A volta para o barco

Pedro é a pessoa da Bíblia com quem mais me identifico. Quando penso nele, vejo alguém com dificuldades e qualidades parecidas com as minhas. Há uma passagem em que ele aparece de que gosto muito que está relatada, entre outros, no evangelho de Mateus. Ela diz o seguinte:

Alta madrugada, Jesus dirigiu-se a eles, andando sobre o mar. Quando [os discípulos] o viram (…), ficaram aterrorizados e disseram: “É um fantasma!” E gritaram de medo. Mas Jesus imediatamente lhes disse: “Coragem! Sou eu. Não tenham medo!” “Senhor”, disse Pedro, “se és tu, manda-me ir ao teu encontro por sobre as águas”. Venha”, respondeu ele. Então Pedro saiu do barco, andou sobre as águas e foi na direção de Jesus. Mas, quando reparou no vento, ficou com medo e, começando a afundar, gritou: “Senhor, salva-me!” Imediatamente Jesus estendeu a mão e o segurou. E disse: “Homem de pequena fé, por que você duvidou?” Quando entraram no barco, o vento cessou. Então os que estavam no barco o adoraram, dizendo: “Verdadeiramente tu és o Filho de Deus”. (Mateus 14:25-33)

Conheço várias interpretações da passagem. A última que ouvi diz que Pedro foi corajoso o suficiente para deixar o barco seguro e se lançar ao mar agitado com intuito viver uma aventura com Jesus. No entanto, ele não teria confiado em si mesmo, não teria alimentado fé de que Deus acreditava nele. Os que entendem assim defendem esta tese sob o argumento de que o apóstolo tanto acreditava em Jesus que o pediu para descer da embarcação e foi a ele que recorreu quando começou a afundar.

Reli a passagem na última semana e fiquei pensando em como isto também acontece comigo. Saio da minha zona de conforto para viver uma experiência com Deus e no meio do caminho me “borro” de medo com uma ou outra adversidade. Tendo também a me afundar, mesmo sabendo que Deus está comigo.

Segundo o que está escrito, me pergunto: será que Pedro voltou tranquilamente para o barco? A ajuda de Jesus em um momento específico foi suficiente para que ele voltasse a ter confiança em si mesmo? Ou teria afundado a cada novo passo? A experiência de ter o auxílio de Jesus com ele fez com que firmasse gradativamente os pés?

Esta não foi a última vez que Pedro duvidou de sua fé. Diante da captura de Jesus, ele o negou (Mc 14:66-72), pestanejou novamente, com possíveis consequências piores que as anteriores. Jesus novamente estende as mãos (Mc 16:7) para não deixar que Pedro afundasse. O que temos ao fim é que ele foi o primeiro líder da Igreja no mundo e, segundo a tradição, teria morrido em uma cruz, de ponta cabeça, pois não se considerava digno de morrer como Jesus, por defender o evangelho. Aquele que antes era fraco e indefeso diante de qualquer vento passou a encarar de frente as grandes tempestades que a vida ao lado de Jesus lhe trouxe.

Hoje sinto que, assim como Pedro, já fui resgatado de volta à superfície em dificuldades específicas na minha vida cristã de aventuras. Tenho porém pensado na hipótese de submergir novamente pelos mesmos medos de que Jesus já me salvou uma vez. Minha oração hoje é para que consiga “retornar ao barco”, confiante de que Jesus está comigo e torcendo para que eu não deixe de acreditar que conseguirei. Quero também crer que a experiência de ser resgatado uma vez pelas mãos de Cristo vai me fazer mais confiante diante de novos ventos.

Obrigado por partilhar dessas ideias comigo, nos acrescente com seu comentário. Forte abraço.

Rafael Santtos

Sobre Rafael Santtos

Rafael Santos, Belo Horizonte, 18 de abril de 1984, cristão desde 2012, sonhador, aventureiro, sanguíneo, exortador. E deseja dividir um pouco do que pensa através do Outras Fronteiras.

10 comentários sobre “A volta para o barco

  1. Legal a idéia de que Cristo quer nos tirar sempre da zona de confroto nos mandando ir até Ele. Comigo também é assim. Às vezes nosso problema é que a gente pensa demais. Pedro, por pensar de menos foi o único desafiado daquele barco. Enquanto os outros ficaram pensando nos riscos e nas consequencias de cair no mar Pedro simplesmente pulou. Acho que uma das coisas que trava minha fé é o calculismo! Boa reflexão Rafa!

  2. O guilherme, acho que o Rafa enfatizou a volta pro barco mais do que a ousada caminhada no lago. Sim, mto legal, ele desceu do barco. Veja o ultimo paragrafo: “Minha oração hoje é para que consiga “retornar ao barco”, confiante de que Jesus está comigo e torcendo para que eu não deixe de acreditar que conseguirei. Quero também crer que a experiência de ser resgatado uma vez pelas mãos de Cristo vai me fazer mais confiante diante de novos ventos.”

    Sei lá. tantas vezes a gente viu essa ideia. “vá! arrisque sem medo. dê passos de fé”. Mas e o retorno? é mto legal confiar em Jesus e não ter vergonha de retornar pro lugar seguro…valeu rafa

  3. Rafa, falamos desse trecho no acamps esse fds!

    Com certeza, com os “mergulhos” e respectivos “salvamentos” crescemos e aprendemos muito. E, tolamente, voltamos a confiar em nós mesmos, sabendo que “agora que nós já aprendemos a lição”, não vamos cair de novo (note-se que nesse raciocínio não deixamos espaço pra Deus, somente pra nós mesmos). O problema é que, deixados por nós mesmos, nós VAMOS mergulhar de novo. A não ser que façamos o certo e continuemos a olhar pra Jesus.

    Acho importante frisar que não somos “robôs” que são programados uma vez pra fazer algo e vão até o fim fazendo isso. Aprendemos, reincidimos, tornamos a aprender. Sabemos disso teoricamente, mas quando chega na prática e caímos em algo que estamos careca de saber que estamos errados, nos sentimos a pior pessoa do mundo, justamente por saber estar errado e fazer mesmo assim. O problema era não ter focado em Jesus… Sem ele, vamos continuar fazendo o errado, mesmo sabendo o que é certo.

  4. Ae amigos, um trecho do Grande Sertão que fala do assunto.

    “a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem. O que Deus quer é ver a gente aprendendo a ser capaz de ficar alegre a mais, no meio da alegria, e ainda mais alegre no meio da tristeza!”

  5. oi rafa, li o post, gostei muito, adorei o trecho! concordo mto com a ana, me sinto péssima mesmo quando recaio em coisas pelas quais já pedi perdão milhões de vezes… mas é muito bom pensar que Deus, a cada vez que caimos, responde aos nossos pedidos sem graça de perdão com muita serenidade, sinceridade e amor… às vezes é na confiança desse amor que a minha fé mais falha.
    Obrigada pelo texto, fica com Deus amigo querido!
    beijos!

  6. Muito bom mesmo! Comecei a ler esses dias o livro “Venha andar sobre as águas”. Gira em torno dessa passagem que você citou.. Essa reflexão está também presente no livro, e fez muito bem pra minha vida poder pensar nessas ideias ao lê-las. (tanto no livro como aqui no seu post.)
    Sobre essa ideia de Deus estar sempre conosco, nos estendendo a mão, ajudando, também está numa passagem de genesis e eu gosto muito dela! Cito essa passagem sempre que tenho oportunidade. Já devo até ter comentado sobre ela aqui no blog, mas não faz mal comentar de novo.. haha. É Gn 28:15 – “Estou com você e cuidarei de você, aonde quer que vá; e eu o trarei de volta a esta terra. Não o deixarei enquanto não fizer o que lhe prometi.” Essa ideia tem a ver com o fato que você trouxe nesse post.. De que Deus sempre vai estar a postos, prontinho pra te ajudar, te impedir de afundar..

  7. Ei povo. Desculpem a demora para responder, mas é que foi tudo muito apertado da semana passada pra cá. Li o comentário de vocês e fiquei feliz em ver que gostaram do texto.
    Guilherme, quando o assunto é desafio com Deus, tendo a pular logo do barco, mas é complicado passar por esse processo de Pedro de cair por falta de fé.

    É Gabriel, a volta é realmente algo em que tenho pensado, até quando vou cair, será que voltarei para o barco e seguir meu caminho numa boa? Será que vou afundar e afundar na água? Não sei, tenho me questionado muito e vc sabe disso! Obrigado pela força amigo!

    Na prática a teoria é outra mesmo, AnaLu. É muito complicado saber de tudo racionalmente, mas ter de enfrentar as dificuldades como se fosse a primeira vez que deixei de ter fé. Tenho tentado manter o foco, mas está muito complicado.

    Julinha, fico muito feliz em saber que você tem lido meus posts. Minha dificuldade é a mesma que a sua. Não consigo ter fé e confiança no amor como você disse, mesmo já tendo vivido um monte de experiência legal com Jesus.

    Carolzinha, ainda não li este livro, já ouvi falar dele e agora fiquei até curioso. Obrigado pelo versículo e pelo coments de um modo geral.

    Por fim, é como disse no comentário “o que [a vida] quer da gente é coragem. O que Deus quer é ver a gente aprendendo a ser capaz de ficar alegre a mais”.

    abraços e bjos a todos e todas!

  8. A bíbla não nos relata com quantos passos pedro foi em direção a Jesus (pois isso realmente não tem nenhuma importância para ele), mas oque Jesus se alegra é que nas suas dificuldades você venha a clama-lo em alta voz salva-me senhor.Reconhecendo ele como salvador da sua vida.

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