Água viva

O prazer já foi objeto de dois outros posts meus há algum tempo (confira nos links ao final do post). Voltei a pensar no assunto por ler o que Lerry Crabb escreve em seu livro Conexão*. Segundo o autor, muitas vezes cavamos cisternas à procura de água para saciar nossa sede. Com ela quereremos preencher o velho e famigerado vazio que sentimos e nos ver livres de toda a dor que nos incomoda, ainda que por um momento apenas. Uma pergunta nos inquieta todo tempo: será que estou satisfeito? E em busca dessa satisfação selecionamos a convivência entre as pessoas a nossa volta apenas aquelas que irão contribuir para nosso projeto de satisfação pessoal a qualquer custo. Estabelecemos com elas uma relação superficial de amizade por não suportar avaliações e pelo medo de sermos julgados. Com isso, ficamos mais impacientes e insensíveis com quem nos “desagrada”. Tiramos claramente o foco de Deus na nossa vida e o colocamos em nós mesmos. Quantas pessoas magoamos no meio desse caminho?

Apesar de todo o esforço não conseguiríamos jamais nos ver livres de toda a dor e, muito menos, preencher este vazio. Larry Crabb afirma que somente uma verdadeira conexão com Deus nos faria bem. Para tanto, contamos com a ajuda dos amigos verdadeiros que, no lugar de nos julgar, nos ajuda se conectando a nós, liberando o que eles têm de legal dentro dele, que provém de Deus. Foi isso que Jesus fez com a mulher samaritana (João 4) que buscava pela água da fonte da vida. Ele não deu um milhão de conselhos-solucionadores-de-problemas-específicos, não brigou com ela pela sua forma de viver. Ele simplesmente liberou seu amor e lhe mostrou que existe a água que saciaria sua sede.

Há alguns anos venho lutando para me sentir saciado. Infelizmente, muitas das vezes procuro por esta água cavando minhas próprias cisternas e não buscando na fonte que jorra pela eternidade. E você, tem cavado suas cisternas? Tem sido o amigo que ajuda a mostrar a fonte? O que pensa dessas ideias?

*Larry Crabb. Conexão: o poder restaurador dos relacionamentos humanos. O plano de Deus visando a cura emocional. São Paulo – Mundo Cristão, 1999.

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Rafael Santtos

Sobre Rafael Santtos

Rafael Santos, Belo Horizonte, 18 de abril de 1984, cristão desde 2012, sonhador, aventureiro, sanguíneo, exortador. E deseja dividir um pouco do que pensa através do Outras Fronteiras.

5 comentários sobre “Água viva

  1. Olá, Rafa!
    Parabéns pelo texto! Muito bacana pensar nas idéias que você traz, nas idéias de que compartilhamos para buscar a paz em nós. Há um tempo venho pensando, sobretudo nos momentos de dor, que doido é sentir eu cresço com esses momentos! Não é necessário ser cristão pra pensar isso, mas é muito diferente reparar que quando procuro pensar nesses momentos julgando o que Cristo diz a respeito deles. Sentindo que eles fazem parte de um momento, que Deus está comigo e que Nele eu tenho conforto. E que juntos, eu, Ele (Cristo/Deus/Espírito Santo), e você e amigos que procuram refletir Deus eu sei que , por consequência, eu cresço. O vazio que as vezes sinto também é uma lembrança de eu, sozinho não me basto. Que é importante o outro, no que representa Deus, no que representa o amor e idéias para um viver bacana, para que eu deguste da vida e honre a Deus por ela. Obrigado por contribuir para o meu bem… tamo junto, abraço!

  2. Comentário profundo, Elias.

    “O vazio que as vezes sinto também é uma lembrança de q eu, sozinho não me basto.”

    Com certeza não me basto sozinho. Creio que o ser humano foi criado à imagem e semelhança de um deus que são três e vivem em um relacionamento perfeito. fomos feitos para nos relacionar.

    minha dificuldade se encontra no tipo de relacionamento que tento estabelecer para nutrir esse vazio: muitas vezes tenho buscado água barrenta em cisternas que eu mesmo cavo, no lugar de procurar a água da vida em Deus.

    Valeu, cara! Tamo junto!!!!

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