mesmos por causa de Jesus não precisamos desmerecer os outros, rebaixá-los, menospreza-los. Eles não nos ameaçam, não podem tirar ou afetar nosso valor que está seguro em Deus.

Esse é o início da transformação.

John Powell parece superficial perto dessas constatações. Sua abordagem é bem mais focada no eu e em sua relação com o próximo. Ele não exclui a primeira visão mas a complementa. Pois nem tudo se dá tão naturalmente. Amar a Deus e ser profundamente transformado. Quantos anos são necessários, quantas reafirmações de propósito, quantas diárias e cotidianas distrações. Seu enfoque é para nos conhecermos, o que, defende ele, só pode ser feito por meio de outro.

Humanamente parece necessário dividir o que só pode ser completo. O amor é tríplice: Deus, eu, o outro.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *