Tenho sede

Esse foi um dos 7 gritos de Jesus na cruz. Dentre tantas interpretações e implicações desse brado, gosto particularmente da interpretação feita pela tão impressionante Madre Teresa de Calcutá.

Dizia ela que Jesus está expressando sua sede, mas que aquela sede era específica. Jesus, segundo Teresa, tinha sede de almas. Essa tinha sido a razão da cruz. Seu sofrimento era para que pudesse salvar almas. Elas justificavam o Verbo encarnado.

De que aproveitaria ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?

Para Madre Teresa, a sede de Jesus era sublime e era necessário saciá-la. Ele estava pregado e não tinha condições de matar a própria sede. Teresa entende que o grito de Jesus era para ela!

“Traga-me almas! Tenho sede delas…”

De quantas almas Jesus precisa pra estar saciado?

“Eu quero todas! Sentirei sede enquanto não tiver todas elas…”

É um Deus que parece insaciável.

“Não dizeis vós que ainda há quatro meses até à ceifa? Eu, porém, vos digo: erguei os olhos e vede os campos, pois já branquejam para a ceifa.” (Jo.4:35)

Você compreende a urgência do Evangelho? O que você tem feito para saciar a sede de Jesus? 

Um grande abraço!!!

Quando a matemática não fecha

Sabe aquela questão matemática que quando você se depara parece sem solução?
Veja o seguinte versículo:

“Tornei-me tudo para com todos, para de alguma forma salvar alguns” (I Co.9:22b)

Tudo + Todos: Alguns

Que matemática é essa?

Tonar-se “tudo” é um preço muito alto… desgastante… abnegação imensa.
“Para com todos” é muita gente… que pluralidade… quanta diversidade.

Ah… mas quando você participa do “salvar alguns” você vê, surpreendentemente, que a matemática não fecha!
Sabe por que?
Porque todo o preço do “tudo” e do “todos” se tornam muito pequenos para o grande privilégio de vivenciar a salvação de alguns!
É impressionante como esse “alguns” se tornam sua companhia, sua alegria, sua família, sua comunhão.

Obrigado a cada um desses “alguns”, creio que sabem quem são. Obrigado pelo privilégio de poder ver Deus agindo na vida de vocês e poder ter a certeza que a matemática não fecha mesmo!

Abraço e até a próxima!

VOZ NO DESERTO

A bíblia está repleta de personagens que transmitiram durante a história da humanidade a Palavra de Deus. Os profetas do Antigo Testamento, João Batista…todos tentavam dizer como Deus gostaria que as pessoas vivessem. Digo tentavam dizer porque quase ninguém dava ouvidos.

As pessoas gostam de escutar boas palavras, gostam de arrepiar os pelos do braço e encher os olhos de lágrimas. Mas ouvir mesmo, ao ponto de significar mudança, de abnegar em função da vontade do Senhor ou de viver em compaixão…isso aí tá difícil. Num mundo cada vez mais barulhento e poluído, de ideais superficiais e mesquinhos, de sonhos idiotas e de barras de rolagens infinitas, muitas vozes são ouvidas, e os que gritam as Palavras do Senhor parecem solitários no deserto. E por mais alto que gritem não podem ser ouvidos, pois a sociedade parece estar surda.

Talvez façamos uma liquidação da Palavra de Deus, ou falemos sobre as teorias que tentam destruir a Igreja de Cristo, ou dos sacrifícios dos pobres animais…coisas que bombam nas redes sociais. Ou talvez possamos nos calar, não postar mais ou nos entregarmos ao caos que o mundo silenciosamente nos propõe.

Que voz você tem ouvido? O que você tem curtido? O que você tem dito?

“Pai, nos permita ouvir a Sua voz. Nos permita enxergar a Sua luz. Nos permita caminhar na Sua direção. E quando estivermos no deserto, que possamos nos encontrar com o Senhor ou com algum de seus enviados, para compartilhar a Sua Palavra e não nossas vãs e cansativas filosofias.”

Cooperador de Cristo.

 

Quando as cicatrizes legitimam

“Tomé, vimos o Senhor!”, disseram os discípulos.

“Se eu não vir nas suas mãos os sinais dos cravos, e ali não puser o dedo, e não puser a mão no seu lado, de modo algum acreditarei…”, respondeu Tomé.

Você conhece a história. Tomé ouve falar que Jesus havia ressuscitado. Ele é categórico: “Preciso ver para crer!”

Já falei sobre esse trecho várias vezes, em palestras, estudos, bate papos… A questão que quero abordar hoje é um pouco diferente.

Repare que Tomé não pediu apenas para ver Jesus vivo. Ele faz questão dos sinais da cruz. Ele parece necessitar não apenas da presença de Jesus, mas também das evidências do seu sacrifício. “Quero ver as cicatrizes da cruz!”, disse Tomé.

Isso era algo tão importante que Jesus se encontra com Tomé 8 dias depois para sanar aquela necessidade. (Jo.20:26-29)

Tomé viu aquilo que queria ver. O sangue se foi, mas permaneceram as cicatrizes. Toda cicatriz carrega consigo alguma memória. As de Jesus registravam o nosso pecado e sua infinita graça.

Depois das marcas apresentadas, Tomé se rende. Jesus era, por direito, Senhor e Deus! As cicatrizes lhe concederam o direito de influenciar a vida de Tomé.

Guardadas as devidas considerações, o mesmo deveria acontecer conosco. Antes da pretensão de influenciarmos alguém, deveríamos apresentar as “credenciais”. Vejo um mundo repleto de guias espirituais e um monte de gente querendo ser líder sem terem, no entanto, cicatrizes que legitimam a influência.

Já pensou se esse fosse o nosso critério? Antes de permitirmos que alguém nos influencie, exigíssemos as “cicatrizes”? 

Porque subir num púlpito, ministrar num seminário ou escrever um livro é fácil. Quero ver ter na platéia alunos como Tomé.

“Quanto ao mais, ninguém me moleste; porque eu trago no corpo as marcas de Jesus.” (Gl.6:17), disse o apóstolo Paulo.

Quem carrega cicatrizes por causa de sua lealdade a Deus, sempre ganhará todo o direito de ser ouvido, entendeu?

Um grande abraço!!!

SOBRE GRAÇA E PACIÊNCIA

Os jornais revelam um antigo e permanente sistema de corrupção, propina e sacanagem. A impunidade permite que bandidos andem à vontade pelas ruas, roubando do nosso suor e perturbando nosso cotidiano. A igreja, corrompida pela cobiça, tem falhado na mensagem de graça, esperança e paz.

Não há sossego, não há segurança e muitos não encontram esperança.

Meu coração está aflito pela situação do mundo. Meu corpo reage com rebeldia e uma vontade de fazer justiça com as próprias mãos surge de forma intensa e se faz cada vez mais presente.

Mas Deus quer paciência, amor, misericórdia. Ele nos lembra que a vingança pertence a Ele, e que, quando somos roubados, na verdade Ele é quem está sendo, pois tudo lhe pertence e somos como que mordomos.

Na obra prima Os Miseráveis, de Victor Hugo, Jean Valjean é um homem trabalhador, de “uma pobre família que a miséria envolvia e pouco a pouco apertava em seus braços.” No inverno rigoroso Jean não encontra trabalho e acaba sendo preso por roubar um pão para alimentar seus sobrinhos. Sofre pesada pena e sai da prisão com um coração duro e machucado.

Ao ser hospedado por um caridoso Bispo, Jean recebe uma noite digna, com bom alimento e boa cama para dormir. Mas durante a noite é desperto pelo pensamento na prataria que havia reparado no jantar. Os talheres não saiam da sua mente, então decidiu ir embora e levá-los com ele. Pela manhã, ao ser informado pela governanta do roubo o Bispo calmamente disse:

“Antes de mais nada aquela prataria realmente era nossa?(…) havia muito tempo eu conservava indevidamente aqueles talheres. Na verdade, eles pertenciam aos pobres.  E quem era aquele homem de ontem?”

Pouco depois guardas trouxeram Jean e disseram: “Nós o encontramos como quem está fugindo. Nós o prendemos para certificarmos. Ainda mais com esses talheres de prata…

-Ele então lhes disse – interrompeu sorrindo o Bispo – que lhe haviam sido presenteados por um velho padre em cuja casa havia passado a noite? Já percebi tudo. E os senhores o trouxeram até aqui? Mas isto não está direito. (…)Mas eu não lhe dei também os castiçais? Eis aqui, são seus. “

Jean Valjean parecia alguém prestes a desfalecer. O Bispo acrescentou:

“Jean Valjean, meu irmão, o senhor não pertence mais ao mal, mas ao bem. Resgatei a sua alma; liberto-a dos pensamentos sinistros e do espírito da perdição, e entrego-a a Deus.

A partir daquele momento Jean Valjean nunca mais seria o mesmo;

“Sentia confusamente que o perdão daquele Sacerdote fora o maior assalto e o mais forte ataque de todos os que até então sofrera; seu endurecimento seria definitivo se resistisse àquela clemência; se cedesse, seria preciso renunciar ao ódio de que os outros homens lhe haviam enchido a alma e no qual ele tanto se comprazia; dessa vez era preciso vencer ou cair vencido, pois a luta, colossal e definitiva, já havia começado entre sua maldade e a bondade daquele homem.” Os Miseráveis

 “Meu filho, eu desci do Céu (Jo 3.13) para sua salvação. Tomei sobre mim suas misérias (Is 53.4), atraído não pela necessidade e sim pelo amor, para que você pudesse aprender a paciência e suportar as misérias temporais, sem ressentimentos. Pois desde a hora de meu nascimento, até o dia da minha morte na cruz, não estive sem tristeza. Sofri a falta das coisas temporais; muitas vezes ouvi queixas contra mim; suportei calmamente os vexames e insultos; recebi por benefícios, ingratidão; por milagres, blasfêmias; por instrução, censuras.” Thomas à Kempis – a imitação de Cristo

Cooperador de Cristo

Identidade intacta

Ele está despido e preso pelos pulsos a uma coluna no pátio. Começa a ser açoitado com chibatas que têm bolas de chumbo e lascas de ossos nas pontas. À medida que lhe golpeiam o corpo, formam-se bolhas de sangue, que os repetidos golpes transformam em feridas. Tudo fica na carne viva. Como se não bastasse, uma coroa de espinhos é pressionada contra sua cabeça, e o sangue mistura-se ao cabelo emaranhado. Ele tenta carregar a cruz, mas, quando começa a cambalear, um tal Simão é forçado a ajudá-lo. No Calvário, suas roupas são arrancadas, e ele sente uma dor excruciante, como se milhões de agulhas quentes abalassem seu sistema nervoso. Ele então é colocado sobre a própria cruz, e seus executores batem longos pregos contra seus pés e punhos. Ao ter o grande nervo central perfurado, ele experimenta a dor mais intolerável que um homem poderia experimentar. Cada movimento do seu corpo fazia com que ele se familiarizasse com uma agonia que parecia não ter fim…

Suas feridas ficaram abertas para que as nossas fechassem.

Suas aflições entraram em cena para que as nossas saíssem do palco.

“O centurião que estava em frente dele, vendo que assim expirara, disse: Verdadeiramente, este homem era o Filho de Deus.” (Mc.15:39)

Mesmo em profunda agonia, Jesus ainda era o Filho de Deus.

Que suas lutas, angústias e dores não definam sua verdadeira identidade.

Um grande abraço!!!

Em quem tenho me tornado?

Os ídolos deles, de prata e ouro, são feitos por mãos humanas.
Têm boca, mas não podem falar, olhos, mas não podem ver;
têm ouvidos, mas não podem ouvir, nariz, mas não podem sentir cheiro;
têm mãos, mas nada podem apalpar, pés, mas não podem andar; nem emitem som algum com a garganta.
Tornem-se como eles aqueles que os fazem e todos os que neles confiam.
Salmos 115:4-8

Triste pensar sobre essa possibilidade de fim…
Me tornar o sexo…
Me tornar o meu trabalho…
Me tornar o em poder…
Me tornar meu time de futebol…
Me tornar meu hobby…
Me tornar dinheiro…

Essa transformação vem acompanhada com o fato de…
não termos mais o que falar…
não termos mais como olhar com os olhos da fé, o olhar misericordioso, o olhar sobre a criação…
Deixarmos de ouvir o próximo e o nosso verdadeiro Deus…
Deixarmos de sentir o aroma agradável de Cristo…
Deixamos de lado o tato, o contato, o abraço, o carinho…
Os pés deixam de nos levar aos lugares altos, não nos enviam a anunciar as boas novas…
O silêncio e a solidão tornam-se companheiros do dia a dia…

Que possamos mirar no único Deus verdadeiro! Meu desejo é me tornar como Ele! Aquele que enche minha boca de boas novas. Que me estimula a olhar ao próximo e desenvolver olhos de fé. Que me chama a ouvi-lo e a ouvir o próximo. Que me faz sentir cheiros melhores que as das mais preciosas especiarias. Desenvolve meu tato, meu contato. Que me faz subir aos lugares altos para contempla-lo. Que me faz emitir palavras de gratidão, confissão, salvação e edificação.
Um Deus vivo nos transforma em “humanos vivos”
Que assim seja!

Abraço e até a próxima!

ENTRE UMA FRAUDA E OUTRA

Um bebê traz não somente uma avalanche de novos sentimentos para uma família, mas também um terremoto que sacode, quebra e muda toda a rotina estabelecida durante anos na felizarda casa.

Um ser tão pequenino carece de muitos cuidados e faz muita lambança. Mama, golfa, faz um cocozinho. Quando você acaba de limpar e se sente o pai do ano, vem tudo de novo…rsrsrs…é uma loucura.

Entre uma frauda e outra, busco mais intimidade com minha filha. Converso com ela, acaricio, olho nos olhos dela e coitadinha, até canto pra ela. Limpo suas lambanças com satisfação e zelo. Não me importo de fazer isso repetidas vezes.

Lembro-me de meus pais. Da nossa história e da dedicação deles. Lembro-me do meu Deus, das minhas lambanças e da sua graça e misericórdia.

Entre uma frauda e outra muita coisa acontece…e o amor só aumenta.

“Como um pai se compadece de seus filhos, assim o Senhor se compadece dos que o temem. Pois ele conhece a nossa estrutura e sabe que somos pó.” Salmo 103:13

 

Cooperador de Cristo

Continue lutando

O papo estava sendo difícil. Havia mais um alguém imerso na crise. Mais um porque muitos, senão todos, são abraçados por ela algum dia. Ela, a crise, quando chega, não avisa que vem. Instala-se sem pedir licença. O coração, nessa hora, é invadido de angústias, dúvidas e torna-se uma instabilidade só. Qualquer movimento é perigoso. E crise, por consenso, é sempre ruim! Alguns até argumentam que ela produz coisas boas, mas a crise em si, não pode ser boa. Seria o mesmo que dizer que o câncer é algo bom porque faz as pessoas darem mais valor à vida. Mas a pior das crises, sem dúvidas, era a que estava conosco à mesa naquela noite de terça-feira. Crise com Deus.

Não sei se você tem familiaridade com essa realidade humana, mas ela é mais comum do que imaginamos. Acredito que o fato de trabalhar com pessoas no ministério, talvez me faça lidar mais de perto com isso. Não é preciso estar com pessoas para entender sobre crise com Deus. Basta olhar para a nossa própria e, para alguns de nós, ela já se manifestou algumas vezes.

Nessa hora, o que fazer? Confiar, alguém dirá. Mas confiar de que jeito, se tudo o que me falta é confiança? É o momento na vida em que todas as coisas cooperam para que você jogue tudo para o alto. O problema é que jogar tudo para o alto tem consequência e, algumas coisas irão, muito provavelmente, se quebrar.

A opção que sobra parece ser de uma confiança cega. Não enxergamos nada, estamos cheios de dúvidas e, ainda assim, confiamos. E não há maneira mais explícita de revelar nossa confiança do que através da obediência.

“Também através dos teus juízos, SENHOR, te esperamos; no teu nome e na tua memória está o desejo da nossa alma.” (Is.26:8)

Foi assim que terminou o papo. Sem muitos esclarecimentos. Apenas um pedido, quase um rogo.

“Continue lutando, amigão! Por favor, continue lutando!”

Um grande abraço!!!

Um ano com ela(s)

Um ano é suficiente pra que muita coisa aconteça. Meu último ano foi novidade sem fim e não falo de um novo ano, mas de uma nova vida, minha filha que amanhã completa seu primeiro ano de uma eternidade inteira, se Deus quiser. E a partir dessa florzinha que nasceu, outras coisas nasceram e mim.

Paulinha, filha amada.

Nasceu uma dimensão diferente de amar, em que a abnegação restringe a expectativa do troco. E também um novo papel de ensinar aprendendo a respeitar os limites da individualidade e estimular a autonomia. Que proporcionar segurança e socorrê-la nas adversidades não significa deixá-la dependente no trabalho que é somente dela. Aos poucos a pequenina vai assumindo as responsabilidades que lhe cabe.

Estou aprendendo a dizer não, olhando apenas as necessidades, porque minha tendencia é dizer sempre sim para os desejos. Fico vibrando com as qualidades que descubro em minha filha, mas espero não ser condescendente com as falhas. Também prefiro lutar para ensiná-la a descobrir seus limites, ao mesmo tempo em que não se deixa dominar pelo medo, esperando o momento certo de superá-los.

Muita coisa em um ano. Mas não me canso de amá-la e espero que ela também vá entendendo o quanto ela é amada, o quanto eu e a mãe dela somos amados incondicionalmente pelo Pai. E assim também aprenderá a amar a si própria.

Fico sonhando no dia em que ela entenderá muitas palavras, pra eu poder falar pra ela sobre A Palavra Viva e Encarnada. Mas com os tantos anos de vida que tenho, vou compreendendo que só agora consigo aprender algumas coisas do amor de Deus, e que ela, apenas balbuciando, vai me fazendo discernir dia após dia.

Parabéns, minha filha!
*Este post é dedicado não apenas a minha filha, mas a mulher que mais me ensina o significado de amor pela familia, minha esposa maravilhosa, Lucianna Coury.