Entre o querer e o fazer

Todos dizem sim! Desejamos bênçãos. Desejamos salvação.

Infidelidade parece pertencer ao DNA da raça humana. Quando não concretizamos na prática, através de um só pensamento somos condenados.

É difícil cumprir todas as promessas.  E Deus sabe disso. Deus se mantem fiel enquanto demonstramos infidelidade.

Mas creio que Ele deseja que estejamos no Caminho, mesmo sabendo que durante o processo tropeçaremos diversas vezes.

Mas apesar de dizermos “sim, Senhor!” ; “obrigado, Senhor!”; “Amém, Senhor!”; “Aleluia, Senhor!”; muitos não desejam verdadeiramente estar com o Senhor. Não buscam andar no Caminho.

Quando vamos para uma festa num local desconhecido procuramos o endereço. Muitas vezes buscamos referências, perguntamos, colocamos GPS para nos guiar. Mas só chegamos no local desejado se trilharmos o caminho correto. Se você não sair de casa não chega a lugar algum.

Porque pensamos que com as coisas de Deus seria diferente? Ou você está no Caminho ou não chega a lugar algum (ou chega em outro endereço). Tem gente que acha que andar com Cristo é piscina gelada, põe o pezinho, tira o pezinho.

Entre o querer e o fazer existe um grande abismo. E esse abismo é preenchido com uma cruz. Se não nos enfrentarmos, a preguiça e desculpas esfarrapadas nos manterão afastados do Alvo.

Deus é dinâmico. Selvagem. E fiel. Ele quer você. Mas antes, deseja ardentemente que você realmente O queira.

Cooperador de Cristo.

Uma história marcante

O dia de ontem caminhava para o seu fim com ares de normalidade. É verdade que a minha falta de expectativa era resultado da pouca reflexão a respeito do que a noite me reservaria. Mas ninguém pode descrever prévia e precisamente as emoções desencadeadas por nenhum encontro sequer.

E digo logo: ontem à noite encontrei-me com a pobreza.

Eram 22h. Saímos todos juntos da igreja para distribuir quase uma centena de marmitas e um grande número de garrafas d’água nas proximidades do antigo Elevado Castelo Branco.

Por seus desígnios, Deus agraciou-me com o conforto de um teto, cama, família e comida por longos 30 anos. Isso não quer dizer, porém, que não me falta nada. Oh, Senhor, só Tu sabes a escassez de minh’alma: miserável coração que tem se enchido transbordante de alegria e gratidão.

Mas eu nunca experimentei a pobreza da sarjeta, nascedouro das dores físicas mais intensas e torturantes. Porque a calçada é o lugar mais hostil que podemos encontrar nos grandes centros urbanos. Foi ali que ouvimos a respeito do frio que corta os ossos, da pele queimada pela violência do desconhecido, e a dor de ser ignorado, aquela mesma que alcança o espírito e faz diluir a esperança.

Encontrei-me hoje com o Onofre. Ele tinha uma pobreza diferente da minha, a miséria da sarjeta. Ele divide a pequena porção de que dispõe da calçada com baratas e ratos, mas da sua escassez ele tirou um sem número de sorrisos. Foram muitos. Não cheguei a contar.

A história dele é confusa. Disse-nos que deixou Mairiporã a fim de encontrar emprego, mas sua companheira circunstancial nos confidenciou que ele havia presenciado um crime, o que foi prontamente confirmado. Temendo as consequências legais, abandonou sua família e lançou-se numa jornada de 25 dias de caminhada até Belo Horizonte.

Aquele homem de 36 anos nos contou que saiu de casa aos 13 e que estava na cidade há 10 anos. Ora, a conta não fecha, mas quem se importa? 13 + 10 são 23. Onde foram parar os outros 13 anos? Provavelmente escoados pelos cantos sujos daquela sarjeta.

Ele quase foi pastor e nos assegurou que quando voltasse para sua casa gostaria de finalizar o serviço que iniciou lá atrás: ser pastor, vestir um bonito terno e ter um carrão. Pode ser esse o modelo de espiritualidade que ele ouviu nos lugares pelos quais passou. Uma evidente teologia da vitória. Mas como eu poderia falar a alguém como ele acerca da necessidade de carregar uma cruz? Qual cruz se para qualquer um de nós a que ele carrega já seria um fardo pesadíssimo?

Posso lhe garantir, entretanto, que ele não foi forçado a dizer o que não queria. Ao contrário, ele foi amado. Ganhou um prato de comida, água, bíblia e muita atenção. Ele ouviu a respeito da Esperança, ouviu que é importante para Jesus e participou conosco de uma roda de oração. De mãos dadas, unhas sujas e coração aberto.

Ele quer voltar para casa. Eu também quero voltar para casa.

Abaixei-me depois que todos saíram e lhe disse: esse prato de comida não resolve a sua fome, mas sinaliza que um dia não haverá mais fome, nem frio e nem dor na alma.

Eu não sei o que esse prato de comida representou para o Onofre, mas a vida dele foi um banquete para a minha pobre existência. Cheguei faminto e voltei alimentado.

Farto. Saciedade. O Deus da satisfação.

Qual é a sua riqueza que supre a pobreza do outro?

INTOCÁVEIS

“Aproximou-se dele um leproso rogando-lhe, de joelhos: Se quiseres, podes purificar-me. Jesus, profundamente compadecido, estendeu a mão, tocou-o e disse: Quero, fica limpo! No mesmo instante lhe desapareceu a lepra, e ficou limpo.” Mc (1:40-42)

 

O leproso era excluído da sociedade. Todos tinham pavor, mantinham distância. Os leprosos tinham dificuldade de comunicação, eram intocáveis e viviam numa espécie de submundo. Você consegue imaginar um leproso passando no meio do mercado central, tocando seu sino e expondo suas feridas? As pessoas se afastando e gritando: “Leproso! Leproso!”

Você consegue se ver dando passos apressados para trás? Talvez você não grite, mas sussurre para a pessoa ao lado! Você rapidamente puxa seu filho para trás!

Esse homem implora por cura e Jesus é movido por um sentimento raro; Compaixão.

Sentimento seguido de ação que visa amenizar a dor ou sofrimento de alguém.

No capítulo 2 do Evangelho de Marcos, Jesus cura um paralítico utilizando apenas palavras; “Eu te mando: Levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa.” Mc (2:11)

Jesus poderia ter feito a mesma coisa. Poderia ter dito; “Está limpo!”

Mas Jesus toca o intocável. Ele sabia que aquele homem estava sedento por toque.

Eu vejo muitos “leprosos” na nossa sociedade. Eu vejo pessoas num submundo, longe da Luz.

Eu vejo vidas necessitando de toque. Eu vejo necessidade de compaixão.

É fácil fingir que está tudo certo. Mas que tal tirarmos as máscaras? Que tal tirar a sujeira que escondemos embaixo do tapete?

Vamos nos levantar das rodinhas de fofocas e abandonar “filosofias clichês”. Chega de falação, de dedos que apontam sem tocar.

Tem feridas expostas. Tem muitas vidas que necessitam de toque.

Você está disposto?

Cooperador de Cristo.

DECISÃO

Olho ao meu redor e meu coração sofre angustiado.

Estamos todos doentes. Todos nós estamos morrendo. Uns já tem diagnóstico, outros não.

Ansiedade, depressão, ilusão.

Vivemos numa grande panela de pressão.

Não existe paz.

O que fazer diante de tanta confusão?

Buscamos muitas alternativas, mas a paz verdadeira não se compra. A paz verdadeira não está em outro trabalho, outro casamento ou em outro continente.

A paz que excede o entendimento está ao lado, desejando estar dentro, e fazer de nosso corpo templo e morada.

A ilusão do mundo ainda seduz a muitos, porém, já se tornou pesadelo para muitos outros.

Deus está presente, mas não podemos ver. Deus está falando, mas ninguém pode escutá-lo. Deus deixou muita coisa escrita, mas não queremos ler. Deus nos presenteou com sua obra, mas não temos tempo para contemplá-la.

Não estamos nem aí. Você já foi ignorado? Você já se fez ausente e percebeu que ninguém sentiu sua falta?

A história da humanidade está repleta de idolatria, traição, cobiça e no fim de tudo nos resta a culpa e a morte.

Precisamos tomar uma decisão importante e ter coragem para bancar nossa posição. A quem serviremos? Não podemos ficar, a todo tempo mudando de lado, fugindo e dando desculpas.

Não importa o tamanho do seu problema …ele é passageiro assim como você e eu. A questão fundamental é: encerramos por aqui ou buscamos eternidade ao lado de Deus?

Façamos nossas escolhas e mãos à obra.

“Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao Senhor, escolhei hoje a quem sirvais (….) porém, eu e minha casa serviremos ao Senhor.” Josué (24:20)

Cooperador de Cristo

 

O leão e “a Cabana”

Na última semana tive a oportunidade de assistir dois filmes. Convidei minha filha de 7 anos para assistir o primeiro filme do “Crônicas de Nárnia” (daqui a pouco falarei sobre essa experiência) e tive a oportunidade de assistir a estréia do filme “A cabana”.
Falando primeiramente sobre esse último filme, baseado em um “best seller” mundial. O filme , como o livro, é controverso. Não é meu intuito aqui ficar descrevendo todos os pontos teológicos, até porque não me sinto capaz. Sem me aprofundar, posso questionar e ressaltar…
Ele passa uma visão correta sobre a trindade? creio que não!
Ele pode passar uma visão universalista (ou “reconciliação total”)? Hummm, talvez!
Ele tende a criar sentimentalismo religioso tão comum no meio gospel? Sem dúvida!
Ele peca ao superestimar o papel do homem e subestimar o papel de um Deus juiz e soberano? Sim!

Então você não o indicaria? Sim, eu o indicaria!

“Examinai tudo. Retende o que for bom.” (1 Tessalonicenses 5:21)

Fico com o conselho de Paulo. Tem coisas boas para reter? Tem!
A forma como mostra a necessidade de perdão e ser perdoado para que a vida siga em frente é um exemplo de algo que pode ser retido. Inclusive o fato de lutar para perdoar aqueles que já passaram pela sua história e não estão mais vivos. O perdão como uma decisão racional e que é seguida, com o tempo, pelo seu sentimento, é algo a ser retido.
Sabe o que me cansa às vezes no meio cristão? Os guardiões da boa doutrina que criticam tudo e todos. Essa atitude é presente na vida daqueles que conhecem (ou julgam conhecer) o “pacote completo” de Deus. Eu perguntaria para essas pessoas, que obra de arte na história da humanidade consegue apresentar Deus? Desafio qualquer um a me apresentar uma obra. Não falta muito para começarmos o “INDEX” da pós modernidade, já teriamos uma grande lista para entrar na fogueira. É tão difícil assistir a um filme, depois sentar com seus amigos e conversar sobre coisas ruins e boas do filme? Sem ter que ser um atalaia da verdade impedindo todos de assistirem, pois você viu e sabe que é do mal. Tendo,inclusive, que pesquisar a vida do autor em sites de fofoca gospel.
O que falar da reconciliação entre pai e filha no fim do filme? o que falar da atitude da esposa? Tem coisas a serem retidas, e são as mais práticas. Aquelas que, muitas vezes, os “Pitbulls” da fé fogem, se escondendo atrás de discussões sem fim sobre a trindade.
Podem causar estragos? Podem! Assim como muitos escritos de Lutero causaram! Mas aprendi, ao longo dos meus anos de ministério, que Deus não precisa ser defendido. Na verdade Ele nos defende, a todo o momento.

Voltando agora para o “Crônicas de Nárnia”… na expectativa que o filme cria sobre a chegada de Aslam, o grande leão, minha filha dizia: “Papai, estou com medo!”. Quando o leão aparece, ela ganha paz, pois ele parece bom. Em certo momento do filme, a feiticeira coloca em dúvida uma promessa do leão, e ele rosna ….de forma agressiva, mais medo! No climax do filme, quando o leão é sacrificado, minha filha diz: “Ah não, que filme chato! Porque o leão tem que morrer. ele é bom!” Na ressurreição e na vitória da guerra, ela demonstrava alegria. E no fim, ao vê-lo caminhar na praia até desaparecer ela diz: “Papai, para onde ele vai?”
Expliquei para ela que a história do Leão era contada em 7 livros, e ela logo disse: “Eu quero ler!” Falei com ela que era muito grande e ela disse: “eu quero!” Peguei o livro, passei para ela, acho que se assustou com o tamanho. Abriu, leu uma página e deixou na cabeceira de sua cama. O que ela vai aprender ali? Um leão que é amável, mas que é soberano. Que é acessível, mas misterioso. Que aparece quando quer e desaparece sem dar satisfações. Que ruge alto pelas injustiças e pelo mal, mas que aceita carinho na juba feito por uma criança. No fim do papo perguntei para ela quem era o leão no nosso mundo e ela respondeu: “Jesus!”
Meu desejo é que ela seja amiga desse leão. Sendo amiga do leão ela vai saber reter o que é bom, sem medo de entrar na cabana. Sabendo que a cabana é pequena demais para todo o tamanho do leão. Tamanho inclusive, que ela nunca vai conseguir dimensionar.

Gosto muito da forma como o C.S.Lewis representou Jesus em Aslam, “o leão não domesticado!”

Esse leão não domesticado não pode ser enjaulado na cabana e nem pelos “guardiões da fé”. Que possamos segui-lo, deitado aos seus pés. Aprendendo com cada rosnado, com cada ensino, com cada batida de seu coração. Para que, dessa forma e por graça de seu poder, possamos ser cada dias mais parecidos com Ele.

Abraço e até a próxima!

Os dois caminhos na “busca” pela alegria

Vivemos em uma sociedade instantânea. Essa sociedade (Assim como todas as outras) desenvolve (ou tenta desenvolver) suas respostas aos anseios dos seres humanos. Um dos anseios humanos é como ser alegre? A resposta vem “instantaneamente”: pela substituição!
Está chato? Mude!
Acabou o amor? arrume outra(o)!
O casamento está te fazendo infeliz? Substitua!
O trabalho te estressa? Troque!
O amigo te pressiona? Conheça novas pessoas!
O computador está ultrapassado? compre um novo!
A rotina está te matando? Viaje!
A Igreja é fraca ou falha? encontre outra!
Simples! O caminho da suposta alegria é a “substituição”. Mas será que funciona? Creio que não!

O caminho de Jesus para a alegria nunca foi o de substituição mas o de transformação:
“A mulher que está dando luz sente dores, porque chegou a sua hora; mas, quando o bebê nasce, ela esquece a angústia, por causa da alegria de ter vindo ao mundo um menino” João 16:21
Em um momento de questões emocionais fortes para seus discípulos, Jesus lança essa analogia. “Vocês passarão por dores, mas vale a pena! Deus está no comando, e te ama. A dor será transformada, creia!”

E foi assim com José – de escravo a prisioneiro, de prisioneiro a segundo homem mais importante do mundo na época. Um homem que pode dizer para os irmãos que o venderam como escravo: “Vocês planejaram o mal contra mim, mas Deus o tornou em bem, para que hoje fosse preservada a vida de muitos.”(Gn50:20)
E foi assim com Davi que escreveu belíssimos salmos enquanto enfrentava forte oposição, muitos deles transbordando alegria em meio a dores.
Foi assim com Jesus que transformou o símbolo maior de humilhação e vergonha, a cruz, na maior vitória e glória da humanidade.
A substituição é a forma imatura e instantânea de resolver os problemas, talvez essa seja uma das respostas para o fato de nossa geração ser a mais imatura e mimada da história.
Não há como crescer em uma sociedade que não suporta e espera por transformação!

Substituição ou transformação? Qual é o caminho que tem percorrido?

Abraço e até a próxima!

PERFUME

Seu nome não poderia ser outro. Maria.

Do tipo que exala um perfume peculiar e raro; o aroma de Cristo.

Sua humildade nos constrange. Seu amor é inspirador. Sua vida revela sua fé.

Sabe dar colo, acolhe, alimenta e aquece. Seu coração parece ser infinito, pois sempre tem espaço para mais alguém.

Maria trabalhadora, guerreira, virtuosa. Maria doce, não mole, mas doce. Maria, que amorosamente nos revela os segredos do Senhor.

Sua casa é recanto dos fragilizados, dos necessitados de amor. Quantas vezes usamos você, querida Maria? Sem termos como recompensar tamanha devoção, simplesmente retornamos para seus braços.

Presente de Deus, exemplo a ser seguido. Luz na escuridão. Paz em meio à guerra. Pão dos necessitados. Fogueira para os que sentem frio.

Sou grato a Deus pela sua vida, sua lindona.

Continue acolhendo e exalando esse delicioso e raríssimo aroma de Cristo.

Maria, certo que és cheia de graça.

“Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes.” (Ti 4:6)

Cooperador de Cristo.

*texto para uma certa e especial Maria.

A pergunta crucial

“Isaque disse a seu pai Abraão: “Meu pai! ” “Sim, meu filho”, respondeu Abraão. Isaque perguntou: “As brasas e a lenha estão aqui, mas onde está o cordeiro para o holocausto? ”
Gênesis 22:7

Podemos fazer tudo com excelência!
Podemos pensar em tudo!
Podemos andar na linha!
Podemos ser bons pais, amigos, maridos, esposas, filhos!
Podemos não faltarmos nenhuma reunião cristã e nem acampamentos!
Podemos seguir os mandamentos!
Podemos ter nosso grupinho de estudo bíblico!
Podemos testemunhar sobre Jesus!
Podemos ser bem sucedidos socialmente e financeiramente!
Podemos ter muitos diplomas!

Mas no fim….
a pergunta crucial ainda continua sendo a de Isaque para seu pai:

“Onde está o cordeiro?”

Abraço e até a próxima

O cuidado com a Arca (Parte 2)

Semana passada falei um pouco sobre a arca da aliança e a forma como Deus quis que ela fosse “carregada”. A arca representava a presença de Deus. Creio que hoje, todos aqueles que compreenderam o que Jesus fez na cruz e creem carregam a arca dentro de si. A presença de Deus é acessível (“está próxima” e se torna “dentro”). Mas o que podemos aprender com as coisas que existiam dentro da arca? Talvez essas coisas nos ensinem o que devemos “carregar” dentro de nós enquanto levamos a presença de Deus.
1°: Lei – Se quisermos carregar a arca da presença de Deus precisamos ter consciência de sua lei… de sua palavra. A lei de Deus poderia ser comparada à função de um esqueleto em nossos corpos. Sem essa estrutura não conseguimos ter forma, mobilidade, força.
2°: Vara – A vara de Arão que simboliza o poder de Deus em um momento de libertação de seu povo no Egito, mas também simboliza a correção e disciplina. Precisamos carregar conosco a vara da correção (para ser usada em nós mesmo primariamente e, posteriormente, com aquelas pessoas que Deus tem colocado em nosso caminho de peregrinação).
3°: Maná – A doçura e energia do Maná. A lei e correção são necessárias, mas o maná traz o equilíbrio necessário para que a presença de Deus seja vivida dentro de um ambiente saudável de alimento e amor.

Como você avalia esses três componentes da arca em sua vida? Em sua peregrinação?

Abraço e até a próxima

A brevidade da vida

Nessa segunda feira de carnaval um vizinho faleceu dentro de casa. Os procedimentos levaram Claudinha e eu para o ano de 2012, quando na terrível ocasião, uma garotinha de 12 anos teve o mesmo destino.

Enquanto muitos de nós caíamos na folia com exagerada comemoração sei lá de que, corações paravam, outros choravam.

Aproveitando o clima da quarta feira de cinzas, convido todos a reler esse texto de 2012, que nos escancara a brevidade da vida.

abraços,, Bernardo

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A manhã deste último sábado tinha a cara da morte…o tempo estava fechado e chuvoso, havia algo gelado e terrivelmente silencioso no ar.

Acordei com gritos de socorro e pancadas na porta.

A vizinha pedia desesperadamente socorro para a sua filha Marcele, garota de apenas 12 anos, que acabava de desmaiar.

Marcele estava com rinite e sinusite há alguns dias e passara por alguns médicos em busca de alguma solução.

Nesta manhã, acordou por volta das 6 e 20 da manhã não se sentindo bem, e enquanto se arrumavam para ir ao hospital, Marcele desmaiou. Sua mãe entrou em desespero e bateu em nossa porta buscando ajuda.

Foi minha sogra quem nos acordou aos gritos. Saltamos da cama, Claudinha e eu, e corremos em direção à porta aberta, percebendo que algo acontecia na casa da vizinha. Entramos rapidamente e vimos Marcele desmaiada no sofá.

Num instinto violento coloquei-a nas minhas costas e desci os 4 andares orando a Deus com todas as minhas forças. Ao chegar na garagem e deitá-la no chão, iniciei desesperadamente uma massagem cardíaca e uma respiração boca a boca. Enquanto isso, Claudinha ligava para o Samu e para os bombeiros e Neyde gritava pelos blocos em busca de algum médico ou enfermeira.

Percebi que meus esforços de quase nada adiantavam e de repente, duas moradoras e enfermeiras chegaram ao local e assumiram com habilidade os primeiros socorros.

A única coisa que me restava era orar. Pedi a Deus, com todas as minhas forças, com todo o meu coração e minha fé, que Ele conservasse a vida da garotinha e tivesse misericórdia dessa mãe tão aflita e corajosa.

Mães jamais deveriam perder seus filhos.

Lembrei-me das curas miraculosas de Lucas, das poderosas intervenções e maravilhas de Cristo. Daria a minha vida por Marcele naquele momento.

Os bombeiros chegaram e depois o Samu, e os procedimentos tiveram a duração de mais de 1 hora.

O tempo corria rápido para Marcele e para os médicos, mas para nós, moradores aflitos, que assistiam a dramática batalha pela vida, o tempo parecia infinito e nada acontecia.

Meu Deus….de forma inacreditável Marcele não resistiu e faleceu ali mesmo, aos seus doces e inocentes 12 anos de idade.

Todos estavam incrédulos, perplexos, inconsoláveis, impotentes e sentimos o gosto gelado e azedo da morte.

Voltei a lembrar-me de Jesus, quando ressuscitou uma menina de quase 12 anos, de Lucas e de Paulo. Lembrei-me de Pedro e pude constatar minha pequenina e impotente fé. Como eu queria fazê-la levantar dali e correr para os braços de sua mãe.

Minha fé fragilizada, incapaz de remover montanhas, de curar ou de evitar uma morte tão precoce, deixou-me pela segunda vez, frustrado e entristecido.

Todos pareciam meditar sobre a brevidade da vida, sobre o imprevisível dia de amanhã e sobre nossa vaga corrida atrás de vento.

A morte parece brincar de pega-pega, e ali, morto, poderia ser você, eu, ou pior… um de nossos filhos.

Sem dúvida Deus escutava minhas orações, escutava cada pedido, promessa ou sussurro suplicante de todos.

Porque então, Ele não evitou essa terrível tragédia??? Bastava que Ele quisesse!

Lembro-me de Moisés, com que Deus tinha um relacionamento peculiar, que permitia visões e diálogos claros, permitia até que Deus reconsiderasse.

Mas era o tempo de Marcele retornar ao Pai, ao Lar eterno, e teríamos que entender isso, mesmo sem saber o motivo exato.

Deus, que não reconsiderou, também não se ausentou, não se omitiu. Por mais calado que parecia estar, por mais distante que poderíamos pensar que Ele estivesse…Ele não ignorou!

Deus estava ali! Ele confortava Márcia, uma mãe de coração despedaçado. Deus se ocupava dela agora…e parecia derramar sobre ela amor, ternura e paz…uma paz gigantesca e incrível; a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e a vossa mente em Cristo Jesus.” Filipenses (4:7)

Ó Márcia, querida Márcia….querida sim! Porque teve todo meu afeto, respeito e admiração quando em meio a tanto sofrimento, angústia e dor, revelaste a paz do Senhor, que estava contigo. Oro para que permaneça Nela, a fim de permitir que Deus cure seu coração.

Em relação à morte, nenhuma palavra humana, por mais sincera e bela que seja, consegue nos confortar. Essa tarefa é de Deus.

E Ele a executa com primazia!

“A morte não é uma calamidade, quando morremos; só é uma calamidade para aqueles que ficam, pois a morte é libertação, alegria, paz e beatitude eternas. Os dias dos homens são curtos e cheios de perturbações. O que há no mundo que nos ofereça consolo?…”

Pg 506 do fantástico livro Médico de Homens e de Almas.

“As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão.” Jo (10:27-29)

“quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida.” Jo (5:24)